Desenvolvedora: Feral Interactive, IO Interactive
Publicadora: Feral Interactive
Gênero: Ação | Stealth
Data de lançamento: 13 de novembro, 2025
Preço: R$ 154,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Feral Interactive, IO Interactive
Feral Interactive
13 de novembro, 2025
R$ 154,00
Digital
Ação | Stealth
Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Feral Interactive.
Revisão: Lucas Barreto
A Feral Interactive termina 2025 trazendo mais um título da franquia Hitman para o Nintendo Switch. “Hitman: Absolution” é um jogo bastante controverso na história da série, modificando vários elementos básicos da franquia para oferecer uma experiência mais direta e cheia de ação para os jogadores.
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Um Hitman diferente do esperado
Lançado originalmente em 2012, Hitman: Absolution seguiu um estilo um pouco mais diferente de outros jogos da franquia. Com uma narrativa mais séria e que servia como foco para a jogatina, o título pegou os principais elementos de jogabilidade da série e fez uma mudança completa na experiência.

A narrativa, que sempre foi algo em segundo plano, agora é o principal foco de jogo. Diana Burnwood, a handler de 47, traiu a International Contract Agency (ICA) e o assassino é encarregado de eliminá-la. Após matá-la, 47 recebe um último pedido de Diana para proteger uma misteriosa garota chamada Victoria que está sendo caçada por um grupo dentro da ICA.
47 decide honrar o pedido de Diana ao descobrir que Victoria é fruto de um experimento genético similar ao seu próprio passado. Traindo a agência, ele esconde Victoria da ICA, mas logo um outro grupo liderado pelo milionário Blake Dexter também mostra interesse em Victoria, sequestrando a garota e fazendo com que 47 decida eliminá-los também.

Enquanto outros jogos possuem uma narrativa mais aberta, com os assassinatos cometidos por 47 sendo parte de trabalhos regulares, Hitman: Absolution, no entanto, decide seguir uma história mais concisa. A narrativa possui vilões óbvios que são caçados por 47, mas diferente de outros jogos onde exploramos locais exóticos do mundo, neste tudo ocorre dentro do solo americano, em duas cidades distintas: Chicago e Hope, na Dakota do Sul.
A narrativa não é das melhores. Vários personagens são introduzidos neste jogo e permanecem por aqui mesmo e, apesar de ter vários grupos caçando Victoria, os principais vilões são Dexter e seu grupo. A ICA some da narrativa por um bom tempo, retornando nas missões finais e então tendo seus elementos rebeldes sendo caçados e eliminados por 47 no epilógo da história de uma forma bem esquecível. O próprio 47 também passou por uma mudança nada agradável aqui, com os desenvolvedores tentando explorar um pouco mais de sua personalidade em um personagem que nunca teve uma.
Ao final, a história deste título não foi bem recebida pelos fãs e a própria IO Interactive meio que tentou esquecê-la com a nova trilogia. Personagens que sobreviveram a este jogo não retornaram na nova trilogia e a própria Victoria foi esquecida. Diana, que deveria ter sido eliminada, também acaba retornando ao final da história, destruindo qualquer tentativa da história de criar drama para 47 eliminando o mais próximo de uma amiga.
O trabalho de um assassino reformulado

Com a mudança para focar em narrativa, Hitman: Absolution alterou a fórmula da série para se adequar à nova direção que o título tomou. 47 ainda assasina alvos específicos em cada missão, usando de uma variedade de ferramentas e armas para poder completar seus objetivos.
O jogo ainda incentiva a utilização de Stealth para resolver seus objetivos, incluindo objetivos que não envolvem assassinatos. 47 pode utilizar armas e até itens do cenário para causar distrações, esconder-se atrás de barreiras, paredes e outros locais, nocautear ou matar pessoas e se disfarçar com diferentes roupas.
O tradicional sistema de disfarces sofreu algumas alterações. Os disfarces agora não são tão poderosos quanto em jogos passados como Blood Money, por exemplo. NPC’s que utilizam o mesmo disfarce podem reconhecer 47 facilmente, diminuindo a importância desta ferramenta tão útil no arsenal do assassino e uma das principais mecânicas da franquia.

A escolha de armamentos e equipamentos antes do início de cada missão também foi removida. 47 agora começa com itens específicos e apenas um certo número limitado pode ser encontrado e utilizado pelo jogador. Ainda há armamentos icônicos como as pistolas silenciadoras Silverballers e o fio que 47 utiliza para estrangular vítimas, mas outros como as seringas de veneno e tranquilizantes foram removidos.
Ser descoberto por inimigos também possui algumas novidades. Agora é possível fingir se entregar para conseguir tomar um guarda como refém. Além disso, um sistema de combate mão a mão com QTE também foi introduzido, onde apertar botões no tempo correto faz com que 47 consiga matar seu oponente sem disparar um tiro.

