Desenvolvedores: SNK, Code Mystics
Publicadora: SNK
Gênero: TCG
Data de lançamento: 12 de Janeiro, 2022
Preço: US $ 7,99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela SNK.
A SNK continua com a sua onda de relançamentos da linha Neo Geo Pocket Color Selection com um título que muitos não esperavam. SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash é um dos crossovers que a desenvolvedora realizou com a Capcom. Uma importante peça da história de ambas as companhias, os fãs que não possuíam o portátil podem finalmente apreciar uma mistura doida.
Um crossover inesperado

Nos anos 90, a SNK e a Capcom dominavam o mercado dos fliperamas com seus jogos de luta. As duas empresas eram responsáveis pelos principais clássicos do gênero e seus títulos eram sinônimos de qualidade. Em 1998, após o lançamento de ambos The King Of Fighters 98 e Street Fighter Alpha 3, alguns fãs começaram a clamar por um jogo que combinasse ambas as empresas.
O desejo foi atendido em 1999, quando ambas SNK e Capcom assinaram um acordo para a criação de títulos que utilizassem os personagens de ambas as companhias. A SNK foi quem deu o pontapé inicial no projeto. Ao final dos anos 90, a desenvolvedora de KOF estava em um condição financeira ruim e por isso decidiu apostar em um crossover com sua rival.
Ainda querendo alcançar sucesso no mercado dos portáteis, a empresa decidiu focar em lançar os títulos da parceria no aparelho. Para começar, um jogo de cartas que tinha certeza de trazer lucros e iria possuir um valor baixo de produção. Assim, o primeiro jogo que uniria ambas as desenvolvedoras nasceu, SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash.
Se torne o rei do duelo
SNK vs. Capcom Card Fighters’ Clash originalmente foi lançado em duas versões diferentes, com cada uma representando a empresa participante do crossover. A história é igual, mudando apenas o personagem que controlamos. O objetivo do jogador é vencer o campeonato SC Tournament.

Na versão SNK, temos à disposição o garoto Shin e a garota Kei (ambos são referências ao nome da empresa, Shin Nihon Kikaku — o nome oficial da desenvolvedora — e Kei vem do K). Já na Capcom os personagens são Cap e sua irmã Comet (novamente, ambos são referência ao nome da Capcom). O protagonista não escolhido e o personagem do sexo oposto na segunda versão será um NPC que vai aparecer as vezes na história, enquanto o herói do mesmo sexo da versão oposta será seu rival.
A jornada leva o personagem a seis locais diferentes com o objetivo de juntar moedas especiais. Reunindo-as, dá o direito de entrar nas finais do torneio SC e disputar com seu rival pelo título de campeão. No meio de toda a aventura será necessário enfrentar os mais diferentes tipos de jogadores que vão oferecer uma mistura de desafios que vão desde duelos fáceis a algumas disputas bem arriscadas.
É hora do duelo

SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash é um jogo de cartas lançado por uma empresa que nunca produziu tal estilo de jogo anteriormente. Produzido para um aparelho mobile que já não era muito poderoso, com suas limitações influenciando o resultado final. Por isso, não espere um card game com diversas regras e complexo.
O mais próximo que consigo comparar é com a era inicial de Yu-Gi-Oh!. Antes da Konami começar a preparar as regras para o jogo de cartas mais famoso do mundo, seu criador, Kazuki Takahashi, havia preparado um simples game de “invoque o monstro mais forte e pronto”. O mesmo é aplicado no primeiro SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash.
Com 300 cartas disponíveis para se adquirir, SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash oferece dois tipos diferentes de cartas: Personagens e Action. Os lutadores são sua principal forma de se defender e atacar oponentes. Cada um contém BP, Battle Points, que funcionam como sua vida e poder. Também é possível suportar um lutador ativo com outro, que aumenta seu BP em 300 pontos, mas isso é limitado para uma lista específica para cada carta.

