Desenvolvedora: Supergiant Games
Publicadora: Supergiant Games
Gênero: Roguelike, Dungeon Crawler
Data de lançamento: 20 de novembro, 2020
Preço: R$ 92,46 (recebe promoções frequentemente)
Formato: Digital, Físico
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida pelo redator.
Review: Paulo Cézar
Já ouviu a expressão “O que não te mata, te deixa mais forte?” Pois é, aqui isso não é verdade! Em Hades, o príncipe do submundo tenta escapar do mundo dos mortos, fugindo das mãos tiranas de seu pai, Hades. Zagreus não terá facilidades para escalar cada círculo do inferno, e a morte é parte do processo, já que é bem difícil matar um deus… Apenas um adendo: essa review contém spoilers mínimos, mas contém. Provavelmente você já viu isso em algum lugar mesmo, ou são dicas que você vai precisar pesquisar, então não se preocupe muito.
Dito isso, Hades é um Dungeon Crawler roguelike, que já têm certa idade, lançado em 2020 (no meu aniversário, inclusive… alô Supergiant, lembra de mim por favor), que me encantou desde o início por seu estilo de arte. Como um artista nas horas vagas, claro que isso me conquistou com força, mas a jogabilidade, tema, e tudo o mais também me pegaram. A visão é isométrica, aquela vista “superior / diagonal” combinado com um combate ágil e muito povoado de cores, elementos, inimigos etc trazem um ambiente bem interessante, que te estimula a gastar dezenas (ou centenas talvez?) de horas jogando repetidas vezes.
Na verdade, decidi trazer esse review bem fora de época, porque Hades 2 foi confirmado (e agora já até lançado na Steam em Early Access), já passou pelos testes de performance, e estou absurdamente animado. Então para convencer vocês e gastar um pouco mais do seu tempo, escrevo aqui de fã para fã.
Desafio e gameplay
Galera, geralmente começo pelo plot do jogo, mas aqui vou fazer gameplay primeiro, porque é a jogabilidade que define o ritmo da história.

Vamos lá, sendo o príncipe do submundo tentando escapar do inferno e chegar à superfície, Zagreus seleciona uma de suas 6 armas (espada, lança, escudo, arco, manoplas e canhão), cada uma com suas particularidades de jogo (entro nisso mais tarde), e vai em frente, prosseguindo por Tártaro, Asfódelo, Elísio e o Templo do Estige. Cada uma das 4 regiões têm seus próprios inimigos, com a dificuldade crescente, e na última sala temos um chefe:
- As moiras se revezam na saída do Tártaro;
- Lernie, a Hidra Esquelética governa Asfódelo, o reino do fogo;
- Elísio, o “paraíso” do submundo têm Teseu e o Minotauro como seus campeões;
- Por fim, o Templo de Estige só será superado ao derrotar o próprio deus Hades.
Quanto mais avançamos, mais recompensas conseguimos, sendo as moedas do Caronte só utilizáveis numa mesma run, mas escuridão, sangue divino, diamantes e algumas outras são levadas de volta para a casa.

Ao longo da jornada, os deuses do Olimpo percebem sua movimentação, e decidem te ajudar a escapar da casa, e poder se unir a eles, e portanto lhe concedem bençãos e dádivas, que têm seu poder especial. Não temos todos os deuses presentes, mas cada um com suas características de combate pode conceder um estilo totalmente novo de jogar, focando até na sequência de ataques, posicionamento, ritmo etc.
Por exemplo, Poseidon geralmente fornece habilidades que empurram inimigos com força das ondas, Zeus dá poderes de raio aos seus ataques, deixando inimigos eletrificados ou disparando outros golpes nos adjacentes. Afrodite em geral concede efeitos passivos como bônus de ataque, defesa ou dano, Artemis foca em crítico e por aí vai, é um panteão extenso (e ainda assim faltam deuses).
Uma das minhas builds favoritas era o escudo com as bênçãos de Ares, que causam dano grande alguns segundos após o hit. Se lembram da minha review de Dandy Ace? É um estilo parecido com o Bater e Correr. Legal, mas se é assim, então não é só ir em frente e zerar logo de cara? Então, primeiro, não temos save points exatamente. Até da para sair da run no final de cada sala, desligar o console e retomar de onde parou, mas não dá pra trocar de arma, item, ou tentar voltar pra outra sala e melhor seu desempenho, pegar um item qje esqueceu etc. Começou a run, vai até o final, ou morra tentando.
E se morrer, volta pro início, o que é parte da ideia, pois suas recompensas que leva de volta pra casa servem também para comprar upgrades. Novas câmaras podendo aparecer, melhorias em dano, em disparos, vida, e até na raridade das bênçãos que podem aparecer. Sem isso, é praticamente impossível chegar ainda mais a frente. Claro que eu não sou muito bom, mas é isso, facilita a vida.

