Desenvolvedora: Intelligent Systems
Publicadora: Nintendo
Lançamento: 20 de Janeiro, 2023
Preço: R$ 149,00
Formato: Digital
Review feita com cópia adquirida pelo redator.
Revisão: Davi Souza
Quando bem-feitos, DLCs são excelentes formas de revisitarmos um jogo. Seja um remix de fases, novos personagens jogáveis ou história extra, mais conteúdo em um já excelente título significa mais tempo de gameplay, servindo perfeitamente para apaziguar a tristeza de nos despedirmos de personagens queridos. Em Fire Emblem Engage, tenho o prazer de dizer que é exatamente este o caso.
Após quatro levas de conteúdo adicional, com a primeira sendo lançada em conjunto com o lançamento do jogo base, em janeiro, e a última em abril, resta explorarmos o que os desenvolvedores prepararam para nós, concluindo enfim a extensa jornada em Elyos. Diferentemente da minha review original, porém, não me estenderei nem de longe nos sistemas de combate e na trama geral, partindo do texto-base e o ampliando apenas.
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Quanto ao sistema de notas, julgo melhor também não incluí-lo no presente texto, visto que, tratando-se de um DLC, não acredito que este possa ser avaliado de forma independente ao jogo-base. Dessa forma, abordarei, no início, as primeiras três levas de conteúdo adicional, explorando as peculiariedades de cada Emblem novo e, em seguida, falarei do breve, embora interessantíssimo, Fell Xenologue, o carro-chefe da expansão que conta com uma nova história e novos personagens jogáveis. Por fim, realizarei uma breve reflexão do quanto vale a pena adquirir o pacote extra, buscando entender os diferentes perfis de jogadores.
Os Braceletes
O primeiro conteúdo adicional disponível no passe é a leva de Emblems novos, que localizamos já nos primeiros capítulos da campanha. Disponíveis em fases extras, os personagens podem ser encontrados em braceletes, ao invés dos anéis do jogo principal. Nelas, podemos nos deparar com Tiki, Soren, Hector, Camilla, Veronica, Robin e Chrom, personagens queridos de jogos passados. A única exceção é o Emblem de Three Houses, constituído por Edelgard, Dimitri e Claude, o primeiro bracelete que é entregue simplesmente em Somniel. Em cada mapa, assim como os paralogues do jogo-base, enfrentamos os Emblems em mapas especiais de seus jogos, encontrando desafios distintos dos disponíveis em Engage.
Algumas fases são genuinamente desafiadoras, especialmente dependendo da altura em que o jogador estiver na campanha, e podem logo se tornar alguns dos seus mapas favoritos em todo o jogo. Além disso, como podemos explorar os mapas após os combates, é uma sensação incrível revisitar cenários antigos de forma minuciosa, observando cada detalhe que os desenvolvedores deixaram aos fãs. Ainda assim, é frustrante não ter sequer um mapa dedicado aos líderes das casas de Fire Emblem Three Houses, apesar de não ser um dealbreaker.

As habilidades desbloqueadas pelos Emblems transformam por completo as batalhas, e acredito ser este o grande mérito de suas inclusões. Afinal, não temos interações amplas desses personagens, então entender de que forma cada um impacta no campo de batalha é o que há de mais interessante aqui. Veronica, por exemplo, tem o poder de invocar heróis, simulando a mecânica de gacha de seu jogo, Heroes, e assim podemos, entre outras opções, jogar com os Emblems originais, habilitando-nos a batalhar uma vez mais ao lado de personagens clássicos.
Outro grande ponto é que cada Emblem, ao lado de uma unity equipada com um outro Emblem do mesmo jogo (como Ike e Soren, Byleth e Edelgard, etc) consegue ativar a habilidade Sync +, ganhando novos e melhores efeitos na habilidade especial de cada unity, o que pode transformar por completo o turno.
Além dos braceletes, o jogador receberá itens extras que podem se mostrar úteis ao longo da jornada, como o kit de ajuda encontrado nas espansões de Xenoblade. Também encontrará roupas novas, que podem ser utilizadas no Somniel. As atualizações trouxeram melhorias significativas ao jogo-base, como formas de melhorar o support entre unities e um fosso onde podem trocar armamentos por itens raros.
Por nada ser vinculado à compra em si do DLC, acredito que estes benefícios foram extremamente bem-vindos para um fluir melhor do jogo, sendo excelentes aos futuros jogadores. Dito isso, nenhum desses conteúdos, sozinhos, justificariam o preço de 150 reais da expansão. É, no final das contas, em Fell Xenologue que podemos mergulhar no material bônus.
Um espelho turvo
Ao contrário da expansão encontrada em Fire Emblem Three Houses, o epílogo Fell Xenologue em nada implica na história base de Engage. Aqui, Alear é invocada em uma dimensão paralela por Nel e Nil, gêmeos dracônicos criados a partir de Sombron. Nessa realidade, O Dragão Divino fora morto na batalha de resistência contra as forças do dragão das sombras, levando-o consigo. Com seu fim, as quatro nações de Elyos adotaram uma postura hostil umas contra as outras, com seus líderes tomando posturas contrárias às apresentadas em nossa realidade.

