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Revisão: Lucas Barreto
2026 marca o retorno de algumas icônicas franquias para as plataformas Nintendo e entre elas está eFootball, a série virtual de futebol da Konami. Após 13 longos anos, os donos de Switch 2 podem aproveitar uma nova versão do jogo de futebol, uma bem mais focada em ser uma experiência casual e singleplayer, diferente da versão principal de eFootball disponível em outras plataformas.
Apesar da EA e sua franquia de futebol terem um monopólio quando o assunto é aproveitar o esporte bretão nos consoles da Nintendo, a Konami também aparecia de vez em quando, oferecendo aos jogadores da casa de Mario uma chance de experimentar sua própria recriação virtual de futebol. As chances foram raríssimas, com muitas sendo exclusivas da terra do sol nascente, mas eFootball, ou Pro Evolution Soccer como era mais conhecido na época, deixou sua marca sempre que entrava em campo, assim como aquele jogador fenomenal do seu time que era um super reserva, mas que nunca deu certo como titular.
Konami, futebol e Nintendo: um trio que sempre se deu bem

Este texto pode ser sobre PES, mas a combinação entre Konami, Futebol e plataformas Nintendo é algo bem antigo e cujo sucesso serviu como a base para que a desenvolvedora japonesa investisse nesse tipo de jogo. A primeira imersão da Konami no mundo da bola foi com o Konami Soccer, lançado em 1985 para o MSX apenas no Japão. Apesar disso, o esqueleto do que viria a ser a base dos jogos de futebol da desenvolvedora só surgiu em 1992 com o lançamento de Konami Hyper Soccer para o Nintendinho.
Konami Hyper Soccer era ainda um jogo bem limitado, mas ele já demonstrava alguns dos elementos que viriam a aparecer na série mais famosa. Temos a escolha de formações para as equipes antes das partidas e os atletas conseguem realizar jogadas mais impressionantes como bicicletas e voleios. O título também foi disponibilizado apenas na Europa e na Austrália, limitando bastante seu alcance mundial.

Dois anos depois de Hyper Soccer, contudo, a Konami lançou aquele que seria o título que a colocaria como uma das principais desenvolvedoras quando o assunto é futebol virtual. Jikkyō World Soccer: Perfect Eleven, foi lançado para o Super Famicom no final de 1994, chegando ao ocidente um ano depois com um nome que ficou marcado na geração 16-bits, International Superstar Soccer.
Inspirado na Copa do Mundo de 1994, International Superstar Soccer trazia a competição para o console de 16-bits de forma não oficial. Jogadores podiam jogar com 26 seleções (e uma super seleção secreta) e jogar partidas amistosas, participar de uma liga ficcional envolvendo todos os países ou então jogar a International Cup, um modo que recriava a Copa do Mundo com as mesmas regras do torneio de 1994. Também havia um modo de desafio, intitulado Scenario Mode, onde era preciso dar a reviravolta no placar e vencer partidas.
International Superstar Soccer, ou ISS para os mais íntimos, já tinha muitos dos elementos que seriam mais tarde expandidos na série PES. Antes das partidas começarem, é possível ver a condição física dos atletas, e a versão japonesa possuía seleções exclusivas (como a seleção japonesa, fruto de um licenciamento exclusivo da Konami com a JFA, a Associação Japonesa de Futebol, que perdura até hoje). O mais icônico, claro, era a presença dos atletas fictícios, resultado de não possuir a licença oficial dos jogadores. Este último foi um dos principais fatores que ajudou o sucesso do título, especialmente no Brasil, onde alguns dos atletas ficaram famosos o bastante para se tornaram parte do folclore do futebol virtual, com o principal deles sendo o craque Allejo, baseado em Bebeto, um dos atacantes da seleção brasileira.

Mesmo com as limitações visuais da época, ISS foi o primeiro título de futebol que buscou recriar os atletas reais dentro do mundo videogame. Alguns icônicos futebolistas, como o lendário colombiano Carlos Valderrama, que teve seu icônico afro loiro recriado, são reconhecidos mesmo com as limitações do SNES, mostrando a dedicação e criatividade dos artistas da Konami.
Ainda em 1995, a Konami lançou International Superstar Soccer Deluxe, uma versão melhorada do título original. Dessa vez temos 36 seleções jogáveis e modos adicionais de jogo, como novos torneios (incluindo um baseado na Eurocopa, competição entre as seleções Européias), um reformulado Scenario mode (onde agora é recriado partidas históricas), novas opções de treinamento, além de incluir um divertido código para transformar o juiz em um cachorro.
As duas versões de ISS são jogos queridos até hoje por amantes do futebol virtual que cresceram na década de 90. Eles não marcaram o fim da parceria entre futebol e Konami nas plataformas Nintendo, mas são sem dúvidas os mais memoráveis. Eles também são de bastante importância para os jogos que são o foco deste artigo, já que Winning Eleven, nasceu como um “spin-off” mais “realístico” desta franquia.
A primeira era: Winning Eleven

