Trabalhar na Nintendo: Um Sonho Que Também Pode Ser Um Desafio
O criador de jogos Takaya Imamura compartilhou recentemente algumas memórias sinceras sobre sua longa jornada na Nintendo. E o que mais chamou atenção não foi apenas sua participação em grandes títulos como The Legend of Zelda, Star Fox e F-Zero, mas o sentimento constante de estar cercado por pessoas incrivelmente talentosas, ao ponto de isso se tornar um peso.

Em uma publicação nas redes sociais, Imamura contou que vivia tentando provar seu valor num ambiente onde a excelência era regra. Ele disse que, durante os anos em que esteve na empresa, carregava uma sensação de inferioridade. Foi só quando decidiu sair que sentiu um alívio. “Parece que finalmente me livrei desse peso que carregava há tanto tempo”, desabafou.
Ao mesmo tempo, ele admite que sentiu tristeza por deixar colegas tão admiráveis. Mas seu desejo de seguir um caminho mais livre, criando no seu ritmo e com mais autonomia, falou mais alto.
Outros profissionais que também passaram pela Nintendo se identificaram com o que ele contou. Shinji Watanabe, que hoje lidera a Epsilon Software, disse que trabalhar lá era como estar entre figuras quase divinas. Já Ken Watanabe, que também foi desenvolvedor da empresa, comentou que se destacar em meio a tantos talentos era uma experiência que ao mesmo tempo cansava e motivava.
Nem todos, porém, guardam lembranças leves. Em 2023, o designer Miura Koichi viralizou ao dizer que a Nintendo parecia um paraíso para gênios, mas que para alguém comum como ele, era um tormento [via Automaton].
A verdade é que a Nintendo é uma das empresas mais desejadas do Japão, atraindo talentos do país inteiro. Com uma taxa altíssima de retenção de funcionários, quase 99 por cento, o conhecimento fica dentro da casa e se acumula, elevando ainda mais o nível de exigência interna.

E é aí que vem o ponto que faz pensar. Se até profissionais brilhantes como Imamura passaram por inseguranças, talvez aquela sensação de não ser bom o bastante, que às vezes nos atinge, seja mais comum do que imaginamos. Estar entre pessoas incríveis pode inspirar, sim, mas também pode cobrar um preço emocional alto.
Então, se você já se sentiu assim em algum momento da sua vida ou carreira, respira. Você não está sozinho. Isso não te torna fraco, apenas humano.
E como o próprio Imamura nos mostra, às vezes sair de um lugar que parece incrível aos olhos dos outros é justamente o primeiro passo para encontrar sua liberdade e seu verdadeiro ritmo.
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