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Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: Survival Horror
Data de lançamento: 27 de Fevereiro de 2026
Preço: R$ 262,00
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia adquirida pelo redator.
Revisão: Davi Dumont Farace
Honrando o hiperfoco de Resident Evil despertado pelo novo filme, que rendeu também a review um tanto atrasada da versão completa de Resident Evil 7 biohazard, agora disponível no Nintendo Switch 2, chegamos enfim em Resident Evil Village. A duologia Barker, como já sabemos, foi lançada no novo híbrido da Nintendo junto com o lançamento de Resident Evil Requiem, e acabamos pulando esses ports incríveis para falar do inédito título. A natureza do presente texto é, naturalmente, corrigir essa injustiça.
Ao mesmo, essa é a justificativa oficial; o pretexto real é uma desculpa para revisitar essa série incrível, compartilhando também certa vontade renovada do público da Nintendo de conhecer os títulos que não chegaram aos seus consoles no lançamento original. Mas voltemo-nos para os horrores de uma vilazinha isolada na Europa.
Uma Continuação direta
Apesar da franquia Resident Evil ter personagens recorrentes, Village é o primeiro caso de uma sequência direta e consecutiva. A história aqui é indissociável da de RE7, três anos após o caso Baker, com Ethan e Mia, agora com uma filha, Rose, buscando deixar as trevas de Louisiana para trás. Mas basta abrirmos um save novo para ver nossa casa sendo atacada por Chris Radfield, nossa esposa morta e a filha sequestrada.

Esse ainda é o início leve, na verdade. Isso porque somos levados pela equipe Alpha do legendário agente do STARS apenas para ter o veículo atacado nas aproximidades de uma vila, que por sua vez está desolada, tomada de BOWs que parecem lobisomens, com corpos dilacerados em praça pública. Os desenvolvedores, aqui, tomam o início frenético do título anterior e decisem remover as sutilezas: é tiro, porrada e bomba (literalmente) em uma sequência surpreendemente emotiva, com sobreviventes perecendo à nossa frente, e a esperança minguando lentamente, até sermos apresentados aos antagonistas dessa interação.
Village é um título muito diferente dos demais na série. Despriorizando um pouco o aspecto de Survival Horror, torna-se um sucessor espiritual de RE4, abraçando muito mais o aspecto de Action Horror. Os puzzles são mais diretos, o combate muito mais refinado e as arenas muito mais comuns. A verdade é que esse título tem muito mais proximidade com Metroid Prime 2 do que com um Resident Evil tradicional: temos uma área central, a vila, e ao redor dela quatro domínios tomados por afiliados da vilã principal: Mother Miranda.

Ethan, assim, arma-se, enfrenta novos pesadelos e descobre a relação íntima de sua família com a antagonista da obra. Os desenvolvedores se esforçam para manter a personalidade do protagonista simples, sendo um civil que cai de paraquedas nas complexas tramas bioterroristas, com um enredo que amarra toda a duologia na mitologia da Umbrela Corporation. Na versão Gold, há ainda a adição do modo de terceira pessoa, reforçando ainda mais a relação direta com RE4, mantendo um jogo de câmera que torna impossível vermos o rosto do personagem principal, com um teor cômico que cai muito bem aqui.
Nessa run (a primeira no Switch 2, mas longe da primeira experiência com a obra) optei pelo modo de terceira pessoa para trazer certo frescor à experiência, o que funciona bastante! É bem evidente que o jogo não foi desenvolvido tendo em mente esse modo, visto os espaços estreitos em algumas sequências, mas é uma excelente adição para reforçar um dos aspectos mais fortes da experiência de Resident Evil: a rejogabilidade.
E nessa experiência, como se caísse uma ficha, parece que percebi enfim o quão bela é a direção de arte de Village. Com o modo HDR em uma boa TV, os visuais brilham, principalmente pela temática medieval das construções, mas também pela textura dos inimigos — bem variados aqui –, o modelo detalhado dos cenários e a ampla gama de variedade de ambientes, sem nunca nos deixar enjoados de um tema ou local.

