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Desenvolvedora: Cygames
Publicadora: Cygames
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 9 de julho de 2026
Preço: R$269,99
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, PlayStation 4, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Cygames.
Revisão: Lucas Barreto
Em períodos que eu tenho à disposição diversos tipos de jogos, alguns específicos atiçam minha curiosidade: aqueles cujas comunidades ativas e personagens chamativos me fazem ter curiosidade de saber mais sobre o universo. O único problema: eu não jogo no celular.
Minha história com Granblue Fantasy é engraçada. Eu conheço alguns dos personagens pelo meu contato com os jogos Versus e por artes feitas por fãs em várias redes sociais, mas eu nunca parei para jogar um jogo de Granblue em um console só meu. Tudo isso mudou, no entanto, durante a primeira Nintendo Direct deste ano (a Partner Showcase de fevereiro), que mostrou que Relink, o RPG de ação baseado em Granblue, não só estaria saindo para o Nintendo Switch 2, como também estaria em uma versão expandida.
Explorei minhas reações iniciais do jogo durante a Beta Aberta que tivemos há poucos meses, no entanto, minha jornada com a história, gameplay e experiência do jogo completo não apenas expandiram a visão que eu tinha sobre Relink, como também atiçaram a minha curiosidade sobre o jogo principal e me deixou com aquele gostinho de “quero mais” na boca.
Indo direto ao ponto, nesta análise estarei comentando sobre Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok e como um simples relançamento me fez devorar um jogo no equivalente a um único final de semana! Entre mecânicas essenciais para um RPG de ação a uma história relativamente curta, mas que prenderá o jogador, veja porque vocês precisam dar uma chance genuína para este jogo!
O espaço celeste de Zegagrande

A história desta versão do jogo é dividida em duas partes, com a narrativa original de Relink, com seus 10 capítulos originais, mas com a adição de uma expansão chamada Endless Ragnarok – que para a sorte de usuários de Switch 2, já vem no jogo base, sem compras adicionais. Eu darei um foco maior no Relink e evitarei um pouco do Ragnarok por conta de spoilers, mas ainda mencionarei o que esta versão tem de diferente.
Granblue Fantasy Relink começa a sua narrativa com a tripulação da aeronave Grandcypher indo em direção a sua próxima aventura, mas após uma falha nos poderes de Lyria fazer com que sua invocação de Bahamut se voltasse contra eles, o protagonista [Gran ou Djeeta dependendo da escolha do jogador], Katalina, Rackam, Io, Eugen e Rosetta acabam fazendo um pouso forçado em Folca, uma ilha celeste simples dentro de um espaço conhecido como Zegagrande.

Zegagrande parece um lugar pacífico de início, mas a história dá sua reviravolta ao introduzir a Igreja de Ávia, um estranho culto que sucede em sequestrar Lyria e pretende usá-la como um tipo de catalizador para os poderes de diversos Deuses Primevos e realizar um objetivo sinistro até então desconhecido pelos amigos de Lyria. A tripulação da Grandcypher precisa correr para impedir os objetivos de Ávia, e poderão contar com ajuda de aliados antigos nessa aventura em busca da salvação de sua aliada!

Possuindo uma campanha que leva em torno de 20 a 25 horas para concluir, a história de Relink não é uma maravilha que pode se equiparar a RPGs de um calibre maior, mas sabe trabalhar com seus efeitos de maneira espetacular. No instante em que o jogador chega na reta final, pode sentir que a experiência em si valeu à pena. Mas se o fim da história de Relink não era um fim exato, agora o cenário mudou.
De Relink para Ragnarok
Endless Ragnarok pega para si uma missão um tanto ousada! Usando Relink, um jogo que já tem um conteúdo a bastante significativo no pós-game, e adicionando alguns aspectos novos ou expandido antigos em diversos pontos, dos quais incluem, mas não se limitam a:
- Novos personagens;
- Uma campanha adicional que continua a história de Relink;
- Vórtices que funcionam como o novo modo rogue-like do jogo;
- “Invocações” em batalha, permitindo o jogador abusar o poder de Deuses Primevos e Bestas Primordiais;
- E por fim, um modo online que incorpora um aspecto cross-play entre diferentes plataformas (Switch 2 tendo Local Play exclusivo além disso).

O jogador já pode ter um gostinho da experiência de Relink através do início do jogo com alguns dos personagens novos, no entanto fazê-lo pode acabar gerando spoilers tanto do jogo base de Relink quanto de sua expansão Ragnarok, como podem ver no exemplo abaixo.

