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Desenvolvedora: TVT Co. Ltd., Ratata Arts
Publicadora: Game Source Entertainment
Gênero: Ritmo | Roguelike
Data de lançamento: 14 de outubro de 2026
Preço: R$ 180,50
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Game Source Entertainment.
Revisão: Davi Sousa
Ser um sucessor espiritual é sempre uma tarefa ingrata. Ao mesmo tempo que os desenvolvedores tentam atender às expectativas dos fãs da respectiva série, os mesmos parecem ter uma lista de quesitos aos quais julgam ser necessários serem atingidos para validar ou não a existência da obra. E no meio desse dilema temos o jogo em si, que não tem nada a ver com a história e só quer trilhar o seu caminho, tentando ser um produto criativo maior do que o seu progenitor.
Ratatan chega ao Nintendo Switch 2 com um fardo pesado de se carregar, mas que, se superado, pode ser o alvorecer de uma nova série em uma indústria cada vez menos indulgente com “apostas”. Mesmo com uma campanha incrivelmente bem-sucedida no Kickstarer, a nostalgia seria o bastante para justificar trazer novamente boas ideias de um passado recente?
Vamos encontrar a “Deusa”!
No jogo, somos apresentados a Rataport, a ilha que serve de lar dos Ratatan. Ao despertar, somos informados por Crow (Kro) que estamos em uma grande jornada para ver a “Deusa” e que será necessário ir ao “Além” para isso.
Os termos estão entre aspas por não serem necessariamente utilizados com o mesmo sentido em que aplicamos essas palavras nas culturas modernas e suas crenças, mantendo o mistério sobre o que realmente seria esse lugar, sua divindade ou mesmo o motivo de embarcarmos nessa jornada desconhecida.

Apesar da premissa de urgência dada na apresentação, o clima é bem leve. Muitas vezes, ao longo da jogatina, a motivação da história será lembrada pelos personagens no hub do jogo, com algumas metáforas ou falas expositivas. O foco de Ratatan é a gameplay, fazendo alusão aos jogos do passado, onde a história era apenas um plano de fundo para contextualizar o jogador, e não o que os desenvolvedores quisessem que você prestasse atenção.
Bota casaco, tira casaco
No começo, tudo parece muito confuso e aleatório, mas não se deixe levar pela fofura; ela te faz ter uma percepção de que o jogo é casual demais, mas não é. O seu personagem se chama Ratatan; ele funciona como uma espécie de maestro, que rege os cobuns, que funcionam como Pikmins. Você os coordena para realizar atividades pelas fases, e os comandos vão de ataques diretos ou especiais até movimentos de reagrupamento, pulo ou defesa.

Dominar todos os movimentos é muito importante. Lembra que falei há pouco que o jogo possui mecânicas de roguelite? Elas se aplicam mais especificamente às fases, que funcionam como runs definidas por qual recompensa você que adquire por superar aquele trecho da fase. Elas vão desde mais HP, mais cobuns para a sua tropa ou cartas elementais que adicionam bônus (elementais ou não), ajustando o seu poderio à forma que for mais conveniente de jogar e criando sinergia com o Ratatan escolhido lá no começo.

Rataport funciona como um hub. É lá que você poderá realizar os upgrades e comprar vantagens que tornarão a próxima run um pouco mais simples, fazendo, pela lógica, com que você esteja apto a ir mais longe. Tudo que for coletado nas runs é importante; nada está ali por mera estética, então tome um tempo para aprender como tudo funciona sem a pressa de se tornar bom logo de cara. Caso esteja encontrando dificuldade, ative as assistências; eles estão lá para isso mesmo, tornar o jogo mais divertido, impedindo que você o abandone prematuramente.

Quando julgar que já domina minimamente o jogo, você pode se aventurar com mais quatro amigos, sabia?
Não precisa ter samba no pé (mas ajuda)
Em uma primeira impressão, Ratatan tem todos os elementos para torná-lo um jogo pelo qual a pessoa que os fala não teria o menor interesse. É tudo muito colorido e fofo e, somado à jogabilidade de um gênero com o qual não possuo tanta familiaridade, fecha um pacote de experiências que eu só teria se fosse obrigado pela minha esposa ou por conta do trabalho. O destino, porém, é um serzinho com um humor bem peculiar, e acabei responsável por trabalhar na review do jogo para o site.

Sabe quando você é convidado por amigos a jantar em um restaurante pelo qual nunca se interessou e, após sair dele, você gostou tanto da comida que fica se chamando de idiota por nunca ter entrado lá? Ratatan ressoa comigo da exata mesma forma. Os elementos que o compõem de forma separada não se tornam atrativos, considerando-os de forma isolada, mas com o preparo certo, bem cozido e temperado, se torna uma das experiências mais divertidas que pude ter com o Nintendo Switch 2 neste segundo semestre.
Acadêmicos de Ratatan, nota 10!!!!!!
Nem todo o esforço do mundo é garantia de sucesso. Noites mal dormidas, consistência e dedicação podem. muitas vezes, ser um tiro no escuro. Ver um projeto envolto em tanto amor, tão contrário às métricas do que é ou não sucesso, dá aquele alento de que o mundo não é resumido apenas a uma sequência de zeros e uns.

Mesmo com a campanha muito bem-sucedida no Kicstarter, quantas promessas se tornaram natimortas? Quantas estrelas não se apagaram antes de alcançar o seu brilho máximo? Vivemos em tempos onde o óbvio precisa ser dito, alto e claro, de preferência, então caso essa mistura louca de Pikmin com jogo rítmico e roguelite não clique com você, não fique por aí esbravejando. Nem tudo é sobre ou para você.
Após a epopeia que foi descobrir Ratatan, só consigo pensar no grande cantor Mc Fornalha, em sua composição mais famosa, Spring Love: “E estou sempre preparado. Se estou sempre preparado. Se tu quer fazer comigo. Então fique do meu lado”. E sim, a trilha sonora do jogo está estupenda. Já ouviram falar de David Wise?
Prós
- Não existe a menor possibilidade de não achar algo no jogo minimamente maravilhoso;
- David Wise na trilha sonora, sempre absurdo;
- As assistências do jogo não tornam ele bobo, mas sim acessível a novas audiências;
- O looping de gameplay torna muito difícil parar de jogar.
Contras
- Quê!?
Nota
10
