Desenvolvedora: Sports Interactive
Publicadora: SEGA
Gênero: Simulação | Esporte
Data de lançamento: 4 de dezembro, 2025
Preço: US $ 49,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Android, iOS
Análise feita no Nintendo Switch com cópia adquirida pelo redator
Revisão: Lucas Barreto
Football Manager 26 Touch marca o início de uma nova era para a franquia de simulação. Dois anos após o último lançamento e vindo do cancelamento da edição 2025, um feito inédito na série, a nova versão do famoso jogo de simulação chegou ao Nintendo Switch 1 no final do ano passado, continuando a marcar presença na plataforma.
Apesar de continuar tendo uma versão do título para o console híbrido, FM26 Touch chegou ao Switch 1 um tempo depois do lançamento das outras versões, e suas atualizações têm vindo bem atrasadas em comparação às outras plataformas. Esses pequenos detalhes mostram que o console não é uma prioridade para a Sports Interactive, a desenvolvedora da série, e estes são apenas a ponta do iceberg dos problemas que FM26 Touch apresenta no console.
A nova Era e seu início nada promissor

Football Manager 24 Touch foi o fim de uma era de 20 anos de evolução da franquia Football Manager. A Sports Interactive já havia decidido que a edição 2025 de seu simulador de futebol seria o início da nova era da série, que passaria a utilizar o motor gráfico da Unity. Diversas promessas grandiosas foram feitas para os fãs e Football Manager 25 prometia ser um grande salto de qualidade comparado a seu antecessor.
Infelizmente, as altas ambições que o líder do estúdio, Miles Jacobson, possuía em relação ao título provaram-se impossíveis de se alcançar, e FM25 foi cancelado, algo inédito na série. A pressão para o sucesso então passou para seu sucessor, Football Manager 26, que foi anunciado no meio de incertezas sobre o futuro da franquia.
O anúncio de Football Manager 26 e as comunicações, quase inexistentes, da Sports Interactive até seu lançamento não ajudaram a acalmar os fãs que estavam preocupados com a série. As coisas, contudo, ficariam ainda mais esquisitas quando focamos na versão Touch, que é a versão disponível para o Switch. Apesar de ter sido anunciada junto com as outras, o Nintendo Switch foi jogado completamente de lado pela Sports Interactive, tendo sua versão adiada até mesmo em relação ao Android/iOS, as outras plataformas que recebem a Touch. A única vez que a versão de Switch foi mencionada em toda a campanha de divulgação foi com um post no blog oficial da SI um dia antes de seu lançamento.

Não vou enrolar, Football Manager 26 teve o pior lançamento de toda a franquia. O jogo chegou com muitos erros, problemas de desempenho, mudanças de UI que não agradam ninguém e muito mais. Até hoje, mesmo após muitos patches de atualização, ainda há muitos erros e uma grande parte da fanbase preferiu ficar em FM24, utilizando mods com elencos atualizados. Isso, é claro, contando apenas a versão principal do simulador.
Mesmo tendo sido lançada após as outras versões, Football Manager 26 Touch chegou ao Nintendo Switch apresentando problemas similares. O jogo crashava aleatoriamente, sua UI era terrível e ele sofria com alguns problemas de desempenho, mesmo rodando no Nintendo Switch 2. Como fã da série, eu me decepcionei bastante com o título e mesmo tendo comprado no lançamento, curioso para ver a nova era da franquia, não o joguei bastante. Agora, meses após seu lançamento, com alguns patches de correção lançados e uma futura atualização que adiciona a Copa do Mundo chegando em breve, eu finalmente decidi escrever essa review, enquanto dou uma nova chance ao título.
Ainda é o bom e velho Football Manager

Apesar de ter mudado seu exterior, Football Manager 26 Touch ainda é o bom e velho jogo de simulação do qual estamos acostumados. O título é um simulador onde ao invés de controlarmos os jogadores em campo, somos o Manager (ou treinador, professor, profexô, como você quiser chamar). Estamos a cargo de treinar o time, criar táticas, comprar e vender atletas e montar uma boa equipe para vencer jogos e campeonatos.
Nesse quesito, Football Manager 26 Touch continua tão bom quanto seus antecessores. A principal novidade desta edição é a introdução do futebol feminino, algo que a Sports Interactive considerou de maior importância para este título. As principais ligas do mundo estão incluídas, e é possível alternar livremente entre ligas masculinas e femininas (O limite de cinco ligas ativas ainda existe aqui, mas é possível misturar ambas caso assim deseje)
Após ficar de fora de edições passadas, Football Manager 26 Touch novamente permite que jogadores possam customizar o histórico de seu treinador. Para quem gosta de criar suas próprias histórias, essa opção é um retorno muito bom, além, é claro, de servir como uma seleção de dificuldade, onde ter menos experiência resulta em menos opções de emprego e uma maior pressão ao assumir um time grande. Tirando isso, as principais novidades de Football Manager 26 Touch estão envoltas em sua jogabilidade.
Outro patamar de estratégia

