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Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: Ação | Hack and Spash
Data de lançamento: 03 de setembro de 2026
Preço: R$ 339,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Capcom
Revisão: Marcos Vinícius
A Capcom decidiu reviver a franquia Onimusha. Após remasterizações dos dois primeiros títulos, a companhia apostou em um novo jogo da série: Onimusha: Way of the Sword. Atingindo as principais plataformas do mercado, incluindo o Switch 2, Way of the Sword moderniza a experiência de ação de com espada da franquia enquanto mostra um grande potencial que pode servir como um novo recomeço para a IP.
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O samurai em busca do significado da força
Como já é tradição da franquia ‘Onimusha’, Way of the Sword ocorre durante um período passado da história japonesa. No caso, o jogo se passa no período Edo, no início do Shogunato Tokugawa, onde o país começou a entrar em seu período de paz após os longos anos das guerras entre os Daimyos.
O protagonista da vez é Miyamoto Musashi, conhecido como um dos maiores samurais do Japão. Way of the Sword acompanha um jovem Miyamoto, que busca se tornar o guerreiro mais forte de seu país. Após um desafio contra o líder de uma escola de samurais, Musashi e seu rival, Sasaki Ganryu, são emboscados por Genmas, monstros do submundo, que matam os dois guerreiros facilmente.

Após isso, Musashi acorda no inferno, onde ele recebe uma Manopla Oni de um velho misterioso. Querendo ganhar força por si mesmo sem depender dos Oni, Musashi tenta remover a manopla, mas falha. Uma voz misteriosa então lhe diz para ir à Quioto para se encontrar com um homem chamado Takamura, um “Onimusha” que existe há mais de 700 anos, que lhe explica a situação: Os Genma estão tentando invadir o Japão e apenas Musashi pode impedi-los, enquanto Takamura tem que vigiar o portão que liga o inferno ao mundo humano.
Diferente dos dois primeiros títulos, que estão disponíveis no Switch, Way of the Sword foca muito mais em sua narrativa e seus personagens. Com isso, temos uma evolução mais natural de Miyamoto Musashi em se tornar um guerreiro Onimusha, além, é claro, de uma expansão maior dos vilões que são mais do que simples monstros que só querem destruição.

Musashi é um personagem bem mais caricato do que protagonistas anteriores, com trejeitos e personalidade marcantes que deixam sua própria marca nas cenas. Ele é debochado e, de início, demonstra sua insatisfação com a situação, eventualmente, contudo, ele começa a entender o verdadeiro significado da força que ele busca e aceita sua missão, tornando-se mais e mais o lendário guerreiro que sua versão da vida real é conhecido.
Os Genmas são liderados por Yoshitsune Minamoto, outra figura lendária da história japonesa. Yoshitsune, na verdade, foi quem deu a Manopla Oni para Miyamoto, mas ele também é responsável por todos os atos sombrios que ocorrem durante a narrativa.
Como o líder do exército dos Genmas, ele é cruel e bastante sádico, se fazendo bem mais presente na história do que Nobunaga em títulos anteriores. Suas interações em busca de atormentar Musashi e sua antiga esposa, Shizuna —que agora vive dentro da Manopla Oni —, são formidáveis e conseguem nos motivar para continuarmos avançando na história em busca do duelo final contra o vilão.
Além de toda a ficção por trás dos Genmas, a história também puxa bastante referências da mitologia do Japão. Há muitas menções e até mesmo personagens que são baseados nas lendas ou figuras lendárias do país oriental. Como alguém que curte muito esse tema, esse foi um dos principais motivos de eu ter curtido bastante a minha jogatina do título. A outra razão para eu ter gostado do game, envolve, é claro, sua principal atração: sua jogabilidade.
Por fim, vale a pena mencionar algo importante: Onimusha: Way of the Sword é, na verdade, um reboot da franquia. Apesar de tecnicamente ocorrer entre 20 -25 anos após o último jogo da série, Dawn of Dreams, lançado em 2006 no PlayStation 2, o título não faz nenhuma menção aos games anteriores e nenhum personagem re-aparece aqui. Sendo assim, não é preciso jogar Warlords ou Samurai’s Destiny, ambos disponíveis no Switch, mas pessoalmente recomendo jogá-los, são ótimos títulos.
Dominando a espada