No final da década de 90, a Konami transportou ISS para o mundo 3D com títulos da série para o Nintendo 64, continuando a evoluir à fórmula dos jogos de SNES. Entretanto, no rival PlayStation, uma outra série de futebol da própria Konami é quem começava a chamar a atenção dos fãs do esporte: Winning Eleven.
Nascido de um spin-off de ISS, intitulado World Soccer Winning Eleven (conhecido como Goal Storm no ocidente), foi lançado em 1996 para o PlayStation 1, trazendo uma jogabilidade com uma pegada mais para simulação e visuais 3D. O título, desenvolvido pelo estúdio de Tóquio da Konami (enquanto ISS era desenvolvido pelo estúdio de Osaka) foi um grande sucesso e deu início a franquia Winning Eleven, recebendo títulos anuais que atualizava elencos, além de receber novos modos.
No início dos anos 2000, ISS foi perdendo força e Winning Eleven assumiu como a principal série de futebol da Konami. A Nintendo havia lançado ambos Game Boy Advance e Game Cube no mercado e a Konami viu uma oportunidade de tentar expandir o mercado de sua série futebolística. ISS já havia dado as caras em ambas as plataformas, mas agora era a vez de Winning Eleven.

Decidindo aproveitar a febre da Copa do Mundo de 2002, que ocorreu no Japão, a Konami lançou Wi-El: World Soccer Winning Eleven para o GBA em 2002. Baseado em World Soccer Jikkyou Winning Eleven 2000, lançado dois anos antes para o PS1, o título traz a jogabilidade do console 32-bits, dentro das limitações do GBA, além de todos os modos de jogo disponíveis, incluindo a tão querida Master League.
A Master League é um dos modos mais icônicos da franquia. Nele, podemos selecionar um clube de futebol (com o Vasco da Gama sendo o único representante brasileiro) de uma das diferentes partes do mundo e competir em um campeonato. A graça desse modo é que começamos com um elenco de jogadores fracos e a cada partida ganha, recebemos pontos que podem ser utilizados para contratar jogadores melhores para sua equipe. Assim como é o caso com ISS, os jogadores iniciais da Master League também se tornaram icônicos para os fãs, com exemplos incluindo Castolo, Minanda e Ximelez. Apesar disso, a diversão era conseguir os craques reais, como Ronaldo, Beckham e Zidane, já que a Konami possuía tais licenças.
Wi-El: World Soccer Winning Eleven recria muito bem o título de PS1, especialmente sua jogabilidade. A Konami se adaptou bem às limitações do GBA, conseguindo entregar algo que remete bastante ao encontrado no console 32-bits. Os atletas são sprites comprimidas dos modelos 3D’s e até mesmo a narração icônica de Jon Kabira (comentarista japonês) marca presença, apesar de ser mais limitada.
Ainda em 2002, a Konami lançou uma segunda versão do título, dessa vez baseada na J-League, a principal liga competitiva do Japão. Essa era uma prática comum da desenvolvedora na época: relançar o mesmo título no país só que com os clubes locais. Até pouco tempo, essa era a única forma oficial de poder utilizar os clubes da J-League, já que a Konami tinha a exclusividade da licença.

