Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Aspyr, Obsidian Entertainment
Aspyr
15 de julho, 2025
R$ 170,61
Físico/Digital
RPG | Aventura
Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Desenvolvedora: Aspyr, Obsidian Entertainment
Publicadora: Aspyr
Gênero: RPG| Aventura
Data de lançamento: 15 de julho, 2025
Preço: R$ 170,61
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
Revisão: Ivanir Ignacchitti
Dos PCs de outra era para as plataformas atuais — Neverwinter Nights 2 renasce em relação ao que já foi em outro período de D&D, voltando agora como um remaster. Adaptando aos videogames uma aventura do icônico RPG de mesa sobre os Reinos Esquecidos, Neverwinter Nights 2: Enhanced Edition volta visando jogadores nostálgicos que podem ter experimentado o game em 2006, assim como entusiastas de Dungeons & Dragons que foram entrando na base de fãs que hoje inclui diferentes faixas etárias.
Apesar de Neverwinter Nights ter sido desenvolvido pela icônica Bioware, o segundo jogo acabou sendo criado pela Obsidian, hoje conhecida por ser parte do Xbox Game Studios. Com a disponibilidade deste título tanto para os saudosistas como para um novo público, vem a questão se este remaster vale o nome “Enhanced Edition”.
Levando isto em conta, vamos falar mais sobre cada aspecto que pode ser interessante para um entusiasta de Dungeons & Dragons ou até mesmo alguém levemente interessado na série e que queira experimentar em um sistema moderno o gostinho de como era uma experiência D&D em videogame diretamente de 2006, tempos remotos da indústria, ancestrais talvez…
Há remasters e remasters
A nostalgia é uma verdadeira máquina de imprimir dinheiro, capitalismo baby! Por mais que neste site e fora dele possuamos um profundo amor por videogames, a mídia jornalística de videogames não se refere a esta brincadeira utilizando da palavra “indústria” por um mero acaso.
Com os crescentes orçamentos da indústria na produção de grandes títulos, as constantes falas de executivos na busca por esta otimização de custos e uma queda abrupta do experimentalismo apaixonado que víamos anteriormente, muitas das IPs que amamos hoje são o que são devido ao que fizeram em tempos remotos.

Com isto, muitas empresas acabam por querer fazer investimentos mais seguros, o que, por ventura, gera esta onda de remakes e remasters que vemos nos últimos anos. Dentre casos e casos desta prática da indústria, é bem comum avaliarmos “quando” se tornaria interessante um jogo receber essa chance. E, nesta chuva de remasters que acontece mensalmente dentre os tantos jogos de diversos ecossistemas gamers, há aqueles que se destacam mais por receberem um primor consideravelmente maior do que a média.
De exemplos recentes, é só olhar como Crisis Core ─Final Fantasy VII─ Reunion parece um jogo novo à primeira vista. É importante notar que este remaster recebeu um tratamento diferente comparado a até mesmo outros títulos antigos de Final Fantasy por ser ligado ao sétimo, a dourada fonte de dinheiro dentre todos os títulos numerados da série. Isso fica ainda mais evidente se levarmos em conta o tratamento que os dois irmãos do primeiro Playstation receberam, além do quanto fãs reclamaram do tratamento que a empresa deu a outros remasters, uma preocupação genuína a se ter com o retorno de Final Fantasy Tactics.

Dentre idas e vindas de mil e um exemplos de diversos estúdios e publishers mundo afora, o fato é que poucos remasters recebem tamanho primor para um relançamento, sendo motivo de reclamação constante por parte de fãs de muitos games antigos. Muitos deles até consideram a experiência por meios alternativos superior à oficial, sendo um argumento constantemente utilizado na crítica a esses remasters.
Com isto em mente, acho importante pontuar que este relançamento de Neverwinter Nights 2 não se enquadra como uma cobiçada remasterização de qualidade e primor absurdas como o citado anteriormente, mas sim como um caso padrão. É importante ter essa expectativa em mente para o mesmo.
Gameplays, modernizações e suas divergências
Quando falamos de Tabletop RPGs em videogames, temos gameplay e fartura, principalmente nos últimos tempos. É bom relembrar que não faz tanto tempo assim que Baldur’s Gate 3 foi coroado “Jogo do Ano” na The Game Awards e RPGs têm sido respeitados e aceitos no mainstream, mostrando que há espaço para o gênero mais do que nunca. Porém, certas coisas precisam ser levadas em consideração em relação a títulos antigos do gênero: o design dos games foi mudando consideravelmente ao longo do tempo e, por isto, muitos pedem por modernizações em diversos aspectos destes títulos antigos.
É essa na verdade uma das justificativas (se não for a principal) para relançar um título antigo. E este detalhe — tão crucial — ficou um pouco estranho nos consoles. Mas, para falar sobre os porquês e poréms, preciso detalhar sobre como funciona a gameplay de Neverwinter Nights 2.
Quem já experimentou uma mesa de Dungeons & Dragons sabe que há aspectos característicos do jogo e certas divergências entre ele e os RPGs eletrônicos. O maior deles é o quanto a liberdade existente é muito maior quando comparada ao que um RPG de videogames oferece. Muito se fala do quanto é importante que hajam escolhas e que escolhas interfiram diretamente e de maneiras diferentes nas consequências da narrativa de um videogame — que claramente foi originado em um RPG de mesa — mas é importante ressaltar que mesmo que este fator exista em um videogame do gênero, ainda há uma linearidade maior em relação à experiência original.

