[Review] Pokémon Sword

Desenvolvedora: Game Freak
Publicadora: Nintendo
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 15 de Novembro, 2019
Preço na eShop: US $59,99
Formato: Físico/Digital

 

Pokémon Sword e Pokémon Shield dão o ponta pé para a oitava geração de Pokémon trazendo inúmeras novidades para os fãs da franquia, mas sem grandes inovações em alguns aspectos. Se não contarmos os remakes Pokémon Let’s Go, Pikachu! / Eevee! lançados em 2018, este é o primeiro grande título da série a chegar em um console de mesa da Nintendo.

Nesta análise, não tenho intenção de colocar questões como as polêmicas que os jogos se envolveram nos últimos meses. No entanto, há coisas que irei abordar que ligam a este assunto indiretamente. Além disso, não darei detalhe sobre a história do jogo.

Repetindo a fórmula de sucesso

Como a Game Freak prometeu lá em 2018, os fãs seriam agraciados com um jogo totalmente raíz de Pokémon. E não deu outra, tivemos até a volta dos gym leaders – em Pokémon Sun/Moon eles foram substituídos pelos Trials e Kahunas – só que em Sword/Shied eles decidiram dar um importância maior. Os ginásios se tornaram estádios que lotam com pessoas para assistir o líder de enfrentando você, o gym challenger. Além disso, somos introduzidos logo de cara ao Campeão da Liga Pokémon, popularmente chamado de Leon, o Campeão Invicto (e muito exibido por sinal).

Sobre a história em si, isso nunca foi o ponto forte de Pokémon. Parece que a Game Freak já possui um fórmula padrão para construir uma narrativa nos jogos. No entanto, como ela vai se desenrolando e o plot twist envolvendo os lendários e personagens centrais da trama é algo que eles sabem fazer muito bem. Se você já jogou algum jogo de Pokémon core, sabe como eles conseguem te prender do início ao fim sem deixar tudo muito enjoativo. Há muitos lugares que você quer ir, ginásios que você quer enfrentar, novos Pokémon que você quer conhecer e capturar, testar novas mecânicas e ver o desenrolar da história envolvendo os lendários e alguma organização maligna.

Apesar da Game Freak não se desapegar destes padrões, o que ela construiu com Pokémon Sword/Shield está bem satisfatório na minha opinião. Sinceramente não consigo imaginar eles fazendo algo diferente do que já estão acostumados. No mais, desculpe se tudo aqui pareceu tão cru, como os jogos ainda estão frescos, creio que dar spoiler sobre a história pode afetar a experiência de quem está lendo isso e ainda não jogou.

Novas features e cortes, muitos cortes…

A novidade em Pokémon Sword e Pokémon Shield é o Dynamax e o Gigantamax, fenômenos aparentemente exclusivos da região de Galar que altera o tamanho e forma (alguns no caso) dos Pokémon. Está nova mecânica é um dos pontos principais da história do jogo e, assim como as Mega Evolutions e Z-Moves, você tem acesso ao uso uma vez por batalha, e um único Pokémon no seu time pode usá-la.

O Dynamax em resumo aumenta o tamanho do Pokémon escolhido onde além do HP ser o único status a ser beneficiado. Os golpes também sofrem alterações tanto em seus nomes e animações quanto nos seus efeitos. Já o Gigantamax altera o tamanho e a forma do Pokémon, embora apenas um pequeno número de Pokémon podem atingir está forma. Vale ressaltar que o Dynamax e o Gigantamax são formas temporárias, seu Pokémon fica apenas 5 turnos neste estado.

Na primeira vez que vi tais mecânicas, senti que seria algo mais levado para a parte estética do jogo do que algo mais útil para a sua experiência. No entanto, ao experimentar, vi o quão divertido é usar estas formas – principalmente durante as batalhas em ginásios que dão um impacto e emoção ainda maior. Você ainda pode participar das Max Raid Battle, onde você sozinho (com bots) ou com amigos online/local podem se juntar e derrotar Pokémon nas suas formas Dynamax ou Gigantamax. Estas são features bastante interessantes e divertidas, mas sinto que graças a elas algumas outras features tiveram que ser cortadas injustamente.

