Desenvolvedora: Compile Heart, Idea Factory, HYDE
Publicadora: Idea Factory International
Gênero: RPG de ação | Side-scrolling
Data de lançamento: 24 de março, 2026
Preço: R$ 164,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Idea Factory International.
Revisão: Manuela Feitosa
Ariana and the Elder Codex é um jogo de RPG de ação e plataforma publicado pela Idea Factory International e desenvolvido a três mãos: Idea Factory, Compile Heart, e Hyde. Na aventura controlamos a jovem Ariana em sua missão de reparar os códices mágicos, que são grandes compêndios literários responsáveis por fazerem fluir a magia daquele elemento no mundo real.
Nossa heroína é a única pessoa no mundo que possui habilidades o suficiente para reparar esses veículos de tamanho poder, e para isso será necessário retornar a origem de quando os códices foram criados, corrigindo lacunas deixadas por um vilão misterioso que age nas sombras. Se os códices mágicos são uma das bases sólidas desse mundo, o que motivaria alguém a danificá-los pondo tudo a perder?
É preciso entrar de cabeça nos livros
Ariana é uma pessoa única. Dentre os seus, ela é a única que possui a habilidade de reparar códices. Para tal, ela deve se materializar dentro das páginas do livro, voltando ao momento de sua criação, reparando os danos causados à sua integridade. Isso faz com que a personagem não seja apenas uma mera espectadora, mas também uma protagonista dentro das próprias histórias dos códices.
Mesmo que seus pais estejam há muito tempo desaparecidos, a jovem conta com a ajuda de duas grandes figuras femininas. A primeira delas é Vester. Sua função é cuidar do bem estar da protagonista, cuidando de assuntos mais mundanos como saúde e bem estar. Nada pode comprometer a missão de Ariana no reparo ao códices.

A outra personagem é Divina, apesar da aparência humana ela é um demônio que está intimamente ligada com a magia e também velha conhecida dos pais de Ariana. Ela é responsável por ser o apoio técnico da heroína, todos os assuntos referentes à magia são tratados por ela.

Além dos mundos dos códices temos como cenário a Biblioteca que ao mesmo tempo que é a instituição mantenedora dos códices é o cenário da maior parte da aventura quando Ariana não está realizando os reparos. É através de textos e conversas com NPC’s que o mundo do jogo ganha um corpo maior, mas em nenhum momento isso é realmente explorado.

A história se desenvolve com o reparo dos códices, com uma interação de Ariana e alguns dos personagens chave, mas pouco dessa evolução é visto na Biblioteca. Apesar da importância do reparo dos códices ser de vital importância para a manutenção daquele mundo, a narrativa segue sempre bem intimista e um escopo pequeno, apesar de instigante pela atmosfera de mistério.
Jogabilidade com algumas notas de rodapé
O gameplay do jogo é bem tranquilo e de fácil atendimento. Em um primeiro momento ele pode parecer complicado pela forma como ele é apresentado no game, mas fica em paz que não é o caso. Os códices funcionam como as fases do jogo, pense neles como os quadros no castelo de Super Mario 64. Elas possuem um esquema metroidvania, por grandes trechos de fase em áreas interligadas.

Em um primeiro momento alguns trechos das fases ficam inacessíveis por você não possuir todas as habilidades principais e por aí vai, algo bem clássico e padrão nesse tipo de mapa. Ao dar de cara com um trecho a ser reparado, o jogador é transportado por uma espécie de dimensão à parte. Os desafios nessa dimensão podem ser de dois tipos: ir do ponto A ao ponto B no menor tempo possível ou derrotar ondas de inimigos no menor tempo possível.

Ao final do desafio você ganha uma nota que vai de A à D e uma porcentagem de reparo do codex em questão é exibido. Em um primeiro momento tinha a crença de que deveria conseguir rank A em todos os reparos para ter 100% do codex reparado, mas não é o caso. Se você reparar todas as inconsistências você já irá obter a porcentagem total de reparo. “Tá mas e a nota do reparo, para que serve?” Caso consiga a nota máxima no reparo o jogador ganha um upgrade de status, seja no poder de ataque ou na barra de vida, por exemplo.

Ao mesmo tempo que não limita o entendimento da história ao jogador “completacionista” dá um recompensa genuinamente boa àqueles que tiverem maior destreza e perseverança nos reparos. As seções de reparo nem sempre vão ficar disponíveis de cara, algumas vezes será necessário derrotar todos os inimigos de uma parte da fase para que a área a ser reparada seja exibida. Se você ficar na dúvida sobre uma seção ter ou não uma área de reparo é só notar a cor do mapa. Se ele permanecer sem cores é que um reparo deve ser feito ali, se aparecer colorido tudo ali já foi resolvido.

Além desses temas que envolvem mais a progressão do mapa e a jogabilidade 2D, o game pega emprestado mecânicas como equipamentos personalizáveis e uma árvore de habilidades para cada um dos quatro grande códices base (foto, terra, água e vento). Algumas magias são bem similares independente do elemento usado, mas outras são bem particulares, fazendo com que seja possível montar uma build bem personalizada com as 6 magias que podem ser equipadas.

O looping de gameplay é bem divertido, cada códice apresenta um mapa temático e diferente um do outro, porém o mesmo não pode ser dito dos inimigos regulares que são apenas o mesmo inimigo das primeiras fases mudando apenas a cor. O seu comportamento é bem básico e simplório, o que contrasta imensamente com os chefes das fases que apresenta um moveset ligeiramente mais inspirado. Apesar da diversão, o que motiva você a continuar no jogo é a narrativa, pois a gameplay não sustenta uma dezena de horas de jogo.
Um livro sem muitas revisões
Longe de ser uma experiência com muitos problemas técnicos, Ariana and the Elder Codex apresenta um conteúdo modesto mas honesto. A premissa de reparar livros mágicos pode ser muito expandida em sequências, caso seja do interesse dos desenvolvedores. Porém, tanto no título atual como em vindouros, uma atenção maior ao refinamento deve ser considerada.
Apesar de visuais muito bonitos e um estilo de arte atrativo, o jogo não apresenta visuais pesados que justifiquem loadings entre as áreas de um mesmo mundo ou lentidão em trechos de sequências de pulos simples. O Nintendo Switch é uma plataforma que se mostrou ser capaz de rodar jogos extremamente exigentes, então ver o console sofrer para rodar um jogo 2D, mesmo de cenários amplos, é bem frustrante.
Ademais, muito do que os desenvolvedores fizeram no game é muito promissor. Fica o desejo que esse seja o primeiro de muitos títulos onde possamos controlar Ariana.
Prós:
- História cativante;
- Jogabilidade divertida;
- Looping de gameplay interessante.
Contras:
- Inimigos repetitivos;
- Loadings demorados no Nintendo Switch;
- Slowdowns em trechos de plataforma.
Nota
8
