Review | Mario Golf: Super Rush

Review | Mario Golf: Super Rush

07/07/2021 2 Por Luiz Estrella

Desenvolvedora: Camelot
Publicadora: Nintendo
Data de lançamento: 25 de Junho, 2021
Preço: R$ 299,00
Formato: Físico e Digital

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Nintendo.


Em todo console da Nintendo podemos ter uma certeza: teremos jogos esportivos do Mario. A tradição já vem de muito tempo e a desenvolvedora que já se tornou especialista no gênero é a Camelot, sempre a escolha favorita para os jogos de tênis, e claro, golfe. Depois do lançamento de Mario Tennis Aces para o Nintendo Switch, trazendo muitas mecânicas novas mas também deixando um pouco a desejar em alguns aspectos, fiquei curioso para saber como viria o próximo game da Camelot.

Mario Golf: Super Rush chega ao Nintendo Switch com a missão de sempre: transformar um esporte técnico, de calma e precisão em uma bagunça festiva e animada, digna de um jogo do Mario. Já adianto que esse objetivo com certeza foi alcançado, mas vamos avaliar a qualidade dessa execução.

Primeira impressão positiva


Ao abrir Mario Golf: Super Rush e ser recebido com uma cena de apresentação em CGI divertida e frenética, já fiquei animado. A abertura entrega personalidade e carisma para o jogo, além de funcionar como um aceno para os fãs que lembram positivamente dos jogos de gamecube e sentiam falta de algo assim. Por fim, o vídeo de abertura sinaliza mais uma coisa: o jogo oferece muito mais do que partidas comuns de golfe, mas isso irei abordar um pouco mais a frente.

Antes mesmo de conhecer os modos novos ou o modo história, decidi jogar uma partida comum para saber como o jogo controlava. Sem nunca ter assistido ou jogado uma partida de golfe, não tive problema nenhum com os controles, são simples e intuitivos. Basicamente são dois passos: primeiro você define a direção onde quer que a bola vá, com o auxílio de uma visão completa do campo visto de cima, mostrando inclusive a distância máxima que a bola pode chegar, o segundo passo é apertar “A” para a barra de força começar a subir e apertar o botão novamente para que ela pare. E pronto. Agora é só assistir a bolinha voando e torcer para que nenhum imprevisto aconteça.

Obviamente imprevistos acontecem, você pode colocar força máxima na sua tacada para a bola ir bem longe, mas, ao exagerar na força, existe a probabilidade de uma curva indesejada aparecer. Ou então você verifica uma linha reta perfeita para a bola chegar na bandeira, mas esquece de uma árvore bem no caminho que interrompe a trajetória de maneira trágica. E claro, nas fases mais avançadas todo absurdos pode aparecer no seu caminho: redemoinhos, inimigos clássicos da série Mario, áreas com lava etc.

A diversão mora justamente na estratégia para superar esses imprevistos, sempre com um pouco de sorte envolvida, é claro. A cada área, os terrenos ficam mais complexos, com mais obstáculos e desenhos diferentes. Não vou dizer que esse é o modo mais divertido, mas é bom ter a opção de jogar e dependendo do grupo de amigos, pode ser a melhor escolha para o multiplayer.

Algo que torna o golfe “comum” exponencialmente mais divertido é usar os sensores de movimento. A precisão aqui é muito satisfatória e a melhor maneira que posso descrever é: você realmente sente que está jogando golfe. O joy-con encaixa perfeitamente na mão simulando um taco de golfe e aos poucos você vai entendendo a sensibilidade do controle para colocar a força certa em cada tacada.

Mas agora que falamos de golfe comum, vamos aos outros modos que tornam a experiência mais interessante.

Vale-tudo de golfe


Durante a divulgação do game, a Nintendo chamou muito atenção para um modo novo: Speed Golf. Aqui tudo começa normal, os mesmos comandos para se preparar e acertar a bola, mas, depois que a bola está voando você precisa correr atrás dela! E a partir daí o jogo se transforma em algo semelhante a uma “corrida maluca”, com todos os personagens correndo pelo campo atrás de suas bolas. Controlando o seu personagem livremente, você precisa alcançar a bola administrando a sua barra de stamina (utilizada para correr e especiais) ao mesmo tempo que fica atento aos outros personagens que podem tentar lhe derrubar com especiais.

Não preciso dizer que o jogo fica muito mais dinâmico, agora a vitória não só depende da quantidade de tacadas, mas também do tempo que leva para chegar ao buraco. Ainda que muito da estratégia padrão de uma partida de golfe esteja preservada, obviamente a pressão faz com que você tenha menos tempo e precise pensar mais rápido e contar ainda mais com a sorte. É uma experiência única e muito divertida, principalmente para se jogar com amigos. Honestamente, com esse modo disponível, dificilmente me vi voltando ao golfe padrão, fica claro que é a área que a Camelot investiu mais atenção.

