Desenvolvedora: Dimps
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG de ação, Multiplayer
Data de lançamento: 03 de Outubro, 2024
Preço: R$ 299,90
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Davi Sousa
Se você esteve na internet por um bom tempo, acompanhando animes, jogos e mangás, sabe que sempre houve aquelas mídias que sobem em popularidade com um determinado público em um curto espaço de tempo, o que acaba atraindo várias pessoas a consumir dita mídia. Para os weebs de primeira viagem em 2012, essa mídia foi o anime Sword Art Online.
Sword Art Online, ou SAO, é uma série de light novels que narram uma história onde, num futuro próximo da humanidade (que já passou, considerando que o primeiro livro se passa em 2022), a tecnologia de realidade virtual avançou tanto que vários jogos agora se utilizam do conceito para criar jogos 100% imersivos; porém, no primeiro MMO que fez uso da tecnologia por inteiro, o criador armou um esquema para prender milhares de jogadores no jogo, onde, se eles morressem no game, morriam na vida real também.
As mídias de SAO, embora um tanto divisivas quanto ao público de hoje em dia, sempre foram alvo de elogios, seja pelo belo uso de uma trilha sonora bem orquestrada ou belíssimas animações feitas pela A-1 Pictures. SAO sempre foi um sucesso multimídia, e isso também se aplica aos seus jogos, que, apesar de exitirem alguns mais fracos, sempre foram em sua maioria RPGs de ação com certa qualidade, e o mesmo se aplica ao jogo que estarei analisando hoje, SWORD ART ONLINE Fractured Daydream!
Eu gostaria de acrescentar duas coisas antes de começarmos: meu conhecimento de Sword Art Online é um tanto limitado, pois só acompanhei até o fim da segunda temporada, mas isso não afetou tanto o jogo para mim; e Fractured Daydream é um jogo um tanto pesado no console, portanto, todas as fotos e vídeos do jogo usadas nessa review são do modo portátil do Nintendo Switch; logo, esta não é a melhor resolução que o console pode chegar, mas foi nela que eu joguei.

Encerrando essa longa introdução, vamos começar…
A 「Inocência」da história
Diferentemente de outros jogos de Sword Art Online, que se passam em sua própria linha do tempo e isolados, Fractured Daydream leva uma história que, ainda que não canônica, se passa pouco tempo depois da última temporada, Alicization. Então, ele espera que você reconheça alguns personagens importantes logo de cara, até chegando a revelar que uma das antagonistas da última temporada ainda estava viva.
A narrativa de Fractured Daydream gira ao redor de Galáxia, um sistema implementado em jogos VR com base na SEED, um sistema que essencialmente conecta todos os jogos VR e que funciona através das memórias dos jogadores, as recriando com precisão. Isso pode ser usado de maneira positiva, como quando Kirito, o protagonista, e sua equipe jogaram uma missão na qual uma companheira falhou anteriormente.

Porém, esse sistema começa a dar indícios de não funcionar às mil maravilhas que aponta: quando antigos rivais de Kirito, na época do famigerado Sword Art Online, começam a ser recriados, ele percebe que o sistema da Galáxia pode esconder uma corrupção maior do que seu exterior apresenta.
O jogo é mais focado no modo online, mas o modo História serve como uma forma perfeita de introduzir personagens com os quais os fãs já estão familiarizados, ao mesmo tempo em que explica o enredo àqueles que ainda não os conhecem, tendo um menu do jogo totalmente à parte explicando a história da franquia até agora.

「Cruzando Campos」com amigos
De cara, Fractured Daydream te joga na história, com um pequeno tutorial e introdução de personagens, mas após você se acostumar com o combate (um tópico que irei explorar em breve) no tutorial, você tem liberdade de escolher o que quer fazer no jogo, com três modos sendo liberados logo de cara para o jogador: a história, o modo online aberto e as quests online “limitadas”.

Apesar de eu dificilmente me considerar um jogador online, alguns fatores como erros que tive no modo história e o jogo ter um requerimento de estar sempre online me fizeram querer investir um pouco nas opções multiplayer, e fico feliz que tomei essa decisão, já que me diverti no modo “mundo aberto”, onde o jogo te joga em um lobby 100% explorável com o personagem que você quiser, e é decisão sua para onde ir em um mapa dividido pelo nível dos inimigos, o que acaba sendo o modo perfeito para grind e coleta de ouro.
No fim das contas, apesar de eu ter aproveitado bastante o mundo aberto, especialmente por ser onde o visual detalhado de Fractured Daydream se destaca mais, acabei sendo adepto às quests online, onde o escopo do mapa é limitado, mas o jogo te dá um objetivo claro do que fazer. Com um multiplayer que lota o mapa com até 20 pessoas, muitos usando diferentes personagens, é divertido (e um tanto caótico) ver a barra de vida do chefão final da quest diminuindo rapidamente, porque muitos jogadores estavam juntos em cima dele.
「Incendiando」o combate
Indo para o possível ponto alto de qualquer RPG de ação que se preze: o combate, algo que você vai passar a maior parte do tempo fazendo, é divertido?
Com um elenco de um pouco mais de vinte personagens ao todo, fico feliz em dizer que a equipe da Dimps não errou quando se trata do combate, que é um tanto simples em matéria de botões necessários para ser entendido, mas que muda drasticamente o esquema de controles dependendo da classe do seu personagem. Personagens como Kirito são melhores para manter o combo e dar ataques maiores, tendo aspectos de defesa e ataque na média, enquanto personagens como Sinon são bons para ataques a distância, mas têm uma defesa péssima e não conseguem manter combos maiores, por depender mais da munição.