A principal introdução do título é o Instinto. Segurar um botão faz com que tudo que seja interativo e inimigos apareçam com brilho, com o jogador podendo ver ameaças e itens de interesse, mesmo através das paredes. Com a falta de um mapa, essa é uma forma de se ajudar a se preparar para possíveis ameaças. Além disso, é possível utilizar Instinto para conseguir se disfarçar quando estiver passando por NPC’s com o mesmo disfarce de 47. Por fim, é possível gastar Instinto para entrar em um modo de slowdown, onde é possível mirar nos inimigos e ver 47 eliminando seus alvos com tiros precisos e de forma cinematográfica.
Os cenários, antes pequenas sandboxes em que o jogador era livre para fazer o que desejar, foram modificados para agora serem áreas mais lineares. As missões são divididas em minicenários com certos objetivos que 47 precisa completar para avançar para o próximo cenário. Ainda existe uma liberdade na forma como o jogador se aproxima do objetivo, mas a linearidade é a marca registrada aqui, com caminhos pré-determinados e sem muito espaço para explorar novas possibilidades. Essa mudança também eliminou o sistema de save durante missões, que agora são substituídas por checkpoints que podem ser ativados em certos locais.
Altos e baixos de um Hitman

Hitman: Absolution foi originalmente lançado para o PS3, XBOX 360 e PC, então portado pela Feral Interactive para aparelhos mobile. Como tal, visualmente o jogo é um ínterim entre Blood Money e World of Assassination, dois jogos da franquia disponíveis no Switch. Apesar disso, é preciso mencionar que até mesmo comparada à versão original, a nova versão do título é um pouco feinha, com menos efeitos de sombra e luz, por exemplo.
Absolution na época de seu lançamento rodava em uma nova engine visual criada pela IO Interactive. E para mostrar o poderio da mesma, a desenvolvedora criou eventos em que 47 precisava se esconder no meio de multidão de NPCs. O mais curioso é que a versão de Switch conseguiu manter esse alto nível de personagens na tela sem problemas…mas isso não significa que o port em si não tenha seus defeitos.

Custcenes em vídeo possuem uma qualidade muito baixa, algo comum em outros ports da Feral Interactive da série. Além disso, houve problemas de performance em alguns locais onde mover a câmera muito rápido significava uma pequena queda de frames. Por fim, houve momentos em que os botões travaram, com a ação ocorrendo ao redor de 47 e eu não podendo fazer nada, ou então ao pular os créditos finais e o menu não funcionando.
Além desses problemas do port, Hitman: Absolution em si tem seus problemas fundamentais graças às mudanças que a IO Interactive decidiu realizar neste jogo. Eu já comentei sobre a mudança nos cenários, a linearidade oferecida pelos mesmos e a remoção da escolha do loadout para missões, eliminando a liberdade oferecida ao jogador na forma de aproximar de seus alvos e decidir como eliminá-los, mas um outro grande problema do jogo é sua IA.

A IA dos inimigos é bastante desequilibrada em Hitman: Absolution. Se você decidir matar alguém com um tiro e uma pessoa conseguir ver exatamente a bala acertando o alvo, todos na proximidade imediatamente sabem onde você está, mesmo que você esteja escondido. Por outro lado, usar o sistema de cover é extremamente quebrado, em alguns casos, inimigos podem estar olhando para 47, mas por alguma razão não detectam sua presença.
Uma experiência nada Absoluta

Hitman: Absolution é um título bem fraco para uma série que preza pela criatividade e liberdade de expressão de seu jogador. Apesar de introduzir boas ideias, que foram carregadas para a trilogia World of Assassination e até portadas para Blood Money – Reprisal, a experiência em si deixa a desejar para aqueles que buscam a fórmula Hitman.
Como um jogo Stealth, ele é bom e confesso que jogá-lo me fez querer poder ter outros clássicos do gênero como a série Splinter Cell no Switch, mas como Hitman, me senti um pouco desapontado. O trabalho da Feral também foi um pouco decepcionante, especialmente para mim, que jogou em um Switch 2 e sofreu com problemas de desempenho e até alguns bugs estranhos.
Prós:
- Boa jogabilidade Stealth;
- Algumas setpieces da história são legais;
- Um dos melhores combates com armas da série.
Contras:
- Narrativa muito ruim e fraca
- Cenários são lineares e limitam bastante a criatividade do jogador;
- Sistema de disfarce elimina um dos elementos que fazem Hitman ser Hitman;
- Problemas de desempenho no Switch 2 para um jogo de Switch 1.
Nota
7


