Desenvolvedora: Ritual Entertainment, Nightdive Studios
Publicadora: PUB
Gênero: Ação | Boomer Shooter
Data de lançamento: 24 de setembro de 2026
Preço: R$ 99,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch,
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Atari.
Revisão: Manuela Feitosa
A Nightdive Studios continua com sua missão de trazer jogos de tiro clássicos para as plataformas modernas. Desta vez, quem está recebendo o tratamento é SiN, um dos últimos boomer shooters tradicionais lançados antes da revolução no gênero causada por Half Life.
Batizado de SiN Reloaded, a nova versão moderniza o game original e o coloca nos consoles, introduzindo uma nova geração de jogadores a uma peça de uma era já obsoleta.
O pecado de uma era ultrapassada

SiN foi originalmente lançado em 1998, desenvolvido pela Ritual Entertainment, utilizando uma versão modificada da engine de Quake II. Tendo sido lançado alguns meses antes de Half Life, que revolucionou os jogos de tiro em primeira pessoa nos PCs, o FPS é considerado um boomer shooter da era clássica, com diversos elementos e decisões de design que já estão extremamente ultrapassados.
SiN Reloaded inclui o título original e sua expansão, ‘Wages of Sin’, em um único pacote. Os jogadores assumem o controle de John R. Blade, membro da força de segurança privada Hard Corps. Na aventura original, enquanto atende um pedido de ajuda para impedir um assalto a banco, Blade descobre uma conspiração envolvendo a corporação SinTEK, onde sua líder, Elexis Sinclaire, planeja utilizar uma droga sintética para transformar pessoas em mutantes e depois disso dominar o mundo. Já em Wages of Sin, Blade deve impedir o líder da máfia, Gianni Manero, de assumir o controle da SinTEK após Elexis desaparecer após os eventos do jogo principal.

A narrativa é bem simples e os personagens presentes não são tão complexos. SiN é mais conhecido pela forma voluptuosa de sua vilã, que chega a ser quase cômico de tão exagerado que é, com seus peitos fartos balançando sem parar igual a um anime ecchi. Isso em si foi uma escolha dos desenvolvedores, com SiN sendo um shooter que utiliza um humor mais adulto com uma pegada mais voltada para esse tipo de coisa.
SiN também tem uma inspiração em um estilo cyberpunk para o seu mundo e até mesmo no design dos personagens. Além, é claro, de seguir um certo padrão com seu protagonista, que era similar a outros jogos do gênero em sua época, um herói de ação cheio de one-liners.
O bom e velho tiroteio

A jogabilidade de SiN Reloaded é algo simples, mas sólido. Como um bom boomer shooter, temos um estilo de jogo bem direto e focado na ação, com armas que fazem o que tem que fazer sem criar grandes coisas mirabolantes. Não há modos de tiro alternativos nem mira dinâmica, e o armamento que Blade pode adquirir ao longo da aventura é composto por escolhas bem óbvias para o gênero: pistola, metralhadora, espingarda e lançadores de foguetes.
Também é possível adquirir alguns itens de apoio para lhe ajudar durante sua missão, como bastões com brilhos e itens de adrenalina que fazem o personagem se mover mais rapidamente. O que diferenciava SiN de seus contemporâneos, contudo, era o seu sistema de armadura e saúde do protagonista.
Blade não possui saúde regenerativa, como jogos mais modernos, mas o protagonista podia equipar proteção em sua cabeça, peitoral e braços/pernas. Cada dano recebido desconta da proteção e uma pequena parte da saúde de Blade, com o personagem podendo recuperar vida ao adquirir certos itens no cenário, incluindo comida. Além disso, apesar dos inimigos droparem proteção ao morrer, só é possível adquirir aquelas que estão em melhor condição, adicionando um que de diferencial no loop de gameplay.

