Estamos a pouco mais de um mês de distância para Pikmin 4, e perguntas já se acumulam aos montes a seu respeito. Após o estrondoso lançamento de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, a Nintendo apresentou o título como seu próximo grande lançamento, e não duvido que a empresa pretenda fazer um grande barulho com ele.
Afinal, 10 anos o separam o último jogo, lançado ainda no Wii U e relançado em 2021 para o Switch, e não há dúvidas de que um esforço considerável tenha sido despendido a ele. Falamos, afinal de contas, do grande xodó de Shigeru Miyamoto, criador de Super Mario Bros. e The Legend of Zelda, e acredito que aqui veremos uma carta de amor, por parte dele, a sua criação como um todo.
Uma pequena retrospectiva
Antes de mergulhar em si nas minhas expectativas, acredito que uma retrospectiva possa auxiliar a leitores interessados em ingressar na série. Pikmin nasce em 2001 no GameCube, em um jogo criado a partir da Tech Demo Super Mario 128, utilizando a tecnologia de geração e controle de um grande número de objetos em tela para organizar hordas de pequenas criaturas chamadas… Pikmin! No primeiro título, somos apresentados a Olimar, um caçador de tesouros do planeta Hocotate que, durante suas férias, viajando pelo espaço, sofre um acidente, caindo em um planeta alienígena e desconhecido.
Tendo perdido as peças que compõem sua nave, encontra-se com as curiosas criaturas que passam a lhe ajudar, até por fim ser capaz de retornar a seu lar, para sua esposa e filhos. Desde já, vemos ser criados diversos pilares da série, desde o sistema de tempo, com dias limitados a nossa disposição para reunirmos todas as peças, e os diferentes tipos de Pikmin, cada um com seu atributo: nesse primeiro momento, somos apresentados ao Pikmin vermelho, ideal para combate e resistente ao fogo, ao azul, capaz de sobreviver debaixo d’água, e ao amarelo, que primeiro se apresenta como o único capaz de carregar pequenas bombas, mas que nos demais títulos se distingue por sua resistência elétrica.
Em 2004, Pikmin 2 é lançado como uma verdadeira expansão do primeiro título. Ao retornar a Hocotate logo após os acontecimentos do primeiro jogo, carregando um souvenir do planeta para seu filho, Olimar encontra o presidente da empresa em que trabalha completamente desesperado. Tendo sofrido um grande prejuízo, anuncia a falência de sem empreendimento.
Contudo, após uma inspeção realizada pela nave S.S. Dolphin, seu patrão descobre o souvenir que Olimar carregava, logo entendendo que o planeta descoberto pelo capitão deveria estar repleto de tesouros. Sem titubear, envia-o de volta, agora tendo de levar consigo um segundo funcionário, Louie, para coletar outros tesouros e pagar a dívida da empresa.

Pikmin 2, assim, leva-nos de volta ao planeta dos Pikmin, dessa vez com dois novos tipos: os brancos, velozes e venenosos, e os roxos, lentos porém fortes, ainda trabalhando com o sistema de horas, porém agora sem uma limitação de dias definidos.
Ao contrário do primeiro jogo, onde devemos reunir as peças da nave de Olimar, agora devemos coletar artefatos humanos, dando a entender que o planeta onde jogamos é uma variação pós-apocalíptica da Terra, que são localizados especialmente em cavernas subterrâneas, onde o tempo é paralizado e podemos permanecer o quanto quisermos.
Louie aqui aparece como um personagem extremamente carismático por seus exageros, contrastando com o profissionalismo de Olimar, compondo uma excelente dupla de contrastes, até a metade do jogo, quando Olimar retorna a Hocotate sem seu companheiro. Assim que aterrissa, leva o presidente consigo de volta, em uma sequência memorável para resgatar o outro funcionário.
Em 2013, enfim, Pikmin 3 é lançado, agora protagonizado por um distinto grupo de aventureiros, pertencentes de um novo planeta: Koppai. O planeta está à beira do colapso devido a escassez de recursos alimentícios, e cabe ao trio composto pelo engenheiro Alph, a botânica Brittany e o capitão Charlie a viajarem até PNF-404, um longínquo planeta, para coletarem amostras de alimentos comestíveis e possíveis de serem reproduzidos em sua terra-natal. Logo descobrimos que PNF-404 é o mesmo planeta descoberto por Olimar nos títulos antecessores, ou seja, logo somos apresentados novamente aos famigerados Pikmin, novamente com dois novos tipos: os de rocha, indestrutíveis e capazes de quebrarem cristais, e os rosas, alados e frágeis.
Aproximando-se mais à estrutura do primeiro jogo, precisamos coletar frutas para expandirmos a quantidade de dias que podemos permanecer no planeta, abandonando o sistema de cavernas e expandindo as possibilidades de gerenciamento de unidades com a possibilidade de controlar três personagens.
Com o port de 2021 ao Nintendo Switch, pudemos jogar uma vez mais com Olimar e Louie em uma série de aventuras que se passam antes e depois dos eventos do jogo base, expandindo ainda mais o relacionamento dos dois personagens e revisitando inimigos clássicos dos títulos antecessores.

