Desenvolvedora: Design Factory
Publicadora: Idea Factory International
Gênero: Otome Game
Data de lançamento: 31 de março, 2026
Preço: R$ 211,21
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Idea Factory International
Revisão: Lucas Barreto
Originalmente lançado para PS Vita em 2018 e posteriormente em 2024 para o Nintendo Switch no Japão, Homura: The Crimson Warriors é o novo otome game localizado para o inglês e trazido para o ocidente pela Idea Factory International, responsável por outros clássicos do gênero como Battlefield Waltz e 9 R.I.P.
Passando-se no período Sengoku, no Japão, acompanhamos a protagonista Mustumi Mochizuki, que em busca de vingança pela morte de seu pai torna-se uma ninja e acaba cruzando seu destino com Nobushige Sanada, um jovem que, junto de seu grupo conhecido como os Dez Bravos de Sanada, atende a um chamado de guerra buscando colocar um ponto final no xogunato Tokugawa.
É (quase) hora da guerra
A história do jogo tem seu ponto central em um conflito que marcou o fim das grandes guerras de samurais ocorrido no início do século XVII entre os clãs Tokugawa, Toyotomi e Sanada no Japão, mais especificamente no Castelo de Osaka.

Antecedendo tal conflito, o início da nossa jornada acontece quando nossa protagonista principal, Mitsumi Mochizuki, a pedido de seu mestre Hakuunsai Tozawa, sai de sua vila até Monte Kudo com o objetivo de entregar uma carta a Nobushige Sanada. Após o susto inicial em perceber que Nobushige é jovem, bonito e atraente, descobrimos que Mitsumi foi enviada para ajudá-lo no conflito iminente que os permeava contra os Tokugawa com suas (medianas) habilidades ninja que adquiriu em busca de vingança pela morte de seu pai, assassinado pelo xogunato.
Ao chegar em Monte Kudo nós conhecemos os outros aliados e membros do clã Sanada que servem Nobushige Sanada, que junto deste compõem o grupo de pretendentes que temos pra esse jogo. Inicialmente, nossa ajuda é não-bem-vinda, pois a protagonista como ninja não aparenta ter nenhum desempenho digno de se tornar integrante daquele grupo, porém Mitsumi consegue conquistar seu espaço no grupo fazendo o que ela sabe de melhor: cozinhando. Sim, eles decidem manter ela porque ela é boa em cozinhar e boa em limpeza, e em uma casa apenas com homens no século XVII eu tenho certeza que isso era um atrativo imperdível.
Após os ninja Sanada serem chamados para participar da guerra em Osaka ao lado dos Toyotomi, Mitsumi insiste que tem que ir junto apesar de claramente não estar preparada. O que muda a opinião de seus colegas ninjas quanto a isso é quando em um ataque surpresa dos Ura Yagyu (grupo de assassinos sob ordens de Tokugawa) nos deparamos com Ganryu, um feioso que possui força sobre-humana que coloca a vida de todos em risco ali, mas que serve como oportunidade perfeita para nossa protagonista mostrar sua recém-descoberta habilidade secreta que foi herdada de seu pai. Assim, consegue convencer a todos de que será útil para a guerra, e todos então partem juntos rumo a Osaka, onde o resto da história passa a acontecer.
O poder do equilíbrio
Uma das principais mecânicas desse jogo gira em torno da habilidade especial da protagonista, que consiste na realização de uma leitura de energia através de um anel que se manifesta visualmente apenas a ela, e é através dessa leitura que conseguimos detectar o nível de afeição e status de anel dos pretendentes.

Mutsumi possui a habilidade especial de acelerar ou regular os anéis dependendo da situação em que se encontram. Ao acelerar os anéis, eles podem utilizar poderes únicos, porém ao custo de sua saúde física. O jogo faz questão de enfatizar por meio de diálogos que os poderes a longo prazo geram consequências para a saúde, então é importante fazer questão que haja um equilíbrio de uso.
Num geral, eu interpretei o controle de regulação de anéis mais como uma gimmick adicionada apenas para contribuir pra história do que como um fator significativo pra gameplay, porque cada vez que eu não regulava o anel para ter vantagem nas batalhas o jogo eventualmente me recompensava com uma tela de game over. Conforme a história avança, Mutsumi aprende mais sobre o seu poder de enxergar e controlar os anéis de energia e as consequências que isso causa quando ela usa nos outros. Cada pretendente reage negativamente ao uso em excesso de uma maneira única, podendo haver consequências como perda de memória e até mudança de personalidade.
O amor é um campo de batalha
O elenco de personagens de Homura: The Crimson Warriors é um dos pontos mais altos do jogo, visto que cada personagem possui sua própria história e razões para lutar a guerra e cada interação demonstra como os Dez Bravos de Sanada são um ótimo exemplo de found family. J
á a protagonista, Mustumi Mochizuki, é uma heroína fiel e esforçada, porém acredito que tenha faltado um pouco de desenvolvimento pessoal da parte dela, visto que foram poucos os momentos onde ela teve destaque nas batalhas (apesar de ter uma habilidade muito interessante) ou em interações com os outros.
A impressão que eu tive é de que ela sempre estava em segundo lugar, ofuscada quando comparada com os pretendentes. Por falar neles, nesse jogo temos 5 opções romanceáveis.
Nobushige Sanada, VA: Suwabe Junichi