É um questionamento válido pensar que há um game design e uma linearidade a ser seguida em uma campanha de D&D por parte do mestre da mesa, mas não é muito comum que mesmo a mais refinada das adaptações deste tenha a versatilidade que o improviso da dinâmica da vida real proporciona. Até mesmo em uma obra com uma insanidade absurda de possibilidades, como o moderno Baldur’s Gate 3 (que existe em uma lógica completamente diferente de produção em termos de dimensões, orçamentos e época), isso ainda é limitado em comparação com um RPG de mesa.
Neverwinter Nights possui uma ideia muito interessante: misturar o que esperamos de um RPG de videogame e a visão de um RPG de mesa de fato através de dois modos de gameplay distintos e alternáveis a qualquer momento. Dá aqui para fazer uma analogia com a forma como Fallou nos permite jogar tanto em primeira como em terceira pessoa — o que não é por acaso, já que Fallout : New Vegas foi lançado pela própria Obsidian após Neverwinter Nights 2.
No caso de Neverwinter Nights 2, as perspectivas possuem uma nomenclatura simples de entender, se chamando: “Modo Personagem” e “Modo Estratégia”. O primeiro é a clássica visão em terceira pessoa que era comum em RPGs deste período, sendo mais recomendável para uma exploração mais familiarizada em locais menos hostis do jogo como cidades e outros.

O segundo, por ventura, visa trazer a essência de Dungeons & Dragons para fãs, dando-lhe uma perspectiva de cima e diversas questões importantes da essência do RPG de mesa se fazem muito mais presentes. Um desses pontos é o fato desse modo ser essencial para a exploração das masmorras do jogo,já que permite observar o que há logo adiante na dungeon da mesma forma que um personagem do grupo faria uma checagem do ambiente de acordo com o que sua classe permite.
Nessa perspectiva, temos uma visão mais ampla e um maior controle dos recursos que podem ser utilizados em combate enquanto controlamos o grupo. Da mesma forma, as diversas classes dos personagens podem ter pontos fortes e fracos para a exploração, assim como para o combate e outros aspectos da gameplay.
No entanto, há um aspecto deste modo que traz à visão de D&D um sabor diferente que pode agradar uns e criar um amargor em outros. Mesmo nessa perspectiva tabletop, não temos aqui uma mecânica de turnos, como no RPG de mesa – ou várias de suas adaptações -, mas uma gameplay onde o combate acontece em tempo real.
No jogo, controlamos uma party e é possível intercalar entre os membros dela, mas o processo durante os combates pode ser um tanto contra-intuitivo. Em vez de só apertar um botão (tipo L1 ou R1) para trocar para o próximo rapidamente, é necessário apertar B para confirmar que queremos mudar de personagem em vez de apenas ver como ele está. Devido ao aspecto action, isso deixa o processo mais lento e confuso e pode ser o suficiente para causar uma morte desnecessária.
Além desse ponto, o jogo foi originalmente pensado para PC em todos os seus aspectos. Ele não saiu para console nenhum no período de seu lançamento, apenas para computadores, e, por conta disso, tudo do jogo exceto menus de interação com NPCs usam cursor de mouse. Apesar do Modo Personagem ser de fato o mais familiar para quem joga em consoles, a perspectiva das masmorras no Modo Estratégia envolve usar o cursor do mouse para controlar o time.

