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Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: Survival Horror
Data de lançamento: 27 de Fevereiro de 2026
Preço: R$ 165,00
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia adquirida pelo redator.
Revisão: Davi Dumont Farace
Eu sei, eu sei. Já faz alguns meses que Resident Evil 7 foi lançado no Switch 2, no mesmo dia mágico do lançamento de Resident Evil Requiem. Mas como ficamos bastante ocupados com as aventuras de Leon e Grace, acabamos por cometer o maior dos sacrilégios: ignorar os ports da duologia de Ethan para o novo console híbrido da Nintendo.
O leitor há de nos desculpar. Afinal, desde Resident Evil 4 não víamos o lançamento day one de um jogo mainline da franquia nos consoles da Nintendo. Mas como o recente longa de Zach Cregger despertou o hiperfoco dormente deste redator da série, que também mal contém o entusiasmo do port da trilogia de remakes para o Switch 2, considerem o presente texto como uma desculpa para falar do jogo que, sem exageros, salvou Resident Evil.
Mudança de perspectiva
Na ocasião do lançamento de Resident Evil 7, a Capcom ainda lidava com as consequências de seu antecessor. O jogo mais ambicioso da série até hoje se revelou como um verdadeiro tiro no pé, com múltiplas campanhas, uma história confusa no mínimo e um desgaste total dos personagens principais, o que parecia impossível. Por isso, os desenvolvedores precisaram alterar radicalmente a percepção do jogador.

Esqueça Umbrella, Ouroboros, T-Virus ou Leon. Das mãos dos capazes agentes Star, tomamos a perspectiva de Ethan Winters: a corporação de um homem comum. Sem treino militar, científico ou background magnânimo, resolve apenas ir atrás de sua namorada desaparecida já há três anos, após receber um vídeo no mínimo suspeito. Dirige-se então para a Lousiana, em um cenário muito diferente dos jogos até então: uma propriedade em meio ao pântano.
Nesse título, temos também pela primeira vez a adoção da primeira pessoa na franquia. A tendência estava em alta na época, com o surgimento de novos jogos de terror popularizados pela internet, como Slanderman ou Amnésia, que pesam muito mais a mão no quesito terror que a Capcom jamais havia feito. Sejamos transparentes: mesmo o título mais assustador da série até então, o remake do Resident Evil original de GameCube, tem seus momentos de tensão quebrados por tubarões assassinos, plantas chicoteadoras e macacos em frenesi, e em 2017 esse humor não era perceptível em outras obras de terror.
Com uma ênfase inabalável na ambientação, Resident Evil 7 se tornou então o título da série com maior ênfase no terror. Desde a primeira sequência ficamos enojados pela comida podre, aterrorizados com a violência gráfica e cambaleantes pela tensão. E é curioso perceber como a Capcom foi capaz de encontrar a nova força da série exatamente em suas raízes, já que aqui temos um mapa interconectado a partir de uma só propriedade, a casa da família Baker, com portas trancadas com engenhocas complexas, mas em uma navegabilidade simples.

Minha experiência no Switch 2 foi de revisita, já que já estou bem familiarizado com cada cômodo da casa Baker. Ainda assim, é impressionante enxergar a estrutura da obra, que mesmo após nove anos se mantém extremamente firme. Como é comum na série, Ethan se arma gradativamente, conseguindo inclusive ganhar melhorias permanentes ao encontrar moedas ao longo do mapa, uma adição bem-vinda que permaneceu na série em diante, mas mesmo em seu ápice ainda mantém certa fragilidade que sempre o deixa próximo ao jogador.
Grande pequeno jogo
Como os bons Resident Evil, o modo principal do 7 não é muito extenso. O backtracking aqui é bem reduzido, com poucas repetições de locais e incrível otimização do espaço aqui delimitado. A obra consegue entregar isso principalmente pelas sequências de fitas e flashback, que nos colocam nos mesmos espaços em tempos distintos, mesclando puzzles, gerenciamento de itens e construindo uma narrativa verossímel ao redor da tragédia que acometeu a família.

