Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
ARTDINK
Square Enix
30 de outubro, 2025
R$ 299,90
Físico/Digital
RPG | Coletânea
Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Desenvolvedora: ARTDINK
Publicadora: Square Enix
Gênero: RPG | Coletânea
Data de lançamento: 30 de outubro, 2025
Preço: R$ 299,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Manuela Feitosa
Continuando o sucesso do remake do terceiro jogo da série, a Square Enix decidiu finalizar a trilogia Erdrick com DRAGON QUEST I & II HD-2D Remake, que traz dois clássicos importantíssimos da história dos JRPGs para a era moderna. As novas versões dos dois títulos, além de terem recebido uma renovação visual e sonora completa, também trazem grandes novidades em sua narrativa e jogabilidade.
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O início reformulado de Dragon Quest I

O primeiro Dragon Quest pode ser considerado uma anormalidade até mesmo em sua franquia. Lançado originalmente em 1986, ele é considerado o pai dos JRPGs, tendo introduzido muito da base que o gênero utilizaria. Mesmo para uma série que se mantém ligada às suas tradições, o primeiro DQ tem suas peculiaridades que outros jogos decidiram abandonar ou até mesmo evoluir.
Em termos narrativos, sua simplicidade é evidente. A história do primeiro título é o mais simples conto de fantasia, onde controlamos um único personagem, descendente do lendário Erdrick, em sua jornada pelo mundo de Alefgard em busca de resgatar a princesa Gwaelin e derrotar o vilão Dragonlord para salvar o mundo.
A narrativa é simples e funcional, até para os dias atuais. Ao longo dos anos, mesmo quando outros títulos futuros tivessem oferecido histórias mais profundas ou grandiosas, a Enix (depois Square Enix) sempre decidiu manter Dragon Quest I como um título mais simples e direto que pudesse servir como um ponto de entrada para que novos fãs pudessem conhecer a franquia.
Isso mudou para a versão HD-2D e por uma simples razão: Dragon Quest III HD-2D. Com o terceiro título tendo sido refeito antes de seus predecessores, a Square Enix se viu tendo que atualizar o primeiro título para um estilo mais próximo de suas sequências a fim de não causar uma grande estranheza aos jogadores que possam ter começado com o III e decidido continuar a trilogia na ordem de lançamento dos remakes.

Sendo assim, temos um Dragon Quest I que teve sua história expandida a fim de se conectar a Dragon Quest III, o ponto de início da Trilogia Erdrick, e a sua sequência de forma mais direta. A base ainda é a mesma; controlamos um descendente de Erdrick em uma jornada solitária em busca de resgatar a princesa Gwaelin e derrotar o vilão Dragonlord. Agora, porém, temos alguns mini-arcos envolvendo soldados de Talengel, fadas que ajudaram Erdrick no passado e a criação dos Sigils que seriam objetos importantes em Dragon Quest II.
Além disso, Gwaelin e Dragonlord também foram expandidos em termos narrativos. A princesa, que era um objetivo opcional no título original, agora é ligada diretamente à deusa Rubiss, que ajudou Erdrick, e por isso foi sequestrada pelos monstros. O Dragonlord também recebeu uma maior caracterização, recebendo até mesmo uma conexão com o vilão de DQII.
As mudanças não se aplicam apenas à narrativa. A jogabilidade do título também foi reformulada. Dragon Quest I é notório até mesmo em sua série por ser um jogo onde controlamos apenas um único personagem, o Herói. Na versão original do jogo e em relançamentos subsequentes, todas as lutas são duelos 1v1 contra os monstros. Novamente, como uma forma de não causar uma estranheza em quem jogou Dragon Quest III HD-2D antes deste título, a Square Enix mudou a forma como os duelos ocorrem.
Múltiplos inimigos podem batalhar ao mesmo tempo e o jogador só tem acesso a um único personagem. Uma desvantagem que faz com que as batalhas se tornem chatas ou irritantes, dependendo de como elas ocorram para você. Isso porque o balanceamento não é nada bom. Inimigos costumam atacar múltiplas vezes por turnos e o número de habilidades que o Herói tem à sua disposição é limitado pelo MP do personagem, cujos itens para recuperação não são vendidos em lojas, e variedade, com poucas atingindo mais de um inimigo por vez.

Ter um único personagem em batalha contra grupos também serve como uma ênfase para as partes mais chatas do sistema de combate geral da franquia. Múltiplos inimigos diferentes, por exemplo, ainda são divididos em grupos, então mesmo habilidades que atinjam mais de um inimigo não vão atingir todos ali presentes. Além disso, o RNG que é comum nos duelos, seja para confirmar acerto de golpes ou até mesmo se um efeito vai funcionar ou não, também está em força máxima aqui podendo muito mais lhe atrapalhar do que ajudar. Em alguns casos, se deparar com mais de 3 inimigos na tela é quase um sinal de game over, o que pode frustrar alguns jogadores.
Essas mudanças resultam em uma grande diferenciada para o jogo, culminando em uma experiência totalmente inédita até para quem já jogou alguma versão anterior. O pacing da narrativa mudou bastante e o sistema de combate faz com que seja necessária uma aproximação diferenciada para os duelos. São novidades bem bacanas, apesar de não serem grandes mudanças se comparadas às introduzidas no próximo título. Além disso, ainda há alguns resquícios de mecânicas e ideias de DQIII HD-2D que permanecem aqui e causam uma certa estranheza.
Revitalizando a sequência

Dragon Quest II é um título que sempre se encontrou em uma posição um pouco esquisita em sua própria franquia. Apesar de ter sido uma sequência que melhorou em muito a base que Dragon Quest I introduziu, além de servir como um ponto para os próximos jogos, ele logo foi ofuscado por sua sequência direta e acabou ficando escondido entre ambos os títulos.
O novo remake buscou não apenas atualizá-lo para a nova geração, como também revitalizá-lo de forma a ser um final digno para a trilogia Erdrick, ficando de pé no mesmo patamar dos outros títulos. Entre os dois jogos do pacote, DQII é o que recebeu o maior número de novidades.