Se você esperava que o Dynamax e Gigantamax poderiam coexistir com mecânicas antigas como as Mega Evolutions e os Z-Moves, pode tirando sua Ponyta da chuva. A Game Freak abandonou completamente estas features introduzidas nos últimos jogos, a Mega Evolution pelo menos teve a chance de aparecer nos jogos Let’s Go!. Eu não consigo ver um motivo para isso a não ser que a Game Freak queira nos obrigar a usar mais as novidades de Sword/ Shied do que nos apegarmos as features antigas. Pior que a mesma não deu um indício se tais features poderiam voltar no futuro, o que fica também a dúvida se o Dynamax e Gigantamax serão algo exclusivo de Sword/Shied.

Já que estamos falando de coisas que foram cortadas dos novos jogos, não tem como ficar sem falar dos Pokémon cortados. Atualmente, Pokémon Sword/ Shied possuem pouco mais de 400 Pokémon (incluindo os da nova geração). A Game Freak deixou claro desde o anúncio dos jogos que certos Pokémon não estariam presentes, e a esperança foi por água abaixo quando eles bateram o martelo dizendo que não pretendem incluir Pokémon cortados via atualização ou DLC. A justificativa da Game Freak era que os Pokémon estavam sendo refeito do zero, além de melhorar os gráficos. Mas o que vimos foi os Pokémon com mesmo design de Pokémon X/Y só que em HD, e um estilo visual de Pokémon Sun/Moon mais polido.

Claro que nada disso afeta drasticamente a experiência do jogador, mas a impressão que ficou ao ver o produto final era uma sensação de que poderia ser melhor, considerando que é um jogo feito para um console de mesa. Ao mesmo tempo, levo em conta a experiência como um todo da Game Freak em produzir jogos para consoles de mesa após décadas produzindo jogos para portáteis. Por causa disso, fico na expectativa de que a próxima geração poderá ser algo no que vimos na evolução de Pokémon X/Y para Pokémon Sun/Moon.

Wild Area

A primeira impressão que tive foi que Sword/Shield era nada mais que Pokémon Sun/Moon em HD com texturas e efeitos melhores. Mas não tem como não ficar maravilhado com os cenários e detalhes que eles colocaram. A liberdade que Game Freak tinha com o hardware do Nintendo Switch não foi muito aproveitada, mas digo “não foi muito” porque ainda há a Wild Area, que pra mim é o ápice do que poderiam implementar em um jogo de Pokémon.

A Wild Area é basicamente um campo aberto totalmente explorável que, segundo a Game Freak, possui o tamanho de dois mapas de The Legend of Zelda: Breath of The Wild. Lá há muitos Pokémon de diversos níveis que você pode bater de frente (similar aos jogos Xenoblade Chronicles). O interessante também é que a mecânica dos Pokémon andando pelo campo introduzida nos jogos Let’s Go! também foram implementadas. Na Wild Area você não apenas fica vagando a procura de Pokémon, mas também participa das Max Raid Battle, além de participar de minigames para coletar pontos e obter itens/tm’s raros, entre outras coisas.

Meu passatempo favorito enquanto estou na Wild Area é montar minha barraca e brincar com meus Pokémon usando a feature Pokémon Camp. Arrisco dizer que o Pokémon Camp é a evolução definitiva do Pokémon Amie (XY) em termos de feature para entreter. Você não só passa seu tempo com os Pokémon como também é útil para lhe dar Exp. Points. O interessante também é que enquanto você estiver online na Wild Area, você pode visitar acampamentos de outras pessoas que ficam visivelmente circulando pelo campo.

Para concluir, a Wild Area é um pedaço da evolução em Pokémon que maioria dos fãs desejam. E de fato, seria legal se os próximos jogos fossem mais open-world e com um bom controle de câmera que a Wild Area é.

Simplificando as coisas

Parte da diversão em Pokémon é você montar o time dos sonhos para partidas online ou local competitiva. Mas para isso você teria que passar por uma série de etapas, muitas vezes frustrantes, para chegar ao resultado final. Realizar breeding para obter o Pokémon com a natureza certa e bons IVs, bem como pegar egg moves, além aumentar os EVs em status específicos do Pokémon que assim que ele possa estar devidamente preparado para o campo de batalha.

Felizmente, grande parte disso foi simplificada pensando nestes jogadores competitivos. Agora existem itens chamados ‘Mint’ que altera a natureza de um Pokémon. Em Pokémon Let’s Go!, era possível farmar Bottle Caps, itens raros usados para maximizar IVs, em Sword/Shied o item agora é de fácil acesso. Em relação aos EVs, você ainda tem acesso às vitaminas, só que com uso mais aperfeiçoado. Não posso deixar de falar do método de aumento de nível fora das batalhas, os candies também estão retornando em Sword/Shied, mas você precisa participar de Max Raid Battle para consegui-los.

