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Desenvolvedora: Gust
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: RPG Bishoujo | Coletânea
Data de lançamento: 30 de julho de 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Koei Tecmo.
Revisão: Lucas Ferreira
Atenção: Está é uma análise em progresso. O artigo será atualizado em breve com o desenvolvimento do autor e um veredito será dado no final.
Como um assíduo fã de Atelier, é natural que eu também demonstre algum interesse em outros trabalhos da Gust, a desenvolvedora da série. Blue Reflection entrou no meu radar por apresentar elementos que se alinham ao meu gosto para videogames, como, por exemplo, segmentos de slice of life e garotas fofas de anime caindo na porrada. No entanto, acabei apenas me envolvendo com BLUE REFLECTION: Second Light e o anime BLUE REFLECTION: Ray.
BLUE REFLECTION: Quartet, por outro lado, surge como uma oportunidade de ouro para eu deixar meu status de “larper” e expandir meu conhecimento com a franquia definitivamente. O título trata-se de um pacote tudo-em-um incluindo: BLUE REFLECTION original; BLUE REFLECTION: Second Light; a adaptação para videogames de BLUE REFLECTION: Ray; e um remake do encerrado jogo GAAS, BLUE REFLECTION: Sun.
Infelizmente, fãs de longa data não estão recebendo um novo título. Ainda assim, eu vejo Quartet como uma maneira de preservar o legado de BLUE REFLECTION enquanto busca ser acessível para novatos que estão determinados a mergulhar neste universo de Garotas Mágicas. Como um meio-novato que sou, a análise apenas irá enfatizar minha experiência geral com cada título. Ou seja, não falarei de aspectos técnicos a menos que eu veja problemas drásticos.
BLUE REFLECTION — Pelo amor de Deus alguem dê um joelho novo pra essa menina!
Para você que caiu de paraquedas, BLUE REFLECTION é uma franquia de RPGs estilo Bishoujo com o tema Garotas Mágicas. Nós somos apresentados ao conceito de ‘Reflectors’, que são transformistas que lutam contra monstros no subconsciente coletivo chamado Common, uma espécie de mundo onírico, afim de proteger os corações de garotas emocionalmente fragilizadas.
A temática abrange o cotidiano escolar em uma dramatização voltado para garotas do ensino médio que precisam lidar com medos, receios, e inseguranças da juventude. Uma vez que suas emoções são abaladas, cabe às Reflectors protegê-las e estabilizar estas emoções.
Neste contexto, BLUE REFLECTION, de 2017, apresenta Shirai Hinako, uma talentosa bailarina que teve seu sonho de se tornar uma étoile destruído após uma lesão no joelho. Tomada por um profunda depressão, Hinako recomeça a vida no Colégio Feminino Hoshinomiya, palco da trama e o epicentro dos acontecimentos que a heroína vai se meter.

Também somos introduzidos às irmãs Yuzu e Lime, figuras abstratas que carregam um grande mistério durante toda a história. Elas concedem a Hinako a capacidade de lutar como Reflector e também a auxiliam nesta missão. O objetivo é derrotar a ameaça iminente chamada Sephira. Caso consiga, Hinako terá um desejo relizado.
Cenários cotidianos baseados no Japão e designs de personagens de traços femininos suaves, quase como se tivessem saído de um mangá shoujo, se misturam em uma atmosfera melancólica de narrativa dramática. Esta combinação ajuda a dar seriedade aos temas abordados, afinal, adultos são muito bons em banalizar os sentimentos e dificuldades na vida de um adolescente, não é?

No entanto, se BLUE REFLECTION busca tratar com sensibilidade problemas interpessoais que compõe seu núcleo narrativo, ele é falho em equilibrar isso de forma convincente. Os problemas colocados sobre a mesa são mundanos demais, indo de uma menina sendo julgada por ser vaidosa para outra com insegurança de se declarar para um interesse amoroso. Não tem a mesma carga dramática se comparado com o que a Hinako sofre, entende? E isso torna a proposta pretenciosa demais.

As partes mais ativas da campanha, como o combate e a exploração, se mostram menos ambiciosas que seu design narrativo. Para a exploração, o Common traz cenários surrealistas de cores vivas mas que ao mesmo tempo transporta todo o ar melancólico que o jogo passa. No entanto, não há incentivo para explorá-lo devido ao seu escopo limitado. Você pode coletar recursos para o sistema de crafting ou lutar contra monstros, mas este último não se vê tão necessário já que o esquema de subir de níveis não exige grinding.

