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Desenvolvedora: Toge Productions, Chorus Worldwide
Publicadora: Chrous Worldwide
Gênero: ADV | Simulação
Data de lançamento: 21 de maio, 2026
Preço: R$ 74,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Chorus Worldwide.
Revisão: Davi Dumont Farace
Coffee Talk Tokyo trata-se já da terceira entrada da série de simulação de cafeteria, desta vez levando os jogadores à Tóquio, como o título sugere. A premissa do jogo é simples, o jogador controla uma personagem self insert que trabalha em uma cafeteria.
Naturalmente, devemos servir café aos mais diversos tipos de clientes e consequentemente acabamos aprendendo sobre as suas vidas, seus dilemas e as suas relações com os demais frequentadores do estabelecimento. Em Coffee Talk Tokyo amizades improváveis e novos amores nascerão, muitos conselhos de vida serão dados e claro, cafezinhos serão servidos.
O mundo visto por de trás do balcão
Como os seus predecessores, o jogo também se passa em uma versão alternativa e fantasiosa do mundo real. Enquanto os dois primeiros títulos se passavam em uma Seattle onde era comum encontrarmos várias raças humanoides como híbridos entre animais, pessoas com chifres e por ai vai, nessa nova entrada, vemos o mesmo tipo de dinâmica, só que um pouco mais voltado para o folclore japonês. No jogo, temos um personagem que é um Kappa e outro que é um Dragão de Água por exemplo. Ambos reconhecem suas raças e conversam entre si sobre suas origens e até um tanto sobre a “richa” que existe entre as duas tribos, fazendo uma construção de mundo até interessante considerando as peculiaridades da série.

Não havia jogado nenhum jogo da série anteriormente, mas o texto sensível e o desenvolvimento de personagem sempre foi elogiado, então fui com certa expectativa para esse título. Confesso que acabei me decepcionando, visto que o que encontrei aqui foi muito mais aquela abordagem já um tanto batida de cozy game onde tudo é resolvido com palavras bonitinhas, que por vezes faz com que eu me sinta assistindo uma versão adolescente de um desenho do Discovery Kids.

Entendo que talvez essa seja a proposta de Coffee Talk Tokyo. O jogo é averso a qualquer tipo de barreira, seja tratando-se tanto de gameplay quanto narrativa. Até mesmo os temas que são abordados que podem ser considerados “adultos” ainda são quase que completamente suavizados, como se revestidos por uma camada colorida de chantilly e granulados pra ficar completamente palatável e não causar qualquer mínimo desconforto no jogador. Ainda considerando que todas as batidas narrativas, plots e desenvolvimento de personagens são extremamente previsíveis, o que dá menos vontade ainda de continuá-los acompanhando.
Isso acaba tornando a experiência um tanto quanto entediante. Talvez funcione melhor se o seu objetivo seja ter algo descontraído pra jogar antes de dormir; um capítulo por dia, ou algo assim. Se esse não for seu caso, recomendaria passar longe de Coffee Talk Tokyo. Na minha experiência com o jogo, constantemente me vi pensando em como preferia estar fazendo qualquer outra coisa. Esse tipo de abordagem não funcionou muito bem comigo e se for pra conseguir uma dopamina tão fácil, prefiro scrollar o TikTok por meia hora.

O mundo de Coffee Talk Tokyo é bastante idealizado e praticamente perfeito, o que ajuda a criar atmosfera confortável do jogo. Por um lado é ótimo pra proposta, mas também faz com que os personagens do jogo tenham praticamente só problemas de gente privilegiada em um mundo perfeito, o que os acaba tornando bem desinteressantes. Felizmente o jogo não é 100% vazio e confortável demais: ainda abordará temas interessantes e complicações únicas daquele mundo, mas que infelizmente são pouco desenvolvidas, sendo deixadas de lado muito cedo, além de serem sanitizadas demais assim como todo o restante do jogo.
O verdadeiro café são os amigos que fazemos no caminho
Em minha humilde opinião, esse tipo de jogo funciona muito melhor se atrelado a uma mecânica interessante e satisfatória, te levando a pensar minimamente. O que Coffee Talk Tokyo oferece é apenas um único tipo de puzzle, onde devemos atender o pedido do cliente que não necessariamente sabe o que quer.
Muitas vezes, o mesmo vai solicitar uma mistura de ingredientes de forma abstrata, e cabe ao jogador interpretar o que ele quer na verdade. Exemplo: um personagem pode entrar na cafeteria e pedir um chá doce com frutas. Nesse caso, o jogador precisa obviamente escolher uma bebida a base de chá com ingredientes que o deixem doce, sendo um deles uma fruta. Para auxiliar nessa escolha, o jogo contém um menu no canto inferior direito que mostra o sabor e as características que aquela mistura de ingredientes resultará.
Alguns dos pedidos são bem diretos e simples, mas vez ou outra vão chegar solicitações bem abstratas que vão exigir um pouco mais de imaginação. Felizmente ou infelizmente, o jogo não possui consequência alguma caso o jogador prepare alguma bebida muito fora do esperado e todos os personagens vão agir como se estivesse tudo bem mesmo isso sendo digno de um reembolso. Mas ei… nós vivemos no mundo mágico dos abraços, beijinhos e alegria adocicada.