A narrativa do título foi expandida de forma similar a DQI, mas dessa vez ela busca ligá-lo não apenas a DQIII, mas também a DQXI. 100 anos após o jogo anterior, o reino de Moonbrooke, fundado por um dos descendentes do Herói de DQI, é atacado pelas forças malignas de Hargon. Assumimos o controle do príncipe de Midenhall, outro descendente do Herói original, e partimos em uma jornada para acabar com o vilão. Dessa vez, porém, a jornada será compartilhada ao lado de nossos primos, o príncipe de Cannock e a princesa de Moonbrooke.
Essa é a narrativa original de DQII e ela se mantém dessa forma com algumas novidades. A principal delas é a introdução da princesa de Cannock como uma quarta personagem jogável, fazendo com que o jogo ofereça uma party de quatro personagens. Outra novidade é a introdução da exploração debaixo do mar, que oferece um elo ainda maior com outros jogos da trilogia Erdrick.
Em termos de jogabilidade tivemos poucas mudanças. Alguns personagens foram melhorados e agora é possível ensinar novas habilidades para o Herói principal, que era o único que não podia utilizar magia. A introdução de uma quarta personagem também reequilibra as coisas e faz com que o grupo agora esteja um pouco mais balanceado para a aventura.

As principais novidades estão no contexto geral do jogo. Se comparada a DQI HD-2D Remake, a nova versão de DQII foi a que mais recebeu atenção dos desenvolvedores. Além das novas pequenas histórias, o título também introduz novas áreas de exploração, como o fundo do mar, expande outras do jogo original e até mesmo introduz desafios adicionais como superchefes, dungeons extras e um chefe final secreto.
Ouso dizer que entre os dois títulos, DQII HD-2D Remake é o melhor. Sinto que a dificuldade está bem balanceada e as novidades não prejudicam muito o pacing do título, além, é claro, de incentivar uma maior exploração e utilização das novas mecânicas introduzidas neste remake.
Melhorias gerais e resquícios de uma lenda

Além de novidades superficiais em cada um dos títulos, Dragon Quest I & II HD-2D Remake traz melhorias significativas para ambos os jogos. Visuais foram atualizados para o novo estilo, que serve para dar um novo charme às aventuras. Em termos sonoros, temos dublagem para as principais cenas da história, combate e músicas orquestradas, mostrando a grandiosidade que a franquia Dragon Quest carrega em seu nome. Além disso, temos também uma opção de auto-save após cada batalha, algo bastante útil visto que DQ só permite salvar em um único local (igrejas).
Em termos de desempenho, ambos os títulos funcionam muito bem no Nintendo Switch 2. Joguei a maior parte do tempo no modo portátil, mas até no dock não notei nenhum problema. A experiência é perfeita para handheld e ambos os jogos foram muito bem otimizados para a plataforma.

Apesar da surpresa inicial com o anúncio de Dragon Quest I & II HD-2D Remake, não fica difícil de entender por que a Square Enix decidiu continuar a série de remakes com ambos os títulos. Muito do trabalho em refazer os jogos já havia sido feito com Dragon Quest III HD-2D Remake, e não estou falando apenas de visuais e efeitos sonoros. Ouso dizer que muito do código de DQIII HD-2D Remake foi reutilizado aqui, pois há resquícios de suas mecânicas em ambos DQI e DQII.
Ambos os jogos possuem os secret spots, mini areas que podem ser encontradas pelos mapas e possuem recompensas, além de shinnings spots, pontos que concedem itens. As Mini-medals também foram adicionadas, servindo como um extra para exploração e alinhando os jogos a outros títulos da série. Enquanto o primeiro e o terceiro ponto funcionam para ambos, os shining spots são algo um pouco estranhos em DQI, pois os mesmos concedem equipamentos adicionais.
DQI não oferece um grupo, então ter múltiplas cópias do mesmo equipamento é algo estranho de se ver no jogo. Além disso, ainda existe a opção de curar party nele, mesmo que você seja um Herói solitário. São pequenas coisas, que no geral não atrapalham a experiência, mas deixam um pouco vísível que dentre os dois títulos, DQI não foi o principal foco do trabalho.
A lenda se completa

Dragon Quest I & II HD-2D Remake traz excelentes novas versões de dois importantíssimos clássicos da história do gênero. A Square Enix conseguiu continuar o maravilhoso trabalho feito em DQIII HD-2D Remake e introduziu novidades e melhorias muito boas, moderzinando dois clássicos para as plataformas atuais. Apesar de alguns percalços com DQI, o pacote em si é bastante recomendado para amantes do gênero e veteranos da franquia.
Prós:
- Dois clássicos refeitos com diversas melhorias de vida;
- Visuais e efeitos sonoros são muito bons;
- Auto-save ajuda bastante em certos momentos longos de exploração;
- Funciona sem problemas de desempenho no Switch 2.
Contras:
- O sistema de combate em Dragon Quest I não foi bem balanceado.
Nota
9