Por fim, chegamos a 2023. Pikmin 4 reside em um curioso espaço, sendo uma sequência extremamente aguardada pelos fãs, mas principalmente sendo uma grande chance de finalmente fazer a franquia se popularizar dentre a grande comunidade composta por usuários ativos na plataforma. Sendo assim, faço finalmente a pergunta: o que esperar de Pikmin 4?
Aparentes mudanças
Dentre os trailers apresentados pela Nintendo até o momento, já vimos diversos fatores que devem aparecer no título. Antes de tudo, sabemos que não jogaremos com nenhum dos antigos personagens, visto que o protagonista será completamente customizável.
Ao que tudo indica, a história parece se dar ao redor de um grupo de viajantes espaciais que, após terem recebido uma chamada de resgate pelo Capitão Olimar, sofrem um novo acidente, fazendo-os se separarem no planeta, com diversos personagens espalhados pelo mapa que devemos resgatar. Por conta disso, pergunto-me se teremos algum tipo de base central onde tais personagens se localizarão, assim como os Waddlle Dee em Kirby and The Forgotten Land. Caso isso se revele verdade, teremos algum tipo de missões paralelas a realizarmos, como coletar certos tesouros aos personagens?
Por conta da estrutura do mapa apresentada e pela câmera no nível do chão ao invés da clássica isométrica, é possível perceber traços de um jogo de aventura ao invés de um jogo estratégico de fato, então pergunto-me também quais mudanças serão feitas a nível de level design. Vimos uma verticalização do mapa a partir de paredes escaláveis, e podemos notar alguns pontos com marcações de pouso de naves; seria esta uma indicação de que poderemos criar diferentes bases ou estações de pouso ao longo do trajeto? Talvez, diferente das áreas separadas dos jogos anteriores, aqui encontremos um mapa único e linear. Contribui à ideia a introdução de Oatchi, uma montaria canina que parece existir por conta de um mapa mais extenso.

De fato, muito do que foi apresentado parece contribuir à ideia de uma relativa transformação da fórmula de Pikmin. Um outro pilar rompido é a introdução de um modo noturno, dando a entender de que poderemos jogar de noite, ao contrário dos títulos anteriores. Esse elemento, contudo, tratar-se-ia de um modo à parte ou de um modo de eliminar o ciclo de dias, afirmando a estrutura mais linear sem intervalos entre um dia e outro? Como as cavernas parecem retornar, essa mudança poderia contribuir como uma forma de unificar os cenários.
Particularmente, minha única preocupação é: de que forma esses novos elementos podem vir a interferir com o elemento estratégico do jogo? Afinal, a estrutura de Pikmin está relacionada com o looping de sair da base, explorar os arredores, derrotar inimigos e carregar seus corpos ou tesouros encontrados de volta à base. Múltiplas bases e a presunção de um mapa mais extenso sem dúvidas já coloca em cheque esse looping básico.
Além disso, caso possamos utilizar apenas um personagem, o elemento de micro gerenciamento introduzido em Pikmin 2 e aperfeiçoado no 3 poderia ficar de fora, reduzindo ainda mais o aspecto estratégico. Assim, acredito que as mudanças apresentadas já dão a entender que a fórmula geral será transformada, e sinceramente fico animado com essa ideia! Com três jogos brilhantes ao redor da mecânica, gostaria de ver uma reinterpretação da essência de Pikmin com outras perspectivas, colocando o título em um patamar que ainda não tenha imaginado.
Mas podemos, sim, responder à pergunta: o que esperar de Pikmin 4? Sem dúvidas, um jogo fruto de uma paixão imensurável por seu criador e pela equipe por trás de seu desenvolvimento, assim como seus antecessores, e mal posso esperar para jogá-lo!
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