Review | Bladed Fury

Review | Bladed Fury

25/03/2021 0 Por Luiz Estrella

Desenvolvedora: NExT Studios
Publicadora: PM Studios
Data de lançamento: 25 de Março 2021
Preço: $ 17.99
Formato: Digital e físico

Análise feita com chave fornecida gentilmente pela PM Studios.


Algumas obras gostam de mergulhar fundo em suas temáticas, principalmente quando são baseados em referências culturais ricas e recheadas de lendas. É o caso de Bladed Fury, jogo da NExT Studios que agora está disponível no Nintendo Switch, a mitologia chinesa está impregnada em todos os aspectos do game, principalmente no visual. O jogo é de ação com movimentação em duas dimensões e um grande foco no combate rápido recheado de combos. Games com esse estilo “metroidvania” ganharam popularidade no meio indie recentemente, o que é um ponto positivo para os fãs do gênero, porém, ao mesmo tempo, é cada vez mais dificil se destacar entre tantos.

Bom, olhando as imagens, já dá pra ver um destaque de Bladed Fury, a direção de arte.

Muito Nanquim


O traço forte em pinceladas de nanquim (tinta preta utilizada em artes chinesas) entrega um visual único, e é interessante ver como o jogo se aproveita disso para as animações e as cenas. A história é recheada de personagens mitológicos chineses, todos representados de maneira bem característica. A protagonista Ji, tem um visual que chama atenção, porque mistura as linhas retas da arte chinesa com alguns traços mais modernos, como os olhos grandes e expressivos, que passam uma imagem carismática. Os inimigos vão de guerreiros com armaduras chinesas até almas e zumbis, a variedade é bem grande e vários personagens chamam muita atenção pela extravagância.

As cenas acontecem principalmente com diálogos exibindo a arte de cada personagem, com dublagem para cada fala (em chinês). Essa técnica é utilizada por vários jogos e funciona, dá para entender a motivação de cada personagem e a sua personalidade. Logo no início, tive dificuldade em entender por completo a história, o jeito de falar de cada personagem é um pouco confuso – talvez por conta da tradução – porém, ao longo do jogo, consegui entender melhor as motivações de Ji, ainda que muitos subtextos fiquem confusos por conta do grande número de referências mitológicas que eu desconhecia.

Ainda que tenha um número considerável de diálogos, o verdadeiro foco do jogo é o combate, que vai ocupar a maior parte da experiência.

Rápido e divertido (porém…)


Ji é uma guerreira poderosa e versátil, dentro do jogo, isso é refletido em um sistema de combate rápido e com uma boa quantidade de opções, utilizando quase todos os botões do controle. Começando pelo básico, o jogo oferece o clássico ataque leve, utilizando duas espadas, e ataque pesado, com uma espada grande, deixando a critério do jogador qual utilizar em cada situação, de acordo com a necessidade de um ataque mais rápido ou de maior dano. Combinar ataques com sequências de botões não é muito dificil e rapidamente me vi fazendo combos contra inimigos, a sensação é bem satisfatória, não há o que reclamar das animações que dão o peso necessário para cada ação.

Mas combate não é só dar porrada (geralmente), a movimentação também é essencial para que Ji consiga desviar dos ataques e se defender. Segurando o botão L, um escudo aparece e consegue sustentar uma certa quantidade de dano antes de quebrar, já apertando R, a personagem executa um dash horizontal, muito útil para fugir dos ataques inimigos no último segundo. Ainda há a opção de recuperar uma certa quantidade de vida utilizando cristais apertando ZR, na minha jogatina foi um item praticamente obrigatório em batalhas contra chefes. Por fim, o jogo também fornece um pulo duplo, que torna a tarefa de navegar pelos cenários algo bem fácil.

A sensação que o jogo passa de “Hack ‘n Slash” é muito satisfatória, quando um inimigo novo aparecia na tela, eu sempre ficava animado com a perspectiva de batalhar com ele. Alguns possuem armaduras temporárias que precisam ser destruídas, enquanto outros ganham imunidade durante seus ataques, de maneira sútil o jogo sempre exigia um certo ajuste na minha estratégia.

Com todas essas ações descritas, o combate parece perfeitamente funcional e de fato, foi a impressão que tive no início do jogo, no entanto, com o avançar da jornada, ficou claro que a responsividade dos controles deixa muito a desejar.

Progressão


Os inimigos no início eram fracos e com moveset mais simples, então não senti incômodo, porém, em trechos mais avançados do jogo, batalhas que exigiam mais reflexos começaram a aparecer e tive dificuldade em desviar. Toda vez que eu apertava o botão para dash ou de escudo, havia um atraso na ação e o dano era inevitável, em alguns momentos, o comando parecia nem registrar.

Dentro desses trechos frustrantes, o elemento do jogo que me ajudou contra essa dificuldade “técnica” são os “Soul Sliver“. Ao derrotar cada um dos seres mitológicos, Ji absorve a alma dele e pode usar os seus poderes em combate, até 4 almas podem ser equipadas para uso e cada uma tem um número limitado de usos e um cooldown. Essas habilidades especiais são consideravelmente fortes e não exigem tanta destreza, me salvando em diversos momentos para desferir dano em inimigos ou mesmo para para recuperar minha barra de vida.

O jogo é dividido em fases, que estão distribuídas de maneira linear, ao fim de cada uma, Ji volta para a floresta (que funciona como um Hub World) e pode prosseguir para a próxima fase. A exploração é bem simples, a grande maioria dos trechos são corredores verticais e horizontais, funcionando como palco para as batalhas. Em locais escondidos é possível encontrar colecionáveis que podem ser usados para ganhar novas habilidades, é um sistema interessante e que deixa o moveset da protagonista ainda mais completo, lembrando bastante o sistema de progressão de jogos como Bayonetta e Wonderful 101.

Potencial


Os sistemas do jogo funcionam muito bem no papel e o visual único ajuda a dar um charme a mais para a obra como um todo, mas infelizmente, a sensação que tive foi de potencial desperdiçado. Entendo que o combate é o foco principal, porém, com o moveset ágil que é apresentado, a exploração deixou a desejar, há poucos caminhos com bifurcações e poucas oportunidades para desafios de plataforma. Em pouco mais de 3 horas é possível terminar a campanha, mesmo sem apressar, há um certo fator replay com a dificuldade difícil e os challenges, mas a sensação que fica é que poderia continuar um pouco mais.

O jogo também apresenta alguns problemas técnicos, simplesmente travando por alguns segundos as vezes ou com transições estranhas entre cenas e gameplay, com a tela piscando e mostrando o cenário vazio antes de carregar. Porém, vale ressaltar que esses problemas, apesar de perceptíveis, pouco influenciam na experiência final, mas entregam aquela sensação de um produto que no geral ainda precisa de alguns acabamentos.

Conclusão


Bladed Fury é um jogo com mecânicas bem pensadas e um visual único, ambos prejudicados por alguns problemas técnicos e de polimento. A experiência final é mista, me diverti bastante com o combate em diversos momentos, somando combos e me movimentando rapidamente pelo cenário para fugir de inimigos enquanto procuro uma abertura. Por outro lado, a campanha acaba antes que possa deixar uma marca mais duradoura e o controle que não é tão responsivo gera momentos de frustração. Deve agradar principalmente aqueles que se interessam pela mitologia chinesa e jogos de ação.

Prós:

• Combate satisfatório e rápido
• Visual e história inspirados na mitologia chinesa
• Progressão de habilidades e poderes

Contras:

• Jogo com duração curta
• Pouca exploração
• Problemas técnicos de controle

7

Luiz Estrella
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