Desenvolvedora: Square Enix
Publicadora: Square Enix
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 3 de junho, 2026
Preço: R$ 264,00
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Final Fantasy VII Rebirth, a segunda parte da trilogia de remakes de Final Fantasy VII, chegou ao Nintendo Switch 2. Continuando com a base introduzida no primeiro remake, Rebirth expande o escopo da experiência, adicionando novidades enquanto continua a narrativa de uma forma que busca misturar a conhecida história com surpresas inéditas para os fãs do original.
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Continuando a nova jornada em um mundo familiar

Final Fantasy VII Rebirth continua diretamente do ponto onde seu antecessor, Final Fantasy VII Remake, parou. Cloud e seus amigos escapam de Midgar e agora buscam encontrar Sephiroth. Sua única pista são misteriosos homens encapuzados que possuem uma estranha ligação com o vilão.
O jogo encobre os eventos do flashback de Nibelheim até certo momento icônico do título original, que, mesmo sendo bem conhecido, prefiro não comentar em caso de ainda existir alguém que não o conheça. Comparado ao Final Fantasy VII original, é o resto do disco 1 e uma pequena parte do início do disco 2.
Assim como foi o caso com Remake, Rebirth expande a narrativa fazendo com que cada pequena parte do original tenha um impacto ainda maior. A história não é 1:1 com o título de PS1, com novas cutscenes e plot points sendo incluídos. Alguns trazem novos mistérios para a narrativa geral, enquanto outros funcionam como uma forma de expandir certos pontos da história original.

Essa mudança traz um problema com a forma em que a narrativa é apresentada, em minha opinião, problema este que existe desde o primeiro Remake: o ritmo da história é bem ruim. O Remake já tinha sido ruim por expandir demais Midgar, mas Rebirth faz com que cada local visitado tenha seu próprio mini-arco, mesmo que originalmente eles eram apenas lugares que a party visitava apenas rapidamente.
Uma das formas de preencher a narrativa foi a adição de minigames que são obrigatórios para avançar a história. Áreas como Costa del Sol e Gold Saucer param a trama por alguns minutos para que o jogador possa focar em completar os jogos. Outros locais também adicionam objetivos ou desafios extras que forçam com que a party fique mais tempo em tal lugar.

É bem chato ver que a narrativa foi estendida dessa maneira. Ter que fazer minigames para avançar a história ou então ser obrigado a completar tarefas adicionais é irritante. Existem recompensas, é claro, mas nem todas as aplicações dos minigames foram bem -feitas. Além disso, a expansão narrativa de certos locais também não me agradou. Sinto que alguns desses momentos são quase como filler e só existem para tentar prolongar o jogo, pois os desenvolvedores decidiram que eles queriam terminar este capítulo bem no momento mais conhecido do original.
Como alguém que jogou o FFVII original, eu fico um pouco preocupado com a forma que Rebirth abordou a história. Obviamente já era esperado que a narrativa não seria 1:1, mas saber que terminamos a parte 2 de uma trilogia com apenas um dos três discos de FFVII completados é estranho. Sinto que a parte 3 será bastante rushada para cobrir alguns dos principais beats de FFVII, a não ser que a Square Enix ignore-as completamente.
Deixe a batalha começar

Como mencionado em minha preview, Rebirth continua com o sistema de combate introduzido em Remake. Este é um sistema de combate em tempo real, com alguns elementos de ATB por turno como no original: atacar inimigos preencher a barrinha de ATB do personagem, sendo possível usá-la para ativar magias, itens ou habilidades.
É possível trocar de personagem a cada momento durante os combates para melhor se adequar aos inimigos ou preencher sua barra de ATB mais rapidamente. Também é possível usar os gatilhos para dar ordens aos personagens da party. Esses momentos reduzem a velocidade do combate e é possível usar a barra de ATB dos companheiros para ativar magias, itens ou habilidades de cada um.

A grande novidade do sistema de combate de Rebirth é a introdução de ataques combinados entre dois personagens. Estes são ataques poderosos que utilizam um recurso que é adquirido durante os embates, incentivando os jogadores a alternarem os dois personagens de forma a preencher mais rapidamente tal recurso. Cada combinação oferece efeitos únicos que concedem bônus para ambos os personagens envolvidos, tornando-se uma ajuda adicional que pode virar a batalha a seu favor.
As principais novidades de Rebirth focam em outros aspectos da jogabilidade. O título introduz um mundo semiaberto, que pode ser explorado para descobrir segredos. Jogadores podem encontrar torres, similares às que existem em jogos da Ubisoft, para descobrir a localização de áreas de interesse. Tais áreas podem variar, com algumas oferecendo batalhas contra inimigos especiais ou locais para coletar recursos raros. A coleta de recursos, em si, está interligada ao novo sistema de criação de itens, com o qual podemos desenvolver itens adicionais com materiais que são adquiridos ao longo da jornada.

