Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Yuke’s
D3PUBLISHER
23 de outubro, 2025
R$ 249,50
Digital
Ação | Roguelike
Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PC
Desenvolvedora: Yuke’s
Publicadora: D3PUBLISHER
Gênero: Ação | Roguelike
Data de lançamento: 23 de outubro, 2025
Preço: R$ 249,50
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela D3PUBLISHER.
Revisão: Manuela Feitosa
Surfando na onda interminável de jogos com ciclos infinitos, todos os estúdios, sem exceções, parecem querer um roguelike para chamar de seu. O rogue da vez é FULL METAL SCHOOLGIRL, assinado pela produtora japonesa Yuke’s, a mesma dos spin-offs de Earth Defense Force, e publicado, naturalmente, pela D3PUBLISHER.
Se você já jogou algum título da franquia Earth Defense Force na vida, vai perceber muitas semelhanças com FULL METAL SCHOOLGIRL, do ritmo de gameplay às mecânicas de tiro em terceira pessoa, mesmo com sua roupagem de anime. Logo, dá para adiantar aqui, como você já deve imaginar, que a jogabilidade é o cerne da experiência.
Para ficar mais fácil de explicar, pense em FULL METAL SCHOOLGIRL como uma mistura do hack and slash de Lollipop Chainsaw, mais descerebrado e menos, digamos, flexível, com o gunplay de Earth Defense Force e a estrutura cíclica dos roguelikes. Morreu? Jogue uma água no rosto, respire, volte ao início e tente de novo. Trata-se de uma combinação inusitada, mas que funciona bem dentro do que se propõe a oferecer.

História galhofeira, mas com crítica no fundo
A história, tal como nos jogos de Earth Defense Force e de sua subfranquia, World Brothers, é relegada ao papel de coadjuvante, cedendo, por consequência, todo o protagonismo que deveria ser seu à ação desenfreada. Em outras palavras, a trama, apesar de trazer uma crítica à sociedade em que vivemos, abraça a galhofa sem medo, sempre abordando assuntos sérios em tom de sátira.
Ambientada numa versão alternativa de Tóquio no ano de 2089, a aventura nos coloca ao lado de uma equipe de garotas ciborgues, cujo propósito é desmantelar a operação megalomaníaca da Meternal Jobz, a empresa mais gananciosa do Japão, que transforma seus colaboradores em androides para serem capazes de sobreviver a turnos de 24 horas — realmente, só assim para aguentar o tranco, já que eu, particularmente, mal consigo aguentar oito de expediente.
Existe, no entanto, uma motivação dupla aqui: as meninas não querem acabar apenas com o monopólio da megacorporação, mas também vingar a morte de seu pai pelas mãos do atual presidente da Meternal Jobz. A premissa de vingança funciona bem em qualquer produto de entretenimento, mas, infelizmente, é pouco explorada aqui, servindo apenas como pano de fundo.

Embora não tenha legendas em português, o que deve contribuir para que parte do público não entenda as ótimas tiradas nos textos, o trabalho de dublagem em japonês é digno de elogios. As interpretações são convincentes e dão vida aos personagens secundários, chefes e, sobretudo, às heroínas.
Por mais que você não domine um idioma estrangeiro para compreender a história, não se preocupe: as cenas são praticamente autoexplicativas e você não vai perder muito tempo com cutscenes e diálogos prolixos. O foco, como comentei acima, é na jogabilidade — e isso é o que Full Metal Schoolgirl tem de melhor, disparado.
Combate é o cerne da experiência
É no combate que FULL METAL SCHOOLGIRL mostra todo o seu potencial, mesclando dois estilos de jogo em um equilíbrio exemplar, sem que um se sobressaia sobre o outro. Isso aqui é a junção perfeita entre a velocidade e a gostosura do hack and slash com o gunplay arcade e incrivelmente satisfatório de Earth Defense Force.

Atirar, especialmente se você estiver jogando no Pro Controller e com a mira giroscópica habilitada, é dopamina instantânea para o cérebro. FULL METAL SCHOOLGIRL é aquele tipo de shooter em terceira pessoa que não exige precisão nos disparos, nem demanda que você mire com o botão ZL: é só descer o dedo no gatilho e ser feliz.
Você pode desferir golpes corpo a corpo de forma comedida, já que eles consomem a sua barra de vigor quando executados, além de esquivar e recorrer a um drone de suporte. Inútil à primeira vista, o drone se torna cada vez mais prestativo conforme o jogador avança e realiza melhorias nele, seja para garantir buffs temporários durante as rodadas ou até mesmo para servir de apoio ofensivo.
As armas de fogo, por outro lado, não têm tempo de resfriamento nem limite de munição e são, portanto, os equipamentos primários, digamos assim. Saber intercalar entre katanas e escopetas, por exemplo, ou espadas e metralhadoras, é crucial para se manter vivo pelos mais de 100 andares que você tem pela frente — sim, o game se passa todo dentro de um prédio corporativo.

Repetição em todos os níveis
E não, você não leu errado: o objetivo aqui é chegar ao centésimo andar da empresa para confrontar seu CEO, sem atalhos ou elevadores para facilitar o processo quando você morre. Por sorte, as arenas de batalha levam poucos minutos para serem concluídas e foram desenhadas para proporcionar doses de combate curtas, porém intensas.
Assim que você alcança um andar de transição, um chefe surge para dar continuidade à história e, em especial, para destravar novos gadgets para as heroínas. A progressão não é baseada em níveis: você acumula peças ao longo das runs para poder melhorar certos atributos, como pontos de vida e vigor, além do número de itens de cura e tempo de recarga das habilidades.
O problema é que os upgrades permanentes são caros e não transmitem uma real sensação de que a personagem está mais forte entre uma partida e outra, o que pode incomodar quem gosta de roguelikes com progressão rápida. Desbloquear todas as melhorias cibernéticas é uma tarefa custosa e não depende apenas de peças e dinheiro: também vai cobrar bastante do seu tempo (e nem todo mundo tem tanto).

A repetição visual, tanto de inimigos quanto de cenários, também entra como ressalva. Por mais que haja um esforço em diversificar a paleta de cores dos ambientes, a monotonia de estar trancafiado em um prédio acaba pesando depois de tantas horas repetindo as mesmas salas. Para um jogo que estimula a repetição, convenhamos: deveria haver mais alternância de cenários para manter o jogador engajado.
O seu roguelike de garotas de anime
Se você curte a vibe de Lollipop Chainsaw, a jogabilidade de Earth Defense Force e roguelikes no geral, FULL METAL SCHOOLGIRL entrega tudo que você precisa para se divertir em um lugar só. Com bons personagens, gunplay satisfatório e um ciclo viciante no formato de rogue, o jogo é uma boa pedida para quem preza por gameplay, ainda que a estética seja repetitiva (embora estilosa) e a progressão lenta e exigente.
Prós
- Combate exemplar: meio hack and slash, meio shooter;
- Personagens carismáticos e com boas interpretações;
- Há nuances mais complexas nas batalhas, apesar da proposta descerebrada;
- Estimula partidas rápidas e intensas no formato rogue.
Contras
- Monotonia visual: você não sai do prédio;
- Progressão lenta e exigente se comparada a outros roguelikes.
Nota
7,5