Retornemos à dupla principal: Nel e Nil. Gêmeos e filhos de Sombron, os dois apresentam uma interessante dinâmica: a primeira apresenta-se como uma poderosa criatura dracônica, sempre vista por seus pares como digna das bençãos do pai; o segundo, contudo, aparece como um fracasso, um ser frágil e desprezado pelos demais — um peso a ser carregado por Nel. Ainda assim, o vínculo compartilhado entre irmãos é, aparentemente, imbatível.
No início da narrativa, encontramos na dupla um semblante de preocupação: uma força misteriosa, após a queda de Sombron e Alear, está em busca dos sete braceletes que protegem Elyos — e que substituem os anéis do jogo-base. Os braceletes, como podemos imaginar, são os mesmos apresentados nas primeiras levas da expansão, mas não espere uma maior interação entre os personagens na trama. Corrompidos pelo poder do lorde das sombras, os Emblems permanecem mudos e vazios, dando espaço aos demais.
Sendo evocada, Alear integra o grupo e viaja aos continentes em busca dos braceletes, encontrando versões distorcidas de seus companheiros, cegos pelo caos e sedentos pela soberania do território. Juntos ao grupo de resistência, contudo, vemos quatro curiosos personagens integrarem nossa party: Mauvier, Zelestia, Madeline e Gregory — os Four Winds, ecos do grupo antagonista da trama principal, os Four Hounds. Como é de esperar, suas personalidades também são diferentes: onde encontrávamos malícia, vemos pavor, da discórdia para a união.
Essas novas personalidades, inclusive, conversam com uma nova forma de resistência apresentada: ao invés do combate direto e duro, os personagens incentivam a fuga e a paciência, em combates bem mais estratégicos, visto que nossas unidades, com limitações de nível, não são capazes de arrasar o mapa como de praxe.

A trama se desenrola em um tom fúnebre, com um mundo devastado e corrompido. Desesperançosos, os personagens emergem em um cinismo que os valoriza, especialmente após o tempo que passamos ao lado deles em suas versões padrão. Em sete capítulos, a progressão dos personagens é realmente satisfatória, com momentos que nos emocionam e nos tocam, especialmente em flashbacks com artes lindíssimas, desenvolvendo a fundo as personalidades de Nel e Nil.
Assim, acredito que o DLC consegue desempenhar um papel incrível no aprimoramento do universo, criando uma história única que faz valer o pacote. Afinal, como após o último capítulo desbloqueamos os personagens em nosso universo, os supports desbloqueados também aprimoram ainda mais suas personalidades, fazendo-me inclusive eleger Nel como uma de minhas favoritas de todo o jogo.
Como se não fosse o bastante, resta discutir as batalhas em si. Os sete confrontos aqui disponíveis são, sem dúvidas, marcantes e criativos, especialmente o último, que de longe desbanca a missão final do jogo-base. O único adendo que deixo é que a dificuldade Difícil é, de fato, muito difícil, especialmente pelo level cap, restrigindo-nos a estratégias mais conservadoras.
Pessoalmente, não fui capaz de passar do quinto capítulo sem diminuir a dificuldade, mas claro que jogadores mais pacientes serão recompensados ao experimentar as dificuldades mais avançadas. Além disso, como combatemos versões distorcidas de nossas próprias unidades, recomendo escolher unidades que conversem com líderes das nações de cada batalha para experienciar diálogos marcantes e até trágicos. No mais, temos mapas ainda mais incríveis de um jogo com um combate já impecável — não há muito mais que possa ser pedido.
Conclusão
Como disse no princípio, oculto propositalmente a nota e faço a derradeira questão: e vale a pena? E sem qualquer dificuldade, respondo: depende. Se, como eu, o leitor tiver adorado o título-base e deseja mergulhar fundo em uma nova história no universo, pode ir sem dúvidas, mas acabo pensando nos infortuitos jogadores que talvez estejam cansados após uma trama tão longa quanto a de Engage, e para estes talvez seja melhor deixar o jogo descansando, embora de forma breve. Quem sabe, após um tempo, quando a saudade apertar, a tentação de mergulhar na expansão não surja? Nessa hora, com certeza recomendarei o pacote, e espero ver cada vez mais pessoas se apaixonando ainda mais por este que permanece sendo um dos melhores lançamentos do ano.
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