Desenvolvedor: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: Luta, Coletânea
Data de lançamento: 16 de maio, 2025
Preço: R$ 191,00
Formato: Digital/Físico
Análise feita no PC com cópia gentilmente fornecida pela Capcom.
Revisão: Manuela Feitosa
Clubismo à parte, muitas empresas de games deveriam se espelhar na Capcom quando o assunto é preservação. Afinal, a companhia japonesa é um exemplo de boas práticas: não só disponibiliza suas joias em formato de coletânea, a um preço justo e com melhorias substanciais, como também resgata franquias em hiato prolongado, tais como Onimusha e Okami.
Foi assim com Street Fighter 30th Anniversary Collection, Capcom Fighting Collection, MARVEL vs. CAPCOM Fighting Collection: Arcade Classics e, agora, com Capcom Fighting Collection 2, uma coleção destinada a quem tem algum apego emocional à era de ouro dos jogos de luta 3D (que não são muitos) da produtora.
Aprecie ou não esse gênero, o fato é que introduzir jogos antigos a novos públicos é sempre uma boa ideia e devemos valorizar esse tipo de iniciativa. Convenhamos: não é todo mundo que tem um Dreamcast em casa para poder revisitar muitas dessas obras por meios, digamos, oficiais de jogar, especialmente com o componente multiplayer.

O Dreamcast renasce
Dado o cuidado que a Capcom teve em suas compilações passadas, era natural que a segunda Fighting Collection também recebesse um tratamento privilegiado. Muito mais do que emular, trata-se de revitalizar experiências que marcaram a vida de muita gente e, sobretudo, de uma fase em que a empresa se permitiu desbravar caminhos inexplorados.
Embora também traga games conhecidos, tal como o primeiro crossover entre Capcom e SNK, o pacote abrange mais títulos de arcade e dá atenção especial às produções que justificaram a aquisição de um Dreamcast – ao menos para este redator que vos escreve – nos idos dos anos 2000, um console injustiçado e, na época, à frente do seu tempo.
A coletânea, portanto, contempla oito clássicos:
- Capcom vs. SNK: Millennium Fight 2000 Pro;
- Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001;
- Power Stone;
- Power Stone 2;
- Project Justice;
- Capcom Fighting Evolution;
- Street Fighter Alpha 3 UPPER;
- Plasma Sword: Nightmare of Bilstein.
Em retrospecto, esta é, a meu ver, a coleção mais eclética da Capcom. Temos desde a versão arcade do meu Street Fighter favorito, Street Fighter Alpha 3 Upper, que adiciona novos personagens e cenários, até Capcom vs. SNK 2: Mark of the Millennium 2001, com seu sistema de grooves, no qual é possível se especializar em diferentes estilos de combate.

Power Stone, para muitos o Super Smash Bros. que deu certo (embora eu respeitosamente discorde), também é outro game que merece destaque, um arena fighter honesto, cuja pancadaria acontece em pequenos ringues, repletos de itens com os quais podemos interagir. Power Stone 2, por sua vez, ampliou o escopo de seu antecessor em todos os sentidos, então é muito bacana poder transitar entre um jogo e outro, ao alcance de um único botão, para constatar essa evolução.
Exemplo de coletânea
Parece que a Capcom descobriu a receita ideal para relançar seus clássicos em formato de pacote. A segunda Fighting Collection atende a todos os critérios de uma excelente coletânea e não se contenta em ser apenas uma opção conveniente para aproveitar jogos emulados. Existem, sim, muitas melhorias, inclusive de balanceamento e qualidade de vida, que, por si só, já justificam o passeio por esse acervo modernizado.
Há, por exemplo, um modo dedicado a treinos em cada jogo, o que é ótimo para entender as mecânicas mais complexas dos games de luta 3D presentes aqui, bem como um modo multiplayer robusto, com direito a rollback netcode e tudo. Apesar de funcional, é importante dizer que, no lançamento, problemas no matchmaking podem se manifestar e ficam ainda mais evidentes nos títulos menos populares da lista.

Como é de praxe nas coleções da Capcom, temos muitos facilitadores para equilibrar as partidas, como um seletor de dificuldade e recursos visuais para brincar com os pixels por meio de filtros. Eu, particularmente, dou muito valor à calibragem da dificuldade, tendo em vista que muitos desses jogos eram desbalanceados e incrivelmente apelões em seus modos arcade.
No âmbito dos extras, fãs saudosistas vão se deleitar com a quantidade absurda de conteúdo. Do extenso catálogo de músicas — inclusive com faixas remixadas concebidas especialmente para a coletânea — até as galerias de arte em altíssima resolução, os materiais adicionais podem passar despercebidos pela turma mais nova, mas aquecem o coração de nostalgia — sobretudo se você, assim como este redator, já passou dos 30 anos.
Vale o ingresso do museu?
Capcom Fighting Collection 2 consolida um episódio interessante da história da Capcom num pacote generoso e recheado de ótimos atrativos. Novas opções de jogatina e outras modernidades, sem contar a enxurrada de materiais nunca vistos, dão nova vida a games que ficaram esquecidos na era em que nasceram e que mereciam ser apresentados formalmente a novas audiências. Quem sabe agora tenhamos um novo Power Stone, não é mesmo, dona Capcom?
Pros:
- Quantidade absurda de extras;
- Modernidade e balanceamentos fizeram bem aos jogos;
- Revive os bons tempos da era 128-bits;
- Modos online e de treino vão dar a longevidade que esses títulos merecem;
- Textos em português.
Contras:
- Problemas de conexão e matchmaking no lançamento.
Nota
9
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