Não foi só o método de preparação para o competitivo que foi simplificado, várias outras coisas agora estão bem mais convenientes para o jogador. Você agora pode alterar o nome de um Pokémon que foi trocado com outro jogador (exceto se aquele treinador já tiver colocado um nome antes), você também pode transferir um egg move para um outro Pokémon do mesmo egg group sem a necessidade de breeding, você tem acesso a box sem a necessidade de ir ao Centro Pokémon, entre outras coisas pequenas porém úteis.

Personagens centrais

Melhor que os novos Pokémon, são os personagens que compõe a trama de Sword/Shied. Há personagens cativantes, misteriosos e extremamente chatos como o seu rival Hop. Esqueça que um dia você terá um rival não amigável nos próximos jogos, pois a Game Freak parece já ter se desapegado disso – e Hop é mais um exemplo. Durante o jogo, você será importunado várias e várias vezes por Hop te pedindo revanche em uma batalha. Não só Isso, mas a característica insuportavelmente amigável de Hau em Sun/Moon parece ter sido encarnada no Hop. Isso me faz desacreditar que a Game Freak poderá nos dar um rival com personalidade diferente já que ela está reciclando a personalidade de personagens anteriores (no caso o rival).

Mas nem tudo é Hop, felizmente temos ótimos personagem como a Marnie e o Bede, que também estão desafiando os gym leaders e topando com você vez ou outra. Bede é um treinador arrogante e inconsequente, mas seus Pokémon não condiz nem um pouco com sua personalidade. Já Marnie é uma treinadora de estilo gótico mas ao mesmo tempo fofa. Ela está sempre sendo perseguida pela Team Yell – que faz o papel de Team Skull da região – mas em vez de baderneiros, eles estão mais para torcedores fanáticos.

Sobre os gym leaders, não irei entrar em detalhes em cada, mas todos são extremamente carismáticos. Meus preferidos são Nessa do ginásio de água, Kabu do ginásio de fogo, Bea do ginásio de lutador (exclusivo em Pokémon Sword), e Raihan do ginásio de dragão.

Por fim eu tenho que falar um pouco da Sônia, uma das personagens de suma importância para os jogos. Sônia é colocado na história como assistente do Professor da região. No entanto, Sônia vaga pela região de Galar pesquisando sobre sua história em si. Ela tem papel de ajudar o jogador a entender o plot do jogo, então ela não poderia ficar de fora aqui.

Conclusão

Pokémon Sword e Pokémon Shield seguem com bastante novidades em relação ao conteúdo, mas na parte técnica eles ainda não são a evolução que esperamos. A Game Freak ainda precisa estudar bastante o hardware do Nintendo Switch para entregar algo que atenda ao máximo as expectativa dos fãs. Acredito que por serem jogos de transição, os próximos títulos podem apresentar ainda mais melhorias.

Sobre os cortes de conteúdo, isso foi algo bastante decepcionante. Parte disso tudo entendo como se a Game Freak quisesse incentivar os fãs a experimentar coisas novas. No entanto, a redução da National Dex e dela não ter planos de inclui os Pokémon restantes no futuro é algo inaceitável e totalmente preguiçoso por parte deles. Mas digo que por mais decepcionante que seja, o jogo está longe de ser ruim, joguei por mais de 25 horas a campanha e me diverti bastante – uma pena que o pós game não seja lá essas coisas.

No mais, Pokémon Sword/Shield por mais defeitos que tenha, ainda é um RPG de Pokémon tradicional com tudo que os fãs estão acostumados além de ser extremamente divertido. Ele certamente vale a pena a compra a preço cheio se você é um grande fã ou busca um bom exclusivo para passar o final do ano jogando.

Avaliação: 8 / 10

Significado das notas de 1 a 10
1 – Melhor vomitar do que jogar isso
3 – Vai fazer outra coisa.
5 – Só jogue se você for MUITO fã mesmo…
6 – Jogo legal pra se divertir e se distrair.
8 – jogo bom, vale bem seu tempo e dinheiro!
9 – Jogo excelente que vai deixar uma marca em você!

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