Desenvolvedora: Compile Heart
Publicadora: Idea Factory International
Data de lançamento: 08 de fevereiro, 2022
Preço: US $ 49,99
Formato: Digital / Físico
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Idea Factory International.
Ano passado um dos jogos que eu mais tive o prazer de jogar e poder compartilhar com vocês, foi o Death end re;Quest. O jogo — parte da linha “Galapagos RPG” da Compile Heart —, que misturava elementos de visual novel com seções de RPG era um respiro necessário para uma indústria dos JRPG’s que por vezes se estagna em fazer o que já deu certo no passado.
Claro que Death end re;Quest não exatamente inventou um gênero novo mas utilizou de maneira inteligente e criativa os recursos e idéias que tinha. Isso somado a um muito divertido e único combate garantiu a obra uma boa nota na analise que você conferir abaixo! Além de criar uma forte antecipação da minha parte para uma continuação. Então sem mais delongas, vamos descobrir o quão bem sua sequência direta se sustenta em comparação com o titulo original.
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Estrutura
Se no primeiro jogo da franquia os momentos de interação no estilo visual novel eram feitos pelo protagonista masculino enquanto a ação acontecia dentro do jogo com nosso grupo de protagonistas femininas, aqui as duas funções foram concedidas a uma só personagem. Mai é nossa protagonista em Death end re;Quest 2, que após os eventos traumáticos do inicio do jogo precisa ir para um orfanato. Ela então, consegue dar um jeito de ir para o mesmo orfanato que sua irmã anteriormente viveu, para tentar retomar o contato perdido com a mesma.
No entanto ao chegar na cidade misteriosa aonde o orfanato existe, descobriu que ninguém se quer se lembra da existência da sua irmã. Além disso, misteriosos monstros aparecem no período da noite nessa cidade, fazendo com que garotas fiquem desaparecidas. A partir disso nossa protagonista passa a investigar os muitos mistérios que se passam nessa cidade.
Durante o dia o jogador pode interagir com as outras meninas do orfanato, conhecer cada uma delas, o que elas sabem e quem são, para juntar informações sobre a vida naquele lugar. Todavia, todas os eventos de interação são “lineares” no sentido de que eles ficam disponíveis para o jogador em um dia especifico e embora o mesmo possa escolher a ordem, os eventos daquele dia devem ser feitos naquele dia! Durante a noite no entanto, Mai deve se aventurar na perigosa e cheia de monstros cidade, para ir atrás de objetivos e informações especificas que ajudam na progressão da história e resolução dos mistérios. Embora seja bem mais simples, essa estrutura me lembrou muito Persona 3, um dos meus jogos favoritos por sinal, o que é com certeza um ponto positivo.
A arte
Embora o primeiro Death end re;Quest não seja exatamente um jogo feio, ele se apóia em diversos momentos do fato de se passar em um jogo “bugado” para economizar nos cenários. Sejam nas várias cenas em um deserto enorme e mal polido entre uma dungeon e outra, ou até da sensação de mal texturizado de alguns locais. Tanto pelo contexto da história que justifica isso, tanto pelo empenho em algumas partes do jogo, eu não considerei isso um problema no primeiro título. No entanto Death end re;Quest 2 melhora muito isso, já que é muito mais interessante olhar para os cenários do segundo jogo. A cidade pacata e misteriosa do interior da Europa, os visuais retro do orfanato o design das personagens que sinergizam com isso.
A trilha sonora por sua vez também não fica para trás em nenhum momento, já que combina com as cenas e os locais, sem perder a sensação empolgante e vivida que a franquia tem como um todo. Em suma, as mentes criativas da Compile Heart conseguiram tornar a parte artística de Death end re;Quest 2 muito mais interessante sem abrir mão da coesão temática.
O combate
O Combate em Death end re;Quest 2 é exatamente o mesmo do jogo anterior, mas irei descrever novamente para os pouco familiarizados: Embora o jogo funcione em turnos você pode movimentar seu personagem livremente no seu turno antes de desferir uma ataque; ao desferir um ataque comum seu personagem irá bater 3 vezes e executar uma ação chamada Knockbak, aonde irá empurrar o inimigo na arena aonde a batalha acontece; esse inimigo empurrado pode acertar outros personagens ou as bordas do campo de batalha, e em ambos os casos isso causa dano aos mesmos.