Onimusha: Way of the Sword moderniza a experiência geral da série, mas o título ainda mantém muito do DNA de Onimusha, especialmente em seu combate. Apesar de ter mecânicas atuais em diversas partes de sua jogabilidade, quando o assunto é enfrentar os Genmas, Way of the Sword se mantém tradicional.
Onimusha não é um hack and slash cheio de ação como Devil May Cry ou Ninja Gaiden, o combate dos títulos sempre foi algo meticuloso que incentiva os jogadores a observar seus adversários para defender e atacar no momento certo. Way of the Sword continua com esse estilo, onde a paciência é recompensada e ficar apertando o mesmo botão sem pensar, resulta em mortes rápidas.
Temos dois botões de ataque: fraco e forte; sendo possível apertá-los em sequência e até combiná-los para criar combos. Nossas opções defensivas envolvem defesa e esquiva. Defendendo no momento do ataque inimigo, é possível realizar um parry, que abre espaço para contra ataques. Eventualmente é possível habilitar um segundo tipo de parry que serve como um deflector de ataques, dando um espaço maior de tempo para atacar o inimigo que estiver vulnerável.

Assim como em jogos passados, a tradicional mecânica de Issen volta em Onimusha: Way of the Sword. No momento que o ataque do inimigo estiver prestes a acertar Musashi, é possível apertar o ataque fraco para realizar um poderoso corte que mata instantaneamente. Um upgrade permite a realização de múltiplos Issen seguidos, caso o jogador acerte o timing.
A esquiva permite que Musashi desvie de certos ataques e até mesmo agarrões dos inimigos. Ao ser apertada no momento em que um ataque for atingi-lo, uma esquiva perfeita é realizada. Um upgrade concede acesso a um poderoso contra ataque após preencher uma barra especial que é preenchida com esquivas perfeitas.
Musashi só utiliza uma katana como arma principal, mas o samurai pode encontrar armas Oni pelos cenários que ele explora. Diferente dos jogos anteriores, onde cada arma possui seu próprio moveset, aqui, elas funcionam como um único poderoso ataque que pode ser utilizado sempre que a barra Oni estiver cheia. Cada arma também solta um tipo específico de alma após seu ataque, o que é bastante útil dependendo da situação de combate. Além destas, Musashi também pode encontrar um arco Oni, que pode ser utilizado a qualquer momento com um toque no ZR.

Inimigos derrotados liberam almas, que podem ser absorvidas pela manopla Oni. As almas são separadas em cores diferentes: vermelho, que funcionam como pontos de upgrades, azul, que preenchem a barra Oni, amarelo, que restauram a vida de Musashi, e roxa, que servem para a barra Onimusha após a transformação ficar disponível. Diferente de jogos anteriores, agora é possível absorver almas até mesmo quando se movimenta ou atacar inimigos, tornando as coisas mais dinâmicas.
Inimigos e Musashi possuem duas barras que afetam o combate: Vida e Stamina. Ataques bem sucedidos retiram partes de ambas, enquanto defesas mal feitas, só tiram a stamina. Quando a stamina chega a zero é possível realizar um Issen de quebra nos inimigos, que mata os mais fracos e tira uma boa parte da vida dos chefões. Já no caso de Musashi, se a stamina do guerreiro chega a zero, ele perde uma grande parte de sua vida e almas.
O combate de Way of the Sword é muito bom, misturando um pouco de estratégia e ação em uma dose ideal. Ao longo do jogo, conforme o jogador explora os locais em busca de visões Oni, ele se expande consideravelmente com novas habilidades que podem ser desbloqueadas, incluindo contra-ataques, uma chama que aumenta o dano da espada e até a transformação Onimusha. Você realmente se sente como um samurai, realizando parries e contra atacando no momento ideal.

