Desenvolvedora: Aspyr, Crystal Dynamics
Publicadora: Aspyr
Gênero: Ação, Aventura | Coletânea, retrô
Data de lançamento: 12 de março, 2026
Preço: R$ 170,36
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Android, iOS
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
Revisão: Manuela Feitosa
Dois anos após o seu lançamento original, a trilogia inicial de Lara Croft dá as caras no Nintendo Switch 2 e dispositivos móveis. Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft chega à mais recente plataforma Nintendo junto com uma nova e controversa atualização, porém será que realmente valeu a pena preparar uma versão nativa em vez de tentar trazer algo inédito para a família Switch?
Um ícone dos anos 90

Como alguém que cresceu nos anos 90 e que tinha um PS1, Tomb Raider sempre foi um dos principais nomes que eu via nas revistas de games da época. Lara Croft era um dos ícones da era. A aventureira sempre recebeu uma grande atenção da mídia e dos fãs de jogos da época por conta de suas curvas chamativas.
Mesmo que esse apelo sexual, que foi explorado pela Core Design, tenha sido um dos pontos principais da fama de Lara, muito não se falava dos jogos em si. Tomb Raider foi um dos primeiros jogos de aventura totalmente em 3D, ajudando a moldar o futuro tanto de seu gênero quanto de outros estilos que exploravam essa nova dimensão.

Os jogos em si são aventuras 3D, com vários atos separados em níveis gigantescos que devem ser explorados pelo jogador em busca de segredos, sua saída e itens. O primeiro jogo foca mais em explorar tumbas e locais antigos, enquanto suas sequências expandem os ambientes para lugares mais exóticos e até mesmo cidades modernas, como Londres e Veneza.
As sequências também expandem a narrativa da franquia. O primeiro jogo não focava tanto nesse ponto. Lara Croft era uma exploradora famosa contratada por uma mulher chamada Natla que desejava um tesouro especial. Já suas sequências expandiram a narrativa para algo mais cheio de ação e reviravoltas, com muitas cutscenes e até mesmo momentos mais explosivos durante a jogatina. O segundo jogo coloca Lara no meio de uma disputa entre um culto mafioso e uma seita antiga de monges, em busca de uma adaga capaz de transformar seu usuário em um dragão. Já o terceiro envolve Lara em busca de pedaços de um cometa que possui o poder de acelerar a evolução de seres vivos.
Exploração Old School

Os três títulos da série presentes neste pacote são bastante similares, seguindo a mesma fórmula que recebe pequenas, mas boas adições. Jogadores controlam Lara Croft em cenários enormes e exploráveis livremente em 3D. A aventureira precisa solucionar quebra-cabeças para avançar na aventura e deve encarar perigos como armadilhas mortais, flora local e às vezes até mesmo mercenários e outros bandidos armados.
Como muitos jogos da época, a série Tomb Raider utiliza os famosos Tank Controls. Um toque no direcional para cima, não importa a direção que a personagem esteja encarando, faz com que Lara se movimente, enquanto um toque no direcional de trás faz com que ela dê um pulinho para trás. Esquerda e direita fazem com que a aventureira gire parada no mesmo lugar.

Esses controles podem ser um pouco difíceis de se dominar, especialmente para jogadores mais novos, e até mesmo veteranos que jogaram outros títulos que os utilizam podem achar estranho. Diferente de outras franquias que ficaram famosas por utilizar Tank Controls, como Resident Evil (do qual estou mais acostumado), Tomb Raider tem momentos de platforming, com Lara precisando saltar e até escalar paredes. Porém, quando você consegue se adaptar, as coisas funcionam muito bem.
Para ajudar Lara a se movimentar e até superar certos obstáculos, a protagonista tem diversas habilidades acrobáticas, como diferentes tipos de pulos dependendo de sua movimentação inicial. Além disso, Lara também pode andar devagar e até mesmo descer de lugares altos ao se segurar em beiradas. De fato, muito da jogabilidade de Tomb Raider é basicamente colocar Lara em posição para se preparar para pulos específicos de forma a alcançar novos lugares. O segundo e terceiro jogo adicionam novas habilidades acrobáticas, com o terceiro título também adicionando a opção de se agachar e um botão para fazer com que Lara corra por alguns segundos.

Para se proteger dos perigos, Lara pode utilizar uma variedade de armas de diferentes calibres. A personagem começa suas jornadas com suas icônicas pistolas duplas com munição infinita, mas também é possível encontrar espingardas, revólveres, metralhadoras e Uzi com munição limitada, mas com um maior poder de fogo.
No geral, contudo, Tomb Raider é muito mais aventura e exploração do que um jogo de ação em si. Mesmo que Tomb Raider II e III tenham adicionado elementos ainda mais explosivos em suas jogabilidades e narrativas, o foco ainda é muito mais em completar quebra-cabeças e superar obstáculos de plataformas. Cada cenário é gigantesco, levando em torno de 30 – 40 minutos, com algumas exceções sendo menos ou até quase 1 hora, para serem completados, então paciência é algo essencial aqui. Além disso, como não há muita variedade de gameplay, os três jogos são bastante repetitivos, algumas vezes até mesmo se sentindo como uma expansão do que uma verdadeira sequência.
Uma idosa conservada com produtos Ivone

Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft traz três jogos 3D dos anos 90 para plataformas modernas. Não é surpresa dizer que estes títulos não envelheceram bem, com elementos de jogabilidade ultrapassados e gráficos que só mostram como a tecnologia da época ainda era limitada.
Por isso, a Saber Interactive, desenvolvedora original da coletânea, junto com a Aspyr, decidiu remasterizar os visuais dos títulos originais, além de trazer algumas melhorias modernas para os mesmos. Isso inclui adições de QoL como saves em qualquer lugar e controles modernos, inspirados na trilogia LAU (Legends, Anniversary e Underworld, a primeira trilogia criada pela Core Design e que é um soft reboot da saga original de Lara). Um toque legal é que os visuais originais dos três títulos também estão disponíveis, podendo ser alterados a qualquer momento com um simples toque no start.