A campanha da expansão não é longa, e verdade seja dita, a mesma existe apenas para servir como uma revisita ao mundo deste vasto JRPG, mas as adições que trazem ao jogo dão um bom senso de qualidade de vida geral no jogo, além de introduzir alguns personagens que são favoritos de fãs e até podem ter aspectos game-breaking em áreas iniciais ou medianas do jogo [olhando para você, Eustace].
Pelo sistema de recompensas de Relink, você pode ter uma noção melhor dos aspectos que separam o jogo base da expansão, então se essa é sua primeira vez explorando Zegagrande, não se preocupe, o jogo vai te explicar direitinho o que é o jogo principal e o que não é!
Mesmos sistemas, uma gameplay diferente

Eu, Vinicius Madeira, não tenho muito o costume de jogar RPGs de ação quanto eu dos de turno, ou que misturam certos aspectos de ação. Mas a gameplay geral de GBR é um tanto diferente em um princípio curioso.
Cada personagem aqui, mesmo com armas parecidas, é controlado de uma forma que altera fundamentalmente o sistema do jogo, usando a gameplay a seu favor e com uma dinâmica bem frenética na parte ativa do combate. Essencialmente, apesar de estarem todos no mesmo sistema de combate, a ação de Relink é tão diferente para cada personagem controlável que você terá uma experiência diferente em quem resolver “mainar”.

Dando algo entre cinco exemplos que você pode ver da diferença de gameplay de combate inicial, irei comentar sobre personagens diferentes e como o sistema de combate do jogo se adapta para refletir na ação frenética que as lutas do jogo entregam…
- Djeeta / Gran – Por ser o personagem protagonista, o/a capitão da Grandcypher acaba sendo um dos personagens mais balanceados de Relink; sua gameplay ativa consiste em construir combos de ataques fortes que aumentam o nível de suas artes, e quanto maior as mesmas, mais forte serão os especiais / magias do(a) capitão.
- Rosetta – Uma personagem de suporte já disponível no início do jogo, a gameplay de Rosetta consiste em plantar rosas pelo campo de batalha e as usar para construir mais ataques fortes; com níveis que vão de um a quatro. As flores que Rosetta planta servem tanto para ataques quanto para suporte, dando diferentes vantagens em combate para a mesma e outros membros da party ativa.
- Cagliostro – Com foco em magia, construção de combos e cancelamento de ataques, a gameplay central de Cagliostro consiste em construtos de Alquimia que servem para finalizar seus combos; quanto mais combos de curta distância o jogador fizer com construtos, mais fortes ficarão as artes especiais de Cagliostro que usam Alquimia.
- Eustace – Um dos poucos personagens novos de Endless Ragnarok que não está atrelado a spoilers da campanha, Eustace tem uma gameplay um tanto complexa, girando ao redor do seu uso de rifle; os ataques de Eustace são de alta movimentação e alcance médio, mas constroem tensão cada vez que o mesmo acerta um inimigo e recarrega o rifle: com a tensão máxima, Eustace consegue soltar uma barragem de tiros de maior largura de ataque e maior poder de fogo.
- Narmaya – Espadachim perfeita para combos infinitos e servir de vanguarda, a gameplay de Narmaya gira ao redor de quantas borboletas especiais ela invoca ao seu redor; os golpes de Narmaya e artes podem variar de força e alcance dependendo do stance de espada que ela está utilizando, assim como o número de borboletas invocadas pela mesma.
O ponto com os tópicos que quis levantar é que a experiência geral da jogabilidade de GBR pode mudar MUITO dependendo dos personagens que você escolher, a forma que você resolver jogar e tudo mais! São poucos os RPGs de ação que realmente trazem essa diferença entre personagens e a Cygames deve ser elogiada por este aspecto de Relink.
Embora eu acredite que uma outra empresa também deva levar seus créditos, apesar de não estar mais no desenvolvimento de Relink desde um encerramento de contrato:
Um DNA um tanto familiar…
Originalmente anunciado em 2016, Relink era originalmente uma colaboração entre os estúdios da Cygames e a até então lendária Platinum Games (na época que ela ainda tinha uma staff consideravelmente grande). No entanto, o desenvolvimento de Relink demorou tanto que, em 2021, o contrato com a Platinum já havia se encerrado e eles não estavam mais no desenvolvimento do jogo final, que foi lançado pela Cygames Osaka em 2024.
Porém, aos olhos mais atentos, ainda é possível perceber que o jogo manteve um pouco daquele DNA da Platinum, mesmo sem o envolvimento da mesma; talvez os desenvolvedores da Cygames se inspiraram diretamente nos diversos exemplos de gameplay de ação frenética da empresa parceira ou a mesma só deixou eles usarem os momentos ativos que eles planejaram. O que interessa é que, no produto final, o jogo é repleto de cenas e momentos que, embora seguindo um roteiro, são lotados de uma ação que fará o seu sangue ferver!

