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Revisão: Lucas Barreto
Muito se fala dos poucos jogos de plataforma 3D do Nintendo 3DS, um portátil mais que equipado para lidar com todas as direções que o tenebroso mundo tridimensional propõe, sem falar de poderio de hardware, bem capaz de jogos com fidelidade e escopo similar ao Wii, e acabou tendo todo o seu potencial “desperdiçado” favorecendo jogos mais simples em plano 2D.
Mas e o Nintendo DS original, hein? O portátil que chegou chutando as portas do mercado com suas duas telas, uma delas sendo de toque, conectividade com a internet, e um salto gigantesco de hardware com capacidade de renderização em 3D. O Game Boy Advance se arriscava com seus Astérix & Obélix XXL e Super Monkey Ball Jr., mas o DS era mais poderoso e prometia céus e montanhas.
Mas na realidade, assim como acabei de mencionar sobre o 3DS, desenvolvedores logo começaram a priorizar jogos 2D e mais casuais para o DS, uma vez que o aparelho foi melhor se adaptando ao mercado e encontrando seu espaço. Sem falar desse maldito D-Pad, não é?
Ora, como alguém que cresceu exclusivamente jogando jogos 3D com um D-Pad no PlayStation, a abordagem dos jogos 3D no DS não são nem um pouco estranha. E jogos de plataforma 3D, especificamente, eram sempre um deleite de encontrar entre as centenas de sidescrollers. Resolvi então levantar essa seleção de jogos de plataforma 3D no Nintendo DS, para relembrar a forma como os títulos foram adaptados e apreciar seus esforços como se fosse 2004.
Note que essa não é uma lista completa e apenas menciona os jogos mais notórios de franquias grandes, e com certeza há vários jogos licenciados como Ratatouille que se encaixam na descrição. Esses merecem seu tempo e seu espaço em outra ocasião.
Super Mario 64 DS
Esse certamente não dá pra esquecer, nem mesmo aqueles que dizem que querem esquecer irão conseguir! Claro, título de lançamento para o DS em 2004 foi o jogo mais comentado desse período por conseguir a façanha de colocar o revolucionário Super Mario 64 na palma da sua mão! Também foi aquele que, para muitos, demonstrou as deficiências do Nintendo DS em traduzir jogos 3D para um aparelho sem uma alavanca analógica… justamente O jogo criado para te vender no uso de controles analógicos em 1996.
Muitas concessões foram tomadas para adaptar esse clássico para o novo portátil, como o seu personagem agora ser capaz de se mover em apenas 8 direções (ao contrário dos 360 ângulos do original), e um botão de correr que foi adicionado para compensar a falta de sensibilidade no caminhar de velocidade gradual. Mas honestamente? Os méritos de Super Mario 64 DS são muitas vezes ignorados por causa dessas mudanças que sim, são drásticas em como você joga o jogo, mas não é detrimento a ponto de arruinar a experiência.
E os conteúdos novos, somados com a repaginada dos visuais para se adequar melhor ao mundo do Mario daquela época, são todos fascinantes. É recomendadíssimo para quem tem a mente aberta para as mudanças e adições, como uma versão alternativa de um jogo fundamental.

Rayman DS
Outro queridíssimo do Nintendo 64 não demorou a dar as caras no DS. Lançado em 2005, Rayman DS é um port de Rayman 2: The Great Escape, estranhamente omitindo essa informação importante da caixa do jogo, provavelmente causando expectativas de ser um jogo totalmente inédito para os desavisados.
Rayman 2 teve diversos ports para diversas plataformas ao longo dos anos, mas por sorte, essa versão no portátil é diretamente baseada no original de N64, que foi o console que o jogo foi projetado. E apesar de não conter os detalhes e adições que ports posteriores foram receber, como no Dreamcast ou no PlayStation 2, ainda é uma conversão competente. Em termos conteúdo, não há cortes na aventura e o jogo inteiro está no cartuchinho que é 1/6 do original.
Ser um jogo mais linear com ambientes tridimensionais não tão enormes torna o controle do personagem usando direcional em cruz tolerável, por mais que ele também ofereça o controle analógico através da tela de toque, assim como em Super Mario 64 DS. Mas tome cuidado com os seletos problemas de colisão que, misteriosamente, acontecem em momentos onde não deveriam. A taxa de frames tambem pode ser bem abaixo da média em certos momentos mais intensos, e mesmo que isso também ocorra no lançamento de 1999, te garanto que não era de forma tão severa.
É ainda um clássico imbatível que merece ser revisitado em toda oportunidade que aparece, mas é seguro afirmar que o DS não é o melhor lugar para jogar Rayman 2. Talvez a versão do 3DS (com seu próprio conjunto de problemas) seja mais confortável.

Pac-Man World 3
Quando jogos tinham lançamento simultâneo em console de mesa e portáteis, normalmente recebiam versões distintas desenvolvidas para os portáteis devido a capacidade limitada do hardware… mas não é o caso aqui! Pac-Man World 3 é o mesmo jogo em todas as plataformas que foi lançado e é especialmente impressionante no DS!
Convenhamos que World 3 não é um jogo tão adorado pelo os fãs da trilogia, mas é muito ambicioso por trazer um título da arbitrária sexta geração de consoles (lançado para GameCube, PlayStation 2 e Xbox) para o DS com paridade de conteúdo, mecânicas e level design. Pouquíssimo foi modificado para adaptar a aventura do amarelo Sr. de Família e é um feito que não pode deixar de ser apreciado! Óbvio, não poderiam deixar de adicionar certas funções que são exclusivamente executadas com a tela de toque.
Porém, o jogo sofre muito com taxas de frames baixíssimas em momentos mais intensos, mesmo com os gráficos reduzidos para as capacidades de renderização do DS. E se você acha que os problemas de design enraizados em Pac-Man World 3 são problemáticos, com certeza eles são enfatizados aqui. Embora nada menos que tecnicamente incrível, não é uma versão muito jogável de um jogo já com escolhas questionáveis. Se arrisque pela curiosidade!

