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Desenvolvedora: Polyarc
PublRelicra: Polyarc
Gênero: Aventura, ação e puzzle | Coletânea
Data de lançamento: 16 de julho, 2026
Preço: R$ 73,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Polyarc.
Revisão: Davi Dumont Farace
Quando vi o trailer de Moss pela primeira vez, achei o game instantaneamente interessante. Ora, quando se pensa em VR, a primeira coisa que vem a cabeça são jogos em primeira pessoa. Logo, quando vejo um game que se arrisca em tentar apresentar um jogo de plataforma em terceira pessoa para essa plataforma, achei diferente e ousado. Na época, o game foi anunciado exclusivamente para PlayStation 4, utilizando o PlayStation VR. Posteriormente, também saiu para PC.
Moss: Book II foi a continuação direta do primeiro game e mais uma vez saiu exclusivamente para o console da Sony em um primeiro momento. Com dois jogos, a série se solidificou como uma experiência única no mundo dos games, trazendo uma perspectiva nova para jogos de ação e aventura em terceira pessoa. O grande diferencial aqui é que o game e a personagem principal reconhecem o jogador como alguém que interage diretamente com eles, dando um sentido completamente novo para a perspectiva VR, literalmente colocando quem está com o controle dentro da história.
Apesar da ideia interessante, nunca tive a oportunidade de jogar nenhum dos dois jogos por conta da dificuldade de se ter acesso a uma plataforma VR. Aliás, não só existe um problema de acessibilidade, mas acho pouco atrativo a ideia de ficar jogando algo por horas com aquilo na cabeça. Felizmente, a desenvolvedora Polyarc decidiu que o game não deveria ficar “preso” ao mundo VR e decidiu fazer uma coletânea com os dois jogos completamente adaptada para os consoles tradicionais, de maneira que você pode jogar tranquilamente na sua televisão.
A dúvida que vem agora é simples: será que a adaptação era um caminho viável e a experiência se sustenta mesmo sem o seu maior chamariz? É um dos muitos pontos que podemos responder na análise abaixo.
Acompanhando a Ação de Perto
Moss: The Forgotten Relic é uma coletânea com o jogo original “Moss” e com a sua continuação “Moss: Book II”. Honestamente, é o tipo de coletânea perfeita, por que os dois jogos se complementam perfeitamente e acredito que lançar só o primeiro de maneira separada seria um tiro no pé, já que o segundo jogo é uma evolução natural e expansiva de tudo apresentado no primeiro game.

A história posiciona o jogador como um ser onipresente na aventura da personagem principal Quill, e a história se refere à pessoa que está com o controle como “O Leitor”. Isso não é por acaso! É que na realidade, tudo que está acontecendo é dentro de um livro chamado “Moss”, daí o título do game. Os trechos de diálogo e desenvolvimento narrativo normalmente se passam nas folhas de um livro em que o jogador inclusive é responsável por virar as páginas. Mesmo dentro do jogo, nos trechos em que você controla a ratinha, toda vez que muda de cenário, é possível ouvir o barulho de uma página virada.

Há um cuidado estilístico muito grande nos dois jogos, e isso entrega um charme maravilhoso para toda a experiência. A história é recheada de magia e fantasia, com cenários e personagens que realmente parecem sair de um conto de fadas. Tudo casando perfeitamente com a estética de um livro perdido dentro de uma biblioteca.
O primeiro game é um clássico chamado para aventura, onde Quill sai de casa para ir em busca do seu tio que parece ter entrado em uma enrascada ao sair de casa. A personagem, carismática, está sempre interagindo com o leitor, inclusive oferecendo eventuais high-fives quando algum desafio é superado. É uma história simples, porém funcional no primeiro jogo, trazendo alguns elementos mais profundos de construção de mundo enquanto ainda mantém um escopo bem limitado.

