Desenvolvedora: Lizardry
Publicadora: PLAYISM
Gênero: Aventura, Puzzle, Narrativa
Data de lançamento: 03 de Outubro, 2024
Preço: R$ 49,50
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela PLAYISM.
Revisão: Marcos Vinícius
Mais uma vez sou pego de surpresa com a proposta de um jogo independente que buscar ser completamente fora da curva. Quando vi Refind Self: The Personality Test Game na apresentação Indie World da Nintendo, fiquei bastante intrigado com o game. A ideia de um teste de personalidade é algo que sempre me fascinou, sabe Deus quantos testes desse tipo já fiz na internet, desde os mais complexos elaborados com método científico até aquelas aberrações do BuzzFeed para saber qual marca de salgadinho representa a minha personalidade.
A desenvolvedora independente Lizardry teve a astuta ideia de embutir um complexo teste de personalidade dentro de um jogo eletrônico, ou seja, observando a maneira que você joga, o game é capaz de lhe encaixar em diversos tipos de personalidade diferentes. Particularmente nunca tinha visto um jogo fazer isso e a execução é bem interessante, fique comigo aqui nesse texto que vou tentar explicar como tudo funciona e, mais do que isso, como eu me senti nesse “experimento”.
O jogo que te observa
Logo de início me senti um pouco estranho jogando Refind Self por dois motivos específicos. O primeiro é que o jogo me dá bastante liberdade para fazer o que eu quiser, não há um caminho de ação correto, você é solto em uma ilha com diversas interações e cabe a você decidir como gastar seu tempo ali. O outro motivo é que praticamente tudo que você faz é registrado imediatamente no canto superior esquerdo da tela, desde um simples ato como se sentar em um banco até questões mais complexas como passar por uma porta sem abri-la.

Dá uma sensação de estar sendo constantemente observado e isso me deixou um pouco desconfortável no início, fiquei pensando demais no que fazer pois sabia que cada atitude minha dentro do jogo iria influenciar o resultado da minha personalidade. Porém, logo comecei a ignorar as notificações de pontuação sobre o que eu estava fazendo e comecei a interagir com mais naturalidade, hipnotizado pelo belíssimo visual pixelado do game, o inteligente uso das cores que recriam uma estética nostálgica com a definição de 2024 e a música leve e tranquila que preenche o cenário enquanto eu jogava.

Refind Self funciona em um plano bidimensional, onde você anda para a direita ou esquerda, não há um foco em ação, sua liberdade é limitada em ficar caminhando e interagindo com partes do cenário e personagens, e acredite, isso já é suficiente para observar muitas das suas ações e traçar sua personalidade.
Como disse, as pequenas coisas vão influenciar, se você for metódico e ir explorando todos os cantos do cenário, terá um resultado, mas caso interaja esporadicamente com alguns pontos, o resultado será completamente diferente. O trunfo deste método é que ele não vai depender de perguntas diretas, do tipo “O que você faria na situação X”, ele simplesmente lhe coloca na situação X e observa suas reações.
Montando uma história
Apesar do teste de personalidade ser o foco, ainda há aqui um jogo para você jogar e uma história para descobrir, ou seja, não é só andar fazendo coisas aleatórias, você pode traçar um caminho para de fato avançar e descobrir novos detalhes sobre o que está acontecendo.

Na história, você está assumindo o papel de um androide, criada por uma doutora que já está morta no início do game. O objetivo do jogador — pelo menos a meu ver – é explorar a ilha que o jogo lhe coloca e que está recheada de informações e memórias sobre a vida da doutora junto a androide. Durante a exploração, de pouco a pouco você vai encontrando as peças do quebra cabeça, para entender a ordem cronológica dos acontecimentos e as coisas começarem a fazer mais sentido.
Demorou um pouquinho até que a história realmente capturasse minha atenção, mas eventualmente fui me interessando mais e mais. É que no início as peças realmente vão chegando muito soltas e as informações que você vai encontrar dependem das suas escolhas dentro do jogo, então isso vai acabar variando a experiência de cada pessoa. O jogo é super curto e uma sessão pode ser feita em menos de 1 hora, mas a experiência é feita para ser finalizado pelo menos 3 vezes, para que você vá atrás de diferentes detalhes da história mudando suas ações em cada jogatina e chegando no verdadeiro resultado da sua personalidade.

