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Desenvolvedora: Aspyr, Monolith Productions
Publicadora: Aspyr
Gênero: Ação e aventura
Data de lançamento: 30 de setembro de 2026
Preço: R$ 109,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
Revisão: Davi Sousa
Ports da duologia Middle-earth para o Nintendo Switch 2 definitivamente não estavam na minha cartela de bingo de 2026, mas fico bastante contente com a surpresa!
Lembro-me bem da ocasião do lançamento de Shadow of Mordor, em 2014, principalmente porque não pude jogar o título na época, limitado pela seleção esporádica de ports de third parties para o Wii U. Desde então, comprei a duologia para a Steam, em uma das promoções que a coloca abaixo dos vinte reais, mas, assim como várias outras obras, não tinha colocado a mão nesse spin-off de Senhor dos Anéis… até agora!
A impressão que fica é que acesso as obras após quase todos já as terem jogado, mas ainda falarei com aqueles que acredito estarem em situações parecidas com a minha. Qual é a experiência de jogar Shadow of Mordor em uma plataforma moderna, 12 anos após o lançamento original? Como o jogo se comunica com a mitologia criada por J.R.R. Tolkien? Por fim, vale a pena acessá-lo pelo Nintendo Switch 2?
Um Produto de sua época
Shadow of Mordor é tão caracteristicamente produto de 2014 que chega a ser divertido pontuar de onde ele tira cada mecânica. O parkour e o modo stealth vêm de Assassin’s Creed; a visão que permite ver objetivos é de, bem, qualquer jogo da época; e o combate é um reaproveitamento total da série ‘Batman Arkham.’ Nada disso torna a experiência batida, contudo, principalmente pela maior inovação de Middle-earth: o sistema Nemesis.

Em Shadow of Mordor, controlamos um homem preso ao espírito de um elfo por um grande motivo: vingança. Para conseguir derrotar a Mão de Sauron, o responsável pela morte de sua família, ele precisa explorar a hierarquia de poder de Mordor, composta por capitães Orcs com suas revoltas internas, conflitos intermitentes e traições inesperadas. O sistema Nemesis coloca dinamismo ao tornar essas relações aleatórias; ou seja, cada gameplay se torna única, sem NPCs fixos.
Como nosso personagem é incapaz de morrer, retornando à vida após ser derrotado no campo de batalha, Orcs responsáveis por nossa morte recebem prestígio, ganhando espaço na hierarquia, com seus títulos únicos e até diálogos próprios. Assim, a grande trama gira ao redor da forma como podemos mexer com o sistema, rendendo um cenário controlado com aspectos sandbox interessantíssimos.
Os capitães costumam estar espalhados no mapa, mas podemos interrogar Orcs para descobrir a identidade, localização, fraquezas e efeitos especiais de cada capitão, até acharmos os Warchiefs, a casta máxima de Orcs no título. Estes controlam imensas instalações militares, sendo protegidos por outros capitães, que podem ser até controlados por nossas habilidades especiais, fazendo-os trair seus superiores e nos dando controle da hierarquia de poder.

