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Desenvolvedora: Lizardcube
Publicadora: SEGA
Gênero: Plataforma de ação
Data de lançamento: 24 de setembro de 2026
Preço: R$ 169,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela SEGA.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Lançado no final dos anos 80 nos arcades, Shinobi, dentre tantas, é uma das franquias mais icônicas e longevas da Sega. Meu contato mais marcante com a série se deu com a versão de Master System de Shadow Dancer, em meados dos anos 90. Esse foi o jogo que me apresentou a Joe Musashi e que, apesar da dificuldade, ao invés de me afastar, me despertou o interesse pelos jogos do ninja.
Entre lançamentos, ports e relançamentos, a luta do ninja Joe Musashi e outros shinobis que assumiram o manto foi marcando presença em diversos consoles ao longo do tempo. Porém, desde 2011, com Shinobi 3D, para o Nintendo 3DS, os fãs não experimentavam um título novo do ninja vingativo.
O ano dos ninjas, mas não do Switch 2

O ano de 2025 marcou o retorno de algumas clássicas franquias que usam a temática “ninja” para compor suas histórias. Só Ninja Gaiden, por exemplo, teve três títulos lançados. A Sega, nesse sentido, não ficou para trás: por meio do trabalho da Lizardcube, dos excelentes Street of Rage 4 e Wonder Boy: The Dragon’s Trap, lançou Shinobi: Art of Vengeance.
A versão do jogo para o Nintendo Switch 2, no entanto, atrasou. Mais de um ano depois do lançamento original, Art of Vengeance chegou ao console, com resolução melhor e framerate a 60fps, como um jogo novo. Isso quer dizer que, se os jogadores compraram a versão para Switch e quiserem experimentar as melhorias desta edição, terão que comprar o jogo novamente. Olhando em retrospecto, podemos afirmar que é a SEGA sendo SEGA.
O choque entre tradição e tecnologia

Tem certo pano de fundo que sempre acho interessante nos jogos do Shinobi: tudo parece girar em torno do embate entre tradição e tecnologia. A chegada do imperialismo ao Japão, por exemplo, marcou o declínio de um modelo mais tradicional de vida e sociedade, como foi o caso dos samurais. O discurso de “progresso” sempre casa com uma retórica que tenta legitimar a destruição de certos valores e cultura.
Em Art of Vengeance, uma organização paramilitar conhecida como ENE Corp é a responsável pela quase extinção do clã Oboro, de Joe Musashi. O ninja encarna o papel daquele que resiste e busca manter as tradições que o progresso tecnológico e militar tenta sepultar. A vingança não se dá somente pelas vidas ceifadas do clã, mas por todo um modelo de vida que corre perigo diante da megalomania de Lorde Ruse, que deseja dominar o mundo com base no poder que a tecnologia lhe proporciona.
Absurdamente bonito

O trabalho da Lizardcube precisa ser elogiado: o design de Joe, dos inimigos, bosses e cenários são bem variados e detalhados; as fases vão de campos abertos a regiões montanhosas, desertos, um trem em movimento e laboratórios. A arte do jogo, como um todo, nos entrega um visual belíssimo que enche os olhos de qualquer um, enquanto a plasticidade dos movimentos do Shinobi, em cada golpe, especial ou finalização, é simplesmente incrível. O jogo é absurdamente bonito, isso é inegável.
As melodias, apesar de não serem marcantes, ajudam a ditar o ritmo pelas fases. Os diálogos não são lá tão inspirados e a dublagem tem aquele tom “pastelão” exagerado de novela (joguei com o áudio em japonês), mas não comprometem a experiência. Detalhe para os impagáveis grunhidos do ninja Joe Musashi: em todo o jogo, ele só fala UMA única palavra; de resto, é só resmungo. Mas são resmungos assertivos, eu diria — você sabe o que ele queria dizer com um esclarecedor “grrrr”.
Quase um metroidvania

O novo título mantém, em parte, a essência que faz dele um jogo da franquia Shinobi, mas parece emular um pouco o embate que mencionei acima entre tradição e progresso, o que se reflete em suas mecânicas e level design. Pra mim, em especial, isso está longe de ser um problema; queria mais, na verdade! Porém, os fãs mais puristas, por assim dizer, podem se incomodar.
O combate abandona o estilo mais cadenciado, que requer memorização, o lançamento de shurikens à distância e um uso seco de espada perto do inimigo, abraçando combates rápidos com a katana e sequências de combos devastadores, quase aos moldes hack-and-slash. Isso se dá porque o jogo não segue uma estrutura de fase linear, como nos clássicos, e nos apresenta áreas com exploração livre, algo parecido com a que vemos nos metroidvanias, mas sem necessariamente ser um.