Mesmo depois de conseguir muitas informações e ter entendido boa parte da história, fui à internet atrás de interpretações de outras pessoas e notei que tinha deixado bastante coisa passar, o game trabalha com subtexto e nem sempre vai pegar na mão de cada jogador para explicar detalhes, apesar de estar tudo ali. É uma história bem sensível, com algumas reviravoltas interessantes, no geral eu gostei, é uma narrativa pensada para se encaixar com o tipo de gameplay apresentado, então tudo parece funcionar em conjunto e isso me agradou bastante.
Distrações
Apesar de boa parte do jogo ser focado na exploração bidimensional da ilha, em alguns lugares você vai encontrar atividades diferentes, provavelmente algum tipo de mini game para entreter. No café por exemplo, a androide que cuida de lá vai lhe pedir uma ajudinha e você precisa tentar adivinhar qual a bebida que vai agradar cada cliente que aparecer, já no hotel você encontra uma máquina arcade com um simples jogo de plataforma que provavelmente vai mais lhe irritar do que lhe divertir por conta da física exagerada.

Já em alguns momentos chaves, o jogo vira uma espécie de shooter bem simplificado, em que conforme você atira nos inimigos você ganha opções de upgrade que podem melhorar a velocidade ou força dos seus tiros, exigindo que você faça boas escolhas para continuar de pé. Para citar mais uma situação, em mais de um momento o jogo abre um sistema de batalha de turno e, em uma específica, as escolhas que você fez dentro do jogo vão influenciar os ataques que você tem disponível, e isso faz uma baita diferença.

Sendo bem honesto, nenhum desses joguinhos atraiu a minha atenção por muito tempo, são bem simples e não fizeram com que eu quisesse continuar retornando a eles. É possivelmente uma boa distração, mas nada mais que isso, o foco e a parte que o jogo mais brilha é de fato a exploração.
Afinal de contas, funciona?
Talvez você esteja se perguntando o quão certeiro o teste de personalidade do jogo é, não é? Bom, eu nem sei dizer para ser honesto. Tenho a impressão de que com esses tipos de teste a gente sempre tenta se encaixar nos detalhes descritos, as pessoas são absurdamente plurais e colocar toda a personalidade em uma só definição beira o impossível. Inclusive o game sabe disso, já que no final você recebe 5 personalidades que lhe descrevem, desde a que mais se manifesta em você até a mais distante.

É interessante ver como as suas atitudes dentro do jogo influenciam o resultado, eu mesmo fiquei me questionando se de fato joguei com a personalidade que apareceu no resultado e normalmente tudo se encaixa mesmo. A questão é: o quão divertido é jogar para receber esse teste? No fim das contas o que mais gostei mesmo foi explorar a ilha e saber os detalhes da vida da doutora e as suas motivações, talvez para outro público essa parte do teste tenha um pouco mais de apelo do que teve para mim.

De todo modo, você não vai me encontrar aqui nesse site desencorajando novas ideias e Refind Self: The Personality Test Game dá o seu melhor para entregar uma experiência nova e consegue um resultado bastante positivo, para um jogo experimental considero isto um sucesso e sai satisfeito com uma experiência que, olha só, resolveu me rebater com a mesma moeda: enquanto estou aqui falando sobre o jogo, lá está o jogo falando sobre mim.
Prós
- A identidade visual é belíssima e nostálgica;
- Teste de personalidade embutido no game é ideia original e com execução astuta;
- Explorar para procurar as peças que montam a história é uma experiência divertida e recompensadora;
- A história que o game apresenta é sensível e sabe trabalhar com subtexto.
Contras
- Os mini games espalhados dentro do universo do jogo não funcionam como boas distrações;
- Ausência de legendas em PT-BR pode ser uma barreira para jogadores brasileiros.
Nota
8
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