Infelizmente, o combate tem dois grandes problemas. O primeiro é que após um tempo, ele fica bastante repetitivo. Musashi só tem acesso a uma única arma, então a lista de combos é bem limitada. É um pouco estranho falar isso, visto que em Onimusha passados eu focava bem mais na primeira Katana, mas aqui é algo bem evidente, especialmente considerando que estamos controlando.
Miyamoto Musashi era conhecido como um dos mais habilidosos espadachins do Japão feudal, tendo desenvolvido um estilo único o Hyoho Niten Ichi Ryu, que utiliza duas espadas. O personagem em si possui duas Katanas, utilizando a segunda em certos Issen e contra-ataques contra chefes, mas em gameplay normal, estamos presos a uma única arma. Seria legal se pudéssemos alternar entre utilizar uma ou duas Katanas. Fate/Samurai Remnant, um jogo onde controlamos um jovem treinado pelo Miyamoto de Fate/, nos permite tal opção, então é uma pena que a Capcom não quis tentar trazer algo similar para seu título.
O outro grande problema do combate está ligado a uma das maiores discussões sobre esse jogo desde o lançamento de sua beta: a dificuldade dos inimigos. Onimusha: Way of the Sword tem um problema de balanceamento em relação aos monstros que serão encontrados pelo caminho.
Oponentes comuns são muito passivos, atacando um por vez, mesmo quando estão em grupos grandes. Os únicos momentos que temos múltiplas criaturas enfrentando ativamente Musashi é quando temos tipos diferentes (um arqueiro e um espadachim, por exemplo) no mesmo encontro. Em jogos anteriores, apesar de também se limitarem a atacar um por vez, os inimigos eram mais agressivos em termos de menos tempo de delay entre seus ataques. Aqui, é bem comum derrotar um oponente e aguardar alguns segundos antes do próximo decidir avançar contra o samurai.

Onde o combate brilha mesmo é contra os chefes. Os duelos são cheios de tensão e requerem paciência suficiente do jogador para observar os padrões de ataques dos chefes e contra-atacar no momento certo. Diferente dos inimigos comuns, os chefes possuem muita vida e sua barra de stamina serve como um tipo de proteção, onde após ser esgotada oferece ao jogador a chance de causar um grande dano ao inimigo, ou então adquirir um alto número de almas.
Existe apenas um único problema, na minha opinião, em relação aos chefes. Todos, sem exceção, possuem um segundo estágio após eliminarmos sua barra de vida. O problema está em como é esse segundo estágio, sendo basicamente um second wind, assim por se dizer.
Eles continuam realizando os mesmos ataques, só que mais poderosos, com apenas uma ou duas novidades. Acaba sendo um pouco entediante, especialmente se você morrer, pois o jogo te obriga a enfrentá-los desde o primeiro estágio.
Mesmo assim, os duelos contra os chefes é onde podemos utilizar todo o potencial do sistema de combate e eles apresentam um desafio que se torna satisfatório quando alcançamos a vitória, sendo, para mim, o highlight deste jogo. Além deles, existem mini-chefes que também são bastante divertidos de se enfrentar.
A Quioto de uma era antiga

Entre duelos, Musashi pode explorar o leste de Quioto, uma região que está sofrendo com a invasão dos Genma. Servindo como um Hub principal do jogo, o local possui alguns segredos para o samurai encontrar como tesouros, itens e missões secundárias que lhe recompensam com materiais adicionais que podem ser utilizados para melhorar sua arma, vestimenta e a manopla Oni. Os inimigos também estão presentes, fazendo com que a exploração não seja uma caminhada tranquila no parque.
A narrativa também leva Musashi a lugares únicos pela região. Tais locais são bastante lineares, sem muito incentivo para explorar ou com caminhos alternativos até seu objetivo. Eles também não são interligados, como em outros jogos, mas é possível revisitá-los através do uso de um espelho especial espalhado por Quioto e pelos próprios locais.

Tirando a narrativa, Onimusha: Way of the Sword não oferece muito em termos de conteúdo secundário. Existem dois tipos diferentes de sidequests, uma onde o samurai resolve problemas para pessoas aleatórias de Quioto e outra onde temos uma pequena mini-narrativa com uma personagem secundária que requer que Musashi descubra os mistérios por trás de certos problemas. De forma geral, ambas são o mesmo tipo de missão, sendo até bastante repetitivas em termos de conteúdo (vá até x local e mate Genma).
Também há a busca por Komainu, pequenos cãezinhos que são ligados a mesma personagem secundária que Musashi “ajuda”. Os Komainus estão espalhados por toda a região de Quioto, contudo, eles só aparecem por vez, geralmente assim que completamos um local, o que nos faz ter que explorar novamente a área que acabamos de sair.
Essa busca por eles, além de algumas missões secundárias, passa uma sensação de que os desenvolvedores queriam preencher o tempo. São tudo opcionais, é claro, com as sidequests oferecendo materiais e itens de cura, mas a busca pelos Komainu só recompensam com novos visuais para a espada de Musashi.
O Samurai modernizado