Além disso, outro ponto positivo é que os três jogos estão disponíveis com suas expansões, adicionando ainda mais níveis e horas de jogo. Para quem é dos anos 90, os famosos cheat codes também estão presentes, trazendo aquele ar de nostalgia para quem viveu a época em que podíamos liberar coisas extras em nossos jogos com apenas uma sequência de botões.
Apesar dos visuais e da opção de salvar a qualquer momento serem ótimas adições, os controles modernos poderiam ter sido melhor aplicados. O fato é que a engine dos primeiros Tomb Raider utiliza uma lógica de mundo de jogo em grid, com as limitações do controle de Lara sendo integradas diretamente a esta lógica. Os controles modernos libertam a personagem de suas limitações, quebrando assim muitas interações e certos elementos de jogabilidade. O exemplo mais óbvio se trata do combate, onde, com controles modernos, é impossível pular para os lados enquanto atira em um inimigo.
A Saber e a Asper poderiam ter modificado um pouco o código de jogo ou até mesmo o controle moderno para se adequar à lógica da engine original. Assim como eles também poderiam ter mexido um pouco na IA dos inimigos, que continua sendo tão ruim quanto nas versões originais. Muitos inimigos correm para um lado e para o outro sem atacar Lara ou simplesmente decidem sumir da tela. Outro problema que poderia ter sido corrigido é o Lock-on da personagem, que muitas vezes não funciona da forma como deveria funcionar.
Um relançamento que valeu a pena?

Como é de se esperar em termos dos lançamentos mais recentes da Aspyr, a nova versão de Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft chegou trazendo controvérsias. Além de novos bugs, que só experimentei em sua versão mais fraca envolvendo o cabelo de Lara no terceiro título, a principal controvérsia da nova versão envolve o recém-adicionado Challenge Mode, uma atualização gratuita disponível em todas as versões do título.
Ele nada mais é do que um modo adicional que permite que o jogador customize a experiência de jogo a fim de criar seus próprios desafios com uma série de modificadores, tais como: aumento no número de inimigos, HP de Lara, munição, etc. A recompensa por completar tais desafios? Uma série de novas roupas para a personagem, com variações de cores dependendo do nível do desafio completado.
Essas roupas, que concedem bônus especiais para Lara, foram bastante criticadas pela comunidade por sua baixa qualidade, além de um possível uso de IA, algo que a Aspyr negou. Sua baixa qualidade, contudo, é inegável se comparada a outras roupas de Lara nos mesmos jogos, e suas variações de cores nada mais são do que apenas uma pequena mudança em um pequeno detalhe de cada roupa.

Em termos de Nintendo Switch 2, contudo, a nova versão traz o jogo de forma nativa à plataforma, com 60 frames por segundo e com resolução de 1440p no modo docked e 120 frames por segundo e resolução de 1080p no modo handheld. Isso apenas com gráficos modernos, os gráficos originais ainda rodam com as mesmas quedas de frame em áreas grandes que os títulos no PS1 sofriam.
Essa é a única novidade, em si, da versão nativa de Nintendo Switch 2. Ao menos os donos da versão de Nintendo Switch 1 podem adquirir um Upgrade Pack gratuito para a nova versão, mas honestamente, sinto que os esforços da Aspyr poderiam ter sido melhor aplicados. Não sei como roda a versão original de Switch 1 e acredito que o boost de rodar o jogo no Switch 2 seja bom, então ao menos para mim, teria sido mais interessante se a Aspyr tivesse investido em tentar fazer versões remasterizadas da trilogia LAU (que é até uma trilogia que gosto, tendo zerado as versões PSP de Legends e Anniversary).
Um retorno de uma trilogia clássica

Tomb Raider I-III Remastered Starring Lara Croft traz ao Nintendo Switch 2 uma importante trilogia para a evolução dos jogos de aventura 3D. Mesmo com melhorias para facilitar o acesso de novos jogadores a estes clássicos, a experiência geral ainda continua quase idêntica às versões originais, apresentando as mesmas limitações e problemas de design que existiam graças às limitações da tecnologia dos anos 90.
O lançamento também deixa a desejar em relação às suas novidades comparadas a outras versões já disponíveis, incluindo a versão de Nintendo Switch 1. Mesmo assim, esta é a melhor forma de conhecer as primeiras aventuras de um dos ícones mais famosos dos anos 90.
Prós:
- Visuais atualizados são muito bons;
- Os três títulos estão disponíveis com todo conteúdo adicional;
- Funciona bem no modo dock e portátil do Switch 2;
- Salvar a qualidade momento é uma ótima adição.
Contras:
- Bugs visuais nesta versão;
- Jogabilidade moderna não foi bem adaptada na engine clássica;
- Alguns problemas dos títulos originais persistem, incluindo IA ruim.
Nota
7,5
