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Desenvolvedora: SHIFT UP
Publicadora: SHIFT UP
Gênero: Ação e aventura
Data de lançamento: 5 de novembro de 2026
Preço: R$ 299,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela SHIFT UP.
Revisão: Lucas Barreto
Lançado originalmente em abril de 2024, então como um exclusivo de Playstation 5, Stellar Blade trazia a androide EVE em sua missão de livrar o mundo dos Naytiba, uma raça monstruosa de origem desconhecida que fez com que o que restou da humanidade se abrigasse em um colônia espacial fora da Terra. O jogo bebe das fontes de Bayonetta e NieR Automata, mas apresentando uma obra que não se define apenas como uma homenagem, usando os dois clássicos apenas como uma inspiração para fazer algo à sua própria maneira.
Agora em 2026, já livre de qualquer amarra que limitava a audiência da obra aos consoles da Sony, a Shift Up, desenvolvedora de jogos mobile de sucesso como Goddess of Victory: Nikke, traz o seu debut em consoles para o Nintendo Switch 2 em sua versão mais completa, contendo todas as dlcs colaborativas lançadas até então, incluindo a mais atual delas: os trajes inspirados em Bayonetta. Estaria o console pronto para rodar de forma competente toda a volúpia da android heroína?
Por aqueles que perderam o lugar que chamam de casa
A narrativa começa nos mostrando a missão da colônia em desembarcar o 7º esquadrão aéreo na Terra, um esforço massivo com o intuito de ser um golpe certeiro nos Naytiba. Mas, o que poderia ser um grande dia da reconquista, desenrola-se da forma mais trágica possível. Milagrosamente a cápsula contendo EVE consegue chegar em solo terrestre, mesmo que muito avariada. Isso dá tempo o suficiente de Tachy, uma antiga conhecida da protagonista, vir ao seu socorro e guiá-la para onde o conflito estava.

Porém, assim como ir em festas de conhecidos que não te conhecem na verdade, as coisas não saem como o planejado. Todo o esquadrão da protagonista é dizimado, restando a EVE e Tachy lidar com o Naytiba Alfa. O embate poderia ter mais chances de sucesso para a humanidade caso uma falha da sua estrutura não tivesse comprometido as habilidades de combate da nossa heroína, culminando no sacrifício de Tachy. O derradeiro fim estava muito próximo e tudo indicava que EVE teria o mesmo destino da sua amiga, caso não fosse resgatada por uma pessoa misteriosa no momento final. Assim começa a sua jornada em Stellar Blade.
Logo descobrimos que o homem desconhecido é Adam. Um enigmático personagem que conserta os danos de EVE e forma uma aliança onde, depois de cumprir algumas tarefas, o misterioso homem levaria a protagonista ao encontro do Naytiba Alfa para que uma revanche pudesse ocorrer.
O que poderia ser pensado como um ato de vingança fica claro ser na verdade uma diretriz da protagonista. Sendo uma andróide, ela deve seguir sua diretriz que é exterminar os Naytiba para que a humanidade pudesse voltar novamente ao planeta que é o seu lar. Vingar Tachy era apenas uma consequência do plano maior que culminaria com a derrocada de seus inimigos, ao menos era isso que ela pensava a princípio.

Apesar das inúmeras polêmicas que precederam o jogo por conta da hipersexualização da andróide, a narrativa de Stellar Blade é muito mais intimista do que a primeira impressão do jogo pode nos passar. Com exceção das cutscenes de alguns momentos de intercessão com os coadjuvantes, a jornada é muito silenciosa e contemplativa. Os conflitos são colocados de forma a temperar a narrativa e os momentos de leitura dos arquivos encontrados nos corpos de soldados sem nome, que o tempo já esqueceu.

EVE não parece ter o conhecimento prévio de tudo o que ocorreu até então. Ela toma para si o papel de avatar do jogador naquele mundo, descobrindo os seus mistérios junto com ele. Os arquivos encontrados ao longo dos mapas movem o pensamento daquele por trás do controle a questionar se os protagonistas realmente sabem com quem estão lidando ou o motivo real da sua luta. Apesar dos combates viscerais, a narrativa parece gritar para que você a deguste em pequenas doses, para que os combates não tirem do paladar do jogador a sensação de que nada ali parece ser o que é dito.
“Poxa, eu pensei que fosse só um jogo de fanservice”. Pensou errado, otaku!
O combate do jogo se apresenta como um “souls-light”. Você ainda verá ameaça em cada misero inimigo, fazendo com que o jogador ande em alerta a maior parte do tempo e puna os que acham que já haviam dominado os seus perigos, mas sem fazer com que o jogador seja tomado pelo ritmo ragatanga e arremesse o controle na parede.
Isso mesmo: ao morrer você não perde nenhum item monetário ou upgrade, mas é obrigado a recomeçar de onde salvou pela última vez. Com o passar do tempo, a impressão que se está poderoso pode ocorrer, até que você chegue a um subchefe ou chefe e seja colocado no seu devido lugar.

