Desenvolvedora: SHADE Inc.
Publicadora: D3 Publisher
Data de lançamento: 08 de Dezembro, 2022
Preço: R$ 299,90
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela D3 Publisher.
Revisão: Marcos Vinícius
SAMURAI MAIDEN é um bishoujo Hack ‘n Slash, sobretudo uma história sobre viagem no tempo, embora no sentido mais amplo funcione como um isekai. Àqueles que desconhecem o termo, “isekai” nada mais é que um subgênero bastante difundido em animes, mangás, Light Novels e até jogos eletrônicos (principalmente de origem japonesa). O ponto principal do Isekai é que seu protagonista é transportado para outro mundo e precisa lidar com os dilemas desse lugar novo.
Alguns exemplos de isekais mais clássicos são Guerreiras Mágicas de Rayearth, InuYasha, e até o saudoso desenho ocidental Caverna do Dragão. Enquanto nos mais modernos temos uma enxurrada deles, como Sword Art Online, Re: Zero, e No Game no Life — tendo esses três últimos nascido de Light Novels como dita a tendência do gênero. SAMURAI MAIDEN configura-se como um isekai, embora existam discussões sobre se viagem no tempo se encaixaria ou não no termo.
Porém ainda mais do que isso, eu acho interessante a forma que esse SAMURAI MAIDEN ao mesmo tempo se apropria dessas características do gênero para fazer a história andar e não deixa de se levar a sério, ele também olha para alguns desses momentos com certo cinismo, o que é fascinante e só é possível devido a alta em que esse gênero [o isekai] se encontra nos últimos anos.
Por fim, acredito que ser um Isekai é importante no contexto de SAMURAI MAIDEN, além da forma com que as personagens se relacionam, tornando ele antes de tudo, um bom Isekai que compõe um gênero que muitas vezes é utilizado apenas como atalho.

O que é Samurai Maiden
Indo mais direto ao ponto, SAMURAI MAIDEN como supracitado, é um RPG de ação hack ‘n slas que se passa durante o Japão feudal contemporâneo a Oda Nobunaga (período Sengoku 1467 – 1615), uma época de muita guerra civil na história japonesa.
Na narrativa, o poder dos inimigos de Nobunaga é atribuído a estarem realizando um ressurgimento para o Rei Demônio, e você como Tsumugi Tamaori, uma colegial contemporânea do Japão fascinada por história e habilidosa com a espada, é trazida para o passado para enfrentar as ameaças do suposto vilão. Você é escolhida para essa tarefa devido a ser descendente da sacerdotisa da harmonia, a única capaz de parar o Rei Demônio.
O ponto de ter como nosso vilão o Rei Demônio, uma representação genérica de mal, é um dos pontos interessantes dessa história para mim, justamente porque esse é o tipo de clichê que vemos em Isekais que se levam a sério, e em SAMURAI MAIDEN sso é encarado com certo cinismo, pois ninguém sabe nada sobre o Rei Demônio, nem exatamente o porquê dele ser uma ameaça. Ainda assim, garotas de diferentes tempos e dimensões precisam se unir para pará-lo se não algo de ruim deve acontecer.
As próprias meninas assumem e se frustram com sua falta de conhecimento sobre o o tal Rei Demônio e o que ele representa, assim como de certa forma temos uma resistência de Tamaori que acha injusto carregar esse fardo, o que nos leva ao próximo ponto forte dessa narrativa, a relação entre as garotas. Embora como é comum nesse tipo de história, cada uma represente um estereótipo, o ponto forte do desenvolvimento delas é a relação umas com as outras.
Conheça as ninjas
Como supracitado, Tsumugi Tamaori é nossa protagonista. Dentro das expectativas ela possui bem mais personalidade do que eu esperava, pois tanto é comum para JRPG quanto para o gênero Isekai a prática do Self insert, ou seja, optar por um personagem mais neutro para causar a identificação do jogador.