Bom, agora eu tenho meus power ups todos, estou fortão, escolhi minha arma favorita e estou com as bênçãos certas. Cheguei no final do jogo, venci o papai e rolam os créditos? Não! São 10 vezes que precisamos chegar à superfície para ver toda a história principal, o que nos leva ao próximo tópico.
Roteiro a conta gotas
Como disse ali em cima, morrer e voltar faz parte da história, o que significa que a cada vez que você morre, mais da história pode ser revelada a você. Enquanto estamos em casa, onde se passa a maior parte dos diálogos importantes, encontramos aleatoriamente uma série de personagens, e interagir com eles que nos garante esses diálogos narrativos. Quanto mais vezes falamos com eles, com personagens secundários, e até com os deuses nas salas dos reinos, desbloqueiam novas linhas.

Além da narrativa principal, alguns personagens têm suas próprias histórias. Orfeu e Erudice, Aquiles e Pátroclo, Zé Caveira, Duas e sua paixonite por Zagreus, a moira Meg e sua relação conflituosa com o príncipe têm uma série de diálogos exclusivos que vão se desenvolvendo muito mais a cada vez que os presenteamos, podendo te dar ainda uma recompensa extra, um companion que te garante um poder extra para suas fugas.
O final da história eu não vou contar, mesmo que não seja muito a se resumir. Afinal, a história não é muito extensa ou complexa, e serve muito mais como um plano de fundo para o jogo do que o contrário. Mas de forma alguma isso prejudica sua qualidade, com reviravoltas e descobertas impressionantes, uma boa pitada de drama, e até que bastante comédia. Todos esses elementos, numa mistura caótica com o caos das batalhas deu muito certo.
Ah, os deuses também gostam de mimos, então presenteá-los, além de te dar um keepsake (que te dá um benefício extra e essencial), também podem desbloquear novos diálogos.

Armamento
Em Hades, cada run é feita com uma arma, conforme comentei, e não podemos troca-la no meio jogo, apenas no início de cada run. Cada uma vai ter um estilo de combate diferente, e mais que isso, cada uma também apresenta 4 “aspectos”: o de Zagreus, comum a todas, que é a forma como ela se revelou ao príncipe, e mais 3 referenciando outros deuses ou personalidades, divinas ou não. Em geral o basico se mantém, mas os extras podem mudar completamente seu estilo de jogo, até mesmo de longo para curto alcance.
Minha primeira fuga foi com o Canhão sob o aspecto de Éris, que me beneficia de ficar perto do ponto de impacto da bomba. Isso já vai mudar totalmente o meu posicionamento quanto aos inimigos, o quando vou poder gastar meu dash, o dano que cada ataque vai dar e por aí vai.

