Review | Alex Kidd in Miracle World DX

Review | Alex Kidd in Miracle World DX

02/07/2021 0 Por Pablo Camargo

Desenvolvedora: Jankenteam
Publicadora: Merge Games
Data de lançamento: 22 de Junho, 2021
Preço: R$ 101,95
Formato: Digital/Físico 

Análise feita no Nintendo Switch.


Alex Kidd é um nome muito importante para o mercado de vídeo games no Brasil. O Master System, da SEGA, foi um dos consoles mais populares do país nos anos 80 e 90 devido ao excelente suporte da TECTOY, que até continua vendendo-o oficialmente no país nos dias atuais, e entre os jogos mais populares do console temos Alex Kidd in Miracle World, a primeira tentativa da SEGA de criar um rival contra o popular Mario da Nintendo no gênero de Plataforma 2D.

Por mais que a franquia nunca tenha decolado mundialmente, e Alex ter sido rapidamente substituído por um certo ouriço azul, seu primeiro jogo marcou muitos donos dos Master System II e III por vir na memória do vídeo game e ser um verdadeiro desafio para se concluir. De certa forma muitos brasileiros podem associar a imagem do personagem com o conceito de jogos eletrônicos num geral.

Por conta disso tudo, ver o anúncio de Alex Kidd in Miracle World DX em 2020, foi certamente um grande momento para os brasileiros fãs de vídeo games. Um remaster que prometia trazer tudo que tornou o primeiro jogo tão querido de volta e expandi-lo, e é mais satisfatório ainda ver que como o resultado foi positivo.

CONHECENDO E RENOVANDO O CLÁSSICO


Para quem não é familiarizado, Alex Kidd in Miracle World se trata de um plataformer 2D side-scroller, porém com vários aspectos únicos quando comparado a outros de sua época, como o ataque ser feito através de socos, seus mapas desafiadores e a jogabilidade com veículos. A jogatina começa no planeta Aries, com um jovem rapaz chamado Alex, lutador do estilo Shellcore querendo se reencontrar com seu mestre, pois o terrível vilão Janken está transformando cidadãos em estátuas de pedra enquanto tenta dominar o reino de Radaxian, e temos que partir numa jornada para derrota-lo.

A primeira grande diferença notável em sua versão DX é a melhoria gráfica, com uma direção de arte maravilhosa em pixelart super avançada que até podemos confundir com gráficos desenhados à mão se não prestarmos muita atenção. Todos os personagens, desde Alex até os inimigos e NPC’s receberam redesigns excelentes comparados às suas versões originais, e se movem com mais fluidez em suas animações. E para os saudosistas, a qualquer momento da jogatina, apenas com o apetar de um botão podemos trocar o estilo moderno para a pixelart 8 bits original, como se estivéssemos jogando a versão clássica do jogo.

MUITO DESAFIADOR


Mas quando falamos sobre a gameplay, Alex Kidd in Miracle World DX pode-se dizer que esta foi a parte do jogo que mais se manteve fiel ao jogo original, o que ao mesmo tempo é seu maior ponto positivo e negativo.

Apesar da repaginada estética, todas as fases originais do jogo se mantêm intactas em seus level designs, que são extremamente punitivos ao jogador já que o personagem morre com qualquer dano, e os níveis são construídos cheios de inimigos em locais delicados, e com vários momentos de pulo preciso. Além disso, temos itens que vão ajudar a agitar nossa jogatina, como os power-ups, entre eles um anel que permite disparar ataques a distância, que podem ser comprados com dinheiro que encontramos pela fase, ou em caixas misteriosas, mas cuidado que dentro da caixa também pode ter um fantasma que vai te perseguir até ser despistado ou te matar.

E outro tipo de item que ajuda a variar bastante o jogo são os veículos que Alex pode dirigir em certos estágios, como uma moto, um helicóptero e uma lancha, porém deve-se dirigi-los com muita responsabilidade, já que qualquer batida te fará cair deles e ter que seguir o resto da fase a pé, ou a nado, dependendo de em qual estiver.

JO KEN PÔ!


O modo de enfrentar chefes em Alex Kidd in Miracle World DX, certamente é uma de suas partes mais charmosas, ao invés de um embate direto com os chefões, temos que derrota-los numa melhor de 3 no pedra-papel-tesoura, e se perdemos, bom, morremos. Pode parecer amedrontador pela aleatoriedade, e é certamente frustrante tomar um game over neles ao chegar só com uma vida e refazer a fase toda, mas as lutas bem tranquilas depois de notar o padrão deles, e depois de certo tempo começamos a ter embates diretos após a partida de Jokenpô para dificultar um pouco mais. Na versão DX as partidas ficaram muito mais animadas e cada duelo é um show de ansiedade para passar na primeira tentativa.