Já na segunda aventura, é evidente que nasce uma preocupação de contar uma história um pouco mais grandiosa. Apesar de manter a proposta e a estilística do original, dessa vez Quill precisa salvar todo o reino de Moss, não só apenas o seu tio. A história é menos pessoal, no entanto, mais grandiosa e leva a personagem para cenários diferentes, com novos inimigos, novas armas e novas maneiras de interagir com os mundos.
Charme e estética são as palavras chaves aqui. Os desenvolvedores parecem cientes da importância da apresentação para um jogo que era originalmente de VR. A ideia de transportar o jogador para um mundo mágico consegue ainda ser efetiva mesmo jogando da televisão, visto que o que é mostrado na tela é de um bom gosto muito louvável.
Uma boa leitura
A primeira coisa que se estranha um pouco ao começar a jogar Moss é a câmera. Como um jogo VR, originalmente era possível mover a câmera livremente mexendo a cabeça, escolhendo observar mais o cenário ou Quill. Nessa adaptação o estúdio traz uma câmera dinâmica que se move vagamente enquanto a personagem anda pelo cenário. No geral, a câmera funciona, porém vai acontecer de as vezes a personagem parecer longe de mais ou ser um pouco difícil de enxergar uma coisa ou outra.

Apesar desse pequeno empecilho, tudo ainda funciona perfeitamente. Os trechos em cada “página” do livro são curtos, então não é como se o jogo realmente precisasse de uma câmera livre para se aproveitar. Ao se mover pelos cenários, Quill precisa resolver quebra-cabeças com os “poderes” do leitor, que se manifestam em um cursor controlado pelo analógico que faz com que você possa mover objetos, paralisar e controlar inimigos, construir pontes e interagir das mais diversas formas com o cenário. Os puzzles mais interessantes normalmente envolvem os poderes do leitor.
Os momentos mais divertidos de Moss envolvem curtos puzzles de cenário em que o jogador precisa explorar um pouco além do óbvio para achar a solução. Nada aqui é muito difícil a ponto de deixar você preso, mas ainda é desafiador o suficiente para ser divertido, o que para um jogo como este acaba sendo o equilíbrio perfeito.

Aliás, a mesma coisa posso falar sobre o combate do jogo. Seguindo uma fórmula simples, mas funcional, as batalhas são basicamente focadas em bater e desviar, exigindo que o jogador fique atento à movimentação dos inimigos. O segundo jogo expande as possibilidades de combate por conta das diversas novas armas que Quill recebe, como o martelo. Mas reforço, a proposta do combate é ser simples e muitas vezes ele aparece aliado a quebra cabeças de cenário que o jogador deve solucionar para avançar.
Explicando assim, o ritmo de jogo parece ser simples demais, mas acreditem, aliado à estética encantadora e desafios criativos, os dois livros de Moss conseguem captar a atenção do jogador de maneira satisfatória nas poucas horas de jogo que oferece.
Dois livros que parecem um
Muitas vezes quando faço a análise de uma coletânea como esta, divido parágrafos específicos para cada jogo; mas honestamente, não há a necessidade de separar os dois jogos assim por aqui. Inclusive, jogando ambos um depois do outro, a sensação que fica é de uma progressão natural; mal você sente que saiu de um jogo para outro. O visual e as mecânicas são super semelhantes, a grande diferença é no escopo, nos cenários, na quantidade e variedade de ideais apresentadas.