Apesar do salto para a Unity, Football Manager 26 Touch ainda utiliza a mesma engine de física e jogabilidade do título anterior, com apenas algumas poucas modificações. O salto para a Unity apenas melhorou os gráficos e permitiu novas animações para os jogadores em campo, incluindo um maior número de firulas e jogadas de efeitos como passes de calcanhar, por exemplo.
Contudo, mesmo se a física continua igual, o mesmo não pode ser dito sobre a estratégia. A Sports Interactive ouviu os fãs e trouxe para o jogo uma novidade bastante requisitada: Formações com posse de bola e sem posse de bola. Agora, ao se criar sua tática, é necessário escolher a forma como seu time vai se portar com a bola e sem a bola. Isso resulta em uma maior facilidade em armar seu time da melhor maneira possível dependendo da situação de jogo.
Nos títulos anteriores, como o seu time agia sem bola era algo que não era tão bem intuitivo. Agora, temos uma formação única para essa fase de jogo que nos permite escolher como queremos que os jogadores se movimentam enquanto buscam recuperar a posse de bola. A divisão das formações também permite que finalmente possamos fazer certos estilos funcionarem, como uma formação que ataca por um único lado, mas defende mais fechado, por exemplo.

Junto com as mudanças nas formações, as funções de jogadores também mudaram. Muitas funções clássicas como Número 10, Segundo Volante e Atacante Completo foram removidas, enquanto outras que permaneceram, como o Médio de criação, sofreram modificações. Novas funções foram introduzidas, incluíndo novos jogadores de criação que atua pelas pontas e um novo camisa 10 que é livre para agir de forma independente do time.
Para ajudar a visualizar como os jogadores se movimentam em campo, o novo criador de táticas agora mostra uma prévia das posições em três etapas diferentes de jogo. Na formação com posse de bola elas são: construção de jogo, meio de campo e último terço. Já na formação sem posse: Campo adversário, meio de campo e defesa. Assim, o treinador tem um melhor controle sobre como seu time deve agir durante cada etapa. Essa é uma mudança fenomenal, pois finalmente temos uma representação visual do que podemos esperar do nosso time em diferentes momentos de jogo.
Após o apito inicial as coisas também mudaram para melhor. Temos um mini-mapa que mostra em tempo real a movimentação dos times e também temos mais informações adicionais, incluindo resultado de outras partidas e conselhos da equipe técnica. Na parte envolvendo estratégia e ações no campo, Football Manager 26 Touch continua firme e forte, com esta sendo a melhor versão da série em termos de criação de táticas e opções estratégicas.
Infelizmente, os problemas estão em maior número

Como eu mencionei anteriormente, Football Manager 26 Touch chegou ao Nintendo Switch apresentando alguns erros iguais ao das outras versões do título. No lançamento, era comum ter erros de crash ao iniciar o título, logo após terminar a criação do manager, além do aplicativo fechar durante e após as partidas.
Outros bugs infames que também existiam incluíam um erro onde ao ter um jogador machucado em campo e ser obrigado a substituí-lo, o jogo simplesmente não obedecia a troca e por isso ele congelava, sendo necessário fazer um reset. Tais erros foram corrigidos com atualizações, apesar de alguns ainda se manterem bem raramente.
A UI, grande vilã e um dos principais motivos de reclamação dos fãs, também apresenta certos problemas na versão de Switch. O primeiro tem relação com o tamanho da fonte, com letras muito minúsculas e uma certa lentidão ao se mover pelos menus. Diferente dos jogos passados, a nova UI funciona na base de mini-janelas que são abertas sempre que é preciso procurar alguma informação mais específica, seja o status dos jogadores, seus contratos, partidas que vamos disputar, etc. Há uma certa lentidão ao abrir tais menus e até mesmo a função de retorno tem seus problemas, muitas vezes retornando para o estado inicial em vez da janela anterior.