Os donos de Game Cube também foram agraciados com um único título da série em 2002, curiosamente, uma versão melhorada. World Soccer: Winning Eleven 6 Final Evolution é uma versão atualizada de Winning Eleven 6, também conhecido na Europa como Pro Evolution Soccer 2. Tendo sido lançado após a Copa do Mundo, o título introduziu elencos atualizados, melhorias nas físicas de bola e IA dos oponentes, além de refinamentos na jogabilidade. Essa foi a introdução dos jogadores do cubo à franquia, com eles podendo aproveitar todos os modos de jogo já esperados da série, incluindo a Master League.
É bastante interessante conferir como os donos de plataformas Nintendo em 2002 puderam conhecer as duas versões da franquia. No GBA, era possível experimentar o estilo original da série, enquanto o Game Cube possuía o estilo atual (na época), em talvez uma de suas melhores versões. Seja como for, infelizmente esse pequeno gostinho ficou por isso mesmo, com a Konami decidindo ignorar ambas as plataformas em relação a futuras versões da série.
Por falta de tradução, e no caso do Cube, region lock, muitos fãs de futebol virtual nas plataformas Nintendo não puderam aproveitar esses jogos. FIFA, longe de possuir a popular jogabilidade da era moderna, era a única opção viável nas plataformas. Os fãs da Nintendo, teriam que esperar um pouco mais pela chance da Konami agraciar seus consoles novamente com a série.
A segunda era: Pro Evolution Soccer

Na segunda metade dos anos 2000, a Konami decidiu oficializar o nome ocidental da franquia como Pro Evolution Soccer. A mudança veio junto com aquele que é considerado um dos melhores títulos da série, ao menos em sua versão original no PlayStation 2, Pro Evolution Soccer 6.
Lançado em 2006 para PlayStation 2, PlayStation Portable, Xbox, Xbox 360 e PC, Pro Evolution Soccer 6 foi o ápice da evolução da jogabilidade da franquia na era 128-bits. Os jogadores podiam controlar seleções e equipes das principais ligas do futebol europeu, com muitas totalmente licenciadas. Modos de jogo foram expandidos, a jogabilidade foi refinada e existia muito conteúdo adicional para ser habilitado e aproveitado, incluindo um novo modo inédito conhecido como International Challenge, onde era possível participar das eliminatórias para a Copa do Mundo e escolher quem representaria sua seleção escolhida, sem precisar ficar preso a escalação dentro do jogo.

No final de 2006 no Japão, a Konami decidiu lançar uma versão exclusiva de Pro Evolution Soccer 6 para o Nintendo DS. Chegando ao resto do mundo em 2007 com o nome de Pro Evolution Soccer 2007, o título só tinha em comum com seus contemporâneos o seu nome em si. Assim como foi o caso com Winning Eleven no GBA, a Konami decidiu usar como base as versões PlayStation da franquia, com a engine, visuais e jogabilidade sendo basicamente reutilizados da era 32-bits.
As novidades eram o uso da segunda tela e da Stylus em certos elementos de jogo. O principal, era poder alternar formações e a intensidade de jogo com um toque simples na tela de baixo do DS. Disputas de pênaltis também utilizam a Stylus para decidir onde o atleta chutaria a pelota.
A versão de DS também tem um escopo bem mais reduzido do que as outras versões, com apenas alguns poucos modos de jogo disponíveis. Só é possível jogar partidas amistosas, um torneio em formato de eliminação, treinos e duelos contra amigos via wireless. Assim como na era PS1, seleções são o foco aqui, com apenas 10 clubes europeus disponíveis.

A principal adição desta versão é o modo World Tour, que substitui a Master League. Fazendo sua estreia na franquia aqui, no World Tour customizamos um time e devemos enfrentar todas as seleções do jogo, divididos em grupos baseado em sua dificuldade. Cada vitória nos concede moedas que podem ser utilizadas em um caça-níqueis dentro do jogo para conseguir jogadores para melhorar sua equipe. Os atletas iniciais são os mesmos da Master League e é preciso um pouco de sorte para conseguir bons atletas.
Um ano depois, a Konami retornaria ao DS com Pro Evolution Soccer 2008. O jogo é basicamente idêntico a sua versão anterior, com apenas algumas pequenas mudanças de clubes disponíveis para serem selecionados, novos efeitos sonoros e um estilo visual mais cartunesco nos menus de jogo. O World Tour recebeu apenas duas adições, o PES Shop, que permite o uso das moedas para comprar algumas habilidades bônus para as partidas e minigames com pequenos desafios. O caça-níqueis também foi modificado para permitir uma maior chance de conseguir jogadores específicos.
De uma forma geral, os dois PES de DS são versões mais casuais e sem muito brilho feito para um público mais jovem que talvez não queira explorar mais a fundo o mundo do futebol virtual. A própria Konami parece ter percebido que não valia muito a pena investir nesse tipo de experiência, já que cortou rápido com a série de lançamentos. PES, contudo, continuaria dando as caras em plataformas Nintendo, só que dessa vez, o escolhido era o Wii.

