Desenvolvedora:
Publicadora:
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Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Massive Entertainment
Ubisoft
04 de setembro, 2025
R$ 299,00
Físico (Game-KeyCard)/Digital
Ação e Aventura| Mundo Aberto
Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Desenvolvedora: Massive Entertainment
Publicadora: Ubisoft
Gênero: Ação e Aventura | Mundo Aberto
Data de lançamento: 04 de setembro, 2025
Preço: R$ 299,00
Formato: Físico (Game-Key Card) / Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Ubisoft.
Revisão: Davi Sousa
Acredito que não há nada melhor para o exercício crítico do que reconhecer uma injustiça. No imaginário coletivo do mundo dos jogos, a Ubisoft é malvista por uma série de fatores — a maior parte justa, diga-se de passagem —, mas o discurso hegemônico necessariamente leva à cegueira.
Começo o texto a partir dessa reflexão por dois fatores: primeiro que quando Star Wars Outlaws foi lançado no ano passado nas demais plataformas, vi muitas reviews negativas. Acredito que a opinião forte está intimamente ligada à sensação de cansaço tanto da franquia Star Wars quanto da fórmula da Ubisoft, mas me aprofundarei nessa questão mais adiante. Segundo que, até alguns dias atrás, muitos canais estavam reportando uma performance ruim do jogo no novo console da Nintendo; dado fácil de ser absorvido pela natural descrença da portabilidade do Switch 2 e pela pouca fé em relação à distribuidora.
Fico genuinamente feliz em reportar que, ao longo de boas horas de gameplay, fui surpreendido repetidamente ao ver minhas expectativas completamente despedaçadas. Encontrei aqui não apenas uma performance surpreendente no Switch 2, mas também um jogo divertido e que ainda me renderá outras horas mais de diversão. Devo dizer, inclusive, que mesmo com o lançamento do tão aguardado Silksong na mesma data de Outlaws, eu provavelmente vou continuar no universo criado por George Lucas por um bom tempo antes de mergulhar nas profundezas de Hallownest uma vez mais.
Em uma galáxia muito, muito distante…
Considero importante discorrer acerca do que eu particularmente acredito ser essencial ao tratar da presente análise.
Não acho relevante comparar a versão do Switch 2 às de outros consoles. Existem canais mais apropriados a esse tipo de conteúdo, e acredito atender à demanda de um público que não necessariamente está interessado em adquirir o título. Dirigir-me-ei ao público que, assim como eu, acaba por se isolar no ecossistema da Nintendo, e que portanto está interessado exclusivamente na compra dessa edição, sem ter acompanhado os últimos lançamentos AAA da Ubisoft por não terem sido trazidos ao Nintendo Switch. Sendo assim, dividirei a análise a partir de uma introdução do jogo em si, partindo do princípio de que o leitor não tenha tido a oportunidade de jogá-lo em outra plataforma, e posteriormente tratarei da performance no console sem me preocupar em traçar comparações com outras plataformas.

Deixe-me começar por dizer: eu não jogo um título AAA recente da Ubisoft desde o lançamento de Assassin’s Creed IV: Black Flag, isso ainda nos tempos de Wii U! Por esse motivo, acredito que não tenha chegado em Star Wars Outlaws com o sentimento de cansaço que muitos críticos tenham carregado em suas análises no lançamento original. Esse frescor é um sentimento individual, certamente, mas que, sem ser contextualizado, pode muito bem gerar uma visão divergente da norma.
Não posso dizer o mesmo a respeito da série Star Wars. Fã de carteirinha, sou um dos vários que, com a aquisição da Lucas Films pela Disney, desencantou-se com esse universo tão rico, cativante e mágico. Fora eventuais Andors e Rogue Ones, acompanhar o rumo da série é tão devastador quanto Obi-Wan assistir a seu Padawan se juntar ao Lado Negro da Força. Outlaws, fortuitamente, soube desviar do desgaste ao se afastar dos cenários mais repetidos ou de seus personganes mais recorrentes.
Afinal, o jogo busca mergulhar na violência canastrona da série a partir da mitologia do sindicato do crime, envolvendo facções que, sim, estão presentes nos clássicos, como os Hutt, mas não utilizando o material original como muleta. Uma breve sequência de início nos localiza, apenas com uma frase, que a história se passa entre os acontecimentos dos episódios V e VI: o Império perdeu sua Estrela da Morte, mas os rebeldes sofreram perdas drásticas em Hott, enquanto as forças de Palpatine são capazes de manter seu controle político com certa segurança.