Ainda assim, o título fica um pouco desgastado pela repetição de inimigos e pelo inventário reduzido. Esse último, é um dos pontos positivos, é verdade, tirando o fato de que as chaves principais ocupam espaço nos slots e não são descartadas automaticamente após desbloquearem todos os cômodos; o que gera tensão, é verdade, mas obriga o jogador a ir e vir em salas de saves, onde podemos armazenar itens em um baú. Quanto aos inimigos, apesar do design extremamente intimidante, ao término da história principal já não causam tanta impressão e limita um tanto a variedade que vimos em títulos pregressos.
Ainda assim, Resident Evil 7 ainda é um jogão. No Switch 2, então, com performance estável e resolução aprimorada tanto em handheld quanto no dock, entrar mais uma vez na casa da família Baker foi extremamente tenso, divertido e satisfatório. Claro, depois de Village e Requiem muitos elementos parecem ter envelhecido um pouco, como a rigídez de bosses e a limitação de movimentação de Ethan; mas esses elementos constituem o charme da obra.
Além disso, não podemos nos esquecer que foi aqui que a Capcom desenvolveu a RE Engine, que demonstra até hoje sua incrível maleabilidade, entregando-nos todos os lançamentos da publisher day one no Switch 2 com pouquíssimo compromisso gráfico. No mínimo, esse esforço merece nosso respeito.
E não para por aí!
A edição Gold de Resident Evil 7 ainda conta com modos extras, dos quais destaco dois principais. Aqui, temos dois epílogos da história principal: um com o maior socador de pedras do mundo, Chris Radfield, e o segundo com o irmão de Jake Baker tentando resgatar sua sobrinha, Zoe, da infestação biológica.

Quando falo de Resident Evil, sempre comento que sua estrutura ideal consiste no terror com a inexperiência e a galhofa na catarse do end game. Se Ethan não é capaz de nos entregar a primeira parte, esses dois conteúdos adicionais o fazem com maestria. No primeiro, vemos um operador experiente navegar uma mina repleta de armadilhas, e, à melhor maneira Redfield, podemos destruir inimigos atordoados com um soco muito bem dado. No segundo, assumimos um porradeiro de verdade, capaz de enfrentar os maiores terrores usando apenas seus punhos. É realmente a maior catarse se livrar de inimigos que tanto ameaçam na campanha principal dessa forma.
Mas para além da dose de humor, os epílogos servem para melhor encaixar a narrativa na mitologia da franquia, inserindo o título na continuidade tradicional. Expandindo, também, os arredores da propriedade Baker, passamos a ver novos elementos que auxiliam na construção da tragédia de uma família simples por conta dos horrores das ameaças biológicas.
O início de uma nova era
Em 2026, Resident Evil 7 é mais do que um excelente survival horror: é a lembrança de que a franquia consegue se reconstruir a partir do resgate de suas origens. O épico deu lugar à intimidade, o megalomaníaco à simplicidade. Mesmo suas pequenas falhas, como a estranha decisão no final do segundo ato que o jogador precisa realizar e a repetição de inimigos, ainda não são o suficiente para pesar contra as várias qualidades da obra.
Tanto que Resident Evil 7 até hoje parece-me ser o melhor ponto de partida para um novato da série, ao lado de Resident Evil HD e 2 Remake. Sua atmosfera até hoje é impecável, especialmente com as comodidades portáteis do Switch 2, que é capaz de entregar tudo que se espera quando pensamos no título mais assustador da série até hoje.
Prós:
- Detalhes visuais no Switch 2 constroem uma atmosfera decadente que constrói a tragédia da família Baker;
- Level Design excepecional, com mapa bem construído e boa alternância entre puzzle, combate e sobrevivência;
- Conteúdos extra agregam à experiência tradicional, com epílogos que expandem a história principal e a recontextualiza na mitologia da franquia.
Contras:
- Quase nula variação de inimigos diminui o impacto inicial, impactando negativamente principalmente novas runs;
- Movimentação de bosses por vezes parece um tanto rígida.
Nota
8
