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Coluna: Porque a precificação de US $ 70 em jogos é um mito

Vinicius Madeira 21/04/2023

Às vésperas do tão aguardado (e eleito como “O mais aguardado” pela The Game Awards de 2022) The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, com o seu último trailer pré-lançamento tendo saído recentemente, eu queria, porém, induzir a uma discussão que têm sido bastante comentada em fóruns de jogos hoje em dia, e que foi tópico após a revelação do preço de Tears of the Kingdom: Seriam US $ 70 por um único jogo justo?

A resposta é um tanto quanto complicada de se responder na verdade, uma vez que a indústria de videogames sofreu várias mudanças ao longo dos anos. Contudo, a precificação foi uma mudança relativamente recente, iniciando em 2020 com empresas como a Take-Two, EA e PlayStation Studios; alguns exemplos de jogos dessa geração que vieram por US $ 70: Returnal, FIFA 23, Forspoken, entre outros…

Forspoken (Square Enix, 2023) é um exemplo recente de um jogo cobrado a 70 dólares. Mas isso também acabou sendo um dos fatores pelo qual o mesmo não teve vendas muito boas.
Exemplo de uma revista da época (1997 para ser mais exato) mostrando os jogos de Nintendo 64 disponíveis para se comprar; reparem que nem todos se mantêm na precificação de $59,99, com alguns indo até aos $69,99 como está acontecendo atualmente.

Embora o caso de Tears of the Kingdom seja a primeira vez da Nintendo aderindo à esta prática na geração atual, vale notar que durante a década de 90, não havia uma “precificação geral” (por falta de termo melhor), os jogos eram cobrados pelo valor que as próprias empresas achavam que ele valia, isso variava entre 40 ~ 70 dólares.

Com a chegada da mídia via CD, mais barata que os cartuchos, se deu início a um preço que ficaria por muito tempo na maioria dos jogos desenvolvidos por grandes empresas: 60 dólares; com alguns jogos valendo menos, mas nunca saindo desta faixa de 40 a 60 dólares.

Agora que demos um pouco do contexto e do porquê… Vamos analisar o mercado de jogos moderno e ver como acaba existindo uma “justificativa” por parte das grandes empresas sobre esse pequeno aumento de 10 dólares, além da minha opinião sobre como isso acaba sendo um “mito”.

Em Outubro de 2022, um ex-desenvolvedor da Rocksteady (responsáveis pela série de jogos “Batman: Arkham”) se envolveu em duas polêmicas diferentes ao falar que: 1.: O motivo pelo qual Gotham Knights rodaria mal nos consoles da nova geração era porque a Microsoft obrigava as desenvolvedoras a lançarem seus jogos para o Xbox Series S. 2.: A justificativa do aumento de preço de 60 para 70 dólares, se daria por conta da inflação que aconteceu de 20 anos para cá, nos Estados Unidos, 60 dólares dos anos 2000 seriam 93 dólares em 2022.


Após a polêmica causada por esses comentários, Lee se desculpou, e pouco tempo depois desativou sua conta do Twitter.

Para corroborar com o argumento de Lee, a Sony divulgou um documento em fevereiro passado. O documento em questão afirmava que eles vendiam seus exclusivos com um prejuízo, e por isso a plataforma deles precisava de jogos como Call of Duty para conseguir pagar este prejuízo; isso foi discutido recentemente em uma troca de documentos feitos pela CMA, ainda sobre essa compra da ABK (Activision-Blizzard-King) pela Microsoft (via eXputer).


Então, seria isso mesmo verdade? Os jogos custando o que para nós, brasileiros, seria em torno de 350 a 370 reais algo inevitável?

É nesse momento que saímos um pouco da verdade e vamos para uma análise mais especulativa, afinal, são dados que a indústria não vai mostrar: Não! Os jogos custando 70 dólares não corrigem um “custo de produção” maior atualmente, porque um detalhe que esqueceram de apontar é que, mesmo que o custo para criar e produzir jogos tenha aumentado, assim como o tempo de desenvolvimento de um jogo aumentou muito na última década, a quantidade de jogadores que ativamente compram os jogos também aumentou muito nos últimos anos, com jogos vendendo muito mais do que vendiam há 20 anos.

Na imagem podemos ver o chart de vendas da Famitsu, que contabiliza as mídias físicas vendidas por semana no Japão (No caso da Imagem, contabilizou do Dia 03 de Abril até o Dia 09 de Abril).
Créditos: Gematsu.

Com jogos vendendo mais do que nunca atualmente, a única justificativa plausível para o aumento de um jogo seria um monstro só: Marketing! Uma parte surpreendente do custo de produção de um jogo só vai para o marketing, e não é uma coisa que uma ou outra empresa faz, várias empresas se aproveitam de grandes eventos para divulgar uma novidade sobre um produto novo e afins; um exemplo recente vem da própria divisão PlayStation: God of War: Ragnarok teve um trailer curto durante o Super Bowl, que é o maior evento de futebol americano nos Estados Unidos, assistido por milhões de pessoas. Vale notar que isso é apenas um texto opinativo, e que não estou tentando justificar, mas apenas apontando qual pode ser uma das razões do aumento.

Tendo dito isso, porém, eu não nego que Tears of the Kingdom é um dos jogos não só mais “bem-feitos” do ano, como também ocupa a posição de 2º jogo mais “Hypado” por mim… O 1º? Fica para outro artigo.


Porém esse mesmo argumento, ironicamente, não poderia ser feito com The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, pois o jogo não teve um marketing grandioso (e nem precisou) e vai vender apenas por carregar o nome Zelda, além de ser sequência do mundo aberto que ganhou os corações do mundo em 2017. Dito isso, é óbvio que empresas não vão falar porque cobram determinado preço em uma obra ou outra, mas a conclusão que podemos tirar é uma só: dinheiro; a Nintendo sabe que pode cobrar esse preço “Deluxe” por Zelda porque é uma das franquias dela mais pesada para isso.

Para encerrar tudo, a minha opinião é de que, quer os jogadores gostem ou não, a precificação de 70 dólares veio para ficar (Com até empresas mais gentis ao consumidor, como a Xbox, anunciando que vão aumentar o preço em seus próximos lançamentos); porém isso não significa que nossa voz como consumidor não pode fazer alguma diferença, sempre existem outras soluções como:

  • Lojas alternativas oficiais que vendem jogos ou cupons em promoções ainda existem. A Nuuvem, por exemplo, pode te poupar uns 20 reais ou até mais dependendo do jogo e promoção. E isso é, apenas considerando se você só tiver um Nintendo Switch.
  • Lojas oficiais que vendem os jogos a um preço “localizado”, ao invés da tradução direta do dólar, a eShop possui alguns exemplos disso como Monster Hunter: Rise, que foi vendido a R$ 250,00 durante o seu lançamento.
  • A medida mais radical: Responda com a sua carteira! Não compre o jogo a não ser que você realmente queira, tente incentivar outros a fazerem o mesmo, aguarde promoções e pague um preço que você acha “justo” para o que pretende consumir.
  • Vocês concordam com o texto? Ou acham que existe uma justificativa boa para a precificação moderna dos jogos? Deixe a sua opinião nos comentários, aceito todo tipo de opinião.

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Vinicius Madeira
Vinicius Madeira
Estudante de jornalismo com uma paixão enorme pela cultura do Japão e os jogos, em especial, os RPGs que o povo de lá produz. Sou redator e minhas Franquias favoritas incluem gigantes como Xenoblade Chronicles, Zelda e Mega Man.
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