Desenvolvedora: City Connection, OmiyaSoft (original)
Publicadora: Clear River Games
Gênero: Estratégia, Tabuleiro, Cartas
Data de lançamento: 08 de setembro de 2026
Preço: R$ 150,99
Formato: Digital, Físico
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S PC
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Clear River Games
Revisão: Manuela Feitosa
Originalmente lançado no Sega Saturn em 1997, o primeiro Culdcept abriu espaço para uma franquia cult que continua até hoje se mostrando divertida e envolvente. Após o recente lançamento do mais novo título da série, Culdcept The First Saturn Tribute traz a obra original às plataformas atuais, além de ser a sua primeira versão ocidental.
Misturando tabuleiro e criação de baralhos

Culdcept é uma franquia que faz a combinação exótica de jogo de tabuleiro com construção de baralho. De forma bem simplificada, a ideia é basicamente a de um banco imobiliário em que o dinheiro (na verdade “Magic Points”) serve para invocar criaturas que defendem nossos territórios. Cabe aos jogadores então disputar para ver quem consegue chegar ao valor desejado mais rápido.
Completar uma “volta” no mapa (passando por todos os objetivos secundários) é uma das formas de conseguir dinheiro, porém é geralmente mais interessante ter vários territórios ao seu dispor. Como os recursos são pequenos, porém, é necessário avaliar bem o que fazer, já que cair no terreno do adversário implica em ter que repassar dinheiro ou encará-lo em batalha (o que também tem custo).

Há uma variedade de mapas com formatos diferentes, o que afeta também a lógica da movimentação e do planejamento geral. Também há várias características, como os elementos associados aos terrenos (dando vantagem a criaturas do mesmo tipo), a proximidade com aliados (um bônus adicional para o combate) e o investimento adicional nos terrenos (que aumenta significativamente o “pedágio”), entre outros fatores.
O resultado é que jogar Culdcept de forma geral é uma combinação muito gostosa de sorte e estratégia. Afinal, o jogador depende dos dados para avançar e certas jogadas podem se mostrar mais eficientes em determinadas situações.
Informações tortuosas

Derrotar os oponentes adiciona mais opções de cartas para o jogador e é possível montar baralhos variados. O jogo, porém, acaba demandando um certo esforço para aprender os detalhes do que é possível fazer, e mesmo limitações básicas não são nem intuitivas nem apresentadas de uma forma particularmente fácil de entender.
Da mesma forma, a interação com o mapa e detalhes importantes para a elaboração estratégica acabam sendo um pouco atrapalhados pela interface. A versão Saturn Tribute ajuda um pouco nisso, trazendo uma opção para acompanhar melhor o ritmo da partida chamada “Reveal Hands”. Ativando ela, é possível manter os detalhes da mão e da quantidade de mana de todos os jogadores no canto da tela.
Essas informações já são visíveis ao longo do jogo, não se tratando de uma “trapaça”, mas a mão geralmente só fica disponível na tela apenas nos momentos das jogadas de cada um. Ainda não é o ideal, já que é apenas uma arte estática da mão de cada em vez da possibilidade de olhar com cuidado cada carta, mas já é um norte importante para se guiar nas partidas.

Outras novidades da Saturn Tribute incluem a opção de aumentar o ganho de cartas ao vencer o oponente e alterar o volume in-game com o apertar de um botão. Há ainda uma variedade de elementos visuais customizáveis, incluindo uso de scanlines, um filtro anti-aliasing e várias opções de wallpaper, assim como um guia para facilitar a entrada no jogo e explicar rapidamente elementos de gameplay, interface de emulação e trama.
As principais adições, porém, são as ferramentas de Quick Save/Load e Rewind. É possível salvar a qualquer momento para testar outras possibilidades usando os save states, enquanto o Rewind é bem mais específico, se tratando de uma forma de voltar a momentos anteriores nos quais o jogador ou seus oponentes alcançaram um checkpoint do mapa.

Tudo que foi adicionado aqui torna a experiência confortável e é ótimo finalmente ver o primeiro Culdcept em inglês, mas há alguns pontos negativos no lançamento que acabam se destacando. Primeiramente, vale destacar que jogando no Switch 2 encarei alguns travamentos inesperados jogando, geralmente ao usar as ferramentas como o Rewind. Eles foram em geral contornáveis indo para o menu do Switch em si e depois reabrindo o jogo.
O outro problema é o fato de que há algumas cutscenes, incluindo a abertura do jogo, que não contam com legendas traduzidas. O jogo até conta com vozes em inglês (já gravadas assim na edição japonesa como parte do seu charme), mas o texto em si desses momentos está em japonês. A ausência de alguma legenda em inglês faz com que esses vídeos causem estranheza e pode se tornar frustrante especialmente para quem não tem inglês como língua materna e está mais acostumado a ler do que falar.
Um tributo ao início da franquia

Culdcept The First Saturn Tribute é uma grande oportunidade de ver como a série se iniciou ainda na década de 90. Todas as sementes do que faz jogar Culdcept uma experiência tão curiosa e empolgante já estavam lá e o relançamento ajuda a deixar tudo mais confortável, embora ainda haja alguns elementos que poderiam ser melhores.
Prós:
- Combinação de tabuleiro e jogo de cartas que entrega disputas estratégicas divertidas;
- Boa diversidade de cartas para criação de baralho;
- Funcionalidades adicionais da nova edição ajudam a deixar a experiência mais confortável.
Contras:
- Elementos importantes do jogo acabam sendo ofuscados por falta de clareza;
- Freezes inesperados na gameplay ao usar Rewind ocasionalmente;
- Algumas raras cutscenes do jogo contam somente com texto em japonês (embora haja dublagem em inglês).
Nota
7
