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Desenvolvedora: D.A.G Inc.
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: RPG de ação
Data de lançamento: 27 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 229,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no PlayStation 5 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Manuela Feitosa
A série Tales of comemorou seu aniversário de 30 anos em dezembro do ano passado, mas as celebrações da Namco Bandai continuam em 2026. Tales of Berseria Remastered é o mais novo remaster da franquia, continuando com a série de relançamentos que a empresa tem realizado para celebrar as 3 décadas de existência da franquia. Um remaster um pouco desnecessário, sejamos sinceros.
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O conto de vingança

Diferente de outros jogos da série, Tales of Berseria: Remastered é uma história bem mais pessoal, seguindo os desejos nada heroicos de sua protagonista, Velvet Crowe. Outra uma jovem normal que vivia com seu irmão mais novo e seu cunhado, Velvet, perdeu sua irmã mais velha em um ataque de demônios antes da história principal e desde então tem se dedicado a seu irmão mais novo, Laphicet, que está muito doente.
Sua vida pacífica muda completamente quando durante outro ataque de demônios Artorius, seu cunhado, sacrifica Laphicet para acordar um lendário “deus” e ganhar novos poderes. Velvet, furiosa com a morte de seu irmão, é consumida pela sua raiva e acaba se tornando um demônio conhecido como Therion, com Arthorius a aprisionando em uma ilha e usando-a para consumir outros demônios.

Três anos se passam e Velvet consegue escapar de sua prisão com a ajuda de Seres, a Malak, um ser espiritual, que antes servia Artorius. Artorius em si é considerado um herói que vai salvar o mundo da praga demoníaca que transforma humanos em demônios. Reunindo um grupo de outros criminosos como o demônio da guerra Rokurou, a misteriosa maga Magilou, o pirata Malak, Eizen, um jovem Malak que ela batiza com o nome de seu falecido irmão, Laphicet e Eleanor, uma exorcista que começa a questionar os métodos de Artorius, Velvet busca vingar-se de Artorius sem se preocupar com as consequências.
Uma das partes mais legais da narrativa de Tales of Berseria: Remastered é acompanhar a evolução do elenco, tanto como um grupo quanto como indivíduos. Diferente de outros jogos da série e até do gênero, este não é um time que usa o tão clichê “Poder da amizade”. Cada membro da equipe possui seus próprios objetivos particulares e mesmo trabalhando juntos, existe uma grande tensão entre seus membros, tensão essa que vai diminuindo conforme a narrativa progride.
A própria evolução dos personagens em si e suas interações conjuntas são o brilho da narrativa de Berseria. Velvet começa como uma mulher obcecada por vingança e de poucas palavras, que eventualmente recupera um pouco de sua humanidade e emoções mais simples do seu tempo como uma garota normal, enquanto Laphicet aprende mais sobre o mundo e ganha seu próprio senso de existência, por exemplo.

Já o time começa a aventura falando pouco uns com os outros, mas ao longo da jornada começam a ter interações que vão muito mais do que apenas o objetivo diante de si. As skits, famosas cenas opcionais envolvendo personagens da party dão um show aqui, indo desde tópicos fascinantes como questões existenciais para momentos que mostram o lado mais cômico dos personagens. São pequenos detalhes que ajudam a destacar a equipe, tornando-a um dos melhores grupos da franquia em termos de caracterização.
Devore seus inimigos

Tales of Berseria: Remastered utiliza o sistema de batalha conhecido como Liberation-Linear Motion Battle System. Uma comparação que posso fazer com outros títulos da série com reviews no NintendoBoy é com Tales of Graces: Remastered, com o Liberation-LMBS sendo uma evolução das ideias introduzidas naquele título.
Os personagens não possuem ataques normais, apenas ataques especiais, com cada botão de face do controle sendo utilizado para atacar. É possível preparar até quatro combinações de ataques por botão e alterá-las durante o combate, permitindo uma grande variedade de combinações.
Enquanto Graces utilizava o sistema de CC para seus ataques, Berseria utiliza a Soul Gauge. Ela funciona de maneira mais limitadora ao sistema do título anterior, personagens só podem realizar ataques quando tiverem SG (indicado por pequenos cristais em cima de seu HP), com o número de SGs indicando quantos ataques podem ser realizados. Personagens começam com 3 SG e podem adquirir até 5 ao derrotarem um inimigo ou deixá-lo em um estado de stun. O mesmo pode ocorrer em reverso, com personagens perdendo SG caso sejam nocauteados ou fiquem em um estado de stun.

