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Desenvolvedora: Aspyr, Monolith Productions
Publicadora: Aspyr
Gênero: Ação e aventura
Data de lançamento: 30 de setembro de 2026
Preço: R$ 279,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
Revisão: Manuela Feitosa
Jogar a duologia Middle-earth em sequência, tantos anos após os lançamentos originais, é basicamente realizar um estudo de caso do mercado sobre as ocasiões de seus lançamentos. Em minha review de Shadow of Mordor, comento o quão fruto de seu tempo o título é, com elementos de ‘Assassin’s Creed’ misturados com a série ‘Batman Arkham.’ De forma semelhante, Shadow of War é reflexo de seu ano de lançamento: 2017.
O Nintendo Switch era lançado com seu revolucionário Breath of the Wild, transportando mundos grandiosos como o de Xenoblade Chronicles 2 na palma de nossas mãos e colocando a Nintendo de volta ao mapa.
Em paralelo, no PC e na briga entre PS4 e Xbox One, o escopo das séries aumentava: Assassin’s Creed encontrava em ‘Origins’ um espaço colossal para inserir elementos de RPG em sua fórmula, Horizon Zero Dawn apresentava um mundo aberto recheado de elementos interagíveis… Shadow of War surgiu no mesmo contexto: aproveitando uma fórmula de sucesso apresentada três anos antes e expandindo com mais conteúdo.
O resultado? Para nós, nintendistas, conferirmos por fim no Nintendo Switch 2, nove anos após o lançamento original.
Fanfic de O Senhor dos Anéis
Se Shadow of Mordor ainda se esforçava, em alguma capacidade, em inserir-se no cânone da mitologia de J.R.R. Tolkien, Shadow of War desprioriza a verossimelhança e abraça o aspecto fanfiqueiro. O que é ótimo para sua narrativa!

Se há algo provado nas adições da trilogia ‘Hobbit’ e na pavorosa série Anéis do Poder é que há muito pouco espaço para criar novas narrativas na Terra-média. Ao contrário do universo de Star Wars, com gama infinita de histórias e subtramas, Tolkien já narrou o início, meio e fim de toda sua criação em uma estrutura coesa e amarrada.
Claro, há sempre espaço para adaptar grandes eventos já estabelecidos ou criar narrativas de baixo impacto, como foi feito em Tales of Shire. O problema da duologia Middle-earth é que nos é apresentado personagens e eventos de altíssimo impacto em toda Terra-média, feitios que impactam as narrativas já estabelecidas principalmente na trilogia do Senhor dos Anéis.
Shadow of Mordor ainda encontrava espaço dentro do universo estabelecido pela narrativa curta e localizada, sem um grande envolvimento de Sauron, e terminando em um gancho para uma sequência com maior escala. Shadow of War cumpre a promessa, com uma guerra de alta escala em toda Mordor entre as forças de Sauron e do protagonista, capaz de converter os Orcs para seu lado a partir de um novo Anel do poder.
A duologia se encontra entre os eventos de o Hobbit e a trilogia do Senhor dos Anéis, e apresenta muitos eventos e personagens que, no mínimo, contradizem os eventos já estabelecidos. Mas abordar a obra por esse viés seria um erro: vejo muito mais valor compará-la à Star Wars Unleashed, que nos apresenta um cenário ainda mais fantasioso e absurdo, mas com o pretexto de podermos vivenciar certas experiências. Em Shadow of War, essas liberdades são recompensadas com oponentes muito distintos: desde Nazgûls a Balrogs, passando por inimigos fantasmas e cenários importantes na mitologia da franquia podendo ser visitadas pelo jogo.

Com a criatividade correndo solta, temos muito mais possibilidade de abordagens narrativas. Shadow of War não desperdiça a oportunidade e amplia muito além do que seu antecessor havia criado. De dois mapas relativamente pequenos, Mordor salta para cenários maiores e mais distintos: de picos gelados a florestas mágicas, sempre com Orcs tomando o território por meio de entrepostos militares.
A grande novidade do título está na mecânica de conquista de territórios. A partir do sistema Nêmesis de Shadow of Mordor, com uma dinâmica de poder entre Orcs que se traem, matam e almejam posições de poder de forma dinâmica e aleatória, agora devemos não apenas conquistar capitães utilizando nossa influência como também devemos dominar os fortes militares e, armando-os com nossos novos alidados, protegê-los dos ataques das forças de Sauron.
É uma dinâmica por si só extremamente satisfatória, apesar de que por conta do número elevado de mapas, o ciclo de dominação pode ficar um pouco enjoativo. Inclusive, falando de problemas, Shadow of War perde muito por tentar se expandir a partir dos mesmos erros de seus pares no período.
Menos é mais
Eu entendo a razão dos desenvolvedores passarem a incluir tanto conteúdo em um só título. Jogos são caros, e grande parte da satisfação do consumidor vem pelo tempo disponível em um produto. É essa lógica, contudo, que tanto prejudica sequências que buscam povoar seus mapas com objetivos repetitivos.