Cada local de interesse descoberto concede pontos que podem ser trocados com Chadley, um NPC de apoio que segue Cloud e seus amigos. Podemos trocar os pontos por novas matérias, além de utilizar o simulador de batalhas para desafios adicionais e adquirir recursos extras.
Como mencionado na preview, o mundo semiaberto cai em muitas das armadilhas que jogos que apostam neste elemento costumam possuir. Ele é confuso de explorar e, apesar de existir uma variação de fauna e flora um pouco maior do que a disponível na demo, ela não é tão grande. Muitas das áreas são repetitivas, com muitos locais sem vida ou desérticos. É possível explorar todos os locais a pé, usando Chocobos ou com veículos especiais adquiridos ao longo da jornada.
Extrapolando os limites do Switch 2

Final Fantasy VII Rebirth é um jogo que explora ao máximo as capacidades técnicas do Switch 2. Tendo sido desenvolvido para o PlayStation 5, um console bem mais poderoso que a plataforma da Nintendo, era de se esperar que o título tivesse certa dificuldade em rodar 100% no aparelho híbrido.
De certa forma é uma surpresa, pois Final Fantasy VII Rebirth até que roda bem na plataforma. Há, sim, alguns pequenos problemas técnicos de slowdown em certos momentos, especialmente quando há muitos NPCs na tela e há pop-in durante algumas partes do mundo semiaberto. As texturas também estão em baixa qualidade e é comum as cutscenes carregarem os assets em baixa qualidade e então os vermos se atualizando em tempo real.

O meu maior problema fica por conta da resolução. Os modelos dos personagens são bastante serrilhados e a baixa resolução deixa isso ainda mais visível. Não é uma coisa muito feia, mas incomoda um pouco, especialmente quem espera um nível de qualidade alto do título. A baixa resolução também afeta textos, que são bem pequenos de se ler em certos momentos. Complementarmente, a iluminação deixou a desejar em certos pontos e tive alguns bugs bizarros envolvendo esse tópico. O jogo ficava escuro demais do nada, voltando ao normal logo em seguida, ou então luzes muito brilhantes encobriram a tela.
Em termos sonoros, o jogo não tem problemas. A trilha sonora mistura remixes de temas clássicos do original e novas melodias e todas as músicas são muito boas. A dublagem está disponível em inglês e japonês, enquanto legendas possuem um leque maior de opções, incluindo o português do Brasil. Vale mencionar, contudo, que as legendas apresentam certa discrepância quando comparadas ao áudio original japonês, mas, pelo que pude notar, isso se deve à tradução em inglês, que alterou algumas palavras e frases, com todas as legendas sendo baseadas nesse idioma.
Também vale mencionar que testei o jogo nos modos portátil e TV e os problemas com resolução e slowdown são coisas que acontecem em ambos os modos. Os tempos de loading também são bem maiores no modo portátil, além de a bateria acabar bem rápido, mesmo comparado a outros JRPGs da plataforma. Então, mantenha isso em mente se você preferir jogar esse tipo de jogo relaxando longe de sua TV, como é o meu caso.
A Reunião só está começando

Apesar de possuir alguns pequenos problemas de desempenho, Final Fantasy VII Rebirth é mais um excelente trabalho de port da Square Enix. Mesmo com os desafios de trazer o título para uma plataforma mais fraca, a desenvolvedora conseguiu entregar um produto muito bom que permite que os donos do console possam continuar a experimentar a trilogia de remakes de um dos mais icônicos JRPGs da geração 32-bits.
Só podemos esperar que a Square Enix aplique o aprendizado dessa versão na parte 3, para assim entregar uma experiência ainda melhor que seja feita adequadamente para os limites da plataforma. O começo já foi bom, mas o final pode ser ainda melhor.
Prós:
- Bastante conteúdo para fãs explorarem e descobrirem;
- Sistema de combate é interessante e mistura novas ideias com o familiar sistema do original;
- Bons visuais e trilha sonora;
- Possui legendas em português.
Contras:
- Slowdowns em lugares com maior densidade de NPCs;
- Pacing da história não é muito bom;
- Baixa resolução tira um pouco da beleza dos modelos e cenários.
Nota
8,5

