Review | Death end re;Quest

Review | Death end re;Quest

03/06/2021 0 Por Gabriel

Desenvolvedora: Idea Factory International
Publicadora: Compile Heart
Data de lançamento: 27 de abril, 2021
Preço: US $ 29,99
Formato: Digital

Análise feita no Nintendo Switch

com cópia disponibilizada gentilmente pela Idea Factory

Death end re;Quest é um RPG com elementos de ação sendo ele o quarto título da linha “Galapagos RPG” da Compile Heart, que consiste nos jogos Omega Quintet, Fairy Fencer F, e Fairy Fencer F: Advent Dark Force. O título possui grande foco em história, por isso, ele é repleto de elementos de Visual Novel.

Sua história se desenvolve ao redor de seus dois protagonistas, a aventureira Shina e o Programador Arata Mizunashi. Shina acorda sem suas memórias em um mundo de fantasia que, rapidamente, fica claro de se tratar de um jogo. Em pouco tempo ela é contactada por Arata, que a encontrou após se deparar com os servidores abertos que já deviam ter sido encerrados.

Quando ele encontra Shina, a verdadeira trama de Death end re;Quest é revelada: ela na verdade desapareceu há mais de um ano do mundo real, durante o desenvolvimento de um RPG de realidade virtual em que ela trabalhava, e por conta disso o desenvolvimento do jogo teve de ser fechado e cancelado. O problema é que a função de deslogar não está acessível para Shina, a tornando refém daquele mundo inacabado, desolado e repleto de bugs. Os protagonistas então, se veem forçados a chegar ao final do jogo para iniciar a sequência desligamento forçado do servidor. A partir desse momento, o jogo tem seu verdadeiro inicio e se separa em basicamente dois núcleos co-dependentes.

Arata Mizunashi

O núcleo do Arata é onde está concentrada a maior parte dos elementos de visual novel em Death end re;Quest. Você pode selecionar os lugares no mapa e as pessoas com quem quer falar para conduzir sua investigação, o que o leva a lenta revelação de que o caso do jogo pode fazer parte de uma conspiração bem maior. Arata também cria um avatar que serve como mascote para poder ajudar Shina dentro do jogo, usando do seu conhecimento de programação para facilitar as batalhas.

Além dessa estrutura de visual novel apresentada no jogo, não posso entrar em grandes detalhes sobre o núcleo de Arata, pois é aonde se concentra a maior parte dos mistérios e spoilers. Ainda assim, é importante ressaltar que o jogo se prova muito inteligente com essa escolha, já que ele consegue separar completamente o andamento da história com o das dungeons, fazendo eventuais intersecções que não deixam nenhuma das duas ficar maçante de uma maneira geral.

Shina Ninomiya

O núcleo de Shina por sua vez, é, como citado anteriormente, o núcleo que se encarrega da jogabilidade. Para se libertar do jogo você precisa conclui-lo, viajando pelas cidades do mundo enquanto lida com os bugs e desbrava dungeons para chegar na sequência final.

Durante o percurso, Shina reunirá uma séria de companheiras NPCs para ajudá-la. A sacada dessas personagens, no entanto, é que esse jogo foi projetado em uma engine fictícia capaz de criar NPCs indistinguíveis de pessoas reais, através de um processo  de decisões em tempo real, criando basicamente uma inteligência artificial, e graças ao abandono do jogo e dos bugs emergentes, esses personagens são ainda mais parecidos com pessoas reais do que quando programados.

Death end re;Quest conta também com um sistema de escolhas, sendo elas às vezes dadas como escolhas de dialogo, outras com uma tomada de decisão prática aonde você, após discutir sobre um assunto, pode decidir avançar ou recuar, por exemplo. A parte legal desse sistema é que, em geral, suas escolhas podem te levar para um bad ending dando a sensação de peso a elas, então, é importante sempre salvar o jogo antes de fazê-las. O jogo também conta com um contador de bad endings que te diz quantos caminhos errados você percorreu durante sua jogatina.

Bravas guerreiras e o programador

O combate de Death end re;Quest em geral é muito divertido e criativo, e mesmo após muitas batalhas não se torna repetitivo. Isso se deve principalmente ao sistema de Knockback (empurrão) do jogo.