O primeiro jogo parece realmente uma espécie de demo, um conceito para provar que aquilo ali funciona. Levando em conta a ideia original do jogo e que ele foi desenvolvido para uma plataforma pouco comum, faz todo sentido. O segundo jogo já é o amadurecimento da ideia, mantendo a mesma fórmula mas levando tudo a um patamar mais interessante. Vale um destaque para a nova habilidade de Quil no segundo jogo, a escalada, que abre espaço para um design de fases mais verticais em alguns momentos.
Se eu fosse forçado a comparar, diria que o segundo jogo com certeza é a melhor experiência, no entanto, eu não diria para pular o primeiro. Acompanhar a evolução do primeiro para o segundo jogo foi uma maneira divertida e eficiente para curtir a experiência.
Não vai dar enjoo para ninguem
Confesso que não tenho parâmetro comparativo deste jogo com as outras plataformas para falar especificamente como tudo está rodando no Nintendo Switch 2, porém, posso garantir que na minha experiência é uma versão bastante competente. O jogo é bonito, com muitos detalhes e cenários que encantam facilmente. Achei que muito da beleza poderia se perder na transição para cenários fixos, mas o que aconteceu foi o contrário. Sem o tremelique dos óculos de realidade virtual, o jogo parece mais polido e bem acabado, com cenários que tem seus pontos de inicio e fim muito bem delimitados.

Além do visual, a trilha sonora merece uma atenção. O trabalho dos compositores da Polyarc é sútil, mas cresce nas horas certas, com músicas que realçam todo o cenário de fantasia proposto pelo jogo. É realmente de se admirar a coerência artística e estética dos dois livros apresentados por Moss. Até mesmo a musica de triunfo quando resolvo um quebra-cabeça dá aquela satisfaçãozinha de ouvir que quem é fã da franquia Legend of Zelda já conhece.
Acima da média, abaixo dos grandes
Caso não tenha ficado claro, saio da minha experiência com Moss: The Forgotten Relic satisfeito e levemente encantado. É difícil apontar qualquer defeito na experiência tão redondinha, mas também devo ser honesto e dizer que ao finalizar o game não senti nada que tenha balançado minhas estruturas por completo. Moss é o tipo de jogo que demonstra a competência de estúdios menores, mas também evidencia que as vezes só polimento não é suficiente, e um tempero de caos poderia ser bem vindo.
Não me pareceu que a falta do VR prejudicou o jogo de alguma forma, para falar a verdade, por mais que deva ser legal nas primeiras vezes, imaginar ter que jogar todo o jogo com o óculos não me parece a melhor experiência, ainda mais quando você está preso ali tentando pensar em alguma solução para um quebra-cabeça. A verdade é que a proposta de colocar o jogador dentro do jogo ainda funciona mesmo na televisão.
De todo modo, o amontoado de ideias boas aqui ainda é de altíssimo valor e eu recomendo facilmente a experiência para qualquer fã de um jogo de plataforma com boas doses de puzzle. Aliás, nem preciso ser tão burocrático. Se você aprecia um visual bem fofo e achou a ratinha protagonista do jogo absurdamente carismática, esse já pode com certeza ser uma ótima recomendação para você.

Para encerrar o texto com um comentário um pouco mais amplo, fico satisfeito em ver que o jogo também saiu para Nintendo Switch original. Confesso que não tive acesso a essa versão para saber como está o desempenho do jogo, mas acredito que o console velho de guerra da Nintendo consiga dar conta do recado sem maiores problemas. Fica aqui a lembrança aos devs (e a Nintendo) que nem todo jogo precisa ser exclusivo da nova plataforma, ainda mais quando a base instalada do irmão mais velho é tão ridiculamente gigante.
Prós:
- Coletânea reúne a experiência original e a sua excelente continuação, sendo a maneira perfeita de conhecer esses jogos;
- Coerência estilistica e visual charmosos são pontos fontes do jogo;
- História de conto de fadas casa perfeitamente com a proposta do jogo;
- Quebra-cabeça e desafios de combate tem dificuldade na medida certa para uma experiência tranquila mas ainda divertida;
- Visual no Nintendo Switch 2 é belíssimo e não compromete nada da experiência na plataforma.
Contras:
- Apesar do polimento quase perfeito, jogo parece carecer de algo a mais para impressionar;
- Câmera adaptada da experiência original em VR nem sempre garante a melhor visualização.
Nota
8