O jogo também conta com um sistema de bloqueio e esquiva, no qual você tem certas vantagens em combate se conseguir executá-los no timing correto. De resto, o combate pode acabar sendo um pouco button-mashy, com o jogador muitas vezes pressionando X e Y constantemente, mas isso não significa que ele é ruim. Acredito que a variedade dos movesets dos personagens, somada ao combate dinâmico, torna esse jogo uma das melhores opções de multiplayer online cooperativo no Switch, em termos de RPGs de ação.
Ah, é, uma informação adicional que não acrescenta em nada na review, mas vamos coloca-la mesmo assim: Sinon, com seu moveset, de Gun Gale Online, até agora está sendo a minha personagem favorita de controlar. Não só é uma personagem com a qual estou bem familiarizado, mas seu set de ataques e tiros é bem único e divertido de usar contra hordas de inimigos.
A「Coragem」em um jogo como serviço (GaaS)
A essa altura, estou tendo que pensar em títulos muito criativos para referenciar as aberturas do anime, mas é um pequeno preço a se pagar por essas pequenas referências (que eu não vou manter no próximo tópico, então me chamem de hipócrita).
Mas caso não tenham percebido, ou eu não tenha especificado, que fique bem claro: Fractured Daydream é um jogo que usa um sistema de live service, ou seja, é um jogo com temporadas e passes que vão mudando ao longo dos meses e que requerem que o jogador fique jogando por um determinado período de tempo, ou, em alguns casos, sempre fique jogando. Essa informação provavelmente pode ter feito alguns lendo a review pensarem mal do jogo, mas eu não vejo esse sendo o caso; é um jogo divertido e acredito que consegue passar a sensação de ser um MMO real, como os próprios jogos do universo de Sword Art Online.




Entendo também a ideia de não querer se prender a um jogo cujo sistema pode parecer um tanto predatório para o consumidor, mas, honestamente, é uma experiência divertida e que oferece coisas fora do conteúdo cooperativo online que dá para fazer sem gastar nada a mais. Um aspecto do qual eu gostei é o sistema de “memórias”, onde, ao avançar na história, vamos desbloqueando cutscenes opcionais que podemos escolher ver, que explicam um pouco mais da história.
Semelhante ao sistema de memórias, Fractured Daydream também oferece a opção de, com um sistema monetário interno, desbloquear cenas dos outros jogos de SAO para vê-las em um pequeno show de slides. Como são muitas cutscenes desses jogos, o que custa um pouquinho para desbloquear, liberar 100% delas definitivamente é algo que pode fazer os jogadores perderem tempo nos modos cooperativos ou na história.

Erro fatal no sistema operacional
Quem já leu uma review minha já deve saber do padrão: eu sempre separo o penúltimo tópico para apontar minhas maiores críticas ao jogo que estou jogando, e nesse caso não só não será diferente, como o título vai ser diferente também (não consegui pensar em nenhum trocadilho com alguma abertura).
Fractured Daydream é um live service, e não vejo problema nele como tal; porém, assim como é a discussão com vários jogos do estilo que têm sido lançados esses anos, acredito que o preço final é algo que pode acabar afastando muitos jogadores em potencial, afinal, além do preço inicial de trezentos reais que o jogo pede, tem ainda a questão da monetização interna, que acaba pesando mais na carteira daqueles que também querem os cosméticos.
Algumas outras críticas que posso dar dizem respeito à versão de Switch, que claramente não roda o jogo como as outras, sendo a de fato “pior” versão. Não tive problemas tão graves fora algumas quedas de frames durante o modo online, lembrando que joguei no modo portátil, onde a conexão por wi-fi prejudica muitas vezes. Ironicamente, meu problema veio no modo história, no qual, mais de uma vez, tive problemas com o jogo travando no meio de cutscenes nais quais o áudio dessincronizava com o vídeo, que ficava parado.
De todos os jogos não Nintendo que tenho instalados no Switch, acredito que esse SAO foi o primeiro que me fez pensar nestas exatas palavras: “Gostaria que o sucessor do console fosse retrocompatível apenas para poder jogar isso de uma maneira melhor”. Nunca imaginei que estaria falando isso de um jogo da Dimps, mas tal é o mundo em que vivemos, não é?
A「Resolução」
Para finalizarmos aqui, eu acredito que Sword Art Online: Fractured Daydream oferece opções de jogabilidade que, em termos abrangentes, agradam gregos e troianos. Seu estilo de narrativa é claramente um fanservice enorme para fãs de longa data da franquia, mas também é um ótimo ponto de introdução para aqueles que sabem ao menos o básico de SAO.


Então, temos em mãos um produto que entrega o que promete: um ótimo RPG de ação que, apesar de cair em algumas armadilhas nas quais outros jogos live service caem, ainda consegue ter uma jogabilidade única que prende o jogador… Só, por favor, se não tiver outra forma, que nem eu, não recomendo muito a versão do Switch por enquanto; o jogo é bem “ambicioso” pro console.
Prós
- Um RPG de ação com grande variedade de movesets e personagens jogáveis;
- Ótimo ponto de entrada para fãs e não fãs da franquia Sword Art Online;
- Variados modos de jogo que não deixam a gameplay monótona;
- Apesar da baixa resolução, a direção de arte faz o jogo brilhar nos campos mais abertos;
- SINON.
Contras
- Quedas no framerate em momentos mais “caóticos” nos vários modos;
- Preço pouco atrativo para um jogo que se apresenta como um live service;
- Combate um tanto button-mashy que, somado ao grind obrigatório, pode levar a sessões entediantes de gameplay;
- Travamentos que podem ser experienciados durante alguns momentos, como cutscenes.