A ambientação temporal também é um alívio para impedir a presença de um Han Solo como matriz narrativa, o que vejo com bons olhos para afastar a dependência também emocional em cima de personagens já consolidados no inconsciente popular. Isso não impede, claro, eventuais easter eggs, como a vestimenta do icônico personagem.
Ainda assim, o jogo não tem vergonha em usar referências mais reconhecidas para mexer com o sentimento nostálgico. Algumas revelações são surpreendentes, personagens queridos aparecem em momentos-chave, mas vêm inseridos na trama sem roubar a cena da narrativa em foco.
Drama pungente ou comédia fantástica?
Outlaws não entrega uma narrativa tão profunda quanto seu contemporâneo Andor, mergulhando um pouco mais nos ares cômicos que marcaram a trilogia de JJ Abrams e Rian Johnson. Então, sim, espere por bastante piada naquele estilo MCU. Mas não acredito que esse elemento seja um demérito por si só.
Claro, uma tragédia com cargas mais emocionais pode tornar um Jedi Knight uma obra mais complexa e interessante do que Outlaws, mas não há como ignorar que a galhofa sempre foi um elemento-chave para a série, desde A Nova Esperança. Mais que isso, nessa obra em específico, a galhofa se encaixou bem com a premissa do título.
Afinal, aqui acompanhamos Kay Vess, uma jovem criminosa que ainda está aprendendo sobre os funcionamentos do mundo do crime nessa grande galáxia. Proveniente, claro, dos planetas exteriores, ela anseia por oportunidades nas grandes capitais, mas sendo enbarreirada por créditos. Em suas tentativas mais arriscadas de conseguir um pagamento alto, acaba colocando-se à caça de uma generosa recompensa por sua cabeça. Em fuga, aos poucos desbravamos novos territórios, facções e relacionamentos para sair dessa espiral do crime.

Então, o tom jocoso da personagem a leva mais a uma jovem Ahsoka do que a um Han Solo: sua falta de prática a leva a caminhos cômicos, e sua segurança é claramente fingida. O jogo, assim, abre-se a um campo interessante de crescimento; afinal, o amadurecimento de personagens ingênuos a partir da opressão de sistemas de governo autoritários é o que define, se não todos, a maior parte do elenco principal da série.
A história se desenvolve a partir de uma trama de assalto: vamos viajando a diferentes sistemas, encontrando membros para nossa tripulação e mobilizando um roubo super elaborado. Traições e surpresas são condições sine qua non ao gênero, e o título surfa bem em suas convenções. No fim, a obra entrega uma história um tanto emocionante em um ápice que enfatiza as relações construídas ao longo de sua duração.
Poder ilimitado… ou não?
O universo expandido de Star Wars (pré-Disney) sempre deu frutos em fantasias de poder exageradas. Unleashed, sem dúvidas, é a a maior prova dessa face, mas os próprios jogos LEGO se popularizaram com base em poderes descontrolados, destruição de cenários e controlar os personagens mais diversos da série. Acredito que ainda há espaço para esse tipo de fantasia, mas um título com o escopo mais intimista consegue dar novos ares a elementos já consolidados.
A gameplay reflete bem tal escopo. Não se tratando de uma usuária da Força, o arsenal de Kay é limitado a blasters e granadas. A grande ênfase, contudo, é nas seções de stealth.