Minha maior preocupação era Shadow of Mordor se tornar um tanto repetitivo. Afinal, existem apenas quatro variações de inimigos: Orcs, Caragors (lobos que servem como montraria), Graugs (ogros gigantescos) e Ghûls (criaturas noturnas que atacam em hordas). Na maior parte do tempo, batalhamos, vemos e interagimos com Orcs, com NPCs de outras raças aparecendo em cutscenes e momentos específicos da história. Por conta do sistema Nemesis, no entanto, a variação desta raça é imensa, com diferentes composições físicas, vozes, posturas, armaduras, nomes, habilidades e muito mais. A grande gama de personalidades de fato torna cada encontro único, e a história relativamente curta não nos deixa enjoar dos inimigos.
Falemos do elefante branco. É fato notório que a Warner registrou a patente desse sistema, tornando inviável a implementação dessa inovação em outros títulos. Por isso, Middle-earth é, até hoje, bastante único mesmo com um mercado tão vasto, mas principalmente por proteger sua revolução por trás do juridiquês. Penso que o mais próximo que havia experimentado do sistema Nemesis até então é o sistema de zombificação em Zombi U, onde cada morte gera um zumbi novo, e a cada game over passamos a controlar um protagonista diferente, mas a comparação é forçar um pouco a barra. Shadow of Mordor apresenta uma inovação, mérito dos desenvolvedores que deve ser celebrado, mas também a restringe juridicamente, postura da Warner que deve ser repudiada.
O Switch 2 roda bem um jogo de 2014?
A essa altura do campeonato, surpreendente é achar alguém que se surpreenda com os ports para o novo híbrido da Nintendo. Com uma resolução altíssima, os detalhes se destacam e os cenários ganham vida com as cores. A nível de design, o segundo mapa do jogo é o ponto alto, com colinas verdejantes e guarnições mais detalhadas que de fato trazem os detalhes da Nova Zelândia, que, por conta dos filmes, se tornou a Terra Média que todos conhecemos e adoramos.

Ainda assim, na reta final do jogo, senti alguns problemas de otimização. O jogo perdia frames com uma quantidade grande de oponentes na tela, as cutscenes ficaram bastante travadas e a batalha final em si estava bem mal otimizada. Entendo que houve uma prioridade para com o mapa aberto, com exploração em altíssima velocidade, mas o port em si merecia um pouco mais de cuidado.
Não sei dizer se esses problemas são específicos da edição de Switch 2 ou se são problemas estruturais já encontrados em versões anteriores, mas fica a lição de que um hardware melhor não resulta necessariamente em um software otimizado. Por falar nisso, o tamanho do arquivo digital me assustou: 50 GB. Para comparação, Cyberpunk 2077 tem entre 57 e 64 GB, o que já aponta que não houve um grande esforço em otimizar o jogo base.
Dito isso, acredito que a experiência ainda valha muito a pena. Um pé atrás que eu tinha em 2014 era como Shadow of Mordor dialogaria com a obra de Tolkien, por se tratar de uma história original na Terra Média, e acredito que os desenvolvedores souberam trabalhar bem com a história disponível. Tomando mais os filmes como referência do que os livros, que trazem Sauron como a grande ameaça e encaixam Gollum na narrativa, que na época está à procura do O Um Anel em Mordor.
Considero um pouco estranho como o fato de Sauron estar de volta é fato tão conhecido na Terra Média nesta interpretação, mesmo que, na verdade, a suspeita do regresso do personagem tenha vindo apenas no início da Sociedade do Anel. É uma liberdade criativa que o título assume e não atrapalha a integração da trama com o universo.

Um mergulho nostálgico
Seja por já ter experimentado o título no passado ou pelo próprio gosto da franquia, Shadow of Mordor é um belo mergulho nostálgico. Seus elementos retomam o cenário mais mágico da história do cinema, sem se preocupar muito com a origem literária, e ele serve como um bom spin-off.
O port do Switch 2 finalmente traz um título importante dos anos 2010 para um console Nintendo e, apesar de alguns engasgos, torna acessível uma obra importante na história da mídia no Ocidente. Pelo sistema Nemesis sozinho, é muito fácil recomendar a experiência.
Prós:
- O sistema Nemesis foi revolucionário, e até hoje encanta;
- O combate fluido e versátil possibilita diversas abordagens a um mesmo objetivo;
- Os cenários encantam pelos detalhes e pelo poderio do hardware do Switch 2, tanto na TV quanto no modo portátil.
Contras:
- O port pouco otimizado gera um arquivo pesado e alguns engasgos de frames na reta final das missões principais;
- Há certa repetição de guarnições e objetivos por conta da hierarquia dinâmica dos oponentes, com dois mapas distintos, porém monotemáticos.
Nota
8