Além dos ataques, a SG também tem um uso adicional. Com 3 ou mais, é possível ativar com um toque no ZR uma habilidade especial exclusiva para cada personagem. Velvet, por exemplo, pode ativar sua garra demoníaca e ganhar um bônus extra dependendo do tipo de inimigo que ela “devora”. Este sistema, conhecido como Break Soul (BS), ajuda a expandir os combos, mas ele tem seus efeitos negativos, como uma redução no número de SG’s.
As Mystic Arts também retornam aqui, sendo ativadas com um toque no ZL após preencher uma barrinha à parte. Elas são ativadas especificamente durante os combos dos personagens. Também é possível utilizar essa mesma barrinha para alternar entre personagens durante o combate. Por fim, o sistema de combate também utiliza uma câmera livre, que muitas vezes atrapalha, já que não dá para “travar em um inimigo específico”, além do Free Run automático, permitindo que possamos nos movimentar livremente pelos cenários 3Ds.
Ficando mais forte usando qualquer meio à sua disposição

Tales of Berseria: Remastered mantém alguns dos sistemas tradicionais da franquia Tales, como o sistema de cozinhar, que concede bônus e efeitos, além dos títulos que ajudam a melhorar atributos dos personagens a cada level up. Alguns sistemas introduzidos em títulos mais recentes, como a customização de equipamentos, também retornam aqui, mas agora eles foram expandidos e modificados.
Cada pedaço de equipamento agora concede uma habilidade única, que, ao ser dominada e conseguida com pontos adquiridos após cada duelo, garante tal habilidade para o personagem indicado. Além disso, é possível melhorá-los com materiais para aumentar seus atributos e desbloquear habilidades opcionais exclusivas.
Um novo sistema introduzido aqui é a utilização dos piratas de Airfread, do qual Eizen faz parte, para explorar os mares em busca de tesouros. Dessa forma, é possível encontrar itens e materiais raros, que podem então ser utilizados para deixar seus personagens ainda mais fortes. Além de encontrar também várias referências à franquia.
Um Remaster não tão necessário

Não entrarei em muitos detalhes sobre a parte técnica de Tales of Berseria: Remastered, visto que esta review foi realizada com uma cópia da versão de PS5. Não é justo falar detalhadamente sobre como o jogo roda e funciona muito bem – por sinal, sem problemas de travamento ou glitches – uma vez que no Switch as coisas podem ser muito diferentes.
Para mim, este é um dos remasters mais desnecessários da série. Tales of Berseria foi lançado originalmente para ambos PS3 e PS4 no Japão em 2016. Seus gráficos podem não ser os melhores de sua geração, mas eles não são feios e o jogo nunca teve problemas sérios de desempenho até em sua versão de PS4. Eu tenho a versão original do jogo e posso dizer que não houve quase nenhuma mudança em termos visuais para o remaster.

As únicas novidades deste remaster são as já esperadas QoL encontradas nos outros remasters. O DLC do jogo original está aqui, temos acesso ao Grade Shop desde o início, as lutas contra inimigos no mapa podem ser desligadas e ícones mostram o seu próximo objetivo. O Grade Shop é uma mecânica que incentiva o New Game Plus, fornecendo bônus para gameplays subsequentes. Tais bônus usualmente são coisas para facilitar o replay, como experiência multiplicada, dano extra e afins, permitindo assim que o jogador possa customizar a experiência de jogo.
Em termos sonoros e de interface não tivemos nenhuma mudança. Ainda é possível jogá-lo com dublagem em inglês ou japonês e entre as opções de legendas, o português do Brasil está disponível. Quem tem um Nintendo Switch pode aproveitar pela primeira vez o título, mas para os donos de plataformas com acesso ao original, este remaster é algo bem desnecessário.
A vingança nunca é plena, mata a série e a envenena

Tales of Berseria: Remastered oferece aos donos de Nintendo Switch a oportunidade de experimentar mais um bom jogo da franquia Tales. Apesar desse remaster não trazer muitas mudanças significativas ou melhorias visuais, Berseria em si é um bom jogo com um elenco de personagens interessantes e um sistema de combate que expande algumas das ideias de títulos anteriores.
Berseria também marcou o início do período de dormência da série, com apenas um único título principal sendo lançado. A culpa, é claro, não foi desse jogo, mas tenha em mente que este foi o fim de uma era na história da franquia.
Prós:
- Um dos melhores elencos de personagens principais da franquia;
- Sistema de combate é bacana e expande ideias interessantes de títulos anteriores;
- Legendas em português;
- É o último jogo com a essência clássica da franquia Tales.
Contras:
- Remaster não traz melhorias visuais significativas;
- Falta de lock on no combate faz com que a câmera atrapalhe em alguns momentos.
Nota
8