No entanto, a presença do uso de cursor do mouse no Modo Estratégia e em diversas partes do jogo não é o único problema de um game de PC não ter sido repensado em sua adaptação para consoles. Até mesmo o uso de skills acaba sendo um problema muito similar à dificuldade anti-intuitiva da troca dentre personagens da party em uma batalha da história. Me refiro ao fato de que o game acabou por emular de forma um pouco literal o sistema de hotkeys para skills de personagens que costuma estar presente em diversos MMORPGs como Tíbia e outros títulos.
A melhor forma de conceituar o que quero dizer para quem nunca experimentou um jogo deste no PC é o fato de que é muito comum que os personagens possuam seus ataques especiais para serem usados nas teclas numéricas do teclado( 1, 2, 3, 4, etc.), o que fica sujeito a adaptações por parte do jogador. Pelo fato do game já possuir certas funções atreladas aos gatilhos dos controles, sendo uma delas a própria troca entre personagens da party durante os combates, o game acaba por te fazer apertar Y e navegar manualmente com o análógico dentre as colocadas no menu e isto acaba por ser lento.
O game tentou colocar um sistema de uso rápido com pequenos atalhos mas, ainda assim era consideravelmente limitado pela gama muito pequena de skills possíveis naquela pequena lista. Dentre altos e baixos, acredito que a experiência no console possa não ser muito agradável devido a estes fatores de concepção no design e execução do game original no PC, apesar de não ser algo que o torna impossível de jogar.
Outra questão são os bugs que, embora felizmente não sejam do tipo que impede o progresso em sua maioria, ainda assim podem ser bem chatinhos. Um que aconteceu com frequência comigo foi um membro da party acompanhar meu personagem sem ativar a animação de andar, fazendo com que ele ficasse travadão. O único bug mais sério que vi foi a câmera, que pode ficar travada atrás de objetos do cenário no modo estratégia, o que pode atrapalhar na visão do combate.
As aleatórias coincidências que juntam aventureiros – e as diversas possibilidades
Após discutir os aspectos relacionados à remasterização do game e sua adaptabilidade para os consoles, acho interessante detalhar o aspecto do game que mais apreciei, algo que vem da essência do jogo e não tem a ver com o que falei anteriormente: lore. É muito legal como a Obsidian captou muito bem a essência de uma mesa de Dungeons & Dragons no sentido de fazer escolhas e conhecer diversos companheiros que podem ou não se juntar à sua aventura.
O game possui campanhas gigantescas que oferecem muito conteúdo, e isso vale tanto para a padrão, que já oferece umas 50 horas facilmente, como também para as extras que chegam a serem maiores ainda. Para um fã bem entusiasta em busca de experimentar uma experiência D&D virtual, vale bastante o dinheiro gasto. Estas horas gastas, com toda a certeza, vão ser bem mais divertidas se você e pelo menos um amigo fizerem um coop para viver uma aventura, mas infelizmente eu não pude experimentar isto e tive que me contentar com os personagens scriptados dos acontecimentos-chave.
Nós criamos nosso personagem e, na campanha que eu fiz, ele é enquadrado como filho de um comerciante que precisa negociar um arco-e-flecha com outro vendedor. Além disso, é possível participar de gincanas de um festival que são de fato um tutorial para as mecânicas do jogo. Após esta parte inicial, acontece aquele clássico ponto-chave comum na Jornada do Herói em que algo grande acontece para tirar nosso personagem de sua zona de conforto, no caso, um ataque de monstros liderado por um feiticeiro que parece estar atrás de algo valioso escondido em nossa pequena vila.

E é aí que nosso pai revela que escondia muitos segredos, incluindo uma joia com poderes especiais guardada na vila. Assim, teremos que partir para conhecer o mundo afora e é aí que a liberdade começa — até certo ponto.
Neverwinter Nights 2 se trata de um pedaço específico da lore de Dungeons & Dragons chamada de “Reinos Esquecidos”, um cenário do RPG original.
Por mais que talvez eu tivesse me divertido bem mais com uma companhia nesta campanha, eu admito que gostei dos personagens scriptados da campanha principal, arquetípicos e representantes da essência da série de diversas coincidências juntarem um grupo com objetivos diferentes para viverem uma aventura juntos – ou a saudade daquelas mesas que começamos com amigos e nunca mais conseguimos retomar devido à vida adulta. Se você é um apreciador de visitar os lugares, conversar com os mais diversos NPCs, checar se seus companheiros possuem novas curiosidades sobre si mesmos para nos contar e até mesmo testar a índole de seu próprio personagem em relação a tudo que o jogo tem a oferecer, Neverwinter Nights 2 é sensacional.

Quando me referi ao limite de liberdade que um videogame de Dungeons & Dragons oferece em relação ao original, me refiro à possibilidade de fazer absurdos logo no começo da aventura como passar duas horas brigando em uma taverna, o mestre querendo continuar a aventura e os jogadores fazendo de tudo para que o caos continue… Isso realmente acaba ficando só para a experiência de mesa.
Neverwinter Nights 2 Enhanced Edition é para mim? Como isso afeta o Grêmio?
Eu não sei como isto pode afetar o Grêmio, também não consigo ter certeza se Neverwinter Nights é do seu gosto, muito menos se qualquer nuance que eu abordei aqui afasta ou aproxima de você este título.
Por mais óbvio e extremamente idiota que seja dizer isto, eu não acho que alguém que não seja muito entusiasta de D&D irá sentir que vale a pena a compra deste remaster no Nintendo Switch/2. Apesar do que eu disse ser óbvio, eu gostaria de colocar uma grande ênfase na palavra “Muito” citada anteriormente, pois eu acredito que há muitos aspectos do game que podem não funcionar para muitos jogadores acostumados com títulos mais modernos com a mesma temática.
Apesar dos pesares, em meio às tamanhas opções que temos no momento de games abordando as icônicas aventuras de D&D, resta a você decidir se é saudosista o suficiente para viver uma aventura de tempos remotos da série nos videogames.
Pros:
- Uma boa adaptação da mitologia de D&D
- Liberdade de escolhas, embora mediana.
Contras:
- Reprovado no teste do tempo;
- Conversão ruim para o Nintendo Switch;
- Muitos bugs.
Nota
6
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