Essa indecisão de abraçar ou não o estilo metroidvania me incomodou. Ou você segue um gameplay mais tradicional e arcade, como Regebound fez com Ninja Gaiden, ou você se lança em navegar em novos mares. Essa escolha de level design tirou, na minha opinião, a identidade do jogo, que parece ter medo em assumir um lado. Ainda está estruturado em fases (que podemos revisitar a qualquer momento), algumas, inclusive, mais tradicionais — como a que avançamos numa prancha de surfe —, mas, no geral, não há linearidade quanto à exploração.
Isso quer dizer que na primeira fase, por exemplo, podem haver segredos e itens obtíveis apenas por meio de uma habilidade que só iremos adquirir bem mais pra frente na história. O jogo força um backtrack, mas não é algo “orgânico”; isso se dá porque temos que ir para o menu do mapa-múndi e escolher a fase em questão para buscar o item que antes estava inacessível. Em linhas gerais, Shinobi: Art of Vengeance, é quase um metroidvania, mas, não é!
O combate de Art of Vengeance

O combate de Art of Vengeance é o mais diferente de toda a franquia. Ainda existem Ninjutsus (quatro diferentes, no total) que podem ser desferidos em momentos estratégicos ou emergenciais, fazendo uso de uma barra especial que é preenchida golpeando os inimigos. Mas há novidades que incrementam a gameplay, como o Ninpo, um movimento que permite aplicar golpes especiais limitados durante um combo para maximizar o dano ao inimigo.
Existe toda uma sequência de golpes desbloqueáveis, que permitem combos dos mais diversos, se utilizando dos dois comandos de ação e o de lançamento de kunai. O jogo te instiga sempre a tentar deixar os inimigos em estado de vulnerabilidade para fazer uma finalização mais performática.
Essas finalizações aumentam o número de espólios (kunais, energia, moedas etc.) que podemos obter derrotando os adversários. Certas habilidades são adquiridas superando os bosses da fase em questão; no mais, as sequências de golpes, amuletos (defensivos e ofensivos) e skins podem ser adquiridos com um sapo mercador que aparece pelas fases.
A busca pelo combo perfeito, alternando entre golpes fracos, fortes, o uso de kunais e Ninpos, tornam o combate visualmente belo. Apesar de não haver tanta variedade de combos e o jogo não te forçar a isso, o prazer em derrotar uma horda de inimigos com uma sequência de golpes perfeitos é indescritível. O único problema é que as ferramentas para poder desferir esses movimentos mais performáticos estão presentes desde o início, enquanto as habilidades desbloqueáveis se alinham mais à exploração dos cenários do que às lutas em si.
Conteúdo extra e pós-jogo

Cada uma das fases guarda alguns segredos que nos obriga a revisitá-las, como Relíquias dos Oboro e uma Fenda do anjo da morte, Ankou, que guardam desafios, e rejogá-las para concluir 100% de seus objetivos amplia o nosso tempo com o jogo. Salvo tudo isso, há um interessante pós-jogo, marcado por um modo Arcade e um Boss Rush. Além disso, Shinobi: Art of Vengeance está totalmente localizado em português e possui boas opções de acessibilidade que permite ao jogador adequar a experiência às suas próprias necessidades.
A edição à qual tive acesso veio com todos os DLCs disponíveis, com ilustrações digitais, trajes, Ninpos e um amuleto extra, além de cinco novas fases que nos coloca contra alguns vilões lendários de jogos da Sega, como Dr. Eggman Robotnik (Sonic) e Death Adder (Golden Axe). Por mais que lutar contra esses personagens seja interessante, as novas fases, no entanto, colocadas aqui em forma de fendas dimensionais, não me agradaram tanto por destoar tematicamente dos jogos originais que as inspiraram e da própria narrativa de Art of Vengeance.
Uma experiência divertida, mas não marcante
A nova aventura do Shinobi buscou inovar jogando no seguro. É diferente dos demais jogos da série, mas poderia ser bem mais ousado, dado que as mudanças são, de certa forma, podadas. Apesar de visualmente bonito e dos combates contra os inimigos agradarem, é um jogo que não sabe exatamente para onde ir.
Não acredito que as melhorias no visual e framerate sejam suficientes para fazer com que quem comprou a versão de Nintendo Switch torne a comprar esse port. Pensando o jogo de forma isolada, Shinobi: Art of Vengeance possui uma duração honesta, com bastante coisa para fazer e descobrir; no geral, é uma experiência divertida, apesar de não ser marcante.
Prós:
- O visual é de cair o queixo de tão bonito;
- Os combates são visualmente belos e nos instigam a buscar o combo perfeito;
- Há bastante coisa para fazer e descobrir em cada fase;
- Possui um pós-jogo robusto que nos mantém entretidos por mais tempo.
Contras:
- As melodias não são tão marcantes, apesar de ditarem o ritmo das fases;
- Quem comprou a versão do jogo do Nintendo Switch terá que comprar o jogo de novo;
- O jogo parece ter certo receio de abraçar o subgênero metroidvania.
Nota
7,5