A expansão Wages of SiN traz algumas melhorias para a experiência geral de jogo, como a opção de utilizar duas pistolas ao mesmo tempo. Melhorias essas que podem ser ativadas para a campanha principal ao se iniciar o jogo, mas tirando isso, SiN Reloaded não traz grandes mudanças em sua experiência para “atualizar” o título para a era moderna.
Temos opções de acessibilidade, mudanças nos controles e, no caso do Switch 2, a utilização do giroscópio para ajudar na mira e a possibilidade de usar o joy-con como mouse. São boas opções, mas algumas adições que poderiam ser bem úteis, como um mapa para cada missão, não foi algo que a Nightdive quis investir seu tempo em produzir.

O jogo é dividido em várias missões, cada uma com seu próprio mapa. Alguns são bem lineares e fáceis de navegar, mas outros são bastante confusos graças a repetição de texturas e ambientes, então ter um mapa seria algo bem útil para ajudar a navegar certos locais. A IA dos inimigos também não é muito boa, com muitos momentos onde eles simplesmente decidem correr de um lado para o outro em vez de atacar ou ficam preso em alguma parte do cenário.
Outra coisa que diferencia SiN de outros jogos de tiro de sua época é em termos da progressão do jogador pelos estágios. Apesar da narrativa ser linear, o jogador pode descobrir missões secretas ou alterar como um cenário futuro será explorado ao interagir com certos objetos ou realizar ações nas missões em que ele se encontra. Este é um dos incentivos para explorar os estágios, além de segredos que recompensam com suprimentos extras e objetivos secundários.
O clássico remasterizado

SiN Reloaded é mais um trabalho de remasterização da Nightdive com tudo que é esperado de um produto da publisher: os gráficos foram melhorados, assets estão em HD e há diversas opções de acessibilidade, além, é claro, de um desempenho estável que faz com que o título funcione sem problemas sérios na plataforma. O jogo oferece suporte a resoluções de até 4k, além de 120 fps. Durante minha experiência com SiN Reloaded, não tive nenhum erro ou bug ocorrendo.
Assim como a Aspyr fez com os títulos clássicos da franquia Tomb Raider, a Nightdive incluiu uma opção de alternar entre os gráficos originais do jogo ou as versões remasterizadas. Com um toque no select, é possível mudar os visuais durante a jogatina. Sendo honesto, a única diferença que senti é nas texturas, com a versão em HD estando mais visíveis, obviamente. Não é algo no mesmo nível de Tomb Raider, já que a desenvolvedora não buscou atualizar os modelos dos personagens para novos.
Os gráficos do título em si não foram muito modificados, ainda apresentando o estilo do jogo original de 1998. Temos modelos quadradões com texturas simples e muito poucas animações. Notei alguns problemas de colisões com certos projéteis de algumas armas, além de algum janky com certas interações de itens do cenário, como escadas, algo que era bastante comum nos jogos da época.
SiN Reloaded também oferece legendas em português do Brasil, uma adição muito boa para os jogadores brasileiros aproveitarem. Infelizmente, a legenda tem alguns problemas, especialmente com certas palavras acentuadas.
O pecado renascido

SiN Reloaded traz de volta um dos boomer shooters mais esquecidos de sua geração para as plataformas modernas com o toque de melhorias gerais que a Nightdive sempre coloca em seus relançamentos.
O título, contudo, ainda tem muito de seu DNA original, incluindo certas opções de design de sua época. A desenvolvedora poderia ter feito um esforço extra para adicionar algumas coisas que poderiam ter melhorado ainda mais a experiência do título, mas o que temos aqui já é uma boa forma de experimentar este peculiar jogo.
Prós:
- Boas opções de acessibilidade e customização da experiência;
- Utilização do giro para mira é uma boa opção;
- Interações com cenários e objetivos secundários que influenciam na aventura incentivam a exploração.
Contras:
- Legendas em português possuem muitos erros;
- Falta de alguns QoLs que poderiam ajudar na experiência geral;
- Problemas de colisões com os modelos e alguns ambientes do cenário;
- Narrativa nada muito memorável.
Nota
7