Enquanto ladra, precisamos invadir entrepostos sem sermos notados, roubar carga imperial despercebidos e controlar a fina balança entre aliados e inimigos para nunca ficarmos à mercê dos golpes rasos das facções criminosas. Mesmo para jogadores não tão acostumados a jogos da Ubisoft, é impossível não traçar comparações com Assassin’s Creed, com as folhagens ocultando nossa silhueta, os nocautes soturnos e as distrações que podem quebrar o ciclo de vigílias de oponentes. Da mesma forma, há uma semelhança na locomoção vertical com seções em que precisamos nos prender em rochas, grades e manter-nos em equilíbrio com um hookshot.
Além disso, existem algumas seções de hacking para acessarmos áreas antes inacessíveis ou entrar em sistemas para roubar informações diversas. Ao meu ver, o mini jogo mais interessante é um baseado em Woordle, em que selecionamos símbolos para formar a sequência certa. Ao meu ver, a ideia é incrível, mas com uma execução um pouco falha, já que somos obrigados a manter os símbolos certos ao descobrir suas posições, o que tira bastante o elemento estratégico de Woordle. Vertente encerrada, saiamos dos hobbies enfadonhos desse redator.
Há uma série de mini jogos no título, incluindo jogos de carta, apostas e até jogos em holograma, dando um charme a mais no universo aqui estabelecido. Há até missões secundárias envolvendo tais atividades, mas servindo como distrações curtas.
Quantos Cristais Kyber são necessários para ligar um sabre de luz?
Jogo apresentado, chegamos às considerações finais a partir da pauta que mais guiou o lançamento: e a performance?
Como disse em minha introdução, não compararei às edições de outros consoles. Em um âmbito pessoal, comparo, na verdade, com a reação que tive ao jogar Nier Automata no Switch original: eu não conseguia acreditar nos meus olhos.

Star Wars Outlaws é um jogo orgânico, cheio de paisagens naturais complexas, com texturas modernas e com um alto detalhamento nos modelos. É claro que é perceptível certos compromissos que a desenvolvedora teve de ceder para colocar o jogo em um Switch 2, como o cabelo de Kay, mas nada que atrapalhe a experiência.

Seja pilotando naves ao redor de destroços espaciais, em salões lotados de NPCs com variadas animações ou até apreciando as vistas desse planeta, o Switch 2 é capaz de transmitir, tanto na dock quanto em handheld, toda a magia por trás de Star Wars. É como se os desenvolvedores fossem verdadeiros Jedi, utilizando a Força para encaixar o título aqui.
É importante ressaltar que encontrei alguns bugs visuais, e em certos momentos meu jogo crashou. Como os save points são bastante presentes, nunca perdi progresso real, e os bugs visuais existem em transições de gameplay para cutscenes, provavelmente porque os modelos de personagens nas duas seções são diferentes. Portanto, são elementos que não estragam a experiência final.
Em geral, acredito que teremos vários jogos no Switch 2 com a mesma reação. Primeiro Cyberpunk 2077, logo mais Elden Ring e Final Fantasy VII Remake Intergrade, eventualmente Indiana Jones e o Grande Círculo. Esses títulos renderão frases que, em retrospecto, poderão ser até caçoadas: “Enfim um showcase do poderio do novo console”. Acredito que os desenvolvedores por trás do console e dos jogos já provaram esse ponto, mas ainda me espanta o próprio espanto de ver jogos tão detalhados rodando na palma da mão e tão estáveis. Dentro dessa leva, Star Wars Outlaws serve sim como demonstração, mas consegue ser mais que isso, tornando-se também um jogo que vale a pena ser admirado por si só.
Pros:
- Ambientação narrativa e estrutural convidativas e bem estruturadas;
- Performance lisa e surpreendente no Switch 2;
- Complexidade de relações e grande oferta de atividades.
Contras:
- Sequências específicas podem vir a se tornar repetitivas devido à recorrência;
- O tom galhofa é bem-vindo, mas impede o aprofundamento de tramas mais complexas.
Nota
8,5
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