Diferente de seu antecessor, Shadow of War tem inúmeras linhas de missões em paralelo a partir de seu segundo ato. Isso faz com que o jogador sinta uma espécie de sobrecarga vendo a quantidade de itens disponíveis na lista de missões. Esse pequeno gesto transforma a experiência do jogar em trabalhar, gerando cada vez mais desgaste.
Não que as tramas não sejam interessantes, mas é monótono precisar repetir tantaz vezes o mesmo objetivo. Purifique os totens, liberte os prisioneiros, mate os capitães… eventualmente, a novidade se esgota, e o que resta é uma sequência de botões a serem apertados a cada fast travel (obrigatórias, por sinal, visto que os mapas não são interligados). Isso não quer dizer que a experiência no grosso não seja satisfatória, mas a repetição eventualmente faz o ciclo se quebrar, principalmente por conta do sistema de levels.
No primeiro título, protagonista e Orcs não tinham um sistema de level explícito. No caso, ganhava-se pontos que podiam ser convertidos em habilidades especiais, que por sua vez auxiliavam em combates mais intensos. Em Shadow of War, existe um sistema de level como um RPG com loot de itens, habilidades mais essenciais nos combates e os próprios Orcs têm seu sistema de raridade, com mais ou menos habilidades especiais, seja ofensivas ou defensivas.
Em 2017, as mecânicas abriram espaço para um sistema de microtransação que felizmente foi retirada posteriormente pelo estúdio, mas a herança da intenção maliciosa ainda é bem perceptível aqui, com um número grande de capitães por região que acaba por tirar o elemento especial que cada um apresenta.

O saldo final é genuinamente curioso. Por um lado, é muito bom a maior variação de NPCs e oponentes no mapa, quebrando a monotonia de enfrentar sempre os mesmos Orcs. Por outro, o volume de interação repetitiva torna a magia inicial em apenas mais uma rotina, o que é sempre um problema com jogos que buscam a quantidade acima da qualidade.
É uma pena sair da experiência com tal resultado, já que os mapas são interessantes, o sistema Nêmesis é revolucionário (e sempre vale destacar: preso na duologia por conta da patenteação da mecânica pela Warner) e a Terra-média nunca deixará de ser encantadora. Preferiria sair com o desejo de rever os filmes e reler os livros, mas desinstalo o arquivo buscando algo bem distante da alta fantasia.

Batalhas colossais na palma de sua mão
Sinto que para cada melhoria em comparação a Shadow of Mordor, Shadow of War apresenta um ponto negativo novo. Mapas distintos, porém ciclo repetitivo. Novos oponentes, mas história esticada. Ainda acredito que é uma experiência que vale muito a pena, apesar do desfecho narrativo ser, no mínimo, um balde de água fria, e ter a duologia Middle-earth no Switch 2 é um grande presente para os nintendistas fãs de Tolkien.
Porém, devo colocar uma nota menor para o port de Shadow of War do que para seu antecessor. Apesar da resolução excelente e de uma taxa mais estável de quadros, tive mais de um crash no jogo em momentos de ação muito intensa, que interrompeu uma boa porção de progresso. Além disso, o tamanho do arquivo é ainda maior do que Shadow of Mordor, chegando a quase 60GB, o que no Nintendo Switch 2 é extremamente atípico.
Prós:
- Sistema Nêmesis até hoje é revolucionário, e a expansão em Shadow of War entrega mais interações de personagens com ainda mais personalidade;
- Cenários são deslumbrantes e diversos;
- Tira proveito da mitologia de J.R.R. Tolkien e entrega bom fanservice.
Contras:
- Problemas de crash no Switch 2 interrompem progresso, apesar de não nos fazer perder saves;
- Quantidade maior de conteúdo gera desgaste ao longo da gameplay.
Nota
7,5

