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Desenvolvedora: Jandusoft, 3Cat
Publicadora: Jandusoft
Gênero: Plataforma 3D
Data de lançamento: 8 de outubro de 2026
Preço: R$ 129,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Xbox Series X/S, Playstation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Jandusoft
Revisão: Manuela Feitosa
Manairons, que já havia sido lançado para o PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC em fevereiro deste ano, finalmente ganhou seu port para Nintendo Switch. Desenvolvido pela Jandusoft e 3Cat, o jogo é um plataforma 3D linear com alguns elementos de puzzle e exploração baseado no folclore dos Pirenéus (região montanhosa entre a França e a Espanha) focado nos manairós, pequenos seres similares a elfos que trabalham sem parar. Uma escolha inteligente de ser místico, tendo em vista a premissa do jogo.
O indie, que bebe diretamente da forte cultura catalã, gira em torno do clássico conflito entre a industrialização e a natureza, o que já me chama atenção, pois eu adoro quando esse tipo de premissa é abordada nos videogames. Porém, o que eu encontrei foi uma história um tanto quanto vazia com uma gameplay simples demais, o que por si só não seria um problema, caso tivesse tido um pouco mais de capricho.
Uma revolução sem muito a dizer

No início do jogo, acordamos em uma fazenda como uma pequena ou pequeno manairó chamada Nai. Ela estava presa há séculos em um artefato mágico chamado “canut” e quem a libertou foi uma bruxa que a guia para escapar da fazenda.
Desde que a protagonista esteve adormecida, a antiga Vila de Vilamont vem sendo dominada pela industrialização — um latifundiário chamado Llorenç começou a usar o poder mágico dos manairós para transformar a pacífica cidadezinha em um lugar repleto de fábricas e poluição. Tudo que os moradores podem fazer sobre isso é se esconder do tirano. Para deter tudo isso, Nai deve explorar 5 comércios locais da cidade, resgatar os lojistas e outros manairós para acabar com o domínio do vilão. Tudo isso usando uma flauta mágica, que é a principal gimmick do jogo.
A premissa segue essa lógica praticamente por toda a jogatina. A história é simples e funciona, entretanto o principal problema dela é que falta carisma nos personagens. Todos os designs são bem legais e casam muito bem com a estética mais industrial e sombria misturada a um ambiente fantasioso inspirado na Era Medieval.
Porém, todos os personagens têm personalidades genéricas e um deles inclusive estraga o plot twist final do jogo por causa disso. A bruxa suspeita é uma bruxa suspeita. O velho fazendeiro é somente um velho fazendeiro. A confeiteira não é nada mais do que só uma confeiteira, e assim por diante. Mas, pelo menos na minha visão, o que torna um jogo divertido de verdade é a gameplay, que é onde também faltou um pouco de capricho.

Level design maneiro, mas faltou capricho
Manairons é um jogo de plataforma 3D com mecânicas já bem conhecidas por quem curte o gênero. Durante o jogo, exploramos ambientes que na perspectiva de um ser minúsculo são gigantescos e, para mim, essa é a coisa mais legal sobre o level design das fases.
Em poucos momentos vamos passar por desafios de plataformas flutuantes, já que cada local segue uma lógica específica para o ambiente em que estamos. Andamos por vigas, encanamento, tubos de ventilação e, quando estamos na confeitaria (uma das fases do jogo), por exemplo, andamos por fogões, pias, armários e bancadas. Os obstáculos também são condizentes com o cenário e você nunca vai cair em buracos infinitos ou espinhos aleatórios.
A principal gimmick que nos é apresentada é a flauta mágica que a protagonista carrega. Com ela, podemos carregar objetos pelas fases (a maioria os puzzles se baseiam nisso) e tocar canções específicas para ativar habilidades, mecânica claramente inspirada em The Legend of Zelda: Ocarina of Time. No geral, os puzzles são bem tranquilos de se resolver e o jogo tem uma dificuldade bem acessível para o público infantil, que é o foco.
Como eu disse anteriormente, a maioria desses quebra-cabeças é baseado em levar algum objeto, na maioria das vezes baterias, de um lugar para o outro ou montar padrões específicos com eles. Desafios de abaixar alavancas em um certo padrão também são recorrentes. Essa falta de diversidade nos puzzles é um dos pontos negativos para mim, pois isso tornou o jogo mais genérico do que ele aparenta. Fiquei com a sensação de que Manairons não conseguiu construir uma identidade própria no que mais importa.