Crash of the Titans
Crash of the Titans é o filho incompreendido da série Crash Bandicoot. O sexto título da continuidade, com frequência erroneamente apontado como um reboot, é um jogo com uma direção de arte bem diferente do que veio antes, e também mais focado em combate do que em coletar Wumpa Fruits e quebrar caixas. Mas se você procura algo mais semelhante às primeiras aventuras do marsupial, a versão de DS pode te oferecer algo assim.
Com fases construídas em corredores, como nos velhos tempos do PlayStation, Titans no DS é uma versão única, com objetos e coletáveis mais voltados aos jogos originais, em oposição às mudanças radicais vistas na versão principal para consoles de mesa. Os elementos de combate e montar em inimigos ainda existe, mas a ênfase está mais no ato de pular, coletar coisas, encontrar segredos e ir até o final da fase com suas habilidades de plataforma.
E para uma pequena curiosidade adicional: poderíamos ter tido outro jogo do Crash em 3D no DS talvez até mais amplo que Titans, pois quando o de-fato-reboot Crash Landed estava em desenvolvimento em 2009, ambos Renegade Kid e WayForward apresentaram propostas para uma versão portátil, mas o cancelamento do projeto principal não os levou a lugar nenhum. A versão da WayForward se tornou Galactic Taz Ball… ah, as ironias do destino.

The Legend of Spyro: The Eternal Night
Ao contrário de Crash of the Titans, The Legend of Spyro se compromete em ser um reboot da série do dragãozinho roxo, dando para ele uma nova origem, um novo mundo para explorar e novas habilidades. E ironicamente é outra interpretação de uma série de jogos de plataforma que envolve combate físico (não dá para culpar ninguém, estava popular nos anos 2000). Esse é o segundo jogo da trilogia, e o único que é tradicionalmente em 3D na versão portátil (o primeiro sendo isométrico no DS, e o terceiro sendo um sidescroller).
Novamente é uma reinterpretação e recontextualização única da versão principal do jogo para consoles de mesa, com seu próprio level design, com a ação acontecendo na tela debaixo. Mas ao contrário de Crash, já que fases em corredores eram comuns em seus jogos antigos, para Spyro é um tanto limitado, dada à natureza dos seus vastos playgrounds tridimensionais no passado. Mas ainda assim, vale a conferida pela experiência única.

Tak: The Great Juju Challenge
Tak é uma série curiosa, financiada pela Nickelodeon como uma propriedade totalmente original para se infiltrarem no mercado de vídeo games. Ela conquistou um pequeno sucesso entre os personagens pulantes dos anos 2000, até cair em relevância; nem mesmo o eventual seriado animado a ajudou. Aqui nós temos mais um caso de uma versão única desenvolvida para o portátil, ao invés de uma conversão direta, sendo esse o terceiro jogo da trilogia (tetralogia?) Tak lançada para consoles.
Nada tão elaborado como vemos nas versões de console, mas as mecânicas básicas de movimentação e ataques se mantêm. A novidade nesse título em particular era Tak e o fanfarrão Lok se aventurando juntos, com a possibilidade de um segundo jogador tomar controle da aventura a qualquer momento nos consoles, e também permitindo que o jogador solo pudesse alternar entre os personagens. No DS, Lok não está sempre ao seu lado, sendo controlado pelo computador e ajudando em combate como nas outras versões, mas você ainda pode alternar entre os dois com um simples toque da tela debaixo. Não é uma forma ruim de trazer o conceito para as duas telinhas.

Death Jr. and the Science Fair of Doom
Para fecharmos nossas passagens, vou desenterrar um mascote certamente esquecido, o esquelético Death Jr. (desenterrar, entenderam?!), que veio assombrar as telinhas portáteis por cortesia da Konami. Os dois primeiros jogos, lançados para o PSP (o segundo também está no Wii), receberam aclamação pela sua mistura de combate, muitas explosões e tiros com plataforma tradicional, e o terceiro e último jogo deu as caras no DS com resultados mistos.
Para os termos estabelecidos dos últimos jogos, Science Fair of Doom deixou muito a desejar em complexidade e desempenho, simplificando tudo, afastando muito a câmera em certos momentos e ainda colocando funções de touch screen intrusivas, (o que é sempre divertido, não é?). Mas para as opções limitadas de jogos de plataforma 3D no DS, eu diria que vale à pena a conferida, especialmente para redescobrir um dos personagens mais excêntricos da época (talvez nem seja de longe o mais esquisito). Há também uma série de quadrinhos que tem seus fãs, então é outra maneira de adentrar esse universo macabro!

E obviamente, quando se abrange outros gêneros além do plataforma tradicional, temos ainda diversos jogos completamente 3D no DS, que são impressionantes por N razões. E apesar do imenso obstáculo que é esse D-Pad pra muita gente, os experimentos são sempre muito bem vindos, mesmo que os resultados ainda não sejam ideais.
