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Desenvolvedora: Marvelous
Publicadora: Marvelous
Data de lançamento: 27 de junho, 2023
Preço: R$ 179,99
Formato: Digital/Físico
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela XSEED Games.
Revisão: Davi Sousa
STORY OF SEASONS: A Wonderful Life é o mais novo remake da série STORY OF SEASONS. Assim como foi o caso com o seu predecessor, STORY OF SEASONS: Friends of Mineral Town, a Marvelous decidiu atualizar um dos seus clássicos favoritos do público para as plataformas modernas, e o resultado é uma experiência agradável que visa introduzir novos jogadores ao título mais único da franquia.
Uma fazendinha bem diferente do esperado

Primeiramente, permitam-me falar um pouco sobre a série STORY OF SEASONS e sobre A Wonderful Life especificamente. Conhecida inicialmente no Ocidente como Harvest Moon, ela teve seu início em 1996 com um título para SNES, concebido na mente de Yasuhiro Wada, que inicialmente planejou a série como um jogo de simulação com um fundo de fazenda.
Apesar dos elementos que simulam o dia a dia na fazenda, Wada queria que Harvest Moon fosse muito mais sobre a rotina no campo do que focar na fazenda em si. Os títulos dirigidos por ele sempre tentaram colocar os relacionamentos entre personagens e a vida do protagonista como dois dos principais elementos de sua jogabilidade.

O que mais chegou perto da visão original que Wada tinha para a série foi Harvest Moon: A Wonderful Life, lançado originalmente em 2003 para o Nintendo GameCube. Apesar de ainda se passar em uma fazenda e temos o objetivo de transformá-la em um sucesso, A Wonderful Life dá muito mais foco à vida do nosso personagem do que outros títulos da série.
O game se destaca dentro da biblioteca de Story of Seasons pela estrutura de sua narrativa, jogabilidade e, principalmente, por toda a sensação que passa ao jogador. Sendo um título que mais foca na vida do personagem, temos aqui uma experiência única em toda a franquia, com entradas futuras retornando ao estilo clássico logo após este. Uma pena, pois a base apresentada aqui, com algumas melhorias, poderia render jogos interessantes que talvez ajudassem a série a quebrar a monotonia na qual ela se viu ao longo dos anos.
Em Wonderful Life, seguimos a vida do nosso protagonista ao longo de vários anos. Começamos herdando a velha fazenda de nosso pai e terminamos literalmente morrendo após vivermos uma vida cheia. Nesse ínterim, é preciso reerguer o lugar, se casar, ter uma família, fazer amizades e transformar sua nova residência em um negócio de sucesso, além de ajudar seu filho a decidir seu futuro. Tudo isso ocorre em Forgotten Valley, onde poderemos conhecer um elenco animado de personagens.
Vivendo uma vida completa

STORY OF SEASONS: A Wonderful Life é bem diferente de uma experiência tradicional da franquia. Assim como era o caso com o original, a campanha se divide em seis capítulos, além de um “epílogo”, e cada um dura um ano dentro do jogo, que aqui, diferentemente do resto da série, é separado apenas por quatro estações de dez dias cada. Cada capítulo é uma parte da vida do protagonista e é preciso completar um objetivo antes do dia final; senão, um game over irá ocorrer.
Como em outros jogos na série, cuidar da fazenda é bem simples e os jogadores podem criar animais e plantar frutas e vegetais. Contudo, é válido mencionar que, diferentemente de outros títulos, aqui há um nerf enorme nas plantações, com plantas levando mais tempo para crescer e sua colheita acontecendo uma única vez. Isso, claro, é para fazer com que os jogadores passem a cuidar da fazenda de uma forma mais geral, equilibrando plantações e produtos de origem animal.

Após o lançamento no GameCube, o jogo recebeu uma versão para garotas no console e depois uma edição especial masculina para PlayStation 2, que introduziu algumas novidades. Este remake é baseado no conteúdo base, porém possui as novidades introduzidas nas versões adicionais, além de outras que foram acrescentadas à franquia ao longo dos anos.
A primeira é a opção de jogar como homem, mulher ou pessoa não-binária, incluindo a escolha de seus pronomes e o casamento entre pessoas do mesmo sexo — Aliás, o matrimônio, que era obrigatório na versão original, também recebeu algumas mudanças no remake. Se tornou mais fácil conseguir conquistar o coração daquela pessoa especial, e as adições de Special Edition do PS2, como Lumina e a opção de ter uma filha em vez de um filho, também estão presentes.
Cuidar da sua criança também se faz necessário. Como na versão original, passamos por vários estágios da vida de nossa cria, desde um bebê até a um adulto. Cada estágio permite interações diferentes, como brincar, dar presentes e até conversar e cada ação influencia a criança e qual dos futuros ele vai seguir, seja herdar a fazenda ou até mesmo seguir seu próprio caminho.