Da mesma forma que as “fogueiras” em jogo souls, EVE conta com acampamento pode pode realizar upgrades, reabastecer consumíveis e recuperar o seu HP. Nem sempre você vai sentar na sua cadeira e recuperar pontos de vida automaticamente, pois isso significa que todos os inimigos irão dar respawn, mas quem quer moleza que vá comer um pudim, não é mesmo? O jogo te incentiva todo o momento a explorar o cenário. Podem ser encontrados caminhos alternativos e desafios opcionais, mas fique atento, já que a curiosidade é recompensada mas também pune os soberbos.

Além da curiosidade de explorar os belos cenários, você também fará isso por conta dos upgrades. Alguns itens necessários para tal ficarão sempre bem escondidos, sobretudo os do companion que Adam usar para falar com você durante as missões, então recomendo fortemente que não jogue Stellar Blade à beira daquela soneca gostosa depois do almoço.
O jogo exige toda a sua atenção e isso também significa masterizar os seus comandos. Não vai adiantar nada desbloquear uma dúzia de novos movimentos se você jogar da mesma forma do começo ao fim do jogo. E pensando nisso o jogo permite que você treine os movimentos recém adquiridos. Eles são fundamentais para você pegar o timming correto das coisas.

Jogando na dificuldade easy ou normal você vai ter muito dinheiro disponível. Não é necessário ter tanta parcimônia para usá-lo, mas pense bem antes de realizar os upgrades ou avançar nas árvores de habilidade. Tente moldar tudo a forma com que o jogo se torna mais confortável à forma com que você joga, pois uma hora ou outra ele vai exigir de você muita habilidade e não vai ser nada bonito não ter se preparado devidamente. Falo de forma muito sincera quando digo que as roupas extras de EVE é o que menos você vai se preocupar no jogo.

Sei que muitas obras usam o fanservice como forma de mascarar deficiências ou “roubar” o seu rico dinheiro, te apresentando jogabilidades tão rasas quanto um pires, mas confie quando digo que a volúpia de Stellar Blade é mais no sentido do tesão que os desenvolvedores colocaram para tornar o jogo uma experiência divertida e menos sobre as curvas da protagonista.
Um ótimo começo para uma nova história
Stellar Blade é tudo isso que parece ser: história apocalíptica com um combate exigente e que tem um pouco de fanservice ali mas não se apoia nisso a todo o momento.
A pessoa que está escrevendo essa review é alguém que corre de souls-like como o diabo foge da cruz, e vi durante a minha jogatina um jogo que pode funcionar para muitos como o meio termo entre o casual e hardcore. Você pode até perder muito tempo sem passar de uma parte do jogo, mas o refino da obra fará com que todo o recomeço seja divertido. Seja pelo fato da possibilidade de empregar estratégias diferentes, seja pelo gamedesign não passar a sensação de que o jogador é burro a todo momento.

Por conta de ser originário de uma plataforma com um poder de hardware superior ao novo híbrido da Nintendo, alguns sacrifícios gráficos foram feitos para que a experiência possa ser sem gargalos, mas o que seria um cabelo estranho aqui ou acolá perto de um combate gostoso e cenário deslumbrantes, não é mesmo?
Além de tudo isso, também é importante falar que em tempos de Game-Key Card a Shift Up não poupou recursos e os amantes de mídia física terão o jogo completinho para chamar de seu, precificado de forma localizada para nós, brasileiros. Muito além das curvas de EVE, Stellar Blade é um dos melhores jogos para você se divertir no Nintendo Switch 2.
Prós:
- O jogo vai além de ser apenas uma mera homenagem a Bayonetta ou NieR;
- O combate é tão maneiro que morrer muitas vezes te dá mais vontade de se preparar melhor do que necessariamente te frustra;
- Uma porta de acesso bacana para jogos com mecânicas mais punitivas ao erro;
- Ter todo o conteúdo lançado para o jogo em um cartucho que não é Game-Key Card é respeitar o consumidor;
- A Shift UP não poderia ter um início melhor como produtora de jogos para console.
Contras:
- As longas madeixas de EVE já viram tempos melhores, mas alguns sacrifícios gráficos tiveram de ser feitos e é um preço justo a pagar por um belo jogo.
Nota
10