A série Onimusha surgiu como um spin-off de Resident Evil, utilizando muito dos mesmos elementos daquela série em seus primeiros jogos: controle de tanque, câmera fixa e uma dublagem bem esquisita. Agora, a franquia se moderniza para a era moderna, trazendo tudo o que é esperado de um jogo lançado em 2026.
Isso traz pontos bons e ruins, então vamos por partes. Em termos positivos temos um jogo com ótimas animações, tanto em seu combate, quanto em suas cenas normais. Seguindo a tradição da franquia, Miyamoto Musashi tem seu rosto baseado em um ator japonês famoso, Toshiro Mifune. Há algo curioso sobre essa escolha, pois apesar de ter interpretado o personagem em filmes famosos, Mifune morreu em 1997. A Capcom utilizou imagens antigas do ator e com permissão da família, recriou seu rosto e trejeitos, fazendo com que o protagonista seja um dos mais expressivos e interessantes em termos de representação visual, que já vimos na série.
Os efeitos sonoros também são muito bons, sendo extremamente satisfatório ouvir o som de um Issen bem realizado. O título oferece dublagem e legendas em Português do Brasil e não notei problemas com a tradução. Também há opções de sensibilidade e a versão de Nintendo Switch 2 permite a utilização de controle de movimentos para o combate, algo até legal, mas preferi utilizar o bom e velho esquema de botões.
O jogo também roda muito bem no console. Em toda a minha experiência, só notei queda de frames em algumas poucas ocasiões. Em termos de renderização, o título roda a 1080p no modo TV e 900p no portátil, sendo ainda possível limitar a taxa de quadros em 30 FPS ou desbloqueá-la para atingir um número ainda mais alto em certos momentos. A tecnologia VRR também foi implementada, aproximando-o ainda mais das outras versões em termos visuais.

Agora vem a parte chata que existe quando uma franquia antiga decide reviver na era moderna, ainda mais quando é um título de uma empresa grande que espera que um grande número de jogadores possa aproveitá-lo. Onimusha: Way of the Sword é um título moderno e possui todos os elementos esperados de um jogo pensado como um AAA.
Há diversos momentos em que Musashi simplesmente para de correr para andar enquanto conversa com alguém, muitas cutscenes interrompem a ação e os upgrades são interligados a busca de materiais, em vez de utilizar itens especiais que podiam ser encontrados nos estágios ou as almas que podemos adquirir ao derrotar os inimigos. O jogo também foi bastante simplificado com muitos tutoriais.
Para se ter uma ideia, existem três tutoriais seguidos para ensinar as mesmas funções: o primeiro duelo do jogo lhe ensina as principais ações do jogo (atacar e defender); logo em seguida exploramos um local (que foi utilizado na demo) que mostra quais botões realizam tal ação; e então, por fim, temos um treinamento opcional desbloqueado após terminamos esse local onde, novamente, funciona como um tutorial para explicar as principais ações do jogo e outras subsequentes que habilitamos. Entendo que é sempre bom ter uma forma do jogador lembrar certas mecânicas, mas acredito que isso foi bastante exagerado aqui.
O caminho da espada é longo (Lá ele)

Onimusha: Way of the Sword é um excelente revival de Onimusha. Os pontos positivos da modernização da franquia facilmente conseguem se destacar, elevando o jogo a um nível que o coloca como um ótimo título de seu gênero.
O potencial de seu sistema de combate é formidável, tornando os desafiantes duelos contra os chefes em momentos de pura tensão que trazem uma enorme satisfação ao serem concluídos. Musashi também é um dos melhores protagonistas da série, seus trejeitos são divertidos e sua evolução como personagem é um dos principais destaques da narrativa.
A versão para Switch 2 também é digna de aplausos para a Capcom, que conseguiu trazer mais um port de alto nível ao console sem problemas. Com opções de customização feitas com o híbrido em mente e até mesmo a adição dos controles de movimento, Onimusha: Way of the Sword não deixa em nada a desejar na plataforma.
Prós:
- Sistema de combate é fenomenal e consegue muito bem recriar a sensação de ser um samurai em batalha
- Duelos contra os chefes são desafiadores e mostram todo o potencial do combate
- Legendas e dublagem em Português
- Jogo roda sem problemas no Switch 2 e até utiliza as características únicas do console a seu favor
- Narrativa cheia de referências a mitologia do Japão e a seus personagens históricos vai agradar os fãs dessa cultura
Contras:
- Alguns elementos de modernização estragam um pouco a experiência geral
- Inimigos normais poderiam ser um pouco mais desafiadores
Nota
9


