Desenvolvedora: Otomate
Publicadora: Aksys Games
Data de lançamento: 02 de dezembro, 2021
Preço: R$ 254,95
Formato: Físico/Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cheve fornecida gentilmente pela Aksys Games.
Dairoku: Agents Of Sakuratani é uma Otome Visual Novel com uma temática forte e muitos elementos fantásticos, ao mesmo tempo que possui forte influência e reverencia da cultura e folclore japonês.
Para aqueles poucos familiarizados, Otome Games (ou Otoge) são parte de um sub gênero de visual novel. Sendo um tipo de jogo com foco em garotas jovens por definição, os Otoges em geral possuem diversas rotas românticas e pretendentes, os quais devem ser escolhidos pelo jogador para ser o parceiro romântico da protagonista. Em Dairoku: Agentes of Sakuratani, essa também é a premissa. Com um elenco interessante de rapazes sobrenaturais, nossa protagonista que é convidada a fazer parte desse mundo sobre natural, deve escolher um deles para ser seu amor.
Vamos do começo…
Antes de começar a analise das partes mais positivas desse jogo, preciso tirar da frente meu principal incomodo com ele, a arte. Desde a escolha de cores mortas, designs de personagem sem graça e cenários razoavelmente repetitivos, a estética de Dairoku: Agents of Sakuratani particularmente não me agradou.
Isso dito, o game claramente se esforça em imprimir um estilo artístico único bem como retratar uma estética de arquitetura clássica do Japão, e eu realmente admiro essa tentativa. Acredito que alguém mais fascinado por história japonesa, ou com um senso estético bem diferente do meu seja capaz de aproveitar melhor os cenários da história.
Então de forma geral, mesmo não tendo gostado muito da arte, não acho que ela seja de fato mal feita, apenas não conseguiu me conquistar dentro da sua simplicidade, mas recomendo que os fãs do gênero tirem suas próprias conclusões em relação a isso.
Vamos a obra
— O que é Dairoku: Agents of Sakuratani?
O jogo tem uma estrutura que se comporta basicamente como um isekai, que para aqueles não familiarizados com o termo, pode ser traduzido como “mundo diferente” — é um gênero em geral de Anime, Novel e Mangá. Esse tipo de obra como o nome sugere aborda um protagonista que habita o nosso mundo e é de alguma forma levado a outro. No caso Dairoku: Agents of Sakuratani, nossa protagonista, que tem o poder de ver espíritos desde criança, é convidada a trabalhar em uma divisão especial secreta do governo que mantém a ordem no mundo dos espíritos.
Após aceitar a proposta, nossa protagonista passa por um treinamento e munida de feitiços e objetos mágicos, passa a atuar como nesse setor especial que se assegura da paz do outro mundo. Mesmo que ela possa ir e voltar, a história se passa basicamente toda dentro do mundo dos espíritos. Considero essa explicação necessária pois esse jogo se apropria de uma característica muito comum dos Isekais no que tange a protagonista.
Na maioria das obras desse gênero o passado da protagonista, suas ações, seus traumas e relações não importam para a trama e as vezes nem mesmo são citadas, e de certo modo é exatamente assim que esse jogo começa. Mesmo que acabemos por saber um pouquinho da protagonista ao decorrer da história, ainda assim é bem pouco e a sensação inicial é a de que ela basicamente nasceu no momento em que a história começa.
As consequências do Isekai
Isso na minha concepção gerou um potente impacto na narrativa dessa aventura em dois principais pontos. O primeiro é o objetivo da maioria dos Isekais, a identificação.
A falta de características extremamente marcantes da protagonista, e a possibilidade de escolher entre rotas e linhas de diálogos faz com que o jogador possa se identificar e se projetar na história com maior facilidade do que em outras Otoges. Isso no entanto se torna uma faca de dois gumes pois tira a possibilidade de o protagonista ser um dos personagens interessantes daquela história; como é o caso da cúpido em Cupid Parasite que analisamos recentemente.
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Mas o principal efeito positivo disso é no ritmo da história e da narrativa. O maior ponto alto de Dairoku: Agents of Sakuratani está em seu dinamismo tanto no texto quanto no passo, assim como em relação a própria protagonista, todas as informações dadas são enxutas e focadas tornando a história muito gostosa de se acompanhar. Além disso a velocidade com que a trama avança faz com que o jogador se sinta convidado a adentrar mais rapidamente nas profundezas da história, Dairoku: Agents of Sakuratani torna sua aparente falta de substancia em leveza e se torna uma história razoavelmente simples apesar da estética e proposta carregada.
Garotos e seres mitológicos
No mundo espiritual temos 3 principais distritos, um governados pelos Oni, outro pelos Tengu e outro pelos Kitsune. Enquanto os primeiros tem o que estaria mais próximo de uma aparecia clássica de demônio ocidental, o segundo são retratados basicamente como o que conhecemos como elfos e os Kitsunes por sua vez são seres com traços de animais. Cada sessão tem seu representante e enquanto os representantes dos Kitsune e dos Tengu (meu favorito) são rotas românticas possíveis esse papel fica com um Oni que trabalha com o líder dos Oni.
Além disso temos como rotas românticas o personagem que faz o papel do seu chefe e um misterioso rapaz que ninguém sabe ao certo a origem e que parece ter repudio aos agentes do governo que atuam no mundo espiritual.
Enquanto o Kitsune tem uma personalidade provocativa e intelectual, o Oni se demonstra mais Otaku, cabeça quente e ingênuo de certa forma, enquanto o Tengu é a própria personificação da preguiça (ou dá depressão como interpretei). Os outros dois no entanto, seu chefe e o rapaz misterioso ajudam mais na história principal e expandem a lore do mundo de forma mais direta. Com essas opções diversas de rotas o jogo consegue agradar os diferentes tipos de jogadores que procuram viver um romance.
Dairoku: Agents of Sakuratani é uma excelente obra medíocre
Caso você seja um ferrenho fã de Otoge como eu, eu diria que Dairoku: Agents of Sakuratani particularmente é um titulo que não agrega tanto assim, é um bom passa tempo claro, mas ele se apóia em alguns clichês do gênero, e não agrega muito para os jogadores mais experientes. Por outro lado caso você queira entrar no mundo das Otoges, acho um bom titulo, a história é cativante e viciante embora pouco inovadora, o ritmo ajuda muito quem não está acostumado com o passo mais maçante que algumas Visual Novels podem ter.
Um ponto alto que deve ser elogiado em Dairoku: Agents of Sakuratani é sua excelente trilha sonora que não deixa nada a desejar, variando em estilos e intensidades sem perder a coesão e a temática de uma espécie de Japão antigo. Esse lado histórico e folclórico também podem servir como um ponto de partida (bem distante) para entusiastas desse tipo de conteúdo. Um outro ponto positivo desse jogo é que existem situações de “combate” aonde um mini-game se apresenta ao jogador que deve pressionar a ordem correta de botões para lançar um feitiço e progredir a história, é bem simples, mas deixa a experiência ainda mais dinâmica.
De maneira geral eu recomendo esse jogo para aqueles que esperam uma aventura menos densa ou queiram ter uma primeira tentativa com o gênero.
Prós:
- Ótima trilha sonora
- Leitura leve
- Bom ritmo
Contras:
- Pouca inovação
- Alguns personagens são rasos
- Arte visual fraca
Nota Final :
7