Cada jogador alterna turnos colocando um lutador por vez no campo de batalha. Existem apenas três espaços para se utilizar e só é possível colocar uma nova carta quando o antigo morrer. Cada vez que um personagem é invocado, o jogador recebe SP, special points, com cada lutador oferecendo um número diferente (que é indicado pelo número embaixo de seu BP.)
SP funciona para duas coisas, a primeira é a utilização das Action Cards, que funcionam como as magias de Yu-Gi-Oh! e oferecem vantagens ao seu usuário. Por fim, SP também é utilizado para a realização de Unite Attacks, ataques que combinam até três lutadores para atacar de uma só vez. Esta forma de ofensiva é essencial, uma vez que consegue quebrar facilmente a defesa de alguns oponentes.
Além de BP, alguns lutadores também possuem habilidades que podem ajudar bastante nos momentos mais arriscados. Existem três tipos de poderes que podem ser ativados, reconhecidos por um símbolo ao lado do BP e SP do personagem. Os quadrados são utilizados manualmente pelo jogador e seu uso impede que o lutador ataque no mesmo turno. O círculo é um efeito ativado após a batalha e o triângulo é ao colocá-lo em campo.

Mesmo com tudo isso, SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash é um jogo bem simples e que acaba se resumindo ao já anteriormente mencionado, “invoque um monstro forte e pronto”. Conforme você vai avançando na história, cada vez mais os decks dos oponentes vão se resumindo a personagens fortes o que te força a ter que apostar em cartas poderosas para poder sobreviver.
Os duelos acontecem entre dois jogadores, cada um com 2000 pontos de vida. A exceção fica para os “líderes” de cada local que possuem 3000. Para atacar é necessário jogar lutadores no campo. Ao declarar ataque, é possível contra-atacar cada lutador separadamente ou deixar um ou mais atacar diretamente e uma boa estratégia é saber quando contra-atacar e quando deixar o dano acontecer.
Ao iniciar o jogo é possível selecionar uma das duas versões para jogar, cada uma contém seu próprio save e é possível trocar entre si sem precisar de dois Switchies. Por fim, o game pode se comunicar com SNK vs. Capcom: The Match of the Millenium [Leia nossa análise aqui], para ajudar a desbloquear personagens secretos no crossover de luta, então se você o possui ou tem interesse, vale a pena adquirir Card Fighters’ Clash.
É um jogo da SNK no final das contas

A SNK ficou famosa principalmente pelo alto nível de dificuldade encontrado em alguns de seus oponentes em seus jogos de luta. Criando um termo específico chamado “Síndrome de chefão da SNK”, jogadores precisavam estar atentos para encarar os desafios que os jogos da companhia apresentavam. Só em The King Of Fighters, por exemplo, tínhamos o chefão Rugal que foi responsável por devorar muitas fichas de jogadores nos fliperamas.
Essa dificuldade adicional chegou aos jogos caseiros da desenvolvedora e mesmo o Neo Geo Pocket Color não ficou de fora. Como SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash foi um título desenvolvido pela companhia, o game apresenta em algumas ocasiões desafios que vão irritar bastante quem só quer experimentar um joguinho de cartas.
Enquanto alguns oponentes possuem cartas que são de acordo com seu deck inicial, a maior parte dos desafiantes utilizam poderosos personagens e muitas cartas de ação. Os líderes de cada área são o pior caso, muitas vezes possuindo combinações mortais e lutadores com BP alto.

Para tentar fazer as coisas ficarem mais fáceis, será necessário grindar inimigos para tentar conseguir cartas melhores. Assim como em outros jogos de cartas na época, a forma como a SNK recompensa o jogador com novos itens é através de RNG após os duelos. Cada duelista recompensa o protagonista com três cartas aleatórias, a exceção sendo os líderes que oferecem cinco. O maior problema é que as recompensas não são as mesmas cartas utilizadas durante os duelos, então um oponente que utiliza lutadores com alto BP pode acabar dando cartas fracas.
Cada versão do título também possui cartas exclusivas, o que significa que não é possível montar um deck ideal a menos que você troque entre si, o que é possível no relançamento. Ainda assim, o grind é entediante principalmente por não ter certeza do que será recebido após um duelo apertado. Também é preciso ter bastante sorte para conseguir derrotar alguns oponentes onde mesmo com uma boa mão é possível sofrer.
Uma aventura com altos e baixos

SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash lembra bastante um outro jogo de cartas para portáteis, Pokémon: TGC. O jogo utiliza um mapa com localizações que o jogador pode explorar em busca de desafiantes. Seus visuais também são bem parecidos com o game dos monstrinhos de bolso.
Os lutadores são todos desenhados em um estilo super deformed bem legal e que consegue traduzir bem o visual único de diversos artistas diferentes. As artes das Reaction Cards também são bem legais e algumas possuem easter eggs bem legais que serão reconhecidos por fãs das duas empresas. Também temos NPCs baseados em pessoas importantes das duas companhias, como Shinji Mikami, criador de Resident Evil.
O jogo também utiliza diversos efeitos especiais para indicar ataques que mudam conforme a carta que é utilizada. Lutadores que usam espada, por exemplo, recebem animações de corte, enquanto os que utilizam armas têm um efeito de tiro. É algo pequeno mas que consegue destacar o título e mostra o carinho que a SNK teve com o material original.
O som infelizmente não é tão memorável quanto os visuais. Em algumas partes ele chega a soar bem genérico, o que é estranho para uma empresa que produz bons temas musicais para seus jogos.
Outro ponto negativo infelizmente foi com a tradução do título. A SNK sempre foi conhecida por possuir um trabalho de localização bem péssimo de seus títulos, com muito “engrish” e algumas sentenças que não fazem o menor sentido. Esse problema retorna em SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash, com muitas sentenças sendo escritas erradamente e o nome de vários personagens estando incompletos ou com letras faltando.
A importância de Card Fighter Clash
Um ponto positivo que é preciso dar para a SNK é sobre o seu trabalho de preservação de seus títulos mais antigos. Desde o início do Neo Geo Pocket Color Selection, a desenvolvedora vem tentando oferecer os títulos de seu portátil esquecido para novas pessoas jogarem. De início, parecia ser apenas os jogos lançados pela própria SNK, mas com o lançamento de SNK vs Capcom: The Match of the Millenium no ano passado, a empresa mostrou que ela tem interesse em preservar até os títulos que seriam mais difíceis de receberem um relançamento.
SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash é especial por ter sido o primeiro jogo cross over que ambas as empresas colaboraram. Sua importância é enorme para a história de ambas as companhias, pois marca o início de uma época que recompensou os fãs com um dos melhores títulos de luta já lançados, Capcom vs. SNK 2. Preservá-lo e relançá-lo para um novo console serve para não apenas oferecer uma nova oportunidade de pessoas jogá-lo, como também introduzir uma nova geração a uma peça bem única de um período que hoje em dia seria difícil de conseguir.
Seu lançamento também marca um ponto importante. Por anos, fãs pedem a Capcom e a SNK para que eles colaborem novamente em um novo título ou então portem Capcom vs. SNK 2 para as novas plataformas. A SNK atendeu ao pedido da sua própria forma e vem relançando os títulos produzidos por ela durante o período do cross over, além de já mostrar interesse em reacender a parceria. Agora está nas mãos da Capcom.
Mais um divertido relançamento do Neo Geo Pocket Color
SNK vs. Capcom: Card Fighters’ Clash continua com a onda dos lançamentos do Neo Geo Pocket Color Selection. O jogo de cartas é tão divertido quantos os outros títulos relançados para o Switch e é uma boa experiência para aqueles que desejam conhecer um pouco mais dos crossovers entre SNK e Capcom. Vale lembrar que o título pode às vezes ser difícil e vai requerer um pouco de grind para avançar nos duelos principais. Ainda assim, o game é bem divertido e é um legado importante que fãs das duas companhias devem aproveitar.
Prós:
- Simples e divertido;
- Modo história é bem legal;
- Muitos easter eggs para os fãs da SNK e da Capcom.
Contras:
- Dificuldade pode aumentar quando é menos esperado;
- RNG na hora de conseguir novas cartas atrapalha;
- Música não é tão memorável quanto em outros jogos da série.
Nota Final:
7