DESSA VEZ CONSIGA TERMINAR


Para aliviar o jogo punitivo que Alex Kidd é, os desenvolvedores fizeram com que após morrermos, voltemos a jogar de um local bem mais próximo da nossa morte que anteriormente, e eliminaram o fato de um Game Over fazer você começar o jogo do zero e agora só precisamos recomeçar a fase em que perdemos. E se mesmo assim o jogo parecer desafiador demais, temos a opção de Vidas Infinitas, assim nunca temos que recomeçar uma fase do início e nem perder o dinheiro que já acumulamos.

Mas é claro, essas mudanças só nos impede de refazer fases e suas seções, não podemos pular desafios ainda, então independente do seu modo de jogo, Alex Kidd in Miracle World DX será uma experiência desafiadora, principalmente com um de seus últimos níveis, o Castelo de Janken que é uma fase enorme e cheia de desafios que vão consumir dezenas de vidas de todos os jogadores.

NOVIDADES PARA OS FÃS DE LONGA DATA


E além das mudanças técnicas, tivemos também a adição de mais algumas fases dentro da campanha do jogo que seguem perfeitamente a fórmula do original, a ponto de em alguns momentos eu até mesmo me perguntava se essa fase era realmente nova ou só não me recordava dela no original, de tão natural que suas implementações fora. E também temos novos coletáveis muito bem escondidos dentro dos níveis com artefatos da história de Alex Kidd nos vídeo games, como um cartucho de seu jogo original e uma estrela ninja.

As músicas também foram remixadas e ficaram muito boas, contudo, admito que em alguns casos acabei preferindo a trilha original, e ativava o modo retrô para ouvi-las,  então seria interessante se o jogo tivesse opção de manter a música retrô independente do estilo gráfico escolhido. E a UI foi melhorada para não termos que pausar o jogo sempre que quisermos escolher um item para usar.

FIEL ATÉ DEMAIS?


Enquanto a fidelidade ao jogo original por um lado é excelente pelo fator nostalgia enorme que recebemos das fases, em contraponto isso faz com que a gameplay de Alex também continue muito parecida com a original, o que não combina muito com o novo estilo artístico, diversas vezes sentimos que o personagem corre e pula mais rápido do que deveria e deslizamos em várias partes da jogatina por isso, tem momentos em que eu preferia trocar para o modo retrô para ter mais precisão em meus movimentos já que o gameplay parece ter sido feito para aquela versão, e de certa forma foi, já que os level designs se mantêm os mesmos do jogo original. E outras partes como o controle dos veículos poderiam ter passado por uma repaginada de jogabilidade, pois a idade dos comandos se mostra nessas sessões.

E a adição dos coletáveis novos por mais que seja incrível, é bem difícil achar todos de uma vez, e o jogo não nos deixa repassar por seus níveis sem criar um novo save, por isso teria sido muito boa a adição de uma seleção de fases após termina-lo para correr atrás do resto dos segredos.

Temos também a adição de 2 modos extras para quando terminarmos a campanha, o primeiro é o “Modo Clássico”, onde jogamos um recriação do original Alex Kidd in Miracle World, com Game Over que nos levam pra fase 1 e sem gráficos modernos, uma adição para os fãs de longa data. E um modo de luta contra os chefes, onde ficamos numa incansável disputa de pedra-papel-tesoura com os inimigos até sermos derrotados. São duas adições bem bacanas ao jogo, mas nada super inovador, só passatempos extras, ainda sinto falta de algo que me incentivaria a rejogar o jogo de uma maneira  diferente como a seleção de níveis já citada.

CONCLUSÃO


Alex Kidd in Miracle World DX é uma excelente recriação do jogo em que se baseou, com mudanças que o tornam belo e acessível para um público muito maior, e é sem dúvidas a aventura definitiva de nosso rapaz orelhudo favorito. Contudo, ainda assim poderia ter abandonado um pouco mais de sua fidelidade com o título original tido mais um trabalho para se tornar ainda mais rejogável e novo para os jogadores de longa data. De qualquer forma foi um excelente trabalho da desenvolvedora, e ficamos na torcida de que possamos ver Alex numa nova aventura de volta aos holofotes como no passado.

Prós:

  • Ótima recriação do clássico
  • Novos níveis e modos
  • Pixelart linda
  • História expandida
  • Mais acessível para os jogadores

Contras:

  • Poderia ser um pouco mais ousado
  • Falta incentivo para rejogar

Nota Final:

8,5