Review | SNK vs. Capcom: The Match of the Millenium

Review | SNK vs. Capcom: The Match of the Millenium

21/02/2021 0 Por Erick Figueiredo

Desenvolvedora: Code Mystics

Publicadora: SNK

Data de lançamento: 17 de fevereiro 2021

Preço: US$: 7,99

Formato: Digital

Nos anos 90, a SNK e a Capcom reinaram em absoluto quando o assunto eram jogos de luta. The King Of Fighters 98 e Street Fighter Alpha 3, eram os melhores títulos de luta 2D do gênero e faziam com que a rivalidade dos fãs das duas companhias aumentassem ainda mais.

Entretanto, os fãs das duas companhias também possuíam um grande desejo oculto, um jogo que unisse ambas as franquias. E de olho nesse desejo, a SNK e a Capcom decidiram unir forças no final de 1999 para produzir juntas, títulos que misturassem as franquias das duas empresas. E após alguns joguinhos de cartas, o primeiro totalmente focado em luta foi lançado, SNK Vs Capcom: The Match of The Millennium.


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Um crossover que superou expectativas

O melhor de dois mundos na palma da sua mão

SNK VS Capcom: The Match of The Millennium, foi lançado originalmente em novembro de 1999, para o Neo Geo Pocket Color, o portátil que a SNK havia criado para concorrer com o Game Boy Color. O jogo nasceu de um acordo assinado pelas duas empresas, que tinha como meta principal, a criação de títulos envolvendo personagens das duas companhias.

A SNK foi a primeira a utilizar os acordos do contrato assinado para produzir os títulos, e logo tratou de criar alguns joguinhos de cartas que ficaram exclusivos no Japão. Mas, o que os fãs queriam, era um jogo de luta, e enquanto a Capcom preparava o terreno para seu Capcom Vs Snk, com lançamento previsto para os fliperamas e o Dreamcast,  a SNK por outro lado, ainda quis continuar investindo no portátil e por isso, The Match of The Millennium surpreendeu muita gente quando foi lançado apenas para ele.

Infelizmente, por causa das baixas vendas do Neo Geo Pocket Color, e a decepção de que um título de luta desta magnitude ficar preso a um portátil fraco, muitos fãs não puderam aproveitá-lo. Entretanto, graças a série de relançamentos Neo Geo Pocket Color Selection, os jogadores agora tem uma segunda chance de experimentar uma joia oculta dos jogos de luta.

As sprites são bonitas para um título feito em 8bits

SNK VS Capcom: The Match of The Millennium é um jogo bastante único dentro da série versus. Isso porque, diferentemente dos mais famosos Capcom Vs SNK, aqui temos a inclusão de 5 diferentes franquias vinda das duas empresas. The King Of Fighters, Samurai Shodown e The Last Blade, para o lado da SNK, enquanto a Capcom vem representada por Street Fighter e Darkstalkers.

O jogo oferece 26 personagens que podem ser escolhidos, com alguns deles precisando ser habilitado antes de poder ser utilizado. É claro, os mais conhecidos estão presentes aqui. Ryu, Ken, Kyo, Iori, Terry e as beldades Chun-li e Mai Shiranui marcam presença garantida no jogo. Entretanto, há também bastante personagens desconhecidos do público em geral como B.B Hood de Darkstalkers.

A variedade de personagens e séries representadas mostra um pouco do charme do presente no jogo. Algo que realmente surpreende é a escolha de certos lutadores, como Leona Heidern, que só apareceu aqui e não retornou em nenhum outro jogo desta série. Isso mostra como a SNK não quis arriscar em colocar só os favoritos dos fãs, como também quis inovar e surpreender.

Escolha o seu time e parta para a briga, quero dizer, para a competição

Outro ponto que SNK VS Capcom: The Match of The Millennium surpreende, é a quantidade de conteúdo extra que o jogo oferece. Além do torneio, que serve como a campanha principal do jogo, ainda é possível jogar um versus mode, salvar times específicos que você goste de utilizar, treinar e aproveitar divertidos mini-games no modo Olympic. 

