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Desenvolvedora: Game Freak
Publicadora: Nintendo
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 27 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 120,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Lucas Barreto
Pokémon oficialmente completou seus 30 anos em 2026! De 1996 pra cá, o que originalmente era apenas uma ideia que ninguém colocava muita fé acabou se tornando a maior franquia de entretenimento da história. O anime, o merchandising e o TCG certamente colaboraram para Pokémon tomar esse título tão honorável, mas o “carro chefe” da franquia sempre foram, isso mesmo, os jogos!
Pokémon nasceu e cresceu como uma franquia de vídeogames, então para comemorar a impressionante marca de 30 anos de idade, a The Pokémon Company decidiu relançar Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen, os dois remakes de GBA da primeira geração de Pokémon, na eShop do Nintendo Switch. Mas o que esperar desse relançamento?
Pokémon FireRed e LeafGreen se seguram como bons jogos até hoje? E o que o relançamento da Game Freak faz de interessante para justificar não apenas o lançamento individual fora do programa “Nintendo Classics” do Nintendo Switch Online, mas também o seu elevado preço?
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Retornando à Kanto
Originalmente lançado para o Game Boy Advance em 2004, Pokémon FireRed e LeafGreen são recriações fiéis de Pokémon Red e Pokémon Blue, a primeira geração de Pokémon lá do GameBoy original. Red e Blue são bem infames por serem jogos… esquisitos e meio bugados; muita coisa nesses dois não funcionam como deveriam, e o mero fato do remake utilizar a mesma engine da terceira geração, criada para Pokémon Ruby e Pokémon Sapphire, já corrige a maioria desses problemas.

Kanto é uma região confortável: simples, bem direta ao ponto e sem uma grandiosa história como as várias que vieram depois. Alguns vêem isso como um problema, mas para mim a simplicidade de Kanto é um charme, aquela região de Pokémon básica e curta que eu consigo apenas pegar e ir do começo ao fim em pouquíssimos dias.
Você vai escolher seu Pokémon inicial, montar seu time, batalhar (e provavelmente xingar bastante) com o seu rival, conseguir as insígnias de ginásio, impedir os planos malignos da Equipe Rocket, e finalmente se tornar o Campeão… esses jogos são a base perfeita para explicar à alguém do que Pokémon se trata: é a franquia em seu estado mais nu e cru, o que, por si só, não é algo ruim!
Por mais que eu ame a história mais complexa e profunda de jogos como as de Pokémon Black & Pokémon White, Pokémon Sun & Pokémon Moon ou até mesmo de Pokémon Scarlet & Pokémon Violet, ter uma região tão simples e direta ao ponto como Kanto, mas que representa tão bem o que Pokémon é, acaba por ser uma experiência agradável.

Mas a verdade é que, não tem muito a se dizer sobre Pokémon FireRed e LeafGreen que já não tenha sido dito por absolutamente todos na internet, todo mundo já jogou esses jogos.
A primeira geração de Pokémon provavelmente deve ser a mais jogada de todos os tempos, ainda mais por seu fiel remake. FireRed e LeafGreen ainda funcionam e seguem sendo jogos excelentes, então a pergunta que eu realmente quero trazer para esta review é: como Pokémon FireRed e LeafGreen justificam um lançamento individual ao invés de apenas serem colocados no catálogo de GameBoy Advance do Nintendo Switch Online?
A justificativa
E é agora vem a parte divertida: esses jogos não justificam um lançamento individual!
Salvo algumas poucas exceções, Pokémon FireRed e LeafGreen estão intocados no Nintendo Switch. Nada foi mudado, nem mesmo a proporção da tela, o que causa as famosas “barras pretas” ao lado do jogo. A exceção fica pra duas pequenas coisas: o jogo agora tem uma função de “censura”, onde nomes considerados ofensivos serão automaticamente revertidos para os nomes originais. Por exemplo, se você tentar nomear seu rival de “SHIT”, o nome dele será automaticamente revertido para “GARY” (sim, eu descobri isso exatamente dessa forma).