Além de fazer café, nós podemos checar o celular, que nos permite selecionar músicas, checar as redes sociais além de um livro de receitas onde ficam armazenadas todas as bebidas já feitas anteriormente. Nesse aspecto, o jogo já vem com algumas receitas desbloqueadas, mas a grande maioria vai sendo liberada conforme vão se fazendo novas combinações ao longo do jogo. Útil, pois não é incomum que certos clientes repitam o mesmo pedido em vários dias diferentes, por exemplo.
A seleção de musicas é bem genérica, completamente ambiente e sem nenhuma individualidade. A grande maioria praticamente se mistura uma na outra, e você mal vê as faixas mudando. No geral, é o tipo de Hip-Hop Lo-Fi mais genérico que existe. Nesse sentido, é difícil dizer que a trilha não cumpre o seu propósito, mas também não faz qualquer esforço para escalar o muro da mediocridade.

Quanto a rede social do jogo, ela funciona mais ou menos como espécie de Twitter, onde acompanhamos por um feed as postagens dos nossos amigos e clientes regulares do estabelecimento. Não existe nada demais nessa parte do jogo além de uma leitura breve, que tenta dar aquela sensação de que a vida dos personagens é um pouco mais do que é conversado dentro dos segmentos em que eles de fato visitam a cafeteria. Dar uma olhada ao menos no inicio de cada dia é aconselhável para ver se aconteceu alguma novidade na vida dos personagens.
Coffee Talk Tokyo conta com uma versão para Nintendo Switch 2 e que felizmente utiliza dos recursos de controle de mouse que fazem com que a experiência seja bem melhor do que normalmente seria somente no controle. O jogo possui vários menus que podem ser acessados ao mesmo tempo, com atalhos óbvios na tela. Na hora de fazer as bebidas, esses menus acabam dividindo a tela em partes diferentes, e navegar pelo jogo dessa forma acaba se tornando um pouco burocrático. É principalmente nesses momentos em que o cursor do mouse vem a calhar, sem falar na customização das artes em bebidas específicas, que é bem mais fácil e preciso dessa forma.

A xícara meio vazia
Coffee Talk Tokyo tem um potencial bem grande mas que não vi ser realizado da forma que poderia. O jogo parece o tempo inteiro evitar que o jogador sinta qualquer emoção negativa forte demais, o que me parece ir de contramão ao título, cuja proposta é apresentar essa abordagem mais intimista acerca dos personagens e o grupinho de amizade que vai se formando em volta do local. A falta de inovação que a nova entrada traz em relação aos seus predecessores também é bem decepcionante, não explorando mais afundo uma mecânica que por si só já era muito simples e encantava pouco.
Prós:
- É um bom jogo para relaxar, se o intuito do jogador for uma experiência extremamente casual para sessões curtas;
- Conceito interessante, desenvolve um mundo que dá vontade de saber mais sobre puxando referências da mitologia japonesa.
Contras:
- Construção de mundo com premissa interessante, mas que falha em se aprofundar nos seus tópicos mais únicos, dando uma sensação de potencial desperdiçado;
- O jogo parece ser completamente averso a oferecer qualquer coisa que cause o mínimo de incômodo no jogador, dependendo de mecânicas entediantes e narrativas rasas com conflitos em sua maioria banais;
- Personagens rasos com desenvolvimento básico e previsível.
Nota
6,5