Apesar de mistérios mal fabricados (sim, estou falando com você, Chris), Village é capaz de expandir a nova ameaça biológica introduzida em seu antecessor, oferece motivação para o jogador querer a qualquer custo realizar sua missão e ainda entrega uma conclusão bem digna a um personagem que em tão pouco tempo conquistou tantos.
Mas falemos de level design
Acredito que o maior problema de Village é, paradoxalmente, sua característica mais marcante: sua lineariedade. Não há muito espaço para improviso ou saídas criativas: Ethan deve seguir rotas muito bem traçadas, derrotar todos os oponentes que encontra, buscando upgrades com o Duque, um novo mercador que referencia o do quarto título, e o aspecto de survival aproxima-se do nulo.

O terror de Resident Evil não está no Gore (ué, aqui há à exaustão). Ele está justamente na tomada de decisão: devo usar a munição agora ou guardo para depois? Quais portas essa chave deve abrir? É verdade que Resident Evil 4 criou uma nova estrutura linear, mas que sequencia muito mais seus corredores. Não precisamos revisitar quartos antigos, já livres de ameaças, ou fugir de tyrants. Village tenta misturar os dois em estruturas que muito se assemelham a dungeons de Zelda, e o level design acompanha a proposta de forma firme, mas de fato tirando um pouco o suspense e o horror de certos encontros (o caso mais famigerado sendo a Lady Dimitrescu, que mais encanta fãs do que apavora Ethan).
Contudo, como o combate é extremamente polido, esse aspecto acaba por ser apaziguado. A diversão do título está em estourar cabeças, encontrar novas armas e explodir minas para eliminar múltiplas ameaças ao mesmo tempo. Por isso, a experiência do jogo base se torna extremamente fluída e satisfatória.
O mesmo não pode ser dito sobre a expansão, já incluída na versão Gold. No epílogo, jogamos com a filha de Ethan, Rose, anos após os eventos de Village. Narrativamente, a proposta não é muito interessante, estendendo uma narrativa bem concluída em um enredo um pouco desnecessário. Além disso, os desenvolvedores se propuseram a entregar uma experiência mais tradicional de survival horror, mas aproveitando os cenários do jogo base.

Pessoalmente, essa mescla não funciona tanto. A experiência suurvival horror está vinculada ao level design, e diminuir os recursos e dar uma espécie de controle tanque não é o suficiente para entregar a experiência desejada. No fim, temos um remix de cenários do jogo base que, mesmo interessantes, não entregam uma grande experiência. O destaque fica, assim, exclusivo para a construção da personalidade de Rose, fazendo-nos questionar seu papel no futuro da franquia.
Não tem desculpa

Agora que estamos nas vésperas do lançamento dos ports de RE 2, 3 e 4 no Switch 2, não tem desculpa para nintendistas não entrarem de cabeça na franquia. Ter todos os jogos modernos acessíveis e disponíveis em uma plataforma híbrida é, verdadeiramente, o sonho de um fã apaixonado. O port ser excelente, com apenas alguns pop-ups bem ao fundo em carregamento de fases, é apenas a cereja no bolo.
Village é, apesar de defeitos pequenos, uma experiência incrível, capaz de surfar na renascença da série e expandiir além de sua zona de conforto. Sendo facilmente um dos melhores Shooters no Switch 2, aguarda apenas a sua visita.
Prós:
- Ambientação detalhada nos transporta para o mundo do jogo;
- Combate liso e gratificante com sistema de recompensas com o Duque;
- Narrativa nos deixa motivados até o final.
Contras:
- Level Design mira em Survival Horror mas entrega sistema de dungeons, que apesar de funcional não combina tanto com a proposta de gameplay;
- Epílogo recicla por demasiado a campanha principal, sem entregar algo verdadeiramente novo e interessante.
Nota
8,5