Eu imaginei que o caos de “Speed Golf” seria suficiente, mas em “Battle Golf” a situação vai além. Em uma arena circular, 9 buracos de golfe são posicionados, o jogador que conseguir acertar 3 buracos primeiro, ganha. É a receita do apocalipse, personagens disputando a mesma bandeira, gritos de frustração quando alguém conquista uma bandeira que claramente era sua. Obstáculos e mudanças no cenários fazem com que você seja acertado por um chain-chomp quando menos espera ou o terreno fica congelado de repente e seu personagem começa a deslizar, enfim, ainda dá pra chamar isso de golfe?

Battle Golf é provavelmente o modo mais divertido do jogo, eleva toda a tensão e pressão de Speed Golf ao máximo e é perfeito para o multiplayer. É claro, nem sempre é o modo ideal para escolher, exige uma boa dedicação dos jogadores e um bom entendimento dos comandos, do contrário, a frustração é certa ao ver tudo dando errado para você.

E esses modos são as principais opções de jogo para uma partida rápida. Achou pouco? Bom, mais a frente vou falar sobre isso, antes, um pouco de história.

Adicionando contexto


Mesmo que os jogos de esportes do Mario tenham uma tradição maior no multiplayer, a gente sempre gosta de ver um esforço para colocar um modo história. Aqui em Mario Golf: Super Rush a primeira impressão é muito positiva: fora das partidas de golfe, você tem total controle do personagem (seu mii) em pequenos cenários, conversando com NPC’s, explorando os cenários e acompanhando uma história bem simples.

Fica claro que há uma tentativa de reviver o elogiado modo história visto em Mario Tennis: Power Tour e Mario Golf: Advance Tour para o Game Boy Advance. E de fato, o jogo consegue replicar alguns sentimentos de maneira efetiva, com interações entre os personagens, acontecimentos e alguns diálogos engraçados. Funciona principalmente como uma boa maneira de ensinar o jogador e garantir boas horas de jogo mesmo para quem só quer o single-player.

No entanto, ao terminar o modo história fiquei com uma sensação muito estranha. A estrutura dos acontecimentos e a duração são os principais culpados, boa parte do modo história é jogando partidas de golfe e completando desafios, quando a história começa a esquentar, com a presença de chefes, novas habilidades e uma narrativa fantasiosa, o modo história simplesmente acaba! A sensação é de que joguei algo incompleto, ainda que tenha sido divertido.

E infelizmente, essa sensação permeia toda a experiência.

Ainda faltam algumas coisas


Mario Golf: Super Rush chega em um formato mais completo que o seu irmão Mario Tennis Aces, porém, ainda passa a sensação de estar incompleto.

As arenas têm pouca variedade e criatividade, com muitos cenários em gramados e a grande maioria pouco inspirado, com detalhes excessivamente realistas que não casam tão bem com a estética de um jogo do Mario. O jogo não é feio, mas a direção de arte traz um visual que mais parece de um simulador realista de golfe. Por outro lado, os trajes mais realistas encaixam perfeitamente nos personagens, cada um com a sua personalidade destacada pelo outfit, mas a seleção escolhida ainda parece muito segura, como destaque apenas o King Bob-omb e o Chargin’ Chuck.

Faltam também mais opções de jogo, não temos torneios por exemplo. Excluindo o modo história, sozinho só é possível jogar partidas arcade contra a CPU. Os dois modos principais que citei, Speed Golf e Battle Golf, só suportam dois jogadores localmente, para jogar quatro pessoas é necessário outro Nintendo Switch. Provavelmente essa é uma limitação técnica, dividir a tela em 4 seria um problema para o desempenho do jogo (que recorre a uma resolução dinâmica agressiva em diversos momentos), porém, não deixa de ser uma oportunidade perdida, já que quanto mais pessoas, mais divertido é. E o online, apesar de ter funcionado normalmente quando usei, carece de mais opções também, não há um incentivo no sentido de rankings ou torneios.

Porém, para essas ausências que citei, provavelmente há uma solução: atualizações gratuitas. A Nintendo já confirmou que o game será atualizado e provavelmente veremos novos modos, arenas e personagens, assim como aconteceu com Mario Tennis Aces. Meu ponto é deixar você, leitor, ciente da situação em que o jogo se encontra no lançamento, que é com conteúdo abaixo do esperado (ainda que esse conteúdo seja de qualidade).

Conclusão


Mario Golf: Super Rush é uma experiência extremamente divertida, como esperado de um jogo esportivo do Mario. As ideias que a Camelot coloca são interessantes e funcionam, criando mais um multiplayer obrigatório para o Nintendo Switch. Caso você não tenha o costume de jogar com amigos, o game pode deixar a desejar com a quantidade de conteúdo, cabe a você decidir se a promessa de atualizações futuras é uma troca válida, há sempre a opção de aguardar o jogo ficar mais recheado para depois comprá-lo.

Prós:

• Novos modos muito divertidos
• Sensor de movimento funciona bem
• Modo história aberto e com boas ideias
• Controles simples e intuitivos

Contras:

• Ausência de mais modos de jogo
• Arenas com visual repetitivo e pouco atrativo
• Modo história curto e com estrutura estranha

Nota final

7

Luiz Estrella
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