Fora da fazenda, alguns extras estão à nossa disposição. Forgotten Valley é um local pequeno, mas cheio de vida, nos permitindo interagir com os vários personagens presentes. É possível visitar a mina local e ajudar no descobrimento de itens e outros artefatos, além de presentear NPCs. Outra novidade é a introdução do sistema de pedidos, no qual os personagens vão pedir um item em troca de uma recompensa.
Ainda assim, é verdade que A Wonderful Life deixa a desejar no quesito de conteúdo extra. Não há muito o que fazer no jogo, e a repetição pode acabar cansando. Mesmo tendo menos tempo que outros títulos da série, com estações curtas e menos dias, há muito pouca coisa para se fazer, o que pode ser um grande negativo para quem espera algo a mais de um jogo no qual o objetivo é levar uma vida realizada.
Uma cara nova para um clássico

Além das mudanças de jogabilidade já mencionadas neste texto, STORY OF SEASONS: A Wonderful Life também traz outras alterações, que são resultado da sua existência como um remake. O mais óbvio são os gráficos, que ganharam um robusto upgrade comparado ao título original, ou até mesmo ao último remake da série, de Friends of Mineral Town.
Outras mudanças foram realizadas na UI do título, além de efeitos sonoros e músicas melhoradas. A jogabilidade também foi adaptada para tornar mais simples o acesso aos menus e o uso das ferramentas de trabalho e itens. A principal novidade, contudo, é uma pequena opção de customização do protagonista, que inclui cor de pele, cabelo e roupas, que podem ser adquiridas com o vendedor viajante Van.

A apresentação de uma forma geral mudou bastante. Os personagens estão mais bem animados, demonstrando diversas reações específicas que podem ser observadas ao interagirmos com cada um. Eventos e cenas especiais possuem ângulos e animações únicas que os tornam ainda mais memoráveis. Obviamente, ainda há muitas limitações na forma como os personagens se movem ou em outras áreas gráficas, mas isso são coisas esperadas de uma série como Story of Seasons.
Outra mudança que também busca trazer o clássico para a era moderna foi a repaginada geral no jogo e em seus elementos mais “controversos”, que resultou em pontos positivos e negativos. Alguns personagens passaram por alterações em seus visuais, seja tornando-os mais bonitos, no caso dos candidatos a casamento, ou apenas fazendo-os ficar mais “agradáveis”.
Mudando um jogo único

Como mencionado anteriormente, STORY OF SEASONS: A Wonderful Life é um jogo bem diferente do resto da série. Até o momento, foram mencionadas as mudanças em relação à jogabilidade, mas outro importante elemento do original, sua atmosfera, também sofreu uma grande alteração com a modernização que o remake trouxe.
A versão de 2003 possuía uma atmosfera um pouco mais pesada do que seus antecessores, com visuais utilizam uma paleta de cores mais frias, com muito marrom, dando uma vibe mais “triste”. O remake muda completamente, com cores mais vivas e uma iluminação que traz os elementos de design mais fofos comuns da série nos últimos anos.

Ainda existem alguns trechos narrativos pesados, como a morte do seu personagem ao final do jogo; contudo, alguns temas ou personalidades mais agravantes encontrados em certos NPCs foram removidos ou suavizados, de forma a deixar o clima mais agradável. Um exemplo é visto a partir do capítulo 2, onde se observa mudanças nas personalidades de Nami e Cecília, removendo o que poderia ser visto como uma pequena parte ruim do caráter delas.
Também vale mencionar a “censura” a certos elementos mais adultos, como o bar do vilarejo, que passa a ser um café. Algumas piadas com segundas intenções também foram retiradas ou tiveram uma mudança em sua escrita, tornando suas origens menos óbvias. O redesign de alguns personagens também pode ser visto como uma censura, pois, como já foi mencionado, alguns mudaram apenas para ficar mais agradáveis ao olhar moderno da série.
Uma vida única e maravilhosa

STORY OF SEASONS: A Wonderful Life é realmente um jogo único, trazendo a fórmula conhecida da franquia, mas com um nova reviravolta que vai surpreender até aos veteranos. A mistura dos elementos tradicionais de simulação, junto ao foco adicional na vida do personagem e a forma como o jogo busca contar uma história ao longo dos anos com visíveis alterações nos personagens e o mundo à sua volta, é especial e faz valer a pena uma jogatina em Forgotten Valley.
Seus elementos únicos são muito bem aplicados e as mudanças na fórmula fazem com que o game possua uma sensação bem diferente dos outros, De uma forma geral, ele pode ser considerado um sopro de vida nova a uma série que às vezes sofre com estagnação.
Comparado ao remake de Friends of Mineral Town, este novo lançamento é um produto muito melhor. Com mudanças bem mais significativas, tanto em jogabilidade, quanto em apresentação, ele surge como um remake feito de forma correta, introduzindo um dos títulos mais interessantes da série Story of Seasons a um novo público de uma forma que seja boa, sem deixar para trás evoluções alcançadas ao longo dos anos pela franquia.
Prós:
- Jogabilidade divertida e bem simples de se dominar;
- Acompanhar a vida do personagem é um toque muito bem interessante para a franquia;
- Os visuais e apresentação são muito bons para os padrões da série;
- O remake traz o melhor das versões anteriores enquanto adiciona novidades que melhoram ainda mais a experiência.
Contras:
- Não permite uma grande liberdade no quesito “ser um fazendeiro à sua maneira;”
- As poucas interações com NPCs e sua família fazem com que a simulação de vida deixe a desejar em alguns momentos;
- Algumas mudanças da fórmula podem acabar não sendo bem-recebidas pelos veteranos.
Nota Final
8