As coisas são menos intuitivas na nova UI. Como a Sports Interactive decidiu unificar a UI para todas as versões, algumas coisas que fazem sentido ao jogar num console ficam um pouco estranhas em um portátil. Algumas coisas estão completamente escondidas e outras acabam ficando espremidas demais quando tentamos jogá-lo no modo handheld.
O sistema de notícias também foi reformulado e, em minha opinião, ele está muito ruim. Ainda recebemos notícias importantes como resultados de jogos e feedback de como nosso time se saiu, mas, em compensação, perdemos as mensagens sobre treinadores demitidos de equipes, algo que era bastante útil e agora nos obriga a checar a nova página de emprego constantemente se quisermos encontrar um cargo mais interessante. A icônica mensagem de “melhor 11” (os melhores jogadores do nosso time na temporada) do fim do ano também não existe mais, tirando um pouco da imersão geral que o jogo possuía.

A Sports Interactive lançou atualizações que melhoraram um pouco a experiência, além de reintroduzir certas coisas que foram removidas, como o sistema de gritos de beirada do campo. Uma mecânica bastante querida pelos fãs, que foi removida por não ser “realista o bastante”, mas rapidamente adicionada após o backslash do lançamento original. Contudo, em especial na versão Touch de Nintendo Switch, tivemos algumas remoções ainda mais importantes que demonstram que, ao menos neste ano, a SI não tinha muito interesse em fazer esta versão.
A primeira delas são os idiomas adicionais. Desde o primeiro FMT no Switch, Football Manager 18 Touch, você podia jogar os títulos em português de Portugal. FM26T remove este e vários outros idiomas, com a “desculpa” oficial (de acordo com os moderadores do fórum oficial do jogo), de que não há jogadores suficientes utilizando tais idiomas e por isso não é necessário. Essa é a pior desculpa de todas, visto que os idiomas estão disponíveis em outras plataformas, então não seria tão difícil incluí-los aqui. Além, é claro, de toda a questão sobre acessibilidade para aqueles que não entendem inglês e gostariam de aproveitar o mundo da bola de uma forma que possa estar próximo de si.

A outra remoção é o suporte ao mouse. Apesar do Joy-Con do Switch 1 não ter capacidade de se tornar um mouse próprio, você poderia ligar um mouse USB ao console e usá-lo em Football Manager. FM26T remove esta opção e mesmo o Joy-Con do Switch 2 não pode ser utilizado de tal forma. É algo que ajudaria bastante a navegar os novos menus.
Tirando isso, há outros pequenos problemas que ainda existem ou foram “diminuídos” com as atualizações. Jogos com chuva foram reduzidos de 90% para algo mais em torno de 20-25%, o menu principal ainda dá uma pequena travada após a partida terminar, lhe obrigando a usar a tela de toque para continuar, as letras ainda são muito pequenas e existem alguns problemas de espaçamento com as palavras, mas em comparação com o lançamento, o jogo se encontra em um estado muito melhor.
Essa foi uma partida muito feia

Como um fã de Football Manager e com um estranho interesse em ver como certos jogos ruins se portam em outras plataformas, eu confesso que eu peguei FM26T mais por curiosidade sobre como ele iria rodar no Switch. Como já era esperado, eu me desapontei terrivelmente com o resultado. As atualizações “consertaram” algumas coisas, mas o resultado ainda está longe de estar perto do nível esperado da série.
A mudança para a Unity realmente trouxe gráficos melhores, mas isso não é EA Sports FC ou eFootball, a gente não joga Football Manager por conta de gráficos. Se os menus são complicados de se guiar e tem problemas para informar o jogador tudo o que é necessário, então este jogo deixa bastante a desejar, pois ele falha em um dos elementos mais básicos da franquia.
É uma grande pena e agora é esperar que a versão 2027 seja melhor. Eu já estava em dúvida se FM2026T apareceria no Switch, então não ficaria surpreso se esta for a última versão da franquia na plataforma com a Sports Interactive decidindo cancelar futuros lançamentos a fim de focar em consertar o produto principal. Caso este não seja o adeus em definitivo, eu espero que FM2027T pegue o aprendizado desta versão para nos entregar um produto melhor que seja mais próximo do que esperamos de Football Manager Touch e talvez, quem sabe, não saia logo para o Nintendo Switch 2.
Prós:
- Melhor sistema de criação de táticas na série Touch
Contras:
- UI confusa demais
- Remoção de idiomas adicionais por mera preguiça dos desenvolvedores
- Crashs ocasionais que podem ocorrer a qualquer momento, incluindo durante save, atrapalham a experiência
- Pequena lentidão nos menus e durante as partidas
Nota
5,5