A segunda mudança já é algo bem legal. Após finalizar a Elite Four, o jogo automaticamente te recompensa com dois itens chamados “Aurora Ticket” e “Mystic Ticket”, que são dois itens especiais que podiam ser obtidos apenas caso o jogador fosse pra um evento presencial da Nintendo com sua cópia de FireRed/LeafGreen, eventos especiais esses que obviamente não existem mais, tornando os dois tickets inacessíveis por meios oficiais por um bom tempo.
Com os tickets, o jogo te dá acesso à ilhas adicionais onde você pode capturar os Pokémon Deoxys, Lugia e Ho-Oh, então é bem legal finalmente ter acesso a esses eventos de forma tão simples e oficial por meio desse relançamento.

Mas meus elogios meio que terminam por aí, já que… bem, não temos mais nada de muito novo. A compatibilidade ao Pokémon HOME com FireRed e LeafGreen já foi anunciada, mas eu acho essa estratégia de não deixar ela disponível já no lançamento dos jogos um pouco esquisita, tendo em vista que não seria nada impossível de se fazer.
A falta de uma forma de trocar seus Pokémon ou realizar batalhas online com seus amigos também é super decepcionante, ainda mais considerando que essa seria uma opção caso o jogo fosse lançado no próprio aplicativo de GBA do Nintendo Switch Online! Pokémon como Gengar e Alakazam se tornaram basicamente impossíveis de se obter para mim, já que eu não conheço ninguém que tenha um Nintendo Switch + uma das versões dos remakes para trocar comigo.

Eu entendo o quão as funções de Save State e Rewind quebrariam o balanceamento dos jogos e a importância de não deixar isso acontecer, ainda mais se compatibilidade com Pokémon HOME for algo a ser levado em consideração. Mas fica o questionamento se simplesmente desabilitar essas funcionalidades especificamente para os jogos de Pokémon não seria uma possibilidade a ser testada, tendo em vista que no 3DS, o Virtual Console de Pokémon Red, Blue, Yellow e Gold, Silver, Crystal fizeram exatamente isso com o intuito de ter compatibilidade com Pokémon Bank.

É claro que mesmo intocados, Pokémon FireRed e LeafGreen continuam sendo ótimos jogos e o valor da simplicidade de Kanto é provado sempre que eu jogo esses clássicos! A experiência de poder jogar essa geração de Pokémon no conforto da minha televisão é sim algo muito agradável e um ponto extra para o relançamento.
Entretanto, a oportunidade perdida de adicionar funções online e talvez até algumas melhorias de qualidade de vida (como mudar a proporção de tela do game) é inegavelmente decepcionante. E até mesmo a grande novidade, que seria a compatibilidade com Pokémon HOME, nem foi disponibilizada no lançamento! Na verdade, sequer temos uma data para quando isso vai acontecer, com um vago “no futuro” sendo a resposta da The Pokémon Company.

Preço vs. Novidades: Vale a pena?
Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen continuam sendo jogos excelentes e uma das formas mais agradáveis de se revisitar a região de Kanto. Mesmo sem todos os avanços e novidades que as gerações posteriores apresentaram, a base da franquia segue funcionando surpreendentemente bem e ter oportunidade de jogar esse clássico no Nintendo Switch tem seu charme, reviver a primeira geração numa tela um pouco maior e no conforto da minha cama foi definitivamente agradável!

Ainda assim, é difícil não sentir que o lançamento poderia ter ido um pouco além, ainda mais se considerarmos o absurdo preço de R$120. Com exceção da liberação dos eventos especiais, não foi feito muito para justificar o lançamento fora do catálogo de clássicos do Nintendo Switch Online e muito menos o preço cobrado.
FireRed & LeafGreen seguem sendo jogos muito bons, e eu diria até mesmo que numa boa promoção esses relançamentos podem valer a pena, mas fica a sensação de oportunidade perdida de transformar essas versões dos jogos em algo ainda mais especial.
Prós:
- Pokémon FireRed & LeafGreen ainda são ótimos jogos;
- Liberação dos eventos de Lugia, Ho-Oh e Deoxys;
- Futuramente, compatibilidade com Pokémon HOME.
Contras:
- Sem online play ou mudanças significativas na experiência;
- Preço elevado demais;
- Nomes “ofensivos” são censurados.
Nota
5