No modo Olympic você escolhe qual empresa quer “defender” durante as competições e acaba por jogar alguns joguinhos divertidos com personagens extras das companhias, como por exemplo, um fps em que você controla Marcus de Metal Slug e deve eliminar os aliens da série. Além é claro dos tradicionais survival e time attack, que também fazem parte da competição principal. Por fim, enquanto você joga alguns dos minigames, você adquire pontos que podem ser utilizados para comprar um novo especial para os lutadores.

Jogabilidade bastante sólida para um título portátil

ATATATARUQUEM

SNK VS Capcom: The Match of The Millennium utiliza a engine de The King Of Fighters R-2, o que significa uma jogabilidade próxima ao querido The King Of Fighters 98. Não é errado dizer que o jogo de Neo Geo Pocket Color é uma versão reduzida de KOF 98 que tem a inclusão de diversos personagens da Capcom. O game passa a mesma sensação que jogar o título de 98, mesmo com todas as limitações técnicas do portátil.

Como mencionado, a jogabilidade é inspirada em The King of Fighters 98, mas adaptada para o Neo Geo Pocket Color e seus dois botões. Entretanto, como um bom crossover, o jogo inclui alguns elementos de Street Fighter Alpha 3, misturando-os à já conhecida fórmula da SNK, de uma forma muito bem feita e cativante.

Apesar do Neo Geo Pocket Color só possuir dois botões, os lutadores foram adaptados perfeitamente para a nova forma de controlar e controlá-los, nunca foi tão bom. Como mencionado, bastantes elementos das duas franquias foram colocados na jogabilidade do jogo e a SNK soube como misturá-los de uma forma muito boa.

O jogo oferece 3 formas diferentes de lutas

Logo ao iniciar qualquer um dos modos de luta do jogo, jogadores serão dados a escolha de um dos 3 estilos diferentes de jogabilidade, igual em KOF 98. Average, baseada nos jogos de Street Fighter Alpha, Counter, que segue o estilo de King Of Fighters 94/95, e Rush, inspirada no modo Advanced, presente em KOF 97 e 98.

Cada uma desses estilos serve para influenciar um pouco na jogabilidade do personagem durante as lutas. A barra Average traz uma jogabilidade mais próxima da série Street Fighter Alpha, com uma barra de especial com 2 níveis e sem defesa aérea de golpes, a Counter busca inspiração em KOF 94 e 95, oferecendo uma barrinha que pode ser preenchida ao segurar dois botões, e os lutadores podem dar pulinhos para frente ou para trás rapidamente. Por fim, a Advance fornece algumas vantagens, como 3 estoques de especial que podem ser usados a hora que quiser, corrida como uma opção de movimentação e melhorias ofensivas.

Os dois botões do Neo Geo Pocket Color são utilizados para dar socos e chutes, ao apertá-los rapidamente é disparado um golpe fraco, enquanto segurá-los ativa um golpe forte. É uma ideia muito boa e serve como uma forma de adaptar o layout de 4 botões da SNK, em um portátil que só utilizava dois.

Desse crossover a Mai pode participar

O Joystick também funciona muito bem para o trabalho, e logo após uma rápida adaptação, você estará soltando hadoukens facilmente. Alguns movimentos dos lutadores foram readaptados ou sofreram alterações para se adequar aos dois botões, mas caso você já tenha jogado um título com algum dos personagens aqui presentes, nenhuma dificuldade será encontrada.

Por fim, ainda é possível escolher se você quer lutas 1 contra 1, em times de 3 igual a KOF e um Tag team mode. Essa é uma opção bastante interessante, pois aumenta bastante a variedade, e ajuda a manter as coisas frescas, oferecendo a cada jogador, uma forma diferente de jogar o jogo.

Um charme que só podia vim da SNK

A introdução entre rivais não podia ficar de fora

SNK VS Capcom: The Match of The Millennium é um jogo bastante charmoso, e podemos notar isso em sua apresentação e gráficos. Utilizando um visual chibi nas sprites, elas ainda são bastante similares às originais, mesmo sendo limitados pela paleta de cores e gráficos 8 bits.