Apesar do bom level design e comandos até bem competentes, o jogo foi muito mal polido. Eu tive péssimas experiências com bugs durante a minha jogatina, como falhas para acertar cordas que a protagonista usa para escalar ou então durante o uso das habilidades de canções que o game nos apresenta.
O problema mais grave que eu tive foi durante um dos últimos chefes, que, enquanto eu aproveitava a brecha para atacar, o boss impulsionou a personagem para fora do “campo de batalha”, fazendo com que a manairó caísse no chão (a batalha era em cima de uma mesa), onde tinha colisão, o que travou a batalha inteira, me forçando a reiniciar o jogo. Além desse problema, presenciei muitos bugs visuais também, onde os modelos ficavam piscando na tela. Esse foi, com certeza, o bug mais recorrente, o que estragava os cenários que são o ponto mais alto do jogo para mim.
Um combate de perder o ritmo da canção
Por falar em chefes, o jogo tem pelo menos um no fim de cada fase e, durante a aventura, a manairó heroína enfrenta aqueles que vêm sendo controlados por Llorenç, nos colocando assim à frente de um sistema de combate bem básico que é o ataque corpo a corpo usando a flauta mágica e projéteis. Apesar de simples, o combate em sua maior parte do tempo não funciona corretamente. Só existem dois tipos de combo: no chão e no ar, e o personagem dá no máximo três ataques e trava. O problema é que esse intervalo entre os combos é muito longo e o jogo perde muita dinamicidade, além de prejudicar o jogador ao receber danos desnecessários pelo personagem ter travado no meio dos golpes.
Junto do combate corpo a corpo, Nai também pode soltar projéteis pela flauta para acertar os inimigos de longe ou que estão fora do alcance, mas isso consegue ser ainda pior. A única vez que você vai precisar usar essa opção de ataque é quando um manairó inimigo está flutuando em um lugar que seja inacessível, pois os tiros conseguem ser ainda mais lentos do que as pancadas, o que quebra completamente o ritmo do jogo.

Manairons também tem uma curta variedade de inimigos que podem ser derrotados usando estratégias diferentes. Porém, não faz diferença bater de frente com eles diretamente para usar o pequeno combo de três golpes, já que não existe nenhum incentivo real para que cada tipo de manairó maligno seja derrotado de formas diferentes, deixando o combate mais monótono ainda.
Esse foi com certeza o ponto mais baixo do jogo para mim, principalmente nos chefes, onde é extremamente frustrante conseguir expor o ponto fraco do inimigo e não poder tirar proveito da situação por causa dos ataques lentos, tornando todas as batalhas chatas e repetitivas. Além disso, tive problemas com bugs nos ataques também, onde mesmo estando colado ao inimigo, nenhum dos golpes o acertava.
Apesar de tudo, uma atmosfera intrigante
Mesmo com bugs e mecânica de combate chata, o jogo me ganhou por sua atmosfera, cenários e designs. Todos são muito bonitos, charmosos e interessantes, e foi o que me motivou a continuar jogando. Apesar de não serem muito carismáticos, os manairós são bem bonitinhos. Além disso, o mundo e os cenários das fases são muito bem construídos e dão realmente uma sensação de vida para Vilamont. Cada fase tem uma temática própria, são ricas em detalhes e fazem parecer que aquele lugar realmente existe.
Além disso, o jogo também tem um hub world onde você pode selecionar as fases para entrar de novo, coletar o que perdeu e completar side quests que dão upgrades como recompensa. Esse local de seleção de fases, que nada mais é do que a própria Vila de Vilamont também é bem bonito, apesar de vazio e não ter o que explorar.
Os chefes são um show à parte, eu realmente gostei do design de cada um deles. Apesar de três deles serem bem parecidos em mecânica, é fácil gostar de cada um logo de cara só pela apresentação, já que as animações também são muito bem feitas.

Já graficamente, a versão de Nintendo Switch não difere muito das outras versões. O jogo roda a 30 quadros por segundo cravados. Deu pra ver que a otimização em questão de performance foi muito bem feita pela equipe de desenvolvedores.
No fim da jornada, Manairons vale a pena?
Por fim, concluo que meu saldo com Manairons foi mais negativo do que positivo. Esse é um jogo cheio de potencial, mas que foi mal polido e com pouco capricho. É um jogo bonito, com uma boa performance e um level design que foge um pouco do óbvio nos obstáculos e desafios de plataforma, mas o game peca no que é mais importante: a gameplay. Não que ela seja de toda ruim, existem boas ideias e eu me diverti jogando, porém os constantes bugs, sistema de combate precário e monótono e puzzles repetitivos atrapalharam a experiência e podem afastar qualquer fã do gênero plataforma 3D. No fim das contas, faltou um pouco para ser um bom jogo.
Prós:
- Cenários e ambientes esteticamente bonitos que trazem uma boa atmosfera, dando ao jogador uma sensação real de que aqueles locais existem;
- Level design excelente que foge do óbvio, onde as plataformas e obstáculos seguem a lógica específica da fase;
- Boa exploração, com vários coletáveis pela fase que dão vontade de explorar mais cada nível.
Contras:
- Bugs constantes que atrapalham muito a experiência tanto de visual, quanto de gameplay;
- Sistema de batalha chato e lento que quebra completamente a dinâmica e o fluxo de gameplay, prejudicando as batalhas;
- Puzzles repetitivos que se tornam monótonos depois de um certo tempo jogando;
- Personagens que, apesar de terem bons designs, são pouco carismáticos e não agregam muito à narrativa.
Nota
6
