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Desenvolvedora: Wishfully
Publicadora: Thunderful
Gênero: Puzzle-adventure | Cinemático
Data de lançamento: 5 de março, 2026
Preço: R$ 74,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Thunderful.
Revisão: Davi Dumont Farace.
A decisão de se fazer uma continuação não é tão simples quanto parece. Por um lado, com personagens e cenários já estabelecidos, continuar uma história pré-existente pode nos fazer expandir o entendimento da mitologia do universo, questionar conceitos pré-existentes e nos fazer ter um apreço ainda maior à história original. Por outro, uma continuação pode ser vista como uma forma de lucrar em cima de uma obra bem-quista, em um produto porco que impacta na percepção inclusive da obra original.
Planet of Lana é um jogo encantador em sua simplicidade. A trama é direta: uma invasão de máquinas alienígenas em um planeta longíquo leva Lana a uma jornada em diferentes habitats em busca de outros humanos sequestrados. No meio do caminho, encontra em um pequeno animal: uma companhia, que carrega consigo mistérios profundos sobre a origem do planeta e a invasão.
O jogo original fornece um grande impacto aos jogadores, com uma narrativa com diálogos em uma língua fictícia, permitindo múltiplas interpretações, um visual extremamente chamativo, com ilustrações com cores vibrantes e artes que enfatizam as siluetas, e um level design dinâmico de plataforma 2D com Puzzles simples.
O término do jogo, contudo, não dava muitas aberturas a uma continuação. Os mistérios são cativantes, mas instigantes pela falta de resolução, dando espaço a uma especulação agradável. Planet of Lana II surge, então, com um objetivo difícil de imediato: como justificar a continuação de um jogo fechado?
A Justificativa
A partir deste ponto, spoilers do primeiro jogo serão inevitáveis. Afinal, já no prólogo deste novo título temos um grande resumo dos eventos da obra original, e já ressalto que a continuação é direta e indissociável. Logo, se o leitor tiver interesse na franquia, recomendo fortemente que experimente o primeiro jogo antes de seguir com o sucessor.
Independente do interesse no novo título, recomendo ao leitor que experimente o título por si só pelos motivos que listei na introdução. Planet of Lana é emocionante, curto e lindo, mesmo com uma gameplay mais simples e com puzzles pouco complexos. Aviso dado, sigamos para a matéria da análise presente.

Planet of Lana II não tarda a justificar sua existência. O jogo pretende abordar a chegada dos humanos no planeta onde os eventos do jogo se passam, com a fase inicial fazendo-nos revisitar a nave espacial encontrada no primeiro título. Qual a relação entre o transporte com os humanos do presente e Mui, o bichinho-robô com quem dividimos nossa jornada?
Mesmo com um início instigante, o jogo demora a mostrar convicção. Isso porque, logo nos momentos iniciais, somos introduzidos a uma nova ameaça: uma outra civilização de humanos invade a cidade natal de Lana, carregando consigo um misterioso minério, que acaba por envenenar uma criança.
A existência de invasores leva a cidade a se unir em uma mílicia contra os humanos, deslocando a problemática de homem X máquina do primeiro título para homem X homem. Lana, contudo, é afastada do exercício militar, sendo levada a buscar ingredientes em terras distantes para uma medicina.
Assim, a narrativa passa a uma busca a MacGuffins em capítulos isolados, buscando um payoff apenas nos momentos finais do jogo, com uma exploração diluída dos mistérios que a continuação busca explorar. Muito por conta do final aberto para uma sequência, sem seus pontos principais terem sido fechados, a experiência do trama é frustrante quando comparamos ao primeiro título, com uma experiência amarrada de cabo a rabo.

Ainda assim, existem diversos pontos altos em Planet of Lana II, melhor integrando os momentos de gameplay com a trama em si, como abordarei mais adiante. A abordagem episódica permite uma expansão desse mundo tão rico e carismático, com novos biomas, personagens e tecnologias, ilustrando também as diferenças culturais em relação ao trato do meio-ambiente, que em diversos momentos aparece sendo explorado, destituído do direito de simplesmente existir.
Com sequências de flaschbacks, conhecemos também um pouco mais do passado dos primeiros humanos e máquinas que aterrisaram no planeta. A forma como o passado se liga ao presente, ressignificando momentos importantes do primeiro jogo e apresentando uma nova perspectiva é o maior impacto da continuação, apesar de serem momentos rarefeitos e reservados à segunda metade do título, que escala suas proporções ao nível que seria de se esperar após o capítulo inicial.
No fim, e lamento dizê-lo, mas a impressão da obra como um todo é que ela existe apenas como preparo para um terceiro jogo que, este sim, será ambicioso e repleto de revelações.
O Meio
Sem sombra de dúvidas, há um salto técnico entre o primeiro e o segundo Planet of Lana. O primeiro jogo era extremamente simples, com puzzles em plataforma sem inovações e funcionais. Podíamos deixar Mui em espaços específicos enquanto fazíamos ações em outro canto da tela, e eventualmente adquirimos uma habilidade que nos permite controlar máquinas, mas a sequência aumenta seu escopo sem deixar de lado uma simplicidade no estilo.

Ao longo do título, não ganhamos novas funcionalidades (Mui ainda controla seus pares animais-robôs e Lana ainda controla robôs específicos após serem atordoados), mas agora temos muito mais variedade associada. Transportes nos levam até o fundo do mar, controles são utilizados para desativar e reativar plataformas, teias são incorporadas em puzzles envolvendo fogo e muito mais. Nada muito incomum para jogadores habituados a puzzles narrativos, mas o suficiente para demonstrar uma face inventiva.
Ainda temos várias sequências de stealth, mas agora acompanhadas de cenas de ações mais extraordinárias, com saltos maiores devido ao botão de corrida, e com sequências com maior dependência de Mui, sendo uma mudança bem-vinda para variar o agente à frente da gameplay. É, enfim, uma sequência que mais se justifica pela expansão da gameplay do que pela narrativa em si.
O antes e depois

Apesar da evolução técnica significativa, é extremamente evidente que Planet of Lana II é mais um degrau em uma escadaria do que piso em uma construção. Após o final do jogo, não tenho dúvidas de que, ao término da trilogia, o título atual será visto mais como um “Duas Torres” do que como um “Império Contra-Ataca”. A qualidade da obra é inquestionável, mas é impossível não sentir certa decepção nos capítulos iniciais com o caminho mais restritivo tomado pelos Devs, além de uma frustração com um fim que mais parece capítulo intermediário.
Prós:
- O estilo de ilustrações 2D contribui enormemente para termos afeição pelo mundo e pelos personagens;
- A abordagem de uma história com diálogos em uma lingua inventada ainda é muito eficaz e abre muito espaço para imaginação;
- A expansão da gameplay é muito bem-vinda, com level design bem integrado à narrativa.
Contras:
- Horas iniciais frustram o set-up do próprio prólogo;
- O final em aberto compromete a experiência narrativa de um jogo standalone.
Nota
8