Todas as sprites da SNK foram reutilizadas de outros títulos da companhia no portátil, enquanto as da Capcom são novas, criadas do zero. E a SNK ainda foi além e as fez ser únicas em relação umas às outras, com o maior exemplo sendo os shotos de Street Fighter (Ryu, Ken, Akuma, Dan e Evil Ryu), com cada um contendo suas próprias sprites únicas sem ser copiadas uma das outras. Aliás, a sprite de Evil Ryu é exclusiva deste título, dando a forma maligna de Ryu, uma aparência quase similar a de um zumbi.

NO ONE BLINK

E não foi apenas as sprites que a SNK transportou perfeitamente para o título, os cenários presentes dos jogos bases também foram adaptados aqui. Temos estágios vindo dos mais diferentes games das duas companhias, como KOF 94, Street Fighter Alpha 1, Darkstalkers e outros. Todos muito bem representados, mesmo com todas as limitações do portátil, é uma carta de amor aos fãs dos jogos de lutas das empresas.

Junto com os cenários, as músicas originais dos lutadores também dão as caras aqui, adaptadas para o chip de som do Neo Geo Pocket Color. Fãs reconheceram os temas aqui, como o clássico tema de Ryu, ou de Terry, por exemplo. Só uma pena que algumas músicas mais queridas dos fãs ficaram de fora, como as tradicionais ESAKA e Arashi no Saxophone.

As animações dos lutadores também foram muito bem recriadas, e mesmo sem ter efeitos de vozes, é impossível não ouvir Hadouken, quando o movimento é utilizado. Tudo com um pouco de humor adicionado, já que as sprites são em formato chibi, o que ajuda a aumentar ainda mais o charme do título.

Quem é esse lutador?

Infelizmente, o jogo tem seus pontos negativos, como já é de costume com os relançamentos da SNK. A empresa vacilou ao não adicionar uma opção de multiplayer online, o que poderia ajudar bastante a mantê-lo vivo e fazê-lo ser uma ótima escolha na biblioteca de jogos de luta do Switch.

Outro ponto extremamente chato, que continua desde o seu lançamento original, é a forma de se habilitar novos personagens. Sempre que você completar o Tourney mode, você chega em uma tela onde blocos são removidos da figura de um dos personagens secretos do jogo. O problema é que a remoção dos blocos é aleatória, sem controle nenhum do jogador e às vezes o próprio game ativa um espaço em branco em vez de remover outro bloco, o que só aumenta a raiva quando tudo o que você quer é habilitado os personagens extras.

Por fim, ainda há algo a comentar que pode ser considerado tanto parte do seu charme, quanto um ponto negativo, trata-se da tradução do jogo. SNK VS Capcom: The Match of The Millennium, possui a opção de idioma em inglês, e assim como muitos títulos da SNK nos anos 90, é um inglês bem quebrado. Erros de sentenças ou palavras, gramática ruim e até mesmo algumas opções de tradução muito errado, são partes do título, mas para quem é fã da empresa, sabe que isso se trata da experiência SNK.

Uma partida do milênio

É um longo caminho na jornada para fazer mais pessoas conhecerem esse título

SNK VS Capcom: The Match of The Millennium é um dos melhores títulos já lançados para o Neo Geo Pocket Color. Graças ao relançamento do conjunto Neo Geo Pocket Color Selection, mais e mais fãs de jogos de luta agora têm a chance de aproveitar uma das jóias mais escondidas da história do gênero. 

Apesar da falta de opções online, o jogo oferece bastante conteúdo adicional e uma jogabilidade sólida. Pelo seu preço, é uma ótima pedida aos fãs de jogos de luta, e quem sabe ele não sirva como uma abertura para que no futuro, tenhamos outros crossovers da Capcom com a SNK dando as caras nos consoles mais atuais.

Prós:

  • Ótima jogabilidade para um jogo portátil
  • Sprites são bem charmosas
  • Muito conteúdo extra
  • Bom elenco de personagens
  • Jogo tem muitas referências a história das duas companhias

Contras:

  • Modo online faz falta
  • Habilitar personagens secretos ainda é um saco

9