A participação da série Pro Evolution Soccer no Wii é uma era curiosa para a franquia. Por conta da posição única do console no mercado, a Konami foi criativa na hora de trazer a série para a plataforma, mesclando elementos das duas fases que a franquia vivia na época (os jogos de PS2 e os jogos next-gen) com uma jogabilidade mais estratégica que utilizava o controle único do Wii.
Começando com Pro Evolution Soccer 2008, a série chegou ao Nintendo Wii trazendo uma nova experiência, mas sem deixar de lado o que fazia PES ser PES. A apresentação buscava atrair o público mais casual do Wii, com menus vibrantes e alguns elementos mais “infantis” como versões chibis dos atletas nos menus e a possibilidade de utilizar o Mii como jogador. Diferente do DS, todas as opções de jogo principais marcam presença aqui, incluindo a Master League, mas também há um novo modo chamado de Champions Road, que funciona como um desafio quase similar à famosa ML.
Em termos de visuais e apresentação dentro de campo, PES no Wii é semelhante aos títulos de PS2 que ainda estavam sendo lançados (que por sua vez eram todos baseados em PES6). Porém, engana-se quem pensa que este é um simples port, pois a Konami trouxe algumas animações e físicas das versões next-gen para o console, criando-se assim uma mistureba das diferentes eras de PES.

A principal diferença de PES no Wii para outros consoles, contudo, estava na sua gameplay. Diferente do que estamos acostumados, controlar um atleta por vez enquanto a CPU controla o resto do time, Pro Evolution Soccer no Wii era mais como um RTS, onde controlamos o time inteiro a qualquer momento. Com o Wii Remote, era possível apontar e escolher para onde os jogadores iriam correr, chutar e até dar passes. Enquanto um atleta estava com a bola, era possível selecionar outro e indicar com o controle para onde ele deveria correr, preparando-se para receber passes.
Era um estilo de jogo bem diferente do normal para jogos desse tipo e um que causou uma certa estranheza. Por isso, Pro Evolution Soccer 2009, lançado no ano seguinte, permitia o uso do Pro Controller para uma experiência mais tradicional. O mais interessante é que essa liberdade do estilo de jogo da versão de Wii significava que o console da Nintendo utilizasse animações ainda mais realistas, tornando-o superior até mesmo ao PS3 e Xbox 360 na hora de recriar movimentações do mundo da bola dentro do gramado virtual.
A Konami continuou a evoluir a fórmula com Pro Evolution Soccer 2010 que trouxe ajustes em sua jogabilidade e novos modos de jogos. A partir da versão 2011, contudo, a desenvolvedora ignorou novidades das versões Next Gen e trouxe o mesmo jogo, adicionando apenas um novo modo (A possibilidade de disputar a Copa Libertadores, principal competição da América Latina) e bugs que não existiam em versões passadas. PES 2013 foi o último título da série no Wii encerrando assim a participação da franquia no console. Além do Wii, 2011, 2012 e 2013 também apareceram no 3DS, mas essas versões são ports da versão de PSP com apenas a adição da tela de touch como diferencial.
A terceira era: eFootball

Após dizer adeus às plataformas da Nintendo, a Konami continuou a evoluir PES nos consoles concorrentes. Utilizando a Fox Engine de Metal Gear Solid V, a Konami trouxe grandes mudanças para a série a partir de PES 2014, mas, com o declínio da popularidade da franquia (resultado da má transição da série para o PS3 e Xbox 360), e o sucesso de FIFA, a desenvolvedora japonesa decidiu tomar uma decisão drástica em 2020, renomeando a série para eFootball e mudando o formato de ser um lançamento anual para um jogo Free-to-Play.
Em 2021, a nova era de eFootball começou, com o lançamento do título gratuitamente para aparelhos mobile, PS5, Xbox Series e PC. O jogo teve um começo difícil, sendo focado exclusivamente no modo online e cheio de microtransações, mas a Konami gradualmente foi introduzindo modos e mudanças que aos poucos foram conquistando jogadores. Apesar de estar no ar desde 2021, e de pistas e códigos terem sido encontrados no meio de suas atualizações, eFootball em si nunca deu as caras no Switch.
A Konami, contudo, parece ter tido outros planos em mente para os donos de plataforma Nintendo. Apostando novamente no público casual consumidor do Switch 2, a empresa decidiu lançar eFootball Kick-off, uma experiência single-player mais focada em jogo rápido que remete a era DS e Wii da série. Se isso é o começo de um possível reencontro da franquia com os fãs da Nintendo, só o tempo dirá.