Apesar de parecer distante e frio por conta de suas responsabilidades, ele é surpreendentemente um dos pretendentes mais carismáticos e charmosos, não tendo medo em demonstrar afeto físico com Mutsumi quando estão a sós. Ele resolve se aliar aos Toyotomi em sua revolta em busca de justiça por seu pai que foi assassinado, tendo isso em comum com a protagonista. Ao usar o poder do anel ele adquire grande sabedoria estratégica, mas ao custo de perder suas próprias memórias.
Por ser um jogo altamente focado no aspecto político e histórico da guerra, eu esperava que a rota do Nobushige fosse ser a com menos interações românticas possível, porém é uma das rotas com maior teor romântico, cheia de momentos onde existem trocas de carinho e piadinhas internas.
Sasuke Sarutobi, VA: Sugita Tomokazu

Sendo o mais jovem entre os Dez Bravos de Sanada, Sasuke de início é relutante com a ideia de Mutsumi se juntar a eles, mas rapidamente mostra o seu lado divertido e gentil. Embora seja novo, é o ninja mais habilidoso e amigo de um macaco muito fofinho (ou muito feio, eu não consegui decidir até agora o que eu realmente acho). Sua jornada é muito parecida com a de Mutsumi, o que faz com que eles criem um laço único e treinem bastante juntos.
Sasuke é o típico jovem recluso que se culpa por coisas que não deveria e passa a maior parte de seu tempo na floresta treinando. É um dos meus personagens favoritos porque costuma envenenar a comida de Nobushige com doses não letais para tentar criar uma resistência.
Juzo Kakei, VA: Suzumura Kenichi

Responsável pelas tarefas domésticas e profissional em armas e bombas, Juzo é o mais perto que chegamos nesse jogo de uma comédia romântica. Além de tomar decisões sensatas e racionais e tratar as mulheres com gentileza e respeito, ele conquista até inimigas com seu charme e sua rota possui um dos maiores plot twists do jogo.
Juzo é um jovem que não aparenta ter segredos e é extremamente confiável, o que torna a reviravolta em sua rota um dos melhores momentos do jogo inteiro. É um dos personagens mais importantes pra história e possivelmente o mais bonito.
Saizo Kirigakure, VA: Okitsu Kazuyuki

Saizo juntou-se aos ninjas Sanada após ter desafiado Nobushige e Sasuke para um duelo. Além de frio, confiante e masoquista, ele é muito bom em usar sua katana e sempre busca uma desculpa pra matar o máximo de pessoas possível. Como consequência do uso do anel, Saizo começa lentamente a desaparecer e sua existência passa a ser esquecida pela protagonista aos poucos.
Nossa primeira interação com Saizo consiste em ele humilhar a protagonista, e desde então a atitude dele durante o jogo inteiro me deu vontade de dar um soco na cara dele. Ele é arrogante, impulsivo, agressivo, insincero e não é o meu tipo.
Kamanosuke Yuri, VA: Hoshi Soichirou

Servindo como alívio cômico em momentos de dificuldade e sofrimento da guerra, Kamanosuke é o típico brincalhão que valoriza a empatia, a lealdade e a amizade. Ele age como um irmão mais velho e carrega uma foice presa em uma corrente maior do que ele mesmo. Apesar de ser avoado e desastrado por vezes, é um ótimo aliado em batalhas e consegue usufruir bem de seu poder do anel, que o faz não sentir nenhuma dor (a troco de não conseguir saber onde ele foi ferido).
Como a maioria das rotas, a de Kamanosuke possui uma quantidade leve de romance que só se destaca realmente no final, porém sua personalidade divertida e engraçada me cativou.
Too much guerra
Homura: The Crimson Warriors é um jogo que se apoia completamente na atmosfera de guerra, possuindo uma quantidade muito densa de política e uma enxurrada de informações históricas sobre os eventos que ali ocorreram.
Eu estava com expectativas baixas em relação à quantidade de romance, já imaginando que o que predominaria seriam os momentos de batalha e conflitos, porém por ser o meu primeiro otome game eu me decepcionei um pouco com o ritmo em que as coisas aconteceram. São poucos os momentos de romance durante as rotas em meio a tantas batalhas e estratégias de guerra, e a cena de confissão final e beijo só acontece no último capítulo. Em algumas das rotas, a espera pra chegada desse momento quase não valeu à pena, e o epílogo não dura nem cinco minutos.

Apesar disso, o jogo acerta muito no desenvolvimento da história através das diferentes rotas. São 9 capítulos — os 3 primeiros sendo parte da rota comum, e os outros 6 seguindo as rotas individuais. Cada rota busca trazer uma interpretação diferente sobre o mesmo evento, adicionando detalhes e segredos que no cenário maior finalizam a história muito bem, colocando todos os pingos nos is e incentivando o jogador a completar todas para ter todas as informações possíveis.
No finalzinho tem um negocinho

Homura: The Crimson Warriors foi para mim uma boa porta de entrada para os otome games, apesar de possuir pouco romance e ter um foco histórico maior. Com plot twists inesperados e um elenco de personagens cheios de personalidade e desenvolvimento pessoal, é um jogo que vale à pena dar uma olhada se você busca por um drama cativante envolvendo ninjas com uma história bem organizada e sem inconsistências.
Prós:
- O progresso da narrativa mantém-se consistente entre todas as rotas;
- Química entre os personagens perfeita pra quem é fã de found family;
- Roteiro bem elaborado, com boa continuidade nos detalhes e momentos dramáticos.
Contras:
- Os momentos românticos são raros e ficam relegados ao final da rota;
- Quantidade de informações históricas e políticas ao excesso torna alguns momentos exaustivos;
- Desenvolvimento da personagem principal deixa a desejar.
Nota
8