O combate, por sua vez, é baseado em turnos, mas daqueles bem ortodoxos. O jogo até tenta construir uma identidade através de uma UI estilizada e submecânicas que, apesar de parecer que estão inventando algo, não fogem do padrão do gênero. Além de se basear na fraqueza dos monstros ao golpeá-los, é possível causar um Knockback para atrasar a vez deles de atacar na timeline e gerar vantagem com isso.
As batalhas são fáceis na maioria das vezes, e por não serem realmente necessárias para a progressão das personagens, é possível ir atrás dos Fragments no Common sem sequer entrar em combate. Neste caso, o maior desafio em BLUE REFLECTION acaba sendo os encontros com Sephira ao longo da história, mudando dramaticamente o design de combate para algo muito mais engajante e desafiador.

Minha conclusão é que BLUE REFLECTION é um jogo bastante experimental, mostrando que os desenvolvedores só queriam tirar uma ideia legal do papel pra ver no que dá. O jogo, no entanto, cativa pela premisa atípica, elenco afável e estrutura muito bem seus preceitos. A experiência não desagrada, apesar dos pesares, e para mim valeu a experiência. Portanto, acredito que jogadores menos exigentes encontrariam valor aqui.
BLUE REFLECTION: Ray — Jogar o jogo ou assistir o anime?
Existia alguma expectativa da minha parte para com BLUE REFLECTION: Ray. Eu acompanhei a série animada em 2021 e estava curioso para ver como a Gust iria adaptar os acontecimentos no formato de videogame. No fim, eles optaram por um formato tão econômico que me irritou profundamente.
BLUE REFLECTION: Ray, o jogo, nada mais é que uma recapitulação do anime, condensando 9 horas assistidas em pouco mais de 2 horas de “jogabilidade”. Na história original, Hiori e Ruka formam uma dupla de Reflectors que protegem os sentimentos de jovens garotas contra outras Reflectors seguidoras da vilã Shino, que deseja reconstruir um mundo em que as pessoas não possuem sentimento algum.

No jogo, é introduzido um epílogo que conecta os eventos de Ray ao Sun, enquanto um prólogo da história mostra Hiori e Shino sendo derrotadas pela antagonista e seus respectivos Fragments estilhaçados, resultando em seus sentimentos mergulhados na escuridão. Com ajuda de Yuzu e Lime, a dupla viaja pelo Common para juntar seus Fragments, que nos dão um vislumbre dos acontecimentos mais importantes da história enquanto Hiori e Ruka comentam por cima.
A exploração pelo Common é breve e limitada; desta vez nem coletar recursos ou enfrentar monstros é possível. Os cenários, como de praxe, ostentam uma beleza singular de aspecto onírico, mas os desenvolvedores apenas recriaram as mesmas paisagens apresentadas no primeiro BLUE REFLECTION, investindo em gráficos e efeitos visuais melhores. Pular de cenário em cenário é tedioso pela falta de um level design interessante: não há desafios de plataforma ou quebra-cabeças para chegar aos Fragments.

Para o recap, o jogo utiliza cenas estáticas do anime ou alguns eventos em CG, enquanto traz uma contextualização pouco profunda dos acontecimentos, e que mais deixam dúvidas do que esclarecem as coisas para quem não acompanhou a serialização. Quase todas as nuances do anime se perdem aqui, portanto, é difícil ter apego às protagonistas da história e personagens secundários, que o jogo faz questão de evidenciar, mas sequer as desenvolve de maneira coerente e palpável.

No fim das contas, o jogo BLUE REFLECTION: Ray não faz jus ao legado do anime. Se comparado com BLUE REFLECTION 1, a história tem o tema “sentimentos” trabalhado de forma muito mais dramática e interessante, mas que se perdeu na conversão em jogo. A experiência apenas serve como uma ponte para BLUE REFLECTION: Sun e não como uma versão definitiva para consumir a mídia.
Se você quer se afeiçoar com o elenco de personagens e descobrir a história em um ritmo mais cadenciado, é melhor investir seu tempo no anime. Honestamente, esta conversão foi uma grande decepção.
Análise em progresso…