No caso Tsumugi é meio desligada, e tem bastante conhecimento histórico, no entanto ela é bastante empática e diria que é até mesmo um pouco preguiçosa. Ela se questiona bastante sobre sua capacidade de combate e como sacerdotisa da harmonia, mas assim como o resto do grupo, Tamaori consegue conceber a importância de sua missão.
Iyo é nossa ninja focada e determinada, além de ser dona das interações mais agradáveis com nossa protagonista na minha opinião. Ela é a única personagem da party que realmente é daquele lugar e época e isso traz uma densidade maior na relação dela com os eventos da história. Iyo está sempre obstinada pela perfeição e é uma ninja extremamente dedicada e leal, parte da jornada dela é justamente sobre aprender a ser mais que isso e encontrar prazer na relação com as outras garotas.
Hagana é a verdadeira garota de Isekai dessa estória, tendo sido trazida de outra dimensão para este evento, ela ostenta a característica mais única entre as garotas, seu braço mecânico. Hagane faz o típico papel da irmã mais velha mas com nuances, pois também é possível enxergar um certo cinismo e distanciamento dela com o resto da party, embora não tão explícito quanto de Iyo — acredito que parte da história da Hagane é confiar mais nas outras garotas e ser mais honesta.
E se for sobre ser mais honesta temos que falar de Komimi. A última garota da party é fofa e dependente mas odeia ser vista como tal. Além disso ela possui muito conhecimento e poderes de combate avassaladores. Embora faça o papel da Tsundere por assim dizer, Komomi não perde a mão nesse tropo ao ponto de ficar vazia como é comum nesse estereótipo,
Grande parte do apelo de SAMURAI MAIDEN é que embora elas lutem por uma causa cada vez mais a motivação das garotas se torna uma a outra, para lutar, para treinar e para melhorar e isso fica ainda mais explícito nos eventos extra.
Quase um dating game com espadas
Toda vez que o jogador completa uma missão com alguma das garotas, ele recebe uma quantidade de corações com ela, que representa a proximidade entre as duas. Conforme o nível de proximidade aumenta, o jogador irá liberar cenas especiais com as garotas que, além de ser o principal ponto de fanservice, anda libera novas extensões para o combo da protagonista.

Os roteiros dessas cenas no entanto são por vezes mais interessantes que a história principal, que pode ficar maçante em alguns diálogos desnecessariamente extensos. Elas são sucintas, tem ótimo ritmo e mostram melhor traços de personalidade de cada garota, além de serem fáceis de desbloquear.
Os combos expandidos são bem úteis também. Já que o combate é bem econômico, Tamaori começa apenas com poucos cortes rápidos e cortes fracos com sua espada, que podem ser melhorados com o tempo. Além do combo da própria protagonista, temos os apoios das outras garotas que vem de coisas mais úteis em plataforming como o gancho da Hagane, e vai até o poder destrutivo da Iyo que pode plantar bombas bem como criar uma área de cura.
Mas a parte mais importante do combate é basicamente ser cauteloso. Os golpes de Tamaori são contidos e a maioria das lutas são contra hordas —e mesmo os chefes normalmente possuem a própria horda— e o jogador é bem frágil a dano, precisando ficar bem atento a posicionamento e esquivas.
A esquiva por sua vez, não é tão dinâmica quanto se é esperado, mas isso adiciona uma camada de densidade ao combate. Não é só sobre ritmo, você precisa se posicionar taticamente o tempo todo e isso também por conta das habilidades especiais das garotas de suporte que são magias elementais em área. Como cada uma configura uma área bem específica também é preciso um bom posicionamento tático para usá-las.

Revisitando a história de cabeça para baixo
A aventura tem um ritmo bom e bastante conteúdo, a qualidade gráfica também está impressionante no Nintendo Switch e o combate é bem divertido quando se pega o jeito. Como um todo, SAMURAI MAIDEN é bem simples mas bem escrito, a interação entre as garotas é bastante satisfatória também — caso você esteja acostumado com franquias como Senran Kagura, essa entrada vai ser um prato cheio.
Mas vale lembrar que, o jogo não é exatamente fácil, eu mesmo sofri em algumas partes mesmo na menor dificuldade. Nada que um pouco de grinding não resolva no entanto, não acho que ele chega a ser inacessível, mas pode ser frustrante para aqueles poucos acostumados.
Por fim, vale ressaltar que SAMURAI MAIDEN tem uma trilha sonora encantadora também, bastante estilizada e carismática. O único ponto negativo que acredito que valha a pena ser destacado é que, vez ou outra, o FPS cai no modo portátil; não foi tão frequente a ponto de me incomodar mas de fato acontece.
Prós
- Combate denso e divertido;
- Visualmente competente no Nintendo Switch;
- Interação entre as personagens é bem escrita;
- Trilha sonora agradável e estilizada.
Contras:
- Narrativa simples, tal como seu Level Design;
- Quedas de FPS periódicas no modo portátil
Nota Final:
8
