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Desenvolvedora: Digital Eclipse
Publicadora: Atari
Gênero: Aventura | Plataforma 3D
Data de lançamento: 15 de outubro de 2026
Preço: R$ 68,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Atari.
Revisão: Lucas Ferreira
Já houve uma época na indústria em que a maior parte dos filmes de grandes empresas vinha acompanhada de um lançamento no mercado de videogames. Esses tempos, infelizmente, ficaram para trás. Todavia, a prática deu seus últimos suspiros nos anos 2010; em junho daquele ano, chegava aos cinemas Toy Story 3 e, aos consoles, um jogo baseado no filme.
No que é, para mim, o melhor filme da franquia, embarcamos nessa aventura “videogamistica” e nostálgica no mês das crianças. O objetivo é saber se o jogo, relançado após bons anos para consoles modernos, consegue ser uma forma válida de vivenciar a experiência do fantástico filme, mesmo depois de tanto tempo.
Importante ressaltar que essa edição é baseada nos jogos originalmente lançados para Xbox 360, PS3, Wii e PC, que tem diferenças consideráveis em relação à versão de PS2 e PSP, sendo basicamente jogos diferentes.
Brincadeira tem hora?

Todo ser humano cresce, e com isso, perdemos a maneira brilhante de enxergar o mundo (snif), e Andy não é exceção. Prestes a ir se aventurar na universidade, os brinquedos percebem que seu futuro com o garoto é incerto. Após uma série de eventos, todos eles acabam parando na creche Sunnyside por engano, e a partir daí a história prossegue.
A mesma trama funcional dos filmes se encaixa perfeitamente no jogo, mas com um tempero mais que especial: os momentos de imaginação. Não só o enredo do filme em si é jogável, mas também as cenas imaginadas pelos personagens, como a aventura no Velho Oeste do Andy criança.

Além disso, há momentos inéditos que não existiam no longa-metragem dos cinemas. Isso expande de maneira sensacional a experiência com a obra, originando situações novas que se encaixam de forma natural e carismática
A diversão está de volta!
O jogo é dividido em poucas fases, mas todas bastante recheadas. Nele, você pode jogar com Woody, Buzz ou Jessie (ou alternar entre eles, dependendo do estágio). Em geral, a estrutura consiste em um jogo de plataforma 3D com ação e puzzles. O level design, além de ser bem-feito, casa muito bem os cenários, integrando-se de forma natural ao ambiente. Esse é um aspecto no qual muitos jogos baseados em filmes animados costumam falhar, então pontos pros nosso brinquedos.
Na jogabilidade, os personagens contam com um conjunto de movimentos bem tradicional de jogos de plataforma 3D, como andar, pulo duplo, dash no chão para quebrar estruturas passíveis, esmagar o chão estando no ar e arremesso de objetos (como a bola da Pixar). Nas fases com alternância de personagens, o jogo tira bom proveito das habilidades exclusivas de cada um.

Woody pode se balançar em apoios específicos usando sua cordinha de boneco de puxar e falar, enquanto Jessie realiza manobras para se equilibrar em plataformas exclusivas. Já Buzz possui um arremesso bem mais forte do que o de seus companheiros. Há também mecânicas pontuais como o cavalo Bala no Alvo, fases de tiro com o Buzz e outras as quais evito detalhar para não estragar surpresas agradáveis.
O jogo é curto, podendo até ser concluído em um único dia se o jogador não se focar nos coletáveis do mapa. Mas mesmo isso não sendo um problema, essa brevidade torna algumas ideias e mecânicas mais apressadas que o comum, fazendo o ritmo alternar de forma instável com fases inteiramente voltadas para ação, ou leveis quase que 100% de puzzles. Embora seja bom ter variedade, essa instabilidade incomoda levemente em alguns momentos.

Sempre use um bom chapéu de cowboy!
Não me considero exigente ao abordar a apresentação geral, mas, por se tratar de um jogo baseado em filme, essa pauta ganha mais importância. Sobre os visuais, é um jogo lindo que envelheceu muito bem, fazendo o jogador se sentir de fato dentro da animação. Esse capricho se reflete tanto na jogabilidade quanto nas cutscenes, além de menus temáticos acompanhados por uma trilha sonora digna da franquia.
No áudio, não menos importante, o jogo traz a dublagem brasileira dos filmes, o que ganha muitos pontos positivos, tendo em vista que Toy Story tem filmes desde os anos 1990 e o público brasileiro já é habituado às vozes nacionais. Principalmente se considerar que, em pleno 2026, muitas empresas ainda negligenciam esse aspecto.

Com a dublagem de nossos brinquedos favoritos sendo mais que icônica, se fosse para criticar algo, apontaria apenas a mixagem um pouco inconstante e a alteração da voz de alguns personagens secundários bem específicos. Contudo, esses detalhes não atrapalham a experiência com o jogo.
Não se esqueça dos brinquedos do fundo da caixa
Além da campanha principal, vale destacar o modo secundário: o Rodeio do Woody da Caixa de Brinquedos. Contrariando tudo o que se espera de um jogo do estilo, esse modo é um sandbox no qual o jogador assume o papel de xerife e precisa gerenciar uma cidade do Velho Oeste ao lado do prefeito Porquinho.
O jogador explora um mapa aberto, interage com personagens conhecidos da franquia, constrói estruturas para a cidade com uma customização satisfatória, cumpre missões solicitadas pelos moradores, dentre outros. Além disso, itens coletados na história principal ganham utilidade aqui, envolvendo a customização de estruturas, moradores, etc, isso tudo incluindo easter eggs de outros filmes da Disney e da Pixar.

Esse tipo de capricho tem faltado em jogos modernos, agregando e encorpando bastante minha experiência. O modo se encaixa perfeitamente na premissa de Toy Story, reforçando o sentimento de nostalgia da infância ao consumir a obra video-gamistica.
Eu era o maioral, para mim esticavam o tapete
Tendo tudo isso em mente, dá para entender o porquê de este jogo ser tão amado por quem o jogou. Baseado em um filme sensacional, o título entregou uma qualidade a altura nos consoles da época e envelheceu de modo muito agradável.
Icônico dos visuais à trilha sonora, o jogo traz um mundo carismático somado a uma jogabilidade divertida, dublagem brasileira essencial e um carinho evidente em cada detalhe. Trata-se de uma verdadeira carta de amor a uma franquia animada tão majestosa.

Pequenos deslizes foram encontrados, mas não são notáveis o bastante para atrapalhar a experiência. Se você gosta muito de Toy Story e de jogos de plataforma com ação e puzzle, a visita é obrigatória. Caso tenha uma simpatia menor, ainda assim vale a pena experimentar devido à sua curta duração.
É muito bom revisitar uma fase da vida por meio de um jogo e perceber que a obra realmente era boa, e não apenas nostalgia barata ou puro apelo sentimental. Isso torna o resultado final ainda mais satisfatório.
Prós:
- Sabe aproveitar o filme completamente a seu favor, adicionando uma nova perspectiva de consumi-lo;
- Visuais que não envelheceram nada mal;
- Dublagem brasileira icônica;
- Dificuldade acessível;
- Cenários esbanjam criatividade;
- Modo extra viciante.
Contras:
- Não soube utilizar mecânicas com o devido potencial;
- Microproblemas envolvendo câmera, colisão, controles e localização das legendas;
- Botão de salvar me deixou na mão uma vez, tal qual a Bonnie no quarto filme.
Nota
9