Você pode, em um momento, estar escalando um gigante numa perspectiva semi-2D, e poucos minutos depois estar deslizando no corpo do mesmo enquanto ele explode ao seu redor. Sem falar de momentos como o constante uso de QTEs e coisas do tipo que certamente farão você se lembrar de jogos como Bayonetta ou Metal Gear Rising.

No fim, este tópico serviu apenas para comentar sobre como GBR abusa de seus momentos de ação em áreas críticas, fazendo com que ele seja um belo exemplo de RPG que ajuda com sua adrenalina, ou pelo menos foi essa a sensação que tive nos 10 capítulos do jogo inicial – Endless Ragnarok acaba sendo um tanto “leve” neste aspecto, embora ainda tenha momentos BEM ativos.
Os sacrifícios portáteis
Quando joguei a Beta Aberta acabei reclamando de alguns aspectos visuais do jogo na apresentação do pelo modo portátil do Nintendo Switch 2 (que acaba sendo o modo que eu mais jogo a maioria dos jogos no console), mas fico feliz em apontar que tais reclamações foram no fim atendidas: o jogo é muito lindo tanto no tablet quanto na dock! Mas é claro que isto não veio até o jogador sem alguns sacrifícios…

Para início, o jogo é travado nos 30 frames por segundo e em alguns momentos bem específicos pode acontecer uma queda ou outra. Não é algo que vai prejudicar a gameplay de fato, mas se você quer uma versão mais “fluida” do jogo, recomendo jogar em plataformas mais poderosas.
Dito isso, fiquei feliz de ver que os erros de texturas que havia apontado no online do jogo já não persistem mais, e creio que daqui para frente, a Cygames apenas aprimore o jogo em patches e fixes futuros.

“Ai, meu controle”
Sinto que é um tanto hipócrita da minha parte criticar os pontos de ação frenética do jogo quando foi um dos pontos que eu mais elogiei do jogo em sua gameplay e apresentação… mas confesso que fiquei com um pouco de dó do meu Switch 2 quando fazia ataques repetidos com personagens como Narmaya e Charlotta. Dito isso, o possível dano que meu Switch 2 sofreu é apenas uma piada mínima perto das minhas críticas reais ao jogo.
A história de Granblue Fantasy Relink é bem curta para os padrões de um JRPG, e o jogador pode acabar com ela rapidamente. Dito isso, o que sobra depois? O post-game é interessante no sentido que ele oferece as mesmas missões e objetivos que o jogador já fez, mas em uma dificuldade maior! Num geral, isto pode parecer um tanto repetitivo para quem queria uma expansão a mais da história do jogo base, mas o modo online do jogo ajuda a balancear este aspecto.
Como uma crítica final, as histórias dos personagens controláveis do jogo (que fazem parte do vasto universo do jogo mobile) podem ser vistas pela cantina como “Episódios de Destino”. Eu não tenho muito a reclamar deste aspecto “visual novel” que os episódios em si possuem, mas confesso que é um tanto chato ficar lendo essas histórias boas pelo único motivo de o CG delas dificilmente mudar, independente do capítulo. É triste porque eu sinto que se o jogo tivesse usado artes diferentes para os vários personagens, eles teriam deixado este aspecto do jogo menos repetitivo.

No fim, Relink foi provavelmente feito para incentivar as pessoas a conhecerem mais sobre estes personagens e quem sabe dar chance a outros projetos da IP — como o jogo base ou até mesmo o Versus, que sairá no Switch 2 no fim deste ano — e neste ponto, para mim, ele foi bem-sucedido.
Perfeito para entusiastas de JRPGs!
Meu histórico com este jogo especifico acabou sendo bem divertido, ainda que eu precisei correr em alguns pontos para finalizar a história principal e já ir no ponto que interessa que é a expansão. Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok se tornou a melhor experiência de um RPG de ação que joguei de maneira portátil nos últimos anos e espero que esta minha análise convença ao caro leitor a pelo menos experimentar o mesmo.

Entre os combates frenéticos em diferentes ilhas no céu, a ação palpitante em momentos específicos e os monstros gigantes que não parecem morrer com os ataques mais exagerados, Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok tem muito a oferecer para os fanáticos por este tipo especifico de RPG de ação!
Prós:
- História simples e que não se estende mais que o necessário, tornando uma aventura curta, mas com alto fator replay;
- Personagens controláveis carismáticos que possuem diferenças consideráveis em suas jogabilidades;
- Momentos de ação frenética repletos de adrenalina;
- Endless Ragnarok realmente adiciona um conteúdo significativo.
Contras:
- Pós-game um tanto repetitivo, mesmo com as adições da expansão;
- Os “Episódios de Destino” poderiam aproveitar mais o aspecto visual novel que tentam ser.
Nota
9,5