Muitas vezes também, cada aspecto combina melhor com uma bênção diferente, e se pegar a errada, isso pode inviabilizar seu combate. Fiz isso uma vez sem querer, colocando uma de poseidon que afastava os inimigos, tirando eles da linha do combo… Mas pensa só numa arma que ataque rápido várias vezes, acumulando efeitos passivos a cada hit. Já funciona muito melhor, certo?
Mais desafios
Embora o switch não tenha um sistema de Achievements, não é muito difícil entender o que precisa ser feito para “platinar” Hades. Basicamente seria concluir todos os desafios propostos. Veja bem, depois da primeira vez que escapamos, uma nova função é desbloqueada, chamada Calor. Calor nada mais é um medidor que acrescenta dificuldades a sua escolha: inimigos com mais vida, com escudos, armadilhas causando mais dano, ou mesmo o “Medidas extremas”, que dá aos chefes novas habilidades.
Quanto maior o desafio, maior o calor que ele gera. Quanto mais calor, maior a recompensa, mas cuidado: suas recompensas são graduais, e uma por nível, logo, não adianta colocar 10 de calor antes de passar pelos outros 9 números, que suas recompensas não vão se multiplicar por 10, você vai ganhar apenas uma. Então faz 1-2-3-… direitinho que é sucesso. Nos níveis 8, 16 e 32 são dadas recompensas extras, e é o tipo de coisa que você verá no youtube.

Existem também as profecias, que são de temas variados, desde reunir pessoas, ou encontrar todas as bênçãos de tal deus. Obviamente que algumas têm pré-requisitos, como o Beijo Soprado, pede que já tenha Crush Shot no seu arsenal, e coisas do tipo. Mas como tudo aparece aleatoriamente… vamos ter que jogar e rejogar até aparecer o que queremos.
Já outras profecias, as que lhe garantem laços de amizade por exemplo, pedem que ajude a arrumar a casa, que envolve um gasto bem grande de joias, mas a recompensa é muito boa, e por aí vai.
Em suma, tudo, inclusive a história lhe estimula, lhe convida a jogar mais e mais vezes. Em média minhas partidas duram cerca de 30 minutos, o que é um tempo bem confortável de jogar enquanto espera o pessoal da casa se arrumar antes de sair pra almoçar na casa da vó no domingo. Claro que no switch você também pode jogar no modo portátil, que é bem confortável e funciona super bem. Não temos perdas de ergonomia devido à escolha dos botões, e seu momento de uso. Por exemplo, nunca vamos precisar usar os doin analogs ao mesmo tempo, ou um botão da direita com o analog direito etc. Claro que isso também é complicado em outros consoles, mas por ser vertical no Switch, eu acho meio chato, então fico feliz de isso não ser um problema aqui.
De toda forma, jogar na TV é bem melhor, por vários motivos: qualidade da imagem e suas dimensões, conseguir ver mais detalhes, acompanhar a música como ambiente.
Conclusão
Hades é definitivamente um jogo muito divertido e viciante, que merece muito seu apreço. Entendo também que não é para todo mundo, pelo próprio estilo de replay mesmo, tem gente que gosta mais de algo mais linear e aventuresco, mais com foco narrativo, ou até mesmo que não se deu bem com o ângulo da câmera. É sim um jogo difícil, e se propõe a superar você mesmo e desafios novos, contando com sua falha para se aprimorar.
Vale muito seu tempo, e volta e meia entra em promoção, para você não ter mais desculpa de não jogar. Hades está disponível em todas as plataformas atuais. Embora o modo portátil do Switch caia muito bem com a dinâmica rápida, gosto de jogar num controle mais robusto também, numa tela grande.
Hades acidentalmente se tornou meu jogo favorito.
No mais, aguardo Hades II com muita expectativa.
Obs. Você pode fazer carinho no Cerberus, logo, ótimo jogo!
Prós:
- Arte magnífica;
- Dificuldade convidativa (depois de se acostumar);
- Muitas opções de gameplay, mantendo uma experiência fresca;
- Partidas não muito emoradas.
Contras:
- Pegar o ritmo no início é meio demorado;
- A história poderia ser um pouco mais fluída;
- Tudo custa muito caro dentro do jogo, isso poderia ser um pouco melhor balanceado;
- Um pouquinho mais de recompensas por run seria legal.
- Acaba ficando meio repetitivo quando você já dominou o jogo.
Nota Final
9,5
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