O turno do combate do jogo te deixa executar três ações entre bater, usar suas skills, itens, defender etc. Uma quarta ação automática — caso você cumpra os requisitos — irá empurrar o inimigo. Caso o inimigo bata em outros inimigos, ambos tomarão dano, caso bata em uma parede irá ricochetear, e caso bata em outro aliado será novamente rebatido ganhando um novo impulso.

Embora aparentemente simples, o sistema de Death end re;Quest é extremamente divertido e te permite fazer coisas incríveis, como cortar pela metade o tamanho do combate fazendo o inimigo ricochetear em cada aliado, o que pode se provar um real desafio.

O Arata conjura algmas debilitações nos inimigos e melhorias nos aliados facilitando a batalha. Ele faz isso aleatoriamente mas de forma consistente, você basicamente pode sempre contar com esses auxílios.

Além disso, Death end re;Quest conta também com um importante sistema de corrupção, este que será abordado logo abaixo.

Pane no sistema

Os Bugs do jogo [referindo-se ao jogo dentro de Death end re;Quest] não são só estéticos, eles estão intimamente ligados a mecânicas de combate como um todo. Conforme você é atacado por inimigos, somamos uma porcentagem de corrupção da personagem que, ao alcançar 80%, entra no “Glitch Mode“, e recebe uma transformação visual, dando-lhe bastante poder de combate e acesso a uma habilidade extremamente poderosa. Quando utilizada, essa habilidade suprema reseta o contador de corrupção.

Uma outra maneira de encher o contador de corrupção é através de poças de corrupção espalhadas pelo chão, elas também podem te dar benefícios como mana, mas te custam vida, então são um adendo interessante para a complexidade do combate.

Incentivos e barreiras

Uma das características desse jogo é a constante presença de fan service, algo já bem característico dos jogos da Compile Heart. Então, espere pelos famosos ecchis, que para os leigos são elementos de erotismo introduzidos muitas vezes de maneira pouco natural para agradar os fãs. Além disso, Death end re;Quest por vezes flerta com violência exacerbada. Honestamente, eu não sou fã de nenhum desses elementos, mas sua frequência não foi o suficiente para me incomodar.

Embora as mulheres do jogo eventualmente fiquem seminuas, eu não encontrei situações aonde elas sejam expostas ao ridículo. De forma geral, elas são personagens fortes com carreiras estáveis e nem uma delas é reduzida a apenas um pedaço de carne pelo jogo, tanto que o protagonista fica constrangido em algumas situações e nunca é babaca ou sexista com nenhuma delas.

Sobre a parte “Gore” do jogo, ela é mais um flerte com gore do que o propriamente dito. Algumas descrições de corpos assassinados são demasiadamente detalhadas, mas é bem fácil pular coisas desse tipo.

De uma forma geral, caso você goste desse tipo de incentivo, o jogo tem deles, mas caso seja uma barreira pra você, é bem fácil ignorar, e não vai ferir os seus princípios. A história do jogo e seu ritmo são muito bons, e esses detalhes acabam sendo menores. Então jogue!

Death end re;Quest é uma experiência única e muito prazerosa

Death end re;Quest me surpreendeu em quase todos os aspectos. O combate viciante graças ao ângulo do empurrão, e sua história, que nunca fica previsível ou cansativa, tem um ritmo acelerado sem acarretar em um jogo curto. Parte disso é graças as longas explorações de dungeons, que são basicamente toda a parte de RPG do jogo, fazendo com que ele não perca tempo em longas rotas e side quests enriquecendo ainda mais a experiência.

Seus personagens são cativantes e os designs bem feitos, embora nada disso seja inovador é tudo muito bem executado. A história surpreende vez após vez com suas rápidas mudanças de tom e consistentes intersecções das aparentes duas histórias que estão sendo contadas que se tornam cada vez mais apenas uma, eu definitivamente recomendo esse jogo que foi uma das maiores surpresas positivas que já tive como redator.

Prós:

  • Ritmo impecável
  • Combate divertido e intuitivo com algumas camadas de complexidade bem vindas
  • História interessante do começo ao fim

Contras:

  • Fan service às vezes exagerado
  • O jogo nem sempre é muito claro nas indicações fazendo com que você fique perdido algumas vezes.

Nota Final:

9

Gabriel