Além disso, caso você empurre um inimigo em outro personagem da sua party, ele irá rebater o mesmo, causando assim mais dano e “momento” ao inimigo. Por conta disso a angulação em que você bate no inimigo é muito importante para eliminar alvos com sucesso e dinamismo nessa aventura — e caso você não queira executar uma ação padrão de 3 ataques, pode personalizar a vontade. Todo personagem na party possui 3 ações aonde pode desferir uma ataque básico, uma Skill especial, usar um item ou até mesmo defender. É importante lembrar no entanto que para o Knockback acontecer o jogador precisa encaixar os 3 golpes seguidos, ou utilizar uma skill que possui o efeito knockback como terceira ação.
Por isso o combate embora bem simples foge muito do convencional e é com certeza um dos mais divertidos de qualquer RPG que eu já tenha jogado. As animações dos inimigos sendo arremessados em alta velocidade são sempre exageradas mas isso cria um efeito muito divertido, que só engrandece a experiência mesmo que se afaste do realismo.
Além disso, conforme as personagens da Party interagem com os locais do campo de batalha ou sofrem dano, elas acumulam um percentual de corrupção. Ao alcançar 80 por cento elas se transformam no Glitch Mode e além de ficarem muito mais fortes, elas também ganham acesso a uma skill suprema, uma especie de Ultimate. Esse modo pode ser alcançado com relativa facilidade com as estrátegias corretas, e é uma camada a mais de densidade em um combate que já é bastante interessante.
A história e os problemas desse jogo
Embora em todas as questões técnicas Death end re;Quest 2 esteja melhor que seu antecessor, e até o combate que permaneceu igual está claramente mais polido, algumas coisas ainda deixam a desejar sendo a principal delas a história. Embora o jogo tente emplacar uma sensação de mistério e curiosidade no jogador, ele nunca conseguiu essa façanha comigo. Mesmo que em tese eu estivesse progredindo para descobrir sobre os mistérios da cidade e da irmã desaparecida da protagonista, nada disso nunca me interessou muito.
E embora os símbolos estejam no lugar certo para criar uma história interessante, o comportamento peculiar das meninas no orfanatos, os demônios pelas ruas, a obsessão por um culto religioso e até personagens de outra história convergindo com essa, nada disso funciona muito bem como mistério. Porém, isso não me incomodou muito pois Death end re;Quest 2 ainda é um RPG divertido com uma progressão comum, mas para aqueles que esperavam uma misteriosa e intrigante história que deixa o jogador ávido por respostas, sinto dizer que esse fica atrás do outro nesse ponto.
Novamente não vejo um problema já que a história de Death end re;Quest 2 não é ruim nem nada, embora meio simples, mas o que pode incomodar um pouco já que isso era parte da essência do primeiro jogo.
Um RPG bem único apesar de tudo
Mesmo que Death end re;Quest 2 pegue muitos detalhes do seu antecessor, ele ainda é um jogo bem único. Ele impõe sua própria estética, seu próprio estilo e seu próprio ritmo. Ele ainda é um RPG bem completo, com história bem arquitetada e que se destaca bastante na área do combate, e mesmo tendo a difícil missão de ser a continuação de um jogo ousado como seu antecessor, ele responde a altura.
Por fim eu com certeza recomendo a experiência para jogadores veteranos dos jogos da franquia, bem como para novatos, mas como diversos pontos da história podem ser entendidos mais rapidamente para jogadores que passaram pelo primeiro titulo, recomendo que comecem por ele, que também está disponível para o Nintendo Switch. Ainda assim, para quem desejar começar Death end re;Quest pelo segundo graças a sua estética apaixonante, com certeza também terá uma excelente dose de diversão e imersão de maneira independente.
Prós
- Direção artística no ponto;
- Combate extremamente divertido;
- Trilha sonora impecável.
Contras
- História mais fraca que seu antecessor;
- Ritmo mais lento no inicio;
- Muitas das personagens do orfanato são bem